Se connecterOiê, meninas! 🫶🏽 Antes que vocês pensem que eu enlouqueci e resolvi postar capítulos em velocidade de foguete e, de repente, resolvi parar: não fui eu que inventei essa maratona, não. 😂 A quantidade de capítulos dos últimos dias foi uma exigência da plataforma, assim como o retorno ao ritmo de dois ou três capítulos, que voltei a postar nesta semana. Eu, como boa funcionária que sou, apenas sigo ordens. 😂 Espero que compreendam, porque não é “palhaçada”, como vi em um comentário por aqui, é aquilo de "manda quem pode, obedece quem tem juízo". 😬 Boa leitura! 💕
Dylan não responde. A mandíbula dele trabalha por um instante, como se mastigasse algo que não consegue engolir. Depois, desvia o rosto para a janela. — Você não me conhece — diz, por fim. — Não. Não conheço. Quando voltei, você já era o herdeiro de gravata e sobrenome. Nunca me perguntei quem estava por baixo disso. Ele volta os olhos para mim, ainda desconfiado. — Isso foi falha minha. Não a maior, mas minha. Dylan abaixa a cabeça. Por alguns segundos, parece lutar contra alguma coisa dentro dele. — Eu também nunca quis conhecer você. Era mais fácil te odiar. — Eu sei. O celular vibra de novo sobre a mesa, e deixo vibrar até parar. Se for Victor, isso terá que esperar mais alguns minutos. — Você quer mesmo esta empresa, Dylan? — pergunto, após alguns segundos de silêncio. A pergunta o pega desprevenido. Ele abre a boca, depois fecha e desvia os olhos para o chão. Não diz nada. E, talvez, essa seja a resposta mais honesta que ele me deu hoje. — Não precisa
Dylan passa a língua pelos lábios ressecados e olha para a porta, quase arrependido de ter falado. — E o que ela queria? — pergunto, baixo. Ele não responde. Só encara o chão, a janela, qualquer ponto da sala que não seja eu. Nada. Respiro fundo e me desencosto da mesa devagar. Dylan acompanha o movimento com os olhos, em alerta, pronto para o que quer que eu faça. Não faço nada. Pelo menos, nada do que ele espera. Me aproximo do sofá e, sem tirar os olhos dele, puxo um lenço do bolso, me agacho e enfio a mão sob o estofado até encontrar a faca. Depois enrolo o lenço no cabo e me levanto com a lâmina apontada para o chão. — O que você está fazendo? — ele pergunta, franzindo as sobrancelhas. — Te dando tempo para pensar no que realmente veio fazer aqui. Ele engole em seco, mas não responde. Volto até a mesa e deixo a faca sobre ela, do meu lado, longe do alcance dele. O celular vibra ao lado do teclado. Victor, provavelmente me lembrando da reunião em que eu j
Dylan apoia a mão livre na beira da mesa e se lança por cima dela.Empurro a cadeira para trás com as pernas, e a lâmina passa bem onde estava meu peito, derrubando a caneta e os papéis.Levanto tão rápido que a cadeira bate na parede.— Porra, Dylan!— Cala a boca!A faca treme visivelmente.Os nós dos dedos estão brancos de tanto apertar o cabo, e o corpo inteiro dele parece sustentado por uma corda prestes a arrebentar.Desvio os olhos para o botão que foi instalado após o sequestro. Um toque, e metade da equipe de segurança sobe em dois minutos.O problema é que dois minutos é muito tempo para alguém segurando uma faca a poucos metros de mim.E, se Dylan perceber o que estou fazendo, posso não ter nem dois segundos.Volto os olhos para ele, calculando a distância entre nós.Três passos, talvez dois.— Você já conseguiu — Dylan diz, com a voz falhada. — Meu cargo, minha reputação, meu nome em todo jornal desta cidade. Não bastava?— Eu limitei seu cargo por causa do contrato. O res
“Dante Ferretti” Três dias dentro do hospital me fizeram perceber que aqui o tempo funciona de um jeito diferente. Ele não passa em horas, passa em visitas à UTI neonatal. Uma de manhã cedo, outra no começo da tarde e a última à noite, quando as enfermeiras me deixam ficar mais do que deveriam e fingem não perceber. A primeira visita de hoje já passou, e agora Amy finalmente decidiu tomar café da manhã. Aparentemente, a fome dela só vem depois de ver que nossos filhos estão bem. Duas batidas rápidas na porta interrompem o momento, e ela se abre sem esperar resposta. A nonna entra no quarto como um furacão de lã, com a bolsa enorme pendurada no braço e minha mãe logo atrás, tentando acompanhar. — Como está minha neta? — ela pergunta, já se aproximando da cama. — Dormiu bem, tesoro? — Melhor, nonna — Amy responde, rindo, enquanto recebe dois beijos no rosto e um terceiro, de bônus, na testa. — Melhor não é bom. Bom é bom. — Amanhã eu chego em bom. — Assim se fala. Nonna se v
A UTI neonatal é um lugar estranhamente silencioso. Tudo se resume a passos leves, vozes baixas e máquinas que apitam num ritmo quase suave. É como se o hospital inteiro tivesse combinado de não acordar ninguém. Dante empurra a cadeira de rodas devagar pelo corredor, com uma das mãos no meu ombro e a outra firme no encosto. — Tudo bem? — ele pergunta pela terceira vez. — Dói? — Só quando você pergunta a cada cinco segundos. Ele ri e continua a empurrar a cadeira em silêncio. Assim que chegamos ao final do corredor, uma enfermeira vem em nossa direção e nos entrega aventais descartáveis e toucas. Enquanto ela me ajuda a vestir, Dante lava as mãos. Por um momento, apenas observo meu marido esfregar os dedos por bastante tempo. Sorrio ao perceber as mãos dele tremendo levemente. — Você está lavando como se fosse operar alguém — murmuro, sem resistir. — Estou sendo cuidadoso. — Excessivamente cuidadoso. A enfermeira ri e nos leva até dois cantos lado a lado, separados por uma
“Amy Ferretti” Acordo de uma vez, com o coração batendo rápido. O quarto está escuro, apenas com a luz fraca do corredor passando pela fresta da porta. Demoro alguns segundos para entender onde estou. Teto branco. Lençol fino. Um monitor apitando ao lado da cama. Hospital. Levo a mão à barriga num gesto automático e não encontro nada. É nesse momento que as memórias voltam de uma só vez. O galpão. O tiro. As sirenes. O pânico. As luzes do centro cirúrgico e a voz da médica dizendo que eu precisava respirar. — Os meninos — murmuro, virando o rosto para os lados, procurando Dante. A poltrona ao lado da cama está vazia. Engulo em seco, tentando me convencer de que ele só saiu por um momento. Que está tudo bem. A porta se abre devagar, e uma enfermeira entra, de cabelo preso e prancheta nas mãos. — Ah, você acordou — ela diz, sem levantar os olhos da prancheta. — Como está se sentindo? — Cadê meus filhos? — pergunto, e minha voz sai falhada. — Como eles estão? A







