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Capítulo 3 - O Pacto De Sangue

Auteur: Stefani Leme
last update Date de publication: 2026-10-02 20:11:58

"Eu fico."

Assim que eu disse isso, algo no rosto do Adrian mudou. Alívio. Fome. Desejo. Tudo ao mesmo tempo.

"Você tem certeza?", ele perguntou, com a voz mais baixa.

"Você disse que vão me matar se eu sair."

"Vão."

"Então eu não tenho escolha."

"Você sempre tem escolha, Elena. Mas eu espero que escolha ficar."

Ele andou até a gaveta dele e tirou um contrato. Não era o contrato de assistente. Era outro. Papel mais grosso, com letras vermelhas na borda.

"O que é isso?"

"Um pacto de proteção. Enquanto você trabalhar para mim, eu sou responsável por você. Nenhum outro vampiro pode tocar em você sem declarar guerra contra mim. E ninguém quer guerra comigo."

Eu peguei o papel. Estava em uma língua que eu não conhecia. Parecia latim.

"Preciso assinar com..."

"Sangue. Uma gota só."

Eu ri, nervosa. "Você tá de sacanagem?"

"Eu nunca brinco sobre sangue."

Ele pegou uma pequena agulha de prata. Segurei meu dedo. Eu tremia tanto que ele precisou segurar minha mão com as duas mãos dele. As mãos dele eram geladas.

"Isso vai doer um pouco."

Ele furou a ponta do meu dedo. Uma gota de sangue vermelha, bem viva, brotou.

Ele não encostou a boca. Ele apenas virou meu dedo sobre o papel. A gota caiu e o papel absorveu como se fosse uma esponja. As letras vermelhas brilharam por um segundo.

De repente, senti um arrepio subir pela minha espinha. Como se algo tivesse sido conectado.

"Pronto", ele sussurrou. "Agora você é minha."

"De que jeito?"

"De todo jeito que importa."

Ele ainda estava segurando minha mão. Olhou para o meu dedo onde ainda tinha um restinho de sangue. E eu vi a luta nos olhos dele. As presas dele desceram de novo, sem ele querer.

"Adrian..."

"Você precisa ir para casa", ele disse, soltando minha mão rápido, como se tivesse se queimado. "Hoje não. Estou... sem controle."

"Por causa do sangue?"

"Por causa de você. Seu sangue me chama há três dias, desde que você mandou seu currículo. Eu senti o cheiro do seu e-mail."

Isso era loucura. Completa loucura. E mesmo assim, eu não sentia medo. Eu sentia eletricidade.

"Volta amanhã às 8h. E Elena... não sai sozinha à noite. De jeito nenhum. Tranca sua porta. E se ver um homem de olhos amarelos, corre."

"Olhos amarelos?"

"Marcus. Meu irmão. Ele é o que colocou a foto na sua bolsa. E ele não quer te proteger. Ele quer te drenar até a última gota porque seu sangue pode fazer ele andar no sol."

Meu sangue gelou.

"Andar no sol?"

"Seu sangue é O Negativo puro, de uma linhagem antiga. Chamamos de Sangue da Aurora. O último humano com ele morreu em 1923. Achamos que tinha acabado. Até você."

Ele chegou mais perto e dessa vez tocou meu rosto. A mão gelada dele queimava.

"Você é um milagre, Elena. E milagres são caçados."

Eu deveria ter corrido. Mas eu inclinei meu rosto na mão dele.

Naquele segundo, a porta do escritório explodiu.

Não abriu. Explodiu. Madeira para todo lado.

E na porta, tinha um homem igual ao Adrian, mas com cabelo mais claro e olhos amarelos como um lobo.

"Olha só, o irmãozinho arrumou uma comidinha nova", ele disse, sorrindo e mostrando presas enormes. "Que pena que eu cheguei primeiro."

Adrian me puxou para trás dele em um movimento tão rápido que eu nem vi.

"Ela fez o pacto, Marcus. Ela é minha. Toca nela e eu te mato."

Marcus riu. "Vamos ver se seu coraçãozinho ainda b**e por humanos, irmão. Porque o meu não b**e mais."

Ele pulou.

Adrian me empurrou para baixo da mesa dele. Eu caí e vi os dois se batendo. Era tão rápido que eu só via vultos.

Ouvi um grito. Não era humano.

Quando olhei, Adrian estava com a mão no pescoço do Marcus, encostado na parede. Os olhos de Adrian estavam completamente vermelhos agora. Pretos e vermelhos. Um monstro lindo e assustador.

"Da próxima vez que sentir o cheiro dela, eu arranco sua cabeça", Adrian rosnou. A voz dele nem era mais voz humana. Era de um animal.

Marcus riu, mesmo sangrando. "Você não vai conseguir segurar. Você vai querer beber ela. E quando beber, vai matar ela. Como matou a Sofia."

Adrian soltou ele com tanta força que Marcus quebrou a mesa de vidro.

"Some!"

Marcus se levantou, limpou o sangue da boca e olhou para mim embaixo da mesa. "A gente vai se ver de novo, Aurora. E você vai implorar para eu te morder."

Ele pulou pela janela. Décimo andar. E sumiu.

Adrian caiu de joelhos. Estava ofegante. As presas ainda para fora.

"Não olha", ele disse.

"Adrian, você tá bem?"

"Não chega perto! Eu... eu sinto o cheiro do seu medo. E seu sangue... agora com o pacto, seu sangue me chama ainda mais."

Eu, tremendo, saí de baixo da mesa e mesmo com medo, cheguei perto dele. Coloquei a mão no ombro dele.

Ele tremia.

"Me diz quem é Sofia."

Ele levantou o rosto. Os olhos estavam voltando ao normal, mas cheios de lágrimas de sangue. Lágrimas vermelhas.

"Foi como você. Há 80 anos. Eu amei ela. E eu matei ela. Porque não consegui me controlar."

Ele segurou meu rosto com desespero.

"Eu não quero te matar, Elena. Por favor, me ajuda a não te matar."

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