Mag-log inPOV Clarice
A governanta andava lentamente na minha frente, mostrando cada canto da casa. Passei meus olhos pelo lugar, nada que eu não tivesse visto antes, nada que me surpreendesse ou me impressionasse. Antes de quase morrer, eu era herdeira de um império bilionário. Experimentei as coisas mais caras e luxuosas antes de me tornar quem sou hoje.
— Você entendeu tudo? — Ela se virou, o queixo erguido ao me observar por cima, esperando impac
POV ClariceAcordar nesse hospital foi como viver um pesadelo parecido outra vez. Eu abri os olhos e suguei o ar com tanta força que meus pulmões queimaram. As enfermeiras tentaram me acalmar enquanto o caos se instalava de novo em minha vida.Agora eu estava perdendo o controle na frente do Gabriel enquanto ele envolvia a polícia nesse caso.— Por que a polícia não pode estar envolvida, Skay? — Ele se inclinou, me forçando a olhar nos olhos dele enquanto suas dúvidas ganhavam vida na minha frente. — Eu sei que você esconde algo de mim, mas eu não sabia que era algo tão grave.— Você colocou na cabeça que alguém está tentando me matar, e isso não é verdade.— Uma bomba foi encontrada no carro — ele perdeu a paciência, se afastou sorrindo enquanto zombava de mim.— Certamente a bomba era para você — eu disse, minha voz trêmula, o desespero assumindo o controle. — Eu não quero ser interrogada...Ele se virou de repente e me fuzilou com o olhar. Ficou assim por algum tempo, me analisando
POV GabrielEu entrei no ambulatório quando o médico me interceptou no caminho e começou a falar.— É um milagre a sua esposa ter sobrevivido e ter saído desse acidente sem nenhuma sequela — ele fez uma pausa dramática demais —, ela teve algumas queimaduras pelo corpo e fraturou algumas costelas, mas ela sobreviveu.Ele sorriu porque a notícia era boa. Por outro lado, eu não sabia o que dizer. Eu não sabia se queria entrar no quarto e ver como Skay estava sem me sentir destruído por dentro.— Sobre o motorista que estava com ela... — ele parou outra vez e toda a empolgação se esvaziou —, infelizmente ele não resistiu aos ferimentos. Ele está morto.As palavras me atingiram como água gelada. A voz dele soou distante enquanto continuou falando. Eu não ouvia nada, apenas um zumbido longo e torturante carregado de perguntas.— Senhor Lancaster — uma mão pesada repousou em meu ombro quando me virei para encarar o olhar do homem desconhecido —, eu sou o detetive de polícia e estou aqui para
POV GabrielEu estava entrando na empresa quando vi Frank correndo em minha direção como se estivesse correndo do perigo. Meu primeiro pensamento foi que ele havia descoberto algo muito importante.Ele parou na minha frente e se inclinou, mal conseguindo respirar.— Precisa parar de fumar, Frank — eu zombei dele no seu primeiro dia de trabalho —, se continuar assim, vai morrer.— Morrer... — ele se ergueu, a garganta seca, sua voz desesperada —, você precisa ir ao hospital. A Scarlet sofreu um atentado.Uma coisa estranha aconteceu comigo quando ouvi essas palavras. O mundo ao redor parou e depois deixou de existir. Eu gaguejei palavras que não faziam sentido antes de entrar no carro e ordenar que o motorista dirigisse em direção ao hospital.Algo que eu nunca pensei que sentiria por Skay invadiu meu peito, quase não me deixando respirar.Foi uma enxurrada de acontecimentos depois disso. Frank entrou no carro comigo; eu fiz um milhão de perguntas para as quais ele não sabia as respost
POV ClariceSegurei Charlotte em meus braços e corri com ela para dentro do prédio. Apressada, empurrei a porta enquanto deixava o barulho da chuva pelo silêncio e calmaria da recepção.Ela se encolheu e choramingou. Afastei-a para que pudesse olhar em seus olhos.— Eu estou aqui, tudo bem? — Ela balançou a cabeça. — Não precisa ter medo.Virei-me para a recepcionista e entreguei os documentos da Charlotte para ela. Eu estava pronta para arrumar um bom lugar para sentarmos enquanto planejava um diálogo em minha mente. Certamente o primeiro bom diálogo que eu teria com minha filha, quando uma sombra parou bem na minha frente.Eu conhecia aqueles sapatos vermelho-vivos e aquele perfume enjoativo.A euforia da Charlotte me deu a certeza de que eu não estava enganada.— Tia Emily! — Ela se levantou e correu para os braços da mulher.Fechei meus olhos com força, tentando manter calma toda a minha frustração e raiva que sentia naquele momento. Eu estava tão perto de começar a construir uma
POV ClariceEngoli todas as rejeições da Charlotte e continuei apaixonada por ela. Eu a observava enquanto ela dormia, imaginando os dias felizes que eu ainda poderia ter ao lado da minha filha.Conquistá-la e ter o direito de ser sua mãe verdadeira era o que importava e nada mais.Eu esqueceria os conflitos que eu tinha com o Gabriel, o fato de o Frank estar trabalhando para ele e os motivos de Ava não me apoiar, apenas para ter o direito de ser mãe da minha filha.Enquanto ela dormia, eu fiz uma promessa aos pés da sua cama de que o meu foco e energia seriam somente dela a partir daquele momento.Mesmo sabendo que, talvez, Charlotte nunca me amaria da mesma forma.Uma batida na porta rompeu meus pensamentos e, quando virei o pescoço para ver quem era, meu estômago revirou e eu desejei vomitar ali mesmo.— Com licença, senhora — ela trazia uma pilha de roupas quando empurrou a porta e entrou. Ela sempre andava com a cabeça erguida, ainda agia como se fosse superior a mim. Eu tinha vo
POV ClariceMeu estômago afundou e eu fiquei tempo demais parada em pé no meio da lanchonete enquanto pessoas esbarravam em meu ombro e reclamavam por eu estar parada no meio do caminho como uma estátua.Nunca passou pela minha cabeça que Frank estaria apaixonado por mim.Que tudo o que ele havia feito foi por amor ou que estava se envolvendo ainda mais na minha trágica história porque queria de alguma forma me proteger.Respirei fundo, sabendo que era hora de partir.Meu corpo pegava fogo como se eu estivesse em chamas.Sem pensar duas vezes, saí e voltei para o carro. Sentei no banco e observei a cidade passar diante dos meus olhos enquanto o segurança perguntava para onde ele deveria me levar.— Para a mansão, por favor — eu disse quando o vi me observar pelo espelho.Não havia nenhuma garantia de que aquele homem não contaria nada do que viu para o Gabriel, mas para mim não faria diferença. A situação já havia saído do controle há muito tempo.E eu estava cansada de manter tudo so







