LOGINClarice perdeu tudo em uma noite. O marido arrancou sua filha recém-nascida dos seus braços e a deixou para morrer. O mundo acreditou. Ela sobreviveu. Três anos procurando. Três anos escondida. Até descobrir que sua filha estava viva, amada e chamava outro homem de pai. Gabriel Lancaster. Bilionário. Poderoso. E o único obstáculo entre ela e a filha que nunca esqueceu. Sem provas e sem nome, Clarice fez o único coisa que podia fazer. Entrou na casa dele como babá. O plano era simples. Mas ninguém planeja se apaixonar pelo homem errado. E ninguém consegue esconder para sempre um segredo do tamanho de uma filha.
View More— Por favor, tire esse bebê de dentro de mim — a mulher passou em uma cadeira de rodas ao meu lado, gritando essas palavras.
As outras pacientes se entreolharam com olhos arregalados e assustados, mas não disseram nada. Minhas mãos tremiam enquanto eu agarrava o braço da cadeira de metal, sentindo as contrações indo e vindo cada vez mais fortes. Sim, eu estava pronta para ter o meu bebê.
Calma, Clarice. Você consegue.
Mentira, eu não conseguia, mas também não tinha escolha.
Meu marido, Murilo, sabia que eu estava perto de ter a nossa filha, mas ele tinha uma viagem de negócios e sumiu por dias sem me dar nenhuma notícia. Estávamos juntos há cinco anos; ele era a única família que eu tinha. A escolha de se casar não foi minha, muito menos do Murilo, foi um desejo do meu pai antes de morrer, que escolheu meu marido pelas qualidades que ele dizia ver nele… Ele era perfeito para administrar minha herança.
Sempre evitei dramas, agarrando-me a alguma esperança patética de que o Murilo ainda me via como sua esposa. Mas agora ele não estava presente, mesmo sabendo que um filho nos uniria para sempre.
O tremor passou para minhas pernas, o chão se inclinou e um grito rasgou minha garganta no segundo seguinte. Duas mãos fortes me agarraram e me arrastaram para uma sala de cirurgia. O cheiro do álcool invadiu minhas narinas, meu estômago revirou. O lugar ficou em silêncio, parecia ficar menor e mais quente a cada contração; eu mal conseguia respirar direito.
Abri os meus olhos quando encarei um rosto familiar à minha frente: era o Murilo. Senti o peso do olhar dele; ele me odiava, não conseguia sorrir nem no nascimento da própria filha. Anos de casamento e ele nunca me deu o mínimo necessário. Nossa união existia apenas em documentos legais.
Abri os lábios para perguntar como ele havia chegado tão rápido e como sabia que eu estava em trabalho de parto, quando a dor rompeu minha voz.
— Já que decidiu dar à luz agora, faça isso o mais rápido possível — a frieza no tom dele me arrepiou, se misturando à dor que se alastrava por todo o meu corpo. Ele não segurou minha mão, apenas assistiu distante enquanto eu sofria sozinha.
— Só mais um pouco, Clarice, ela está quase nascendo. — O médico olhou para mim, a cabeça entre minhas pernas, e quando ele pegou o bisturi, eu soube que havia chegado a hora.
Eu não o senti me cortar, mas senti quando coloquei mais força e a criança saiu de dentro de mim. O choro abafado invadiu meus ouvidos; chorei em silêncio, um suspiro silencioso escapando direto do meu peito.
— Por favor, deixe-me segurar a minha filha — tentei mexer os braços para alcançá-la, mas estava sem força. O médico se aproximou e a deitou em meu peito. Ela era perfeita, esfreguei o cheiro dela no meu rosto; ela seria para sempre parte da minha alma. Minha peça que faltava.
— Doutor, agora — Murilo disse, a expressão dura, indecifrável —, pegue o bebê e mate-a quando terminar.
— O quê? — Meu sussurro foi quase silencioso. Os olhos do Murilo se voltaram para mim por um breve momento, sua expressão fria em indiferença. Ele me encarou enquanto jogava o paletó de lado e erguia as mangas da camisa branca.
Olhei para o médico se aproximando, seu olhar triste enquanto esticava as mãos para tirar a minha filha de mim. Aquilo era uma brincadeira? Murilo não queria dizer isso, aquele era o nosso bebê. Por que ele me queria morta?
— Por favor, não faça isso — implorei, minha voz tremendo com todas as perguntas que eu não podia fazer. Debati-me enquanto o médico arrancava minha filha dos meus braços. — Sou sua esposa, Murilo, por favor, por que está fazendo isso?
Ele parou, finalmente me olhando, seu olhar perigoso e afiado. A porta da sala rangeu e minha postura desmoronou completamente. Não precisei me virar, eu já sabia quem era só pelo cheiro: a amante do meu marido estava presente.
— Me dê a criança — a voz de Amélia, doce porém venenosa, quebrou o silêncio. Ela entrou no quarto, os saltos batendo no chão, cada passo uma lembrança de que ela era a mulher que Murilo realmente amava, seus braços esticados para segurar minha filha.
— Não — engasguei as palavras, enquanto o horror florescia em meus olhos —, devolva a minha filha imediatamente.
— Ela não é mais sua filha — as palavras de Murilo me atingiram como um soco no estômago; ele se inclinou, suas mãos afundando o colchão ao meu lado —, a Amélia sempre sonhou em ter uma filha, mas sabíamos que ela não podia ter uma. Ela será uma mãe melhor do que você.
Levantei a cabeça para encarar as feições afiadas de Murilo. Como alguém podia ser tão cruel? Ser traída, tratada como lixo e ver sua filha arrancada de seus braços? Cinco anos amando Murilo haviam me esvaziado. Suportei sua traição, sua ausência e pensei que dar um filho a ele o faria desistir de tudo para ficar ao meu lado, mas errei outra vez.
Lágrimas queimaram os meus olhos, escorrendo livremente quando olhei para minha filha mais uma vez. Recusei-me a deixá-los levá-la, pelo motivo que fosse. Eu tentava me erguer, eu queria lutar. Eu não ia chorar agora. Lágrimas não me ajudariam a salvar a minha filha.
— Não a deixe escapar — Amélia ordenou. Soube então que ela não queria que eu sobrevivesse. — Eu não deveria fazer promessas para uma mulher como você, mas essa criança será amada. Você já pode morrer em paz.
Fiquei paralisada quando Murilo se aproximou dela e a beijou nos lábios. Não era nenhum segredo que ele me traía com aquela mulher, mas eu me culpava por não perceber seu plano maldito. Ele me mataria para ficar com minha filha e minha herança.
Amélia segurou minha filha com mais força em seus braços enquanto o sorriso presunçoso firmava-se em seu rosto, pronta para partir. — Diremos que você morreu no parto. Será um funeral inesquecível, eu prometo. — Ela girou os calcanhares em direção à saída, quando eu gritei.
Mãos grandes e fortes me agarraram outra vez, puxando-me de volta para a cama. Lutei pelo tempo que consegui. Um homem segurou meu pulso enquanto eu me contorcia. Uma agulha perfurou minha veia, um líquido percorreu o tubo fino e invadiu meu sangue.
— O que é isso? O que você está fazendo? — Minha voz falhando, o medo quase me nocauteando.
— Você terá uma morte rápida e sem dor, Clarice — a voz grave do médico ressoou pelo quarto, mas ele não se divertia —, eu prometo que não deixarei você sofrer.
Eu ainda consegui tirar a agulha da minha veia, mas o veneno já havia entrado em meu corpo. Tentei me livrar das amarras e implorar por ajuda. Fiquei rígida, meu rosto perdendo a cor instantaneamente. Era tarde demais.
Eles levaram minha filha e me deixaram para morrer. Senti minha vida escapando lentamente pelos meus olhos.
Talvez esse fosse o meu fim, antes de a escuridão finalmente chegar.
POV ClariceGabriel estava apaixonado?Ele estava se declarando para mim?Eu olhei para ele com os olhos vidrados, sem conseguir desviar a atenção nem um segundo sequer. Eu não me lembrava da última vez que um homem havia declarado interesse por mim; isso havia acontecido anos antes de me casar com o Murilo.Foi inevitável não lembrar do Murilo, mesmo que essa lembrança durasse apenas poucos segundos. Eu o amava tão loucamente, eu sonhei tantas vezes ouvi-lo dizer que também me amava, mas no final recebi um veneno injetado em minhas veias em troca de tanto amor.Um frio percorreu minha espinha. Eu me encolhi.Eu abri os lábios, mas nenhum som saiu de dentro deles. Eu não sabia o que dizer, nem mesmo o que pensar; eu só sentia meu coração bater tão forte até minhas costelas doerem.Eu queria correr para longe dali, quando uma figura pequena saiu do elevador e veio correndo em nossa direção. Charlotte agarrou as pernas do Gabriel com tanta força que a tensão e expectativa no rosto dele
POV GabrielEu fui ansioso até o restaurante do hotel no primeiro andar.Eu pagaria bem por um jantar de gala particular por aquela noite. Os funcionários não reclamaram, o dono do hotel concordou e eu estava pronto para oferecer a Scarlet uma noite inesquecível.Ela não quis sair do quarto a noite inteira. Ela dizia que sentia muitas dores, ainda estava se recuperando do acidente. Ainda que fosse um pouco verdadeiro, eu sabia que ela usava isso como desculpa para não me ver.Eu ainda tentava entender por que ela fugia de mim, por que ela ainda se escondia atrás dos seus segredos. Eu não conseguia imaginar nada tão grave que pudesse me decepcionar com ela.Uma babá que contratei quando cheguei preparava Charlotte para a noite. Quando olhei para minha filha, lembrei o quanto Scarlet gostava de Charlotte. Ela seria o motivo que eu conseguiria para arrancar Skay daquele maldito quarto.Meu coração começou a disparar quando parei em frente à porta do quarto dela. Eu tinha acesso livre, ai
POV GabrielVoltei para o quarto, para o lugar onde Charlotte pulava sobre a cama como se o lugar fosse um parque de diversões. Pelo menos ela estava distraída. Ela se divertia porque não tinha problemas de adultos para resolver.Caminhei até o banheiro e observei meu reflexo no espelho.Meu rosto estava contorcido de raiva. Eu não conseguia parar de pensar em Scarlet nem por um minuto, e aquilo estava me deixando louco. Não estava nos meus planos ser atraído pela babá da minha filha, como também eu não planejava me casar com ela.Desde o primeiro dia em que coloquei os olhos nela, eu sabia que tinha algo de diferente e agora eu não conseguia desviar o olhar.Ela me rejeitava; ela me lembrava a cada segundo do nosso acordo. Ela criara uma barreira entre nós dois, me impedindo de continuar.Meu celular vibrou no bolso da calça. Voltei à realidade. Virei as costas para o espelho e me encostei na pia, olhando diretamente para o vaso sanitário, antes de atender a ligação. A voz do Henry s
POV ClariceO ar dentro do avião particular era difícil de respirar. Charlotte dormia ao meu lado tão lindamente que nem mesmo a turbulência me fazia parar de olhar para ela, nem mesmo por um segundo.Quando eu contasse a ela que eu era sua mãe, como ela reagiria?Eu fiquei pensando nisso por minutos longos demais enquanto o silêncio no avião parecia preocupante. Todos estavam dormindo, menos eu.Meu estômago se revirou em um nó apertado quando olhei para o Gabriel. Ele não parecia nem um pouco o CEO implacável de quem eu costumava ouvir falar nas rodas de conversa quando eu era uma grande empresária. Ele era diferente de tudo o que eu poderia imaginar.Eu precisava desse casamento tanto quanto ele e certamente nós dois acreditávamos que seria apenas um contrato, mas eu estava com os olhos parados tempo demais em cima dele, observando seu peito subindo e descendo e lembrando das inúmeras vezes em que ele foi gentil e amoroso comigo, fazendo um sorriso idiota surgir em meu rosto.Exata












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