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CAPÍTULO 204

last update publish date: 2026-09-13 19:59:05

Capítulo 61 — A Chegada ao Refúgio

Maya

O SUV cortava com suavidade as curvas sinuosas da estrada de serra, subindo em direção às montanhas de Serramonte. Da janela do passageiro, eu observava a paisagem mudar gradativamente: os edifícios imponentes de Veridia deram lugar a vales verdes, pinheiros altos e uma névoa fina que começava a descer com o cair da tarde. O ar fresco que entrava pelas frestas do vidro trazia o cheiro terra molhada e mato limpo.

Ao meu lado, Lucas mantinha uma mão firme n
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    Capítulo 69 — O Círculo de FerroMayaA promessa de Lucas não ficou ressoando na sala como um simples desabafo. Ela permaneceu ali, densa e palpável, moldando o ar ao nosso redor com a rigidez de uma lâmina recém-forjada.Permaneci em pé diante dele, sentindo a vibração contida do seu peito sob a minha mão. O batimento cardíaco de Lucas estava acelerado, descompensado, revelando a tempestade brutal que se desencadeara por trás daquela fresta de autocontrole. Ele não desviou os olhos dos meus por um segundo sequer, e a sombra do garoto de dezessete anos, fragilizado no leito de um hospital enquanto via seu mundo ruir, parecia ter sido invocada de volta à vida.— Lucas... olhe para mim — pedi, mantendo a voz firme, baixa, um sopro de calmaria no meio do caos. Suavizei os dedos sobre o tecido da sua camisa social. — Respire devagar. Por favor.Ele fechou os olhos por três segundos longos. A mandíbula travada cedeu um milímetro, e uma arfada dolorosa escapou de seus lábios antes que ele v

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    Capítulo 68 — O Espectro do PassadoMayaO nome Helen ficou suspenso no ar como um punhal cravado na madeira nobre da mesa.Por alguns segundos, o silêncio da sala de estar tornou-se tão denso que pude ouvir o ruído distante das folhas das árvores batendo contra a vidraça da varanda. O calor reconfortante da gestação, o perfume de jasmin dos arranjos de casamento e a leveza das risadas que havíamos compartilhado minutos atrás ruíram em um piscar de olhos, esmagados pelo peso de uma memória que eu passara oito anos tentando sepultar.Minhas mãos ficaram gélidas sob o aperto de Isadora. Senti o estômago dar um nó violento e engoli em seco, travando a mandíbula para impedir que meu queixo tremesse.— Me ver? — minha voz saiu pequena, rasgada, como se minhas cordas vocais tivessem sido revestidas de vidro moído. — Depois de tudo o que ela fez? Depois de ter desaparecido da minha vida sem deixar vestígios durante toda minha infância e depois de ter me jogado naquele inferno?— Maya, respir

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    Capítulo 67 — Os Preparativos do CasamentoMayaQuatro meses se passaram com a suavidade de uma brisa de primavera, mas o tempo deixara marcas inconfundíveis em nosso cotidiano. Diante do espelho oval do meu closet, passei as palmas das mãos sobre o tecido fluido de seda em tom marfim do meu vestido. A curva na parte inferior do meu abdômen não era mais algo que se pudesse disfarçar com roupas folgadas; era uma saliência arredondada, firme e visível, abrigando o bater constante de um coração que transformava meu mundo a cada segundo.Ajeitei o caimento na cintura, soltando um suspiro longo ao sentir uma pressão sutil na coluna. A rotina da gestação trazia uma calmaria gostosa, mas o corpo cobra seu preço.— Maya? Amor, o alfaiate disse que o ajuste do terno do Theo ficou pronto — a voz grave de Lucas ressoou do quarto, antecedendo seus passos firmes.Ele atravessou a porta do closet vestindo apenas uma calça de sarja e uma camisa branca com os primeiros botões abertos. Quando seus olh

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    Capítulo 66 — A Reação das FamíliasLucasO som das risadas, o choque suave dos talheres contra as louças e o borbulhar das taças preenchiam a sala de jantar com uma energia que eu jamais julgara possível dentro do meu próprio lar. Por muitos anos, silêncios pesados e segredos não ditos foram a única mobília que conheci. Agora, ver aquele cômodo abarrotado de vida, de cores e de gestos espontâneos trazia uma sensação de calor que começava bem no centro do meu peito e se espalhava por cada fibra do meu corpo.Maya estava sentada ao meu lado, as bochechas ligeiramente coradas e a mão repousada suavemente sobre a mesa. De tempos em tempos, sob o tampo de madeira, meus dedos buscavam os dela, traçando os contornos do anel de noivado e descendo de leve até a curva ainda imperceptível do seu ventre. A certeza de que nosso filho estava ali, ouvindo aquele caos abençoado do lado de fora, me trazia uma paz sólida e inabalável.— Tio Lucas, escuta! — Theo exclamou, debruçando-se sobre o prato c

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    Capítulo 65 — O Grande AnúncioMayaA estrada de volta a Veridia parecia menor, como se o peso do passado tivesse ficado para trás, enterrado sob o frio acolhedor daquelas montanhas. A aliança em meu dedo anelar direito reluzia a cada raio de sol que atravessava o para-brisa do carro, e a mão de Lucas permanecia firme sobre a minha, descansando suavemente em minha coxa.Chegamos ao nosso apartamento no final da tarde. Havia um movimento leve e gostoso no ar enquanto organizávamos a sala de jantar. Contratáramos um serviço discreto de buffet para preparar o cardápio, mas fiz questão de ajustar pessoalmente os arranjos de flores brancas sobre a grande mesa de madeira polida. Eu vestia um vestido fluido de tom marfim, com caimento suave que começava a acomodar, de forma quase imperceptível, a nova vida que florescia em mim. Lucas trajava uma camisa social cinza-claro com as mangas dobradas até os antebraços, exalando um misto de elegância relaxada e uma ansiedade radiante que ele mal con

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    Capítulo 64 — O Fim do Medo de Ser Pai Lucas O suor na minha pele esfriava lentamente sob o ar fresco da madrugada das montanhas. Cada gota que escorria pela curva da minha coluna ainda carregava o calor da pele dela, o gosto salgado do esforço, o cheiro doce e animal de Maya misturado ao meu. O silêncio da cabana era quebrado apenas pelo crepitar suave das últimas brasas na lareira e pelas nossas respirações, que aos poucos recuperavam o ritmo — mas ainda tremiam, ainda pesavam, ainda se embaraçavam uma na outra como se o corpo se recusasse a separar o que a alma já tinha fundido. Depois de uma entrega visceral, selvagem e marcada por um desespero quase sagrado de nos fundirmos um ao outro, tínhamos caído exaustos sobre as mantas estendidas no chão da sala. Eu ainda estava dentro dela. Ainda. O membro latejava, sensível, inchado, pulsando no calor apertado e úmido do seu corpo, como se se recusasse a sair daquele lugar que agora sentia como lar. Maya estava mole sobre mim, o pei

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