Mag-log inCapítulo 05: Bianca...
Ele pousou a máscara sobre a mesa e deu um passo em minha direção. Instintivamente, recuei e Ronan parou imediatamente. — Não vou me aproximar se isso a deixa desconfortável. É difícil compreender ou decifrar as verdadeiras intenções desse homem. — Por que fez isso? Ele franziu a testa. — Tirou a máscara... — Porque não gosto de esconder quem sou das pessoas que considero importantes. Arregalei os olhos. — Eu nem conheço o senhor. — Ainda não. O silêncio voltou a dominar o quarto, ele caminhou até o sofá e sentou-se, mantendo uma distância respeitosa. — Sente-se, Bianca. Não quero que esta noite seja mais dolorosa do que já está sendo. Depois de alguns segundos de hesitação, sentei-me na poltrona à sua frente nos pés da cama. — Posso lhe fazer uma pergunta? Assenti. — Então você foi obrigada a participar desse leilão? Balancei a cabeça. — Ninguém apontou uma arma diretamente pra mim, mas... quando vi aqueles homens ameaçando matar minha família, senti que não tinha escolha. Ele fechou os olhos por um breve instante, como se aquela resposta o incomodasse profundamente. — Imaginei. — E o senhor? Ele me encarou. — O que tem eu? — Por que participou? Não parece ser um homem que precise comprar uma mulher... — disse apertando um dedo no outro e abaixei o olhar. — Quer dizer que me acha bonito? — indagou com certo de brincadeira. — O senhor sabe que é... Seu olhar se perdeu na janela por alguns segundos. — Por coincidência estava passando por aqui e quando te vi... me lembrei de uma garota que me salvou um tempo atrás e quis te ajudar assim como ela me ajudou. Tive alguém que se envolveu nesse mundo... e sei o quanto ele é perigoso... A resposta me pegou de surpresa. — Alguém da sua família? Ele demorou a responder. — Minha irmã... ela morreu muito jovem. Sua voz tornou-se fria, quase sem emoção. — Prometi a mim mesmo que nunca mais assistiria alguém ser destruído sem fazer nada. Senti um nó na garganta e ali, enxerguei o homem por trás do bilionário. Ele também carregava cicatrizes. Ronan levantou-se, caminhou até mim e parou a poucos passos de distância. — Quero deixar uma coisa muito clara. Prendi a respiração. — Você é livre para ir embora agora. Arregalei os olhos. — O quê? — O dinheiro continuará sendo seu. Balancei a cabeça, completamente confusa. — Mas... o leilão... — Eu não comprei você, Bianca. Sua voz era firme. — Eu comprei a oportunidade de impedir que outra pessoa a comprasse... comprei a sua liberdade. As lágrimas caíram de meus olhos sem que eu conseguisse contê-las. Ninguém jamais havia feito algo assim por mim e a imagem que eu havia criado sobre Ronan começou a desmoronar. Talvez, esse homem frio esconda um coração muito mais ferido do que o meu. As palavras de Ronan ainda ecoavam na minha mente. "Você é livre para ir embora." Ninguém jamais havia me oferecido uma escolha e mesmo assim, permaneci ali. — Se me comprou... eu preciso cumprir a minha parte. Ele franziu o cenho. — Não precisa. — Preciso... — disse levantando-me e caminhando lentamente em sua direção. Minha voz saiu firme, embora meu coração estivesse acelerado. Ronan respirou fundo e desviou o olhar. — É melhor não se aproximar. — Por quê? Ele hesitou antes de responder. — Tenho transtorno obsessivo-compulsivo... Contato físico sempre foi um problema pra mim... nenhuma mulher conseguiu me tocar sem que eu recuasse. Aquilo me surpreendeu, por trás do homem poderoso existia alguém carregando suas próprias batalhas. Sem pensar muito, dei um passo à frente. Ronan me deu a chance de salvar minha família, tratou-me com respeito quando todos esperavam o pior de mim… e se ele carrega uma barreira assim, eu não poderia deixá-lo sozinho. Se ele aceitou receber o que eu tinha para dar, eu também poderia dar o que ninguém mais deu... um toque que não machuca. — Bianca... Havia um aviso em sua voz e mesmo assim, ergui lentamente a mão e toquei de leve seu peito. Esperei ele se afastar, mas não aconteceu seus olhos azuis permaneceram presos aos meus. A tensão entre nós era quase palpável. Quando meus dedos tocaram o peitoral forte dele, sob a camisa, ele não recuou. Ficou imóvel, a respiração parada, como se não acreditasse no que estava acontecendo. Deslizei a mão com toda a suavidade que possuo, sentindo o coração dele bater forte, como se estivesse lutando contra uma prisão que ele mesmo construiu. — Está tudo bem? — perguntei num sussurro. Ele não respondeu, apenas continuou ali, imóvel, como se estivesse descobrindo uma sensação completamente nova. Sorri timidamente. ...Nunca em toda a minha vida imaginei fazer algo desse tipo, mas tenho uma dívida com ele e não poderia sair sem pegar!... — Viu? Não foi tão ruim. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios. Sem perceber, diminuí a distância entre nós e nossos rostos ficaram a poucos centímetros um do outro e num impulso acariciei os meus lábios no dele suavemente. Meu corpo foi acometido por uma estranha descarga elétrica que fez minha pele se arrepiar e o coração disparar ainda mais. Ronan permaneceu imóvel por um segundo, completamente surpreso. Num movimento rápido e desesperado, Ronan segurou a minha cintura fina com uma pegada forte e feroz, puxando-me contra o seu corpo como se tivesse medo que eu desaparecesse. Nossas bocas se encaixam perfeitamente, ele pede passagem com a língua, eu concedo e o beijo que se segue é intenso, faminto, como se estivesse recuperando anos de solidão em um só instante. Entrelacei os braços em seu pescoço e correspondi aquele beijo sentindo o mundo desaparecer e parecíamos flutuar. Ele me conduziu até a cama, sem me soltar por um segundo sequer, com uma urgência que não combina com a calma que ele tinha antes... como se nós dois estivéssemos tentando chegar ao mesmo lugar, sem saber direito o caminho. O calor que emana de nossos corpos é quase palpável e parecem um ímã nos atraindo cada vez mais um para o outro. Eu que sempre sonhei em ter a minha primeira vez com o homem que amo, estou na cama com um desconhecido, mas que me transmite carinho e mais confiança do que qualquer pessoa que já conheci em toda a minha humilde vida já transmitiu. Não sei o dia de manhã, mas como minha avó dizia em seu ditado popular: " o amanhã à Deus pertence."Capítulo 45: Ronan...Eu estava com muita raiva... não, raiva era uma palavra pequena demais para o que senti quando vi William perto demais de Bianca. Desde que saímos daquele jantar, a imagem da mão do meu irmão indo até a cintura dela se repetia na minha cabeça. Se eu tivesse chegado alguns segundos depois... apertei o celular com tanta força que meus dedos doeram. No entanto, a minha mulher encontrou uma maneira incrível de me acalmar... confesso que estou viciado nessa mulher.Logo que chegamos a mansão, ela foi para o seu quarto, enquanto eu fiquei na sala e liguei para Dante.— Ronan?— Cancele todos os cartões vinculados à empresa que estão no nome do Willian... Benefícios, repasses, acesso a fundos, dividendos antecipados, investimentos administrados pelo grupo. Tudo que estiver sob meu controle!— Isso é bastante coisa.— Essa é a intenção.— Alguns investimentos exigirão análise jurídica antes de qualquer bloqueio.— Então coloque o jurídico para trabalhar agora! Quero uma
Capítulo 44: Bianca...Mais tarde, Ronan precisou conversar com dois investidores e fiquei sozinha por alguns minutos no jardim.Estava pegando uma taça de água quando ouvi:— Impressionante, como a fortuna de Ronan te deixou ainda mais linda e elegante....Meu corpo ficou tenso ao ouvir a voz de Willian e virei-me lentamente.— Boa noite. — tentei ser educada.— Você está diferente.Os olhos dele percorreram meu corpo com malícia e senti um grande desconforto.— Com licença.Tentei passar, mas ele bloqueou meu caminho.— Ainda está brava por nossa conversa do outro dia?— Você entrou na minha casa, tentou me comprar e me ameaçou. O que acha?Ele sorriu.— Tão dramática. — disse com deboche dando um passo em minha direção. — Afaste-se de mim, William!— Cinco milhões ainda estão disponíveis.— Nem por cinquenta.Seu sorriso desapareceu.— Meu irmão não é homem pra você.— Felizmente isso não é decisão sua.Passei por ele, mas antes que saísse segurou meu pulso com força, puxou-me e a
Capítulo 43: Bianca... — Não, Ronan Lancaster! — neguei cruzando os braços. Ele levantou os olhos do notebook. — Não foi um pedido, Bi! — Continuo dizendo não. — E eu ouvi. — Então por que continua agindo como se eu tivesse dito sim? — Porque você vai. — respondeu encarando-me — Você é insuportável, sabia? — Já me disseram isso. Estávamos no escritório quando Ronan simplesmente me informou que naquela noite eu seria sua acompanhante em um jantar de negócios. — Eu não sei como me comportar nesses lugares, ainda... — Sabe comer e beber? — Ronan Lancaster! Ele fechou o notebook. — Bianca, é apenas um jantar. Não uma reunião da ONU. — Pra você é fácil... conhece todo mundo e teve aulas de boas maneiras e etiqueta. — Está enganada... não conheço todos que estarão lá. — Sabe conversar sobre investimentos, empresas, milhões... — E você sabe conversar sobre comida, trabalho, seu restaurante, Brasil e milhares de outras coisas. — E se me perguntarem alguma coisa que eu nã
Capítulo 42 Ronan... Se alguém tivesse me dito algumas semanas atrás que Noah entraria voluntariamente no meu escritório para conversar comigo sobre um problema, eu teria mandado essa pessoa procurar ajuda. Desde a trágica morte de nossa mãe, ele não conversa civilizadamente com ninguém. Batíamos de frente até vó Eleanor aparecer dizendo que éramos dois idiotas orgulhosos demais para admitir que nos amávamos. Por isso, quando naquela noite Noah apareceu na porta do meu escritório, eu realmente me surpreendi. — Posso falar com você? Tirei os olhos do notebook. — Você está pedindo permissão para entrar? — Se começar, eu vou embora. — Entre. Ele entrou e fechou a porta. — O que aprontou dessa vez? — perguntei desconfiado. — Por que sempre acha que fiz algo errado? — Experiência. — Babaca. — respondeu bufando e se jogou na poltrona diante da minha mesa. — É sobre Amanda... Noah contou tudo o que havia acontecido e fiquei possesso de raiva. ... Quando essas malditas perseguiç
Capítulo 41: Amanda...Na manhã seguinte, acordei diferente... As notícias ainda estavam no site da escola. Os comentários cruéis não tinham desaparecido durante a noite e, provavelmente, as pessoas continuariam cochichando quando eu entrasse no colégio. Mas alguma coisa dentro de mim havia mudado, talvez a conversa com Noah, a forma como ele esperou por mim durante horas sem reclamar ou simplesmente estivesse cansada de permitir que outras pessoas decidissem quando eu poderia sorrir.Desci para tomar café animada.— Bom dia!Bianca ergueu as sobrancelhas.— Bom dia.Ronan abaixou lentamente o jornal e Noah parou de mastigar.— O que aconteceu com você? — perguntou.— Nada... só dormi bem. — respondi pegando uma torrada.— Assustador.. — murmurou Noah.Mostrei a língua para ele.— Muito madura — comentou.— Muito idiota.— Crianças! — interrompeu Ronan.— Ele começou — falamos em uníssono.Bianca riu.Por alguns minutos, parecia uma manhã normal, até Ronan olhar o relógio.— Terminara
Capítulo 40: Amanda...Noah está diferente ultimamente... Talvez esteja prestando mais atenção nele do que deveria. Depois da nossa discussão atrás do ginásio, quando o encontrei fumando e praticamente joguei na cara dele que estava destruindo a própria vida, eu realmente tentei me afastar.E ele também, só que algo havia mudado... Noah está ficando mais em casa. Não tem mais chego de madrugada... algumas noites, eu o encontrava na sala jogando videogame e outras, na cozinha atacando a geladeira como se não tivesse comida há semanas. Ainda é arrogante, implica comigo e chega no colégio com a camisa parcialmente para fora da calça, a gravata frouxa e aquele cabelo bagunçado de propósito. No entanto, eu não sentia mais cheiro de cigarro.Quanto a bebida não perguntava, prometi cuidar da minha vida e estou cumprindo... mais ou menos.Depois da entrevista de Bianca, acreditamos que as coisas finalmente se acalmariam. Minha irmã foi incrível e eu parecia uma boba chorando enquanto assistia







