Beranda / Romance / Cecília / Labirinto

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Labirinto

Penulis: Sah Flor
last update Tanggal publikasi: 2026-09-07 19:29:52

Deitei-me, mas o sono não veio. A conversa com Bernardo e a forma como ele reagiu ao nome da minha cidade ainda giravam na minha cabeça. Ponte Branca. Ele tinha dito que passava férias lá. Os olhos dele tinham mudado. Não era coincidência. Eu sentia. Mas ainda era cedo demais para entregar todas as cartas.

Virei de um lado para o outro. A mansão estava silenciosa demais. Por volta da uma da manhã, desisti. Levantei-me, coloquei o roupão e desci as escadas descalça. Precisava de água… e de ar.

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  • Cecília   Visita Inesperada

    Na manhã seguinte, acordei com uma sensação estranha.Não era medo.Era a certeza de que estávamos perto de alguma coisa. No hospital, Davi estava me esperando.Assim que me viu, veio em minha direção.— Bom dia, Ceci.— Não começa Davi...— Eu trouxe café.— Não quero, por favor e obrigada. Eu já tomei café.Ele suspirou.— Você está brava comigo.— Estou cansada.— Eu só quero conversar.— Davi, nós já conversamos tudo que tínhamos para conversar.— Não o suficiente.Antes que eu respondesse, ouvi uma voz atrás de mim.— Ela disse que não quer conversar.Heitor.Virei-me.Ele estava parado alguns metros atrás, com os braços cruzados.Davi sorriu com um ar de deboche,— E você é quem para decidir por ela?— Ninguém. Mas aparentemente alguém precisa repetir o que ela acabou de dizer.— Heitor... sussurrei Davi deu um passo à frente.— Você está sempre por perto — disse Davi— Porque você não sabe respeitar limites.— E você sabe?Os dois se encararam.— Chega — falei entrando no mei

  • Cecília   Linhas que se Cruzam

    O dia seguinte amanheceu carregado. Isadora não saiu de casa pela manhã logo cedo como sempre fazia. Ficou na sala de estar, de pernas cruzadas, folheando uma revista sem realmente ler, o olhar sempre voltando na minha direção cada vez que eu passava.— Você tem um jeito… — comentou ela de repente, quando eu levava o chá de Dona Marieta. — Um jeito que me incomoda. Bernardo levantou os olhos do celular.— Isadora, pelo amor de Deus.— Seu olhar. Até o silêncio. Você me lembra alguém.Meu sangue gelou, mas mantive o rosto neutro.— Lamento se causei algum desconforto, senhora.— Hun... resmungouBernardo se levantou, claramente irritado.— Chega Isadora. Deixa a menina em paz, ela está apenas fazendo o trabalho dela. Vamos. Temos reunião.Quando os dois saíram, Dona Marieta, que fingia dormir na poltrona, abriu um olho.— Ela sempre foi assim. Venenosa. Cuidado, minha filha. O veneno dela gruda.Passei o resto da manhã com dona Marieta, eu não tinha plantão no hospital, estava por a

  • Cecília   Linhas que se Cruzam

    Mal saímos do quarto de Dona Marieta e já ouvimos os passos de Isadora subindo a escada. Heitor puxou meu braço e me arrastou para o corredor oposto, nossos o corações batiam descompassado. A certidão e a carta queimavam dentro da minha blusa. — Heitor? — a voz de Isadora soou mais perto. — Você está em casa? — Estou no escritório, mãe! — ele gritou, forçando a voz a soar normal. Depois, baixinho para mim: — Vai para o seu quarto. Agora. Eu distraio ela. Obedeci. Fechei a porta com cuidado e me apoiei nela, tentando controlar a respiração. A cópia da minha certidão de nascimento suada em mãos. Por que a família Villela teria aquilo guardado no cofre da avó? A pergunta martelava sem resposta. Minutos depois, ouvi a voz de Isadora se afastando. Heitor bateu de leve na minha porta e entrou sem esperar resposta. — Ela foi para o quarto — sussurrou. — Ela ficou um pouco desconfiada mas consegui despistar, eu acho. — Por que eles teriam isso, Heitor? Isso não é coincidência.

  • Cecília   Cartas que Queimam

    Guardei a carta junto ao peito o caminho inteiro até o meu quarto. O papel fino parecia quente demais contra a pele, como se ainda carregasse a dor de quem o escreveu décadas atrás. "Eu não posso ir com você. Eu não quero atrapalhar sua vida". As palavras de minha mãe ecoavam sem parar em minha mente.Heitor havia ficado no escritório, fechando tudo com cuidado para não deixar rastros. Antes de nos separarmos no corredor, ele apenas murmurou:— Amanhã a gente conversa mais sobre isso.Me deitei e por mais que eu tentasse, era em vão, eu não conseguia dormir. A cada poucos minutos pegava o celular. A mensagem de Davi continuava na tela, sem resposta. "Eu não desisto de nós." Parte de mim sentia culpa, a outra parte, só queria que ele entendesse que o tempo que eu pedi não era capricho. Era uma espécie de sobrevivência. Eu precisava focar em outras coisas no momento e Davi não era minha prioridade agora.Por volta das duas da manhã, uma batida leve na porta me fez sentar na cama de um

  • Cecília   Labirinto e Caminhos perigosos

    Ficamos no sótão por mais de uma hora depois da descoberta da foto. O ar empoeirado parecia mais pesado agora. Heitor sentou-se no chão, de costas para uma caixa antiga, a fotografia de Bernardo e minha mãe ainda estava entre os dedos. Eu permaneci ajoelhada diante do baú, vasculhando outras pastas com mãos tremulas.— Cecília — ele quebrou o silêncio. — Você disse que essa mulher é sua mãe, certo?Assenti, sem conseguir olhar para ele de imediato.— Sim. Alice Ribeiro. A perdi faz alguns meses.Heitor ficou quieto por um tempo, girando a foto entre os dedos.— Meu pai nunca falou dela. Nunca. E olha que eu já ouvi histórias antigas de sua juventude, histórias de outras namoradas também — Ele ergueu o olhar. — Você sabia que eles se conheciam antes de vir aqui?— Não — respondi com honestidade. — Eu sabia só o que te contei, sabia que minha mãe guardava cartas e fotos de um homem. Algumas devolvidas. Algumas nunca enviadas. Quando encontrei a caixa, depois que ela morreu, o sobrenome

  • Cecília   Passado Empoeirado

    O dia seguinte começou tenso desde o café da manhã.Isadora estava na mesa quando desci, já impecável, cabelos presos, brincos de pérola e o olhar afiado como lâmina. Bernardo lia o jornal em silêncio. Heitor tomava seu café com o rosto fechado. Dona Marieta estava na sala de estar lendo algum livro.— Bom dia — cumprimentei, tentando soar natural.Isadora não respondeu de imediato. Apenas ergueu os olhos do celular e me examinou de cima a baixo, como fez no dia anterior.— Você atrasou alguns minutos — comentou, com a voz fria. — Nesta casa valorizamos pontualidade na hora das refeições.Bernardo abaixou o jornal.— Isadora…— Estou apenas orientando, Bernardo. Alguém precisa manter a ordem por aqui. — Ela se virou novamente para mim. — E outra coisa, Cecília, notei que ontem à noite as luzes da cozinha estavam acesas depois da uma da manhã. Espero que não esteja fazendo uso indevido dos espaços comuns.Meu rosto esquentou, mas mantive a postura. Ela havia descido e visto eu e Heitor

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