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capítulo 8 - A Noite De Sangue

作者: Stefani Leme
last update 公開日: 2026-10-03 19:43:49

A cobertura do Adrian não era uma cobertura.

Era um mundo inteiro no topo de São Paulo.

Quando o elevador privativo abriu, eu ainda estava com o vestido vermelho rasgado, sujo de sangue preto do Marcus e vermelho da Júlia, descalça. A Júlia estava embrulhada no paletó do Adrian, dormindo no sofá gigante. A Valentina tinha ido embora com um "se cuidem, pombinhos" e uma piscadela.

Adrian me carregou no colo até o quarto. Literalmente. Como se eu pesasse nada.

"Você não precisa fazer isso", eu sussurrei, com a cabeça no peito dele. Tum. Tum. Tum. O coração dele ainda batia. Forte.

"Preciso. Você quase morreu hoje por minha causa."

"Quase morri porque seu irmão psicopata sequestrou minha melhor amiga."

Ele me colocou na cama king size. A cama era preta, com lençóis de seda preta. Ele tirou os sapatos e deitou do meu lado, ainda de terno rasgado.

Pela primeira vez desde que o conheci, ele parecia... cansado. Humano.

"Posso te perguntar uma coisa?", eu disse.

"Hm?"

"Seu coração... vai continuar batendo para sempre? Ou vai parar de novo?"

Ele pegou minha mão e colocou em cima do peito dele.

"Eu não sei. Em 300 anos, nunca aconteceu. Os livros antigos do Clã falam de Auroras. Humanas especiais cujo sangue não só alimenta, mas desperta. Mas diz que se a Aurora morrer... o vampiro que ela despertou morre junto. Para sempre."

Meu sangue gelou.

"Então agora você pode morrer de verdade?"

"Agora eu posso viver de verdade, Elena. Tem diferença."

Ele virou de lado, me olhando nos olhos. Os olhos dele estavam castanhos de novo, não vermelhos. Castanho escuro, quase preto, mas humano.

"Você tem medo de mim?"

Eu pensei no terraço. Nas garras. No sangue preto. No poder que fez todos os vampiros recuarem.

"Eu tive. Hoje eu tive muito medo. Mas não de você. Medo de te perder."

Eu encostei minha testa na dele.

"Adrian... o que você fez com o Marcus? Você realmente tirou a imortalidade dele?"

"Sim. É uma maldição antiga. Só um vampiro com coração batendo pode fazer. Ele vai acordar amanhã em um albergue na zona leste, sem memória de onde morava, sem dinheiro, com 30 anos de idade humana. Vai ter que aprender a trabalhar."

"Isso é cruel."

"Ele ia matar você e a Júlia. Eu fui gentil."

Nesse momento, meu celular vibrou. Era uma mensagem da Júlia, que tinha acordado na sala.

JÚLIA: Amiga, tem um cara estranho na portaria do prédio. Ele disse que é seu pai. Ele tá gritando seu nome lá embaixo.

Meu pai?

Meu pai tinha me abandonado quando eu tinha 12 anos. Eu não falava com ele há 10 anos.

"Adrian, meu pai tá aqui embaixo."

Adrian sentou na cama na mesma hora. O coração dele acelerou. TumTumTumTum.

"Como ele saberia onde você está? Ninguém sabe que você está aqui, além da Valentina e do Viktor."

Outro celular vibrou. O dele.

Era Viktor.

Viktor: Adrian. Temos um problema. Marcus não chegou ao albergue. Alguém o interceptou na saída do Rosewood. E esse alguém usou magia de sangue. Magia que só Auroras antigas sabem usar.

Adrian olhou para mim. Para a marca no meu pulso, que agora pulsava fraca, dourada, não mais vermelha.

"Elena... sua mãe... ela era o que?"

"Minha mãe morreu quando eu era bebê. Meu pai sempre disse que ela era... diferente. Que ela sumiu."

"Ela não morreu, Elena."

Um barulho veio da janela. Não era vento. Era batida. Toc toc toc.

Na janela do 42º andar.

Tinha uma mulher do lado de fora. Flutuando. De vestido branco. Cabelos pretos iguais aos meus. Olhos iguais aos meus.

E uma marca no pulso, igual a minha, mas dourada e muito maior.

Ela sorriu e falou através do vidro, com uma voz que fez meu sangue gelar.

"Olá, filha. Você demorou para despertar. Agora me devolve o que é meu."

Adrian me puxou para trás dele instantaneamente. As sombras voltaram nas costas dele. Os olhos ficaram vermelhos de novo.

"Quem é você?", ele rosnou.

"Sou a primeira Aurora, querido. A mãe dela. E vim buscar meu coração de volta."

A marca no meu pulso começou a queimar como fogo.

E o coração do Adrian... parou.

Tum... silêncio.

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