Se connecterPOV Catarina Mateo estava me esperando do lado de fora do cassino. Não tentou esconder-se. Permanecia encostado em um carro preto, com as mãos nos bolsos e os olhos voltados para as portas do Voss Royale. Luca Ferretti desaparecera junto com o sorriso fácil e a postura despreocupada. Pela primeira vez, enxerguei o outro filho de Lorenzo De Luca. O homem sem sobrenome. Parei diante dele. — Mateo. Algo mudou em seu olhar quando usei o nome verdadeiro. — Então Romeo finalmente contou. — Depois de você fazer o trabalho por ele. — Seu marido nunca teve talento para confessar os pecados da família. Eu deveria estar furiosa. Mateo havia mentido sobre o nome, interceptado minhas mensagens e usado minha crise matrimonial para se aproximar. Ainda assim, depois de tantas revelações, a raiva parecia um luxo para o qual eu já não possuía energia. Só queria compreender. — Você falsificou minha assinatura? — Não. — A Aurelius pertence a você? — Sim. Pelo menos não negou. — Você
POV Romeo — Você se aproximou de mim porque me amava ou porque seu pai precisava controlar o Voss Royale? Catarina fez a pergunta sem elevar a voz. Ainda assim, nenhuma acusação anterior havia me atingido com tanta força. — Eu não conhecia essa dívida quando encontrei você. — Sua assinatura está no contrato. — Assim como a sua aparece em um documento que nunca assinou. — Sempre existe uma explicação quando o nome é De Luca. — Não é uma explicação. É um fato. Ela colocou o contrato sobre a mesa. — Então me conte um fato no qual eu possa acreditar. Olhei para a data. Seis meses antes de conhecer Catarina. Naquela época, meu pai ainda comandava a holding, embora estivesse doente e já transferisse parte das decisões para mim. Eu assinava dezenas de documentos por semana. Poderia ter assinado sem ler? A possibilidade era pior do que uma falsificação. — Não me lembro deste contrato. — Isso não significa que não tenha assinado. — Também não significa que me aproximei de você
POV Romeo Catarina esperou até os passos de Luca desaparecerem no corredor. Então se afastou de mim. — Quem é ele? — Catarina… — Não use meu nome para ganhar tempo. Quem é Luca Ferretti? Olhei para a porta fechada. Durante anos, imaginei como seria o momento em que Mateo voltaria a exigir aquilo que acreditava pertencer a ele. Não imaginei que usaria minha esposa para entrar. — O nome dele é Mateo — respondi. Catarina ficou imóvel. — Mateo o quê? — Ferretti era o sobrenome da mãe. — E do pai? Não respondi. Ela riu sem humor. — De Luca. — Sim. A confirmação pareceu atingir fisicamente. Catarina levou alguns segundos para organizar tudo o que acontecera desde que aquele homem surgira no bar. — Ele é seu irmão. — Meio-irmão. — Não tente diminuir a relação com uma palavra. — Não estou diminuindo. — Você o reconheceu naquela primeira noite. — Reconheci. — E não me contou. — Eu não sabia por que Mateo havia se aproximado. — Então decidiu deixar que continuasse?
POV Catarina Na manhã seguinte, Romeo e eu fomos obrigados a escolher o tema da renovação dos nossos votos. Era difícil decidir entre flores brancas e rosas vermelhas quando planejávamos usar meu celular para atrair um homem ligado a uma fraude milionária. — As rosas — Romeo respondeu, sem olhar o catálogo. A cerimonialista sorriu. — Vermelhas representam paixão. — Também representam guerra — observei. — Perfeitas para nós — ele concluiu. Estávamos no salão de eventos do Voss Royale com três decoradores, dois fotógrafos e uma equipe responsável por transformar nosso casamento em um espetáculo para a imprensa. A notícia da renovação havia aumentado as reservas do cassino em quase vinte por cento. Até nosso possível divórcio dava lucro. — Precisamos fazer algumas fotografias para os convites — explicou a fotógrafa. — Algo íntimo, elegante e romântico. — Intimidade não estava no orçamento — falei. Romeo levantou-se. — Podemos acrescentar. Ele estendeu a mão. Olhei para os
POV RomeoCatarina olhava para o pequeno dispositivo dentro do copo como se ele pudesse saltar sobre a mesa e atacá-la.— Ele colocou isso no meu celular.— Provavelmente quando tomou o aparelho da sua mão.— Foram poucos segundos.— Era tudo que precisava.Ela passou os braços ao redor do corpo.O medo apareceu antes que conseguisse escondê-lo.Aproximei-me.— Ele não vai entrar aqui.— Já entrou.— Catarina…— Não fisicamente. Mas esteve no meu celular. Leu minhas mensagens. Sabia que encontrei Bianca porque viu nossa conversa.A conclusão fazia sentido.Luca não adivinhara nada.Ele roubara a informação.— Preciso chamar alguém para analisar o aparelho.— Agora?— Agora.— Romeo, já passa das dez.— Pessoas que recebem meu salário não consultam o relógio antes de atender.— Você consegue transformar exploração trabalhista em demonstração de poder.— Posso pedir com gentileza, se isso melhorar sua consciência.— Melhoraria.Liguei para o chefe da segurança digital da holding. Quinze
POV CatarinaSaí da cobertura de Luca com a sensação de ter entrado em uma armadilha e agradecido pelo jantar.Ele sabia que Bianca havia falado comigo.Eu não mencionara o encontro. Não dissera que ela mostrara o registro da fotografia ou explicara o que acontecera naquela suíte.Ainda assim, Luca soube.Entrei no elevador e liguei para Amélia.Ela atendeu antes do primeiro toque terminar.— Você está viva?— Estou.— Sozinha?Olhei para as portas fechadas.— Sim.— Ele tentou alguma coisa?— Tentou me beijar.— Catarina!— Eu disse não.— E ele respeitou?— Respeitou.— Isso não transforma ir à casa de um possível criminoso em uma decisão inteligente.— Luca sabia que Bianca havia falado comigo.Houve um silêncio.— Você contou?— Não.— Talvez tenha deduzido.— Ele não perguntou se alguém havia me contado. Disse o nome dela.O elevador chegou ao térreo.— Saia desse prédio — Amélia ordenou.— Já estou saindo.— Vá para minha casa.— Não posso.— Por quê?A resposta veio antes que e







