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88. Opinião

last update Fecha de publicación: 2026-08-25 00:02:17

Belinda

Dois dias se passaram desde o jantar com o noivo da Ludovica. Desde aquela noite, ninguém tocou mais no assunto, e não encontrei mais com Pablo.

Estou no corredor da ala oeste quando Hugo se aproxima com a expressão neutra de costume.

— Senhora Belinda. O senhor Pablo está chamando no escritório.

Faço que sim com a cabeça. Chamo Aquarela com um estalo de língua e caminho até a porta pesada de madeira. Dou duas batidas curtas e empurro a maçaneta.

Pablo está sentado atrás da mesa, com pi
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    BelindaAfasto o meu corpo devagar, descolando minha testa da dele.Olho nos olhos amendoados de Pablo, sentindo o carinho do toque dele ainda queimar na minha pele, mas a firmeza volta aos meus ossos num estalo.— Não, Pablo.O vinco na testa dele reaparece no mesmo segundo, desfazendo a expressão afetuosa.— Belinda...— Eu não vou abrir mão da fundação — digo, a voz soando calma, mas sem margem para recuo. — Eu não vou me trancar aqui dentro.Pablo solta o ar com força pelo nariz. Ele passa a mão na nuca, dando dois passos de lado no escritório antes de se virar para mim com os braços abertos num gesto de incredulidade:— Você ouviu o que eu acabei de falar? Eu não estou te pedindo isso por capricho. Estamos falando de fuzis de guerra na mão dos Conchiglias! De franceses querendo explodir o centro histórico para tomar as rotas! — E eu estou falando de sanidade, Pablo! — elevo o tom, dando um passo à frente. — Você quer me transformar em quem? Na minha mãe? Quer que eu viva com med

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    BelindaFecho o notebook no quarto de Lauren e respiro fundo. Lauren apoia a mão no meu ombro antes de eu me levantar.— Vai dar uma volta? — ela pergunta.— Preciso falar com a minha mãe. Desço a escadaria monumental em passos silenciosos. O saguão está vazio.Cruzo o arco do térreo em direção à ala dos fundos, onde Ginevra instalou Aurora e Angélica. A porta do quarto da minha mãe está entreaberta. Bato de leve com a ponta dos dedos na madeira.Aurora está sentada perto da janela com vista para o jardim lateral. Ela segura uma xícara de chá entre as mãos trêmulas, com um xale escuro sobre os ombros e os cabelos grisalhos presos num coque frouxo. Ao me ver na soleira, ela apoia a xícara no pires sobre a mesa pequena e se ajeita na poltrona.— Belinda... — a voz dela sai baixa, cautelosa. — Você quer entrar?Entro no cômodo, puxo a cadeira de madeira estofada à frente dela e me sento. Cruzo os dedos sobre o colo, sentindo o arrepio do vento que passa pelas frestas de vidro.Ficamo

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    BelindaAcordo no dia seguinte com a boca amarga e o peso do teste de gravidez queimando na gaveta da minha cabeceira. O sol da manhã entra pelas frestas das cortinas pesadas, mas não traz calor nenhum para o quarto.Assim que abro a porta para ir ao banheiro, dou de cara com Pablo no corredor. Ele veste calça social escura e uma camisa de linho cinza com as mangas dobradas até a metade dos antebraços.Ele para no mesmo instante, os olhos escuros descendo pelo meu rosto com atenção redobrada.— Bom dia — a voz dele soa grave, mas cuidadosa. — A dor de cabeça passou? Você mal saiu do quarto ontem.Desvio o olhar rápido para o chão, dando meio passo para trás em direção ao batente.— Tô bem melhor — respondo num tom seco, forçando a voz a não tremer. — Só... preciso de um banho e de um café.Ele dá meio passo à frente, erguendo a mão para afastar uma mecha solta do meu cabelo:— O médico da família está disponível se você ainda estiver indisposta com a fundação —— Eu já disse que estou

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    Belinda11h42.Os ponteiros dourados do relógio de parede no gabinete de restauração parecem se arrastar.— Esta coleção de gravuras florentinas do século dezesseis requer cuidados específicos de temperatura — a voz monótona do curador-chefe ecoa pelas estantes de carvalho. Ele aponta com uma pinça para o catálogo aberto sobre a mesa. — A senhora compreende a importância da conservação dos manuscritos?— Perfeitamente — respondo no automático.Minha mão direita repousa sobre a bolsa no meu colo, apertando o zíper onde o bastonete com as duas linhas vermelhas continua guardado. A cada respiração, sinto o tecido do vestido apertar contra o meu estômago.— Podemos encerrar por hoje? — pergunto, cortando a fala do homem antes que ele abra o terceiro volume. — Tenho compromissos na propriedade.O curador pisca, surpreso com o corte abrupto, mas se curva num aceno respeitoso.— Claro, senhora. O carro da escolta já foi notificado.Levanto-me sem olhar para trás. Cruzo o corredor de piso enc

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