로그인Victoria Clark
O silêncio que se formou no quarto do hospital era tão absurdo que eu podia jurar que o monitor cardíaco do senhor Victor estava apitando mais rápido. Eu pisquei, estática, processando o pedido dele enquanto a minha mente tentava achar alguma lógica ali.
Casar? Com o neto dele?
— O senhor... o senhor com certeza está sob efeito de sedativos fortes — soltei uma risada nervosa, dando um passo para trás. — Só isso explica uma proposta dessas. Eu sou uma completa estranha que o ajudou na rua, senhor Victor. Casamento não é um contrato de recompensa.
— Para mim, Victoria, tudo na vida é uma questão de oportunidade — Victor rebateu, a voz mantendo uma lucidez impressionante, sem qualquer traço de confusão mental. — Meu neto é um homem brilhante nos negócios, mas um desastre em sua vida pessoal. Ele se isolou em um casulo de frieza e arrogância, cercado por pessoas interesseiras que só querem uma fatia da nossa fortuna. Eu estou velho, meu coração acabou de me dar um aviso claro e eu não vou embora deste mundo deixando o meu legado nas mãos de um homem que não tem uma alma de verdade ao lado dele.
— E o senhor acha que eu sou essa alma? — perguntei, incrédula. — Eu mal consigo pagar as minhas contas! Senhor Victor… o senhor não me conhece.
— Você tem caráter. Salvou a minha vida sem saber quem eu era, e preferiu perder o seu sustento a me deixar morrer naquele asfalto. É exatamente de alguém com a sua força que aquela família precisa. Pense na sua tia, Victoria. Uma assinatura em um papel e ela terá o melhor quarto deste país ainda hoje.
Minha garganta secou. A menção à tia Marie me atingiu em cheio. Olhei para as minhas mãos sujas, o desespero voltando a rasgar o meu peito. Eu estava prestes a responder, a dizer que aquilo era uma loucura completa, que eu agradecia de verdade, mas eu não podia aceitar… quando o som seco da maçaneta girando interrompeu tudo.
A porta do quarto se abriu com um estrondo controlado.
— Vovô! Eu vim o mais rápido que...
A voz barítona, profunda e terrivelmente familiar morreu no ar.
Eu me virei devagar, sentindo o meu sangue congelar nas veias. Parado no vão da porta, vestindo o mesmo terno grafite impecável, mas com a bochecha direita ainda ostentando uma leve marca avermelhada do meu tapa, estava ele.
Adrian Foley.
O choque nos olhos azuis dele foi tão violento que ele chegou a travar os passos. Ele olhou para o avô na cama, depois para mim, com as minhas roupas simples e o cabelo bagunçado. A expressão de Adrian passou do pânico pelo estado do avô para uma fúria cega em menos de um segundo.
— Você... — ele rosnou, os dentes cerrados, dando um passo ameaçador na minha direção. — O que porra você está fazendo aqui? Como descobriu onde meu avô estava?
Eu estava em choque demais para responder. Meus olhos saltavam de Adrian para Victor, e a ficha finalmente caiu com o impacto de um tiro. Victor Foley. Adrian Foley.
O idoso simpático que eu tinha salvo na rua era o avô do monstro que tinha pisoteado a minha dignidade em um quarto de hotel poucas horas atrás. O mundo não era pequeno; era uma piada de mau gosto.
— Adrian, controle o seu tom — Victor interveio na cama, a voz firme o suficiente para fazer o neto parar, embora o olhar de Adrian continuasse cravado em mim como duas facas. — Essa jovem salvou a minha vida na rua enquanto os seus seguranças ineptos estavam comprando café. Você deve respeito a ela.
— Respeito? Vovô, o senhor não sabe quem é essa garota! — Adrian se aproximou da cama, apontando o dedo na minha direção, a mandíbula travada de ódio. — Ela é uma oportunista, uma garçonete de quinta categoria que está tentando se enfiar na nossa vida. Ela armou tudo isso!
— Chega! — o grito de Victor ecoou pelas paredes, fazendo o monitor cardíaco apitar mais alto. O idoso respirou fundo, recuperando o controle antes de olhar para nós dois com um sorriso frio que me deu calafrios. — Que bom que você já a conhece, Adrian. Isso vai poupar o tempo das apresentações. Porque eu acabei de decidir: você vai se casar com a Victoria.
Adrian estancou no lugar, o rosto empalidecendo antes de assumir uma expressão de puro escárnio.
— Senhor Victor, eu não po… — ele levantou a mão me interrompendo.
— Ignore-o, minha futura querida neta. Vocês vão se casar e pronto. — O tom dele era diferente agora, autoritário. Por um instante eu fiquei sem reação.
— O senhor enlouqueceu de vez. Eu nunca vou me casar com essa... essa golpista.
— Se você não assinar os papéis de casamento com ela no final de semana, Adrian — Victor falou, cada palavra saindo como uma sentença judicial— Eu mudo o meu testamento hoje mesmo. Vou doar cada centavo da herança dos Foley para instituições de caridade e você será destituído da presidência da empresa antes do pôr do sol. A escolha é sua.
O quarto afundou em um silêncio mortal. Adrian parecia uma estátua de gelo prestes a explodir de raiva. Ele girou o corpo na minha direção, agarrou o meu braço com uma força controlada e me puxou em direção à porta.
— Nós vamos conversar lá fora. Agora — ele sibilou no meu ouvido e me arrastou porta fora sem me dar a chance de protestar.
E mais uma vez esse arrogante insuportável não me deu escolha, ele simplesmente decidiu por mim.
Capítulo 242 — A Linha TênueVictor FoleyA felicidade humana é uma lâmina fina demais.Ela brilha, reluz como ouro sob o sol e, na fração de um segundo descuidado, se parte ao meio para rasgar a carne até o osso.Menos de uma hora atrás, eu estava de pé no meio da minha sala de estar comemorando aos berros, apontando o dedo para o Lucas e praguejando em pura euforia sobre a perda dos meus dois mil dólares. Era um menino. O herdeiro do meu Adrian, o sangue da minha linhagem que traria o futuro de volta para este casarão. Eu sentia o meu peito largo, vivo, quase jovem de novo.Até o estrondo metálico atravessar a chamada.Até o silêncio congelar a sala e o telefone tocar na mão da Evelyn.Quando a menina desligou o aparelho, os olhos cor de mel arregalados em pânico absoluto, e disse com a voz em fiapos: “Sinto muito, vovô Victor… mas o Ade e a Vic sofreram um acidente e o Ade… se feriu e o estado é grave.”, o ar foi arrancado da minha garganta com a violência de uma forca.A ordem nat
Capítulo 241 — A Espera no AbismoVictoria FoleyO teto branco do quarto de emergência parecia girar em um borrão lento e opaco.O bipe rítmico e constante dos monitores ao lado do meu leito disputava espaço com o som abafado do meu próprio choro, que não cessava desde o segundo em que as portas daquela ambulância se fecharam em Montgomery Street. Eu sentia a picada fria de dois acessos venosos no dorso das minhas mãos, tubos de soro correndo em fluxo contínuo e a cinta elástica do cardiotocógrafo apertando o meu ventre para vigiar cada milissegundo das batidas do meu filho.Minhas roupas ainda cheiravam a fumaça de motor estourado e àquele ferro quente e inconfundível.O sangue dele. O sangue do Adrian que manchou a gola do meu vestido e que agora secava na pele dos meus braços.— Senhora Foley, por favor, precisa respirar devagar — a enfermeira ao meu lado pedia com suavidade profissional, ajeitando o oxímetro no meu indicador. — A infusão de hidratação e o tocolítico para segurar
Capítulo 240 — Linha de FraturaAlexander SterlingO som da chamada que caiu com o estrondo metálico ainda zumbia no meu ouvido quando freei o blindado na transversal da Montgomery Street.Quatro minutos. Foi o tempo exato que levamos para rasgar o tráfego da baía com giroflex ligado e sirenes abertas. Quatro malditos minutos em que a minha mente repassou cada brecha, cada protocolo, cada falha de cálculo. Eu havia garantido ao Adrian que nenhuma ameaça cruzaria a minha linha de defesa.E a cena diante do meu para-brisa era a personificação do meu fracasso.O sedã de luxo estava tombado de lado contra a mureta de concreto, a lataria traseira direita engolida pelo chassi do furgão blindado dos atacantes. Vidros temperados cobriam o asfalto molhado como diamantes partidos, fumaça esbranquiçada subia do radiador estourado e o cheiro enjoativo de gasolina vazando disputava espaço com o ar gélido da tarde.Dois homens armados com submetralhadoras compactas contornavam a traseira do carro c
Capítulo 239 — O Escudo HumanoAdrian FoleyO ronco do motor biturbo rugiu contra as paredes dos prédios residenciais quando Austin afundou o pé no acelerador, jogando o sedã para a faixa central.O tranco da arrancada empurrou os nossos corpos contra o encosto de couro. Victoria soltou um arquejo assustado, as duas mãos espalmadas sobre a barriga em um reflexo imediato de defesa. Passei o braço por cima dos ombros dela, prensando-a contra o meu peito enquanto a cidade lá fora se transformava em um borrão cinzento de garoa e asfalto molhado.— Adrian… — a voz da minha mulher saiu trêmula, quebrada pelo desespero cru de quem carregava o nosso filho sob o peito. — O que está acontecendo? Quem são eles?!— Fica calma, amor. Olha para mim, não olha para fora — ordenei com uma firmeza que me custou cada gota de ar, os olhos fixos na expressão apavorada dela. — O Austin sabe o que está fazendo. Eu estou aqui com você.Pelo retrovisor central, o olhar do Austin era gelo puro. As duas mãos es
Capítulo 238 — A Linha de FogoAdrian FoleyO eco do coração do meu filho ainda parecia ressoar contra as paredes da minha caixa torácica.Durante anos, eu me acostumei a operar na base da contenção, calculando riscos e medindo palavras como quem caminha por um campo minado. Mas quando a imagem em tons de cinza se estabilizou na tela do Patrick e a confirmação veio límpida, crua, irrefutável, todo o controle que construí ao longo da vida se desfez em lágrimas quentes. Um menino. O meu sangue, o futuro arrancado das cinzas do passado, crescendo saudável no ventre da mulher que transformou a minha existência.— Por vocês dois, Victoria… eu daria a minha própria vida sem pensar duas vezes — sussurrei contra a curva do pescoço dela, mantendo os braços firmes ao redor do seu corpo no banco traseiro do sedã.Victoria respirou fundo, aninhando o rosto na dobra do meu ombro com um suspiro emocionado.— Nós sabemos, amor. Mas você vai viver. Nós três vamos viver isso tudo juntos. — ela levant
Capítulo 237 — A Promessa de Uma VidaVictoria FoleyO trajeto até a clínica do Patrick foi embalado pelo silêncio tranquilo que só um casal que se conhece no olhar consegue sustentar.Austin conduzia o sedã com a precisão austera de sempre, enquanto dois carros da equipe do Alex mantinham a distância regulamentar de cobertura, um na dianteira e outro na nossa traseira. Eu sabia que a cidade continuava sob alerta, mas com a mão grande e quente do Adrian entrelaçada à minha sobre o meu colo, o mundo exterior parecia incapaz de me atingir.A cada lombada ou curva mais fechada, o polegar dele acariciava o dorso dos meus dedos com um cuidado quase reverente. Eu estava com seis meses, e o peso da barriga já me fazia buscar apoio no encosto de couro a cada suspiro mais fundo.Entramos pela garagem privativa da clínica sem alarde. Patrick já nos esperava na antessala do seu consultório particular, de jaleco impecável, prancheta na mão e aquele sorriso calmo que sempre me desarmava.— Se o se







