INICIAR SESIÓNE chegamos ao fim.Não sei bem por onde começar, porque essa história foi escrita em pedaços. Em noites de insônia, em manhãs de café amargos, em intervalos de almoço que se estendiam além do permitido. Foi escrita em momentos de alegria, em momentos de cansaço, em momentos em que eu mesma precisava acreditar que o amor podia ser uma escolha, não apenas um acaso.Quando comecei a escrever sobre Elara e Dante, não imaginava que eles tomariam proporções tão grandes. Não imaginava que as dores deles se tornariam tão minhas. Não imaginava que vocês, leitores, abraçariam essa história com tanto carinho, tanto cuidado, tanta generosidade.Foram mais de duzentos capítulos. Foram lágrimas, foram risos, foram brigas, foram recomeços. Foram despedidas que doeram. Foram reencontros que curaram. Foram personagens que entraram na minha vida como estranhos e saíram como família.Houve momentos em que duvidei. Houve momentos em que pensei em desistir. Houve momentos em que olhei para a tela em branc
O sol da tarde entrava pelas janelas da mansão como se tivesse pressa de testemunhar mais um dia de vida. As cortinas de linho claro balançavam com o vento suave. As flores do jardim exalavam um perfume doce, misturado ao cheiro de café e pão fresco que vinha da cozinha. Os anos haviam passado — quase dez desde o casamento de Dante e Elara, quase quinze desde que tudo começou.A mansão não era mais a mesma. As paredes, antes frias e impessoais, agora guardavam fotografias em cada canto. Eva ainda bebê nos braços de Dante. O casamento, com Elara vestida de branco e Eva jogando pétalas. O primeiro aniversário da pequena Elizabeth. O dia em que André e Marcy compraram a casa deles. O Natal em que todos se reuniram ao redor da mesma mesa pela primeira vez.A vida, enfim, havia deixado suas marcas.E também suas ausências.A vovó já não estava mais ali. Fazia três anos. Ela se foi como viveu: com simplicidade, sem fazer alarde, sem querer que ninguém sofresse por ela. Estava na varanda, o
O jardim estava silencioso.Não o silêncio vazio de antes, quando eu entrei pela primeira vez naquela mansão tantos anos antes e parecia um túmulo e eu me escondia atrás das paredes de vidro para não sentir o peso da solidão. Era um silêncio diferente. Cheio. Como se o ar estivesse carregado de presenças invisíveis, de memórias que se recusavam a desaparecer.O balanço de Eva ainda balançava com o vento. As cordas estavam gastas, a madeira marcada pelos anos, as flores pintadas à mão já desbotadas. Eva não brincava mais ali. Cresceu. Estava terminando o ensino fundamental l, aprendendo coisas que eu nunca aprendi, vivendo uma infância que eu nunca tive.Sentei debaixo da árvore.A mesma árvore onde Eva costumava correr, onde a pequena Elizabeth aprendeu a dar os primeiros passos, onde Marcy e André se beijaram pela primeira vez depois de vinte anos de espera.A casca era áspera sob minhas costas. O tronco largo, firme. Como se tivesse sido plantada ali para testemunhar tudo. Para guar
MARCY A areia das dunas estava fria sob meus pés descalços.Marazul não tinha mudado nada. As mesmas dunas douradas, o mesmo mar azul-escuro batendo nas pedras com um som que parecia uma canção de ninar, o mesmo vento salgado trazendo o cheiro de liberdade. O céu começava a se tingir de laranja e rosa, o sol se preparando para o mergulho no horizonte.Mas eu não era a mesma.A barriga pesava. Oito meses. O menino que crescia dentro de mim já tinha nome — ainda não revelado a ninguém, guardado como um segredo entre André e eu. Ele se mexia quando ouvia a voz do pai. Se acalmava quando eu cantarolava a mesma canção que minha mãe cantava para mim.— Mamãe! Mamãe, olha!Elizabeth corria na frente, os cabelos claros voando, o ursinho que um dia foi de Eva — já sem um olho e com a orelha costurada por Inês — debaixo do braço. Ela apontava para o mar.— O sol está mudando de cor!— É o pôr do sol, amor. — Ajeitei o cabelo dela, que o vento não deixava quieto. — O sol fica laranja, depois ro
Cinco Anos DepoisO sol da manhã entrava pelas janelas da mansão como se tivesse pressa de começar o dia. As cortinas de linho claro balançavam com o vento suave, deixando entrar a luz dourada que pintava os móveis de madeira, os quadros nas paredes, os tapetes felpudos.A casa estava viva.Não era mais aquela mansão silenciosa e vazia dos tempos de Helen. Agora havia risadas vindas da cozinha, passos correndo pelo corredor, o barulho de talheres na mesa do café. Havia cheiro de pão fresco, de café passado na hora, de flores recém-cortadas do jardim.Havia vida.Acordei com o calor do corpo de Dante ao meu lado. Ele ainda dormia, o rosto tranquilo, os cabelos escuros agora com alguns fios grisalhos nas têmporas. A barba por fazer, os lábios entreabertos. Ele parecia mais jovem quando dormia. Parecia em paz.Passei os dedos pelos seus cabelos, devagar, para não acordá-lo. Ele resmungou algo ininteligível, puxou o travesseiro e me puxou para perto.— Bom dia, — ele murmurou, a voz rouca
DANTE O escritório estava silencioso.Não aquele silêncio vazio de antes, quando a mansão parecia um túmulo e eu me escondia atrás das paredes de vidro para não sentir o peso da solidão. Era um silêncio diferente. Cheio. Como se o ar estivesse carregado de memórias, de presenças, de tudo o que aconteceu até chegarmos aqui.Apenas o tique-taque do relógio de parede e o som distante da cidade lá fora. As janelas de vidro deixavam ver a noite estrelada, os prédios iluminados, as ruas vazias. O mundo seguia lá fora. Mas aqui dentro, o tempo tinha parado.Estava sentado na poltrona de couro atrás da escrivaninha, uma caixa de fotos antigas aberta à minha frente. Fotografias amareladas, algumas desbotadas, outras ainda nítidas. Lembranças de uma vida que parecia distante. Como se não fosse minha. Como se eu estivesse olhando para a história de outra pessoa.Peguei uma.Elizabeth. Sorrindo. O cabelo ruivo ao vento. Os olhos verdes brilhando. A foto estava amassada no canto, como se eu a tiv







