FAZER LOGINHelena sempre foi uma mulher dedicada, mas sua vida desmorona ao flagrar a traição do noivo com a própria melhor amiga. Decidida a recomeçar, ela jura nunca mais depender de ninguém. Até que, em uma noite de fraqueza, se entrega a um homem misterioso que cruza seu caminho — sem imaginar que ele é Arthur Vasconcelos, o novo CEO da empresa onde trabalha. Bilionário, controlador e marcado por um passado sombrio, Arthur não acredita no amor e enxerga Helena como uma ameaça ao seu controle. O choque entre eles é inevitável… e inesquecível. Quando uma gravidez inesperada vem à tona, ele a obriga a um casamento de conveniência, transformando a vida dela em um campo de batalha entre desejo, orgulho e segredos. Enquanto Helena luta para proteger o filho e sua independência, Arthur trava uma guerra interna contra os próprios sentimentos. A cada dia, a barreira entre contrato e paixão se torna mais tênue — mas o retorno de Rafael, o ex-noivo obsessivo, reacende feridas, difamações e até o perigo real. Presos entre escândalos, desconfianças e uma obsessão que ameaça destruir tudo, Arthur e Helena precisam decidir: permanecer prisioneiros do passado ou se arriscar em um amor capaz de quebrar todas as barreiras. Um romance intenso, repleto de segredos, perigo e paixão arrebatadora, onde até o homem mais implacável pode descobrir que amar é sua maior força — e sua maior vulnerabilidade.
Ver maisO restaurante era um daqueles lugares que pareciam flutuar fora do tempo. Luz baixa, mesas pequenas, velas acesas e o som suave de um piano ao fundo. Um garçom nos guiou até uma mesa perto da janela, de onde dava pra ver o reflexo das luzes da cidade dançando no vidro.Gustavo puxou minha cadeira, um gesto tão simples, mas feito com um cuidado que me desmontou. Ele sempre fazia isso — os detalhes que ninguém mais via.— Tá bonito aqui — comentei, tentando disfarçar o nervosismo.Ele assentiu, os olhos presos em mim.— Escolhi porque parecia um lugar onde você sorriria do jeito que eu gosto.Tentei rir, mas a voz dele tinha um tom diferente. Um tipo de calma que escondia algo mais fundo. Ele estava estranho, concentrado demais, quase sério demais.O garçom trouxe o vinho. Gustavo pediu o prato por nós dois — risoto de camarão e filé com molho de vinho tinto —, e eu só observei, achando graça da naturalidade com que ele assumia o controle das pequenas coisas.— Você tá quieto hoje — fal
Cinco meses.Engraçado pensar que parece uma vida inteira e, ao mesmo tempo, só o começo.Acordo com o cheiro do café vindo da cozinha — o cheiro dela.Clara canta baixinho alguma música antiga, desafinada do jeito mais lindo que existe.Tico mia, exigindo atenção, e eu fico ali, deitado, só observando a cena pela fresta da porta.Nunca imaginei que paz tivesse som, mas tem.É o barulho da colher batendo na caneca, o riso dela quando derrama café, o som dos passos apressados no chão de madeira.— Vai ficar me olhando o dia inteiro, Vasconcelos? — ela pergunta, sem nem precisar virar.— Se deixar, fico — respondo, levantando pra abraçá-la por trás. — Mas posso alternar entre olhar e roubar um pedaço do seu bolo.Ela ri, me empurra de leve.— O bolo é pra levar pro bar, e não, você não toca antes da hora.Clara ainda ria quando me virei de repente e a puxei pra perto, num movimento rápido.Antes que ela entendesse o que estava acontecendo, já estava no meu colo, as pernas ao redor da mi
A semana parecia um castigo lento. O tempo passou arrastado, como se cada hora me testasse pra ver se eu ainda aguentava esperar.Eu estava no bar de novo, sentado no canto, longe o bastante pra não incomodar, perto o bastante pra ver ela se mover. Clara fingia não me ver, mas eu percebia o jeito como os ombros dela ficavam tensos quando eu chegava. O jeito como ela evitava olhar direto, como se qualquer contato fosse perigoso demais.Rafa me serviu uma cerveja e sussurrou: — Cara, você é teimoso.Eu só dei de ombros. — Já fui pior.Ela passou perto, pegando uma bandeja. O perfume bateu em cheio e me desmontou. Não aguentei. Fui até o balcão, esperando o momento certo.— Clara. — Minha voz saiu baixa, quase um pedido.Ela não levantou o olhar. — Gustavo, não faz isso aqui.— Só me escuta. — Respirei fundo. Ela suspirou, largou a bandeja e finalmente me olhou. O olhar dela doía mais do que qualquer tapa. — Você acha que basta aparecer todo dia, deixar bilhetinho e fingir que é ou
Eu apareci no bar antes mesmo do expediente começar. Rafa me olhou de longe e fez sinal pra eu não falar nada. Nem precisei — o clima ainda tava pesado.Mas eu não fui por causa dele. Fui por ela.Clara tava no balcão, limpando as taças, o cabelo preso de qualquer jeito, o olhar distante. Parecia mais fria, mais contida… mas ainda era ela.— Boa noite, Rainha do Bar — falei, tentando um sorriso leve.Ela levantou os olhos por um segundo. — O bar abre às seis, Gustavo.— Eu sei. — Apoiei o cotovelo no balcão. — Mas o arrependimento abriu mais cedo.Ela continuou limpando as taças, fingindo indiferença, mas eu vi o canto da boca dela ameaçar um sorriso. Era um começo.— Eu trouxe café — falei, colocando o copo perto dela. — Do jeito que você gosta. — Você acha que café resolve tudo? — perguntou, sem olhar pra mim. — Não. Mas é o primeiro passo pra eu poder tentar.Ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu sentia vontade de tocar nela, de tirar aquela distância que parecia ter v












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