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Capítulo 9

Author: Luxie
Alfa Cameron desceu os degraus. Não tinha pressa. Cada movimento dele exalava autoridade.

Quando parou a poucos passos de mim, as palavras que tinha ensaiado por três horas ficaram presas na garganta. Mantive o queixo baixo, encarando o couro escuro das botas dele — encarar seus olhos era um desafio para o qual eu ainda não estava pronta.

— Você está atrasada. — Ele falou com Franklin, mas o olhar não saiu do topo da minha cabeça.

— Trânsito na fronteira, Alfa. Me desculpe. — Franklin respond
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  • Companheiros Temporários, Desejos Permanentes   Capítulo 30

    PONTO DE VISTA DE CAMERONFiquei debaixo do chuveiro com a água pelando, tentando lavar a inquietação que rastejava por dentro.Não adiantava.Nada adiantava.Evangeline era minha companheira. A mulher que a Deusa da Lua escolheu pra mim. A mulher a quem jurei minha vida. Lisa não significava nada. Era um contrato, uma solução temporária pra um problema permanente.Então por que diabos eu me sentia culpado?As palavras dela mais cedo ecoavam na cabeça.Meu corpo está exausto. Preciso de uns dias pra me recuperar.Eu devia ter ficado irritado e lembrado que ela assinou um contrato, que não podia fazer exigência.Em vez disso, senti preocupação quando ela disse que estava machucada, e depois alívio quando pediu uma pausa, como se uma parte de mim esperasse por um motivo pra parar.Apoiei as mãos no azulejo, deixando a água martelar os ombros.A semana anterior virou um borrão de noites repetidas. Eu dizia a mim mesmo que era pra aumentar as chances de gravidez.Mentira.Eu

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    PONTO DE VISTA DE LISAVinte minutos depois, meu celular tocou. Olhei a tela e xinguei baixinho.Meu pai.Deixei tocar mais duas vezes antes de atender.— O que você quer?— Lisa. — A voz dele tinha aquela preocupação familiar que usava quando eu era mais nova, o mesmo tom que usava sempre que tentava amenizar as coisas. — Filha, estou preocupado com você.— Nem ouse me chamar assim.— Eu sei que você está brava — ele continuou, ignorando o aviso. — Mas você tem que entender. Tô tentando te proteger. Esse arranjo em que você se meteu é perigoso, degradante. Você merece coisa melhor.A raiva subiu na garganta.— Você não tem direito de dizer o que eu mereço. Não quando você é o motivo de eu estar aqui.— Sua mãe é o motivo—— A mãe não traiu. Não esvaziou as contas. Não foi embora e deixou a gente sem nada. — Me levantei da cama, andando pelo quarto. — Você fez isso. Você destruiu nossa família. Então não finge ser pai preocupado quando foi você que me colocou nessa posição.

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    PONTO DE VISTA DE LISAA fala do Cameron deixou um gosto amargo no meu peito. Não porque ele estivesse errado sobre o que eu estava fazendo, mas pelo jeito como disse aquilo para a companheira logo depois de se derramar dentro de mim.O pensamento ficou pesado no estômago. Não chorei. Só deitei, encarando o teto, tentando convencer a mim mesma de que ele estava certo.E daí se ele usava palavras degradantes? Ele estava pagando pelo meu serviço.Aí me veio outro pensamento.Eu devia pedir uns dias de folga.Só algumas noites. Dizer que meu corpo precisava de tempo pra se recuperar.A gente vinha fazendo isso todas as noites. Ele já tinha dado nó em mim mais de uma vez, e mesmo mal falando comigo fora do ato, eu sabia que ele gostava muito mais do que admitiria.O pau dele deixava meu corpo doendo em lugares que eu nem sabia que podiam doer.O pior de tudo era que eu estava começando a querer. Não só tolerar ou aguentar.Isso me embrulhava o estômago. Se eu não forçasse a mente

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    PONTO DE VISTA DE LISACameron ficou perto da porta. Algo passou pelo rosto dele, como se estivesse decidindo falar ou ir embora. A hesitação durou só um instante antes de sumir.— Seu pai me ligou.As palavras caíram como um peso morto.— O quê?— Richard Hartwell — continuou. — Ele ligou no meu número pessoal.Me levantei de repente, ainda nua.— Como ele conseguiu seu número?O rosto de Cameron voltou ao habitual distanciamento frio.— É exatamente o que eu gostaria de saber. Qualquer problema que você tenha com ele, resolva. Porque se ele me ligar de novo, cancelo o contrato.— Não.Comecei a levantar e só então percebi que estava totalmente exposta. O olhar dele desceu, reparando, antes de voltar pro meu rosto.Peguei o lençol e me enrolei.— Por favor. O que ele disse?Cameron virou para a porta.— Espera.A palavra escapou antes que eu pudesse segurar.— Por favor… deixa eu explicar.A mão dele parou na maçaneta.Aquilo bastou.— No dia em que Luna Catherine

  • Companheiros Temporários, Desejos Permanentes   Capítulo 26

    PONTO DE VISTA DE CAMERONDormi oito horas ontem à noite.Oito horas seguidas, a maior sequência em meses. Acordei com a mente limpa de um jeito que nem lembrava mais. Devia ser um alívio, mas o sentimento me incomodava porque eu sabia exatamente por quê.O nó. A satisfação que meu corpo encontrou na cama da Lisa.Afastei o pensamento e foquei no trabalho.A manhã foi tomada por reuniões de distribuição de recursos — uma das poucas obrigações de Alfa que realmente tolero. Ao contrário do Conselho dos Anciãos, que só sabe questionar minha autoridade, ali era simples. Números. Decisões. Resultado.Revisamos as colheitas do sul, produção de madeira do norte, direitos de água no leste. Silver Creek controlava mais de 800 milhas quadradas de terra que precisavam de manejo constante.— As projeções de safra subiram quinze por cento em relação ao ano passado — disse o ministro da agricultura, me mostrando um gráfico. — Mas vamos precisar de mais silos se quiser estocar para o inverno.

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    PONTO DE VISTA DE LISAMais tarde, naquele dia, sentei no carro do Franklin, vendo a cidade passar pela janela.— Seu povo é esquisito — comentei.Franklin riu. — Essa é uma forma de dizer.— Ainda não entendi por que a Nadia ficou tão incomodada com você me levando pra sair. Pareceu até ciúme.Franklin me lançou um olhar divertido. Levantei a sobrancelha.— Tem história aí?Ele riu mais ainda. — Deus me livre, não. Nadia… — balançou a cabeça e gesticulou entre nós. — Ela tá muito acima, eu tô muito abaixo. Além disso, ela me trata como se eu fosse parte da mobília.— Ela parece meio cruel com você. Minha melhor amiga diz que quando alguém é cruel assim com uma pessoa só, é porque gosta dela.Franklin riu. Por um instante, ficou olhando pra frente, o sorriso sumindo devagar.— Ela é assim com todo mundo — disse, por fim. — É só o jeito dela.Ele me levou primeiro ao mercado, uma feira cheia de barracas de frutas, especiarias, bijuterias artesanais. Depois paramos numa padari

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