LOGINAlba
_ Alba! Vai acabar se atrasando pra escola filha!
_ Já vou mamãe.
Confesso que sou uma menina preguiçosa, adoro dormir até tarde e ficar debaixo das cobertas em dias mais frios. Se eu pudesse hibernava, sinceramente seria maravilhoso ter nascido ursa.
Fiz minha higiene, coloquei o uniforme da escola e desci as escadas. Todas as manhãs minha mãe me espera com um café quentinho e um pão torrado, eu adoro o carinho que ela tem por mim. Espero que com a chegada do bebê ela não esqueça de me mimar, porque ser filha única é maravilhoso. Claro que eu adorei quando fiquei sabendo que teria um irmãozinho, mas o receio de ser esquecida também falou alto.
Depois de alguns minutos entrei no carro e parti para a escola.
_ Bom dia menina, dormiu bem?
Perguntou Wilson.
_ Dormi sim, e o senhor ?
_ Muito bem!
Disse ele sorrindo. Conheço Wilson desde sempre, ele é amigo do meu pai e os dois se conhecem a anos, desde quando meu pai ainda era um soldado. Graças às mudanças na nossa organização meu pai subiu de cargo e se tornou o subchefe. Desde então é Wilson que me leva pra cima e pra baixo e às vezes eu penso que ele é meu único amigo.
Suspirei quando paramos em frente a escola.
_ Você já contou aos seus pais ?
Perguntou ele enquanto se virava pra me olhar no banco de trás do carro.
_ Não, e você prometeu que também não vai contar!
Respondi persuasiva.
_ Eu sei menina, mas se essas meninas machucarem você seu pai vai ficar uma fera.
_ Eu sei, eu vou dar um jeito.
Falei enquanto descia do carro. A anos eu sofro bullying das mesmas meninas. Tudo que elas querem saber é de maquiagem e meninos, enquanto eu pego um livro e me distraio entrando em vários mundos diferentes.
Ao entrar nos portões da escola tudo que eu fico pensando é na hora da saída, ansiosa pra dar o fora daqui logo. Ainda falta muito pra me formar, mas pelo menos estou mais perto do que longe.
Fui diretamente pra sala e sentei na mesa mais afastada da sala, na tentativa de ficar invisível. Conforme a sala ficava cheia eu ficava mais tranquila e ver que ninguém estava dando a mínima pra minha presença. Peguei meu livro e comecei a ler enquanto aguardava a professora que mais uma vez estava atrasada.
_ De novo lendo essas porcarias?
A voz é super familiar e meu estômago chegou a embrulhar.
_ É um livro, não é porcaria!
Ela deu uma risadinha e saiu andando. Qual a necessidade de rebolar tanto? Desnecessário!
Olhei para o lado e vi que Josué observava ela também, senti uma pontinha de ciúmes.
Ele é meu amor não correspondido desde o primeiro ano. Claro, ele não sabe que eu tenho sentimentos por ele e se depender de mim nunca saberá. Sou a menos popular e a mais esquisita. Josué tem fama de pegador e de quem não presta, infelizmente.
Meus livros são bem mais interessantes que ficar mal falada por aí, porque é isso que ele faz, dizem que ele sai falando horrores das meninas com quem ele fica.
A aula finalmente começou. Minha cabeça é tão confusa que fiquei viajando o tempo inteiro para o mundo imaginário que só existe na minha mente. Senti vontade de fazer xixi e pedi permissão pra ir ao banheiro.
Caminhar pelos corredores da escola nunca foi um dos meus atos favoritos, certa vez sem querer peguei dois alunos aos beijos. Eu não sabia onde enfiar minha cara.
Depois de lavar minhas mãos, ouvi a porta do banheiro ser aberta. Roberta entrou com cara de poucos amigos, certamente irritada por eu ter respondido a ela no início da aula. Ela parou do meu lado com a mão na cintura.
_ Você me acha com cara de palhaça, Alba ?
Perguntou ela, com uma sobrancelha arqueada. A maquiagem azul que ela estava usando combinava bastante com a de um palhaço, mas não me atrevi a dizer isso.
_ Não entendi..
Falei sem entender mesmo.
_ Fiquei sabendo que você está falando de mim por aí, tá me achando com cara de que ?
Roberta é escandalosa, tem a voz nasal e se acha a mais *gostosa do colégio,a última bolachinha do pacote e a última coca do deserto.
_ Eu não falei nada..
Antes que eu pudesse responder ela grudou as mãos no meu cabelo e puxou com força, arrancando alguns fios. Fiquei em choque e nem consegui reagir.
_ Da próxima vez que você falar de mim, eu te deixo careca, entendeu?
Ela saiu rebolando, cheia de si, enquanto eu permanecia ali, com a mão no local onde ela puxou e tentando ter alguma reação. Esse é meu maior problema, quando entro em choque eu fico paralisada de medo, simples assim.
Me sinto totalmente impotente e um alvo fácil pra qualquer um que queira me maltratar.
O restante do dia foi infernal, Roberta espalhou pelo colégio que me deu uma surra no banheiro e várias meninas vieram me perguntar o que aconteceu, até mesmo meninas de outras salas vieram até mim. Foi humilhante, mas nada que eu já não esteja habituada.
_ Como foi o dia ?
Perguntou Wilson enquanto eu entrava no carro. Olhei pra ele e sorri, um sorriso extremamente falso e carregado de vontade de chorar.
_ Foi ótimo.
_ Implicaram com você?
Perguntou ele, preocupado. Wilson me conhece bem, sabe que sou sentimental também.
_ Não, tá tudo certo!
Insisti na mentira e ele pareceu ter sido convencido.
Chegando em casa dei um beijo na minha mãe e subi pro meu quarto. Quando bati a porta não consegui mais conter as lágrimas, sinceramente não sei o que eu fiz pra ser tão odiada assim.. eu só queria ser normal, só isso.. queria me importar mais com maquiagens e meninos do que com livros e séries que prendem minha atenção e sinceramente queria até mesmo ser menos inteligente, pode ser que dessa forma eu conseguisse me enturmar melhor com as meninas da minha idade. Espero que com os anos as coisas melhorem pra mim..
MaxObviamente eu não consegui segurar, precisei arrancar informação daquele babaca. O ódio me corroeu rápido, foi nocivo e me levou a ir naquele apartamento. Quando cheguei lá vi que aquele babaca estava estranho, pálido e parecia com dor. Mas não tive piedade, porque aposto que ele está esperando o momento certo para atacar Florzinha.Me estiquei na cama, sentindo meu corpo relaxado. Depois de deixar Maria no hospital decidi voltar para casa, treinei um pouco com os homens, levei as crianças para a escola e depois ajudei minha mãe com as tarefas da casa. Tentei arrancar alguma informação da minha mãe sobre aquele homem, mas ela não quis dizer nada e me podou na hora.Enfim, me dei por vencido por enquanto, mas ainda vou arrancar daquele velhote suas verdadeiras intenções.Fechei meus olhos, pegando rapidamente no sono.Depois que vim morar aqui, nunca mais sonhei. Minhas noites são tão tranquilas que acabo não sonhando com nada. Eu descanso cem por cento. Porém, esse sono foi difere
FlorzinhaVer Max com ciúmes da própria mãe já diz muito sobre ele. É engraçado e ao mesmo tempo preocupante. Ele precisa parar com esse excesso de proteção, porque isso não faz bem para ele e nem para as pessoas ao redor dele.Isso acaba sufocando e afastando. E não quero ser sufocada por Max. Eu o amo, mas não estou disposta a abdicar da minha liberdade de ir e vir por ninguém.A operação de Richard não vai ser uma coisa fácil, e por isso estou estudando cada dia mais para garantir que ocorra tudo cem por cento bem. Não quero vê-lo morto, e também todos já notaram que tem algo errado com ele.Penteei meu cabelo e amarrei para trás em um coque alto. Peguei meu casaco e minha bolsa, pronta para sair.Assim que coloquei meus pés para fora da mansão, ainda na escadaria, ouvi a voz dele._ Hoje eu levo você! _ Disse Max ao se aproximar._ Nossa, acordou tão cedo só para isso? _ Perguntei ao me aproximar, depositando um beijo casto em seus lábios._ É o mínimo, afinal você é minha mulher.
MaxFlorzinha anda estranha. Parece que está escondendo alguma coisa. Ela anda em cima dos livros, estudando muito ultimamente como se alguma coisa muito importante estivesse se aproximando, mas sempre que pergunto ela desconversa, não me conta que porra ela pretende fazer.Isso me irrita, me sinto de escanteio, e sei que tem as coisas relacionadas ao nosso casamento também, mas pelo o que sei quem está cuidando disso é a mãe dela.Por fim, me sinto um pouquinho abandonado._ Filho, você está bem? _ A voz da minha mãe ecoou no quarto, arrancando-me dos devaneios._ Oi mãe. Sim, estou. E a senhora, como está se sentindo hoje?Ontem ela vomitou, estava apática e cansada. Foram anos usando drogas, bebidas, e seu corpo ainda está em fase de desintoxicação. Eu fico triste em vê-la tão mal, mas feliz por saber que ela está se afastando das coisas que podem fazer mal a ela e aos meus irmãos._ Estou melhor. _ Ela sentou na beirada da cama, estava muito abatida. _ Todos os dias é uma luta dif
AdelieSebastian continua o mesmo. Não quis me dar bebida alcoólica, só me encheu de suco e petiscos. O lugar também não mudou absolutamente nada, o que é bom._ Você deveria conversar com o seu marido. Deveria deixar claro que você desaprova certas atitudes.Contei para Sebastian coisas bem superficiais. Apenas falei que Lev faz e fala algumas coisas que me magoam, mas o que Sebastian não sabe é que essas atitudes de Lev acabam me atraindo mais.É como se eu gostasse de ser ferida, e isso é bizarro. Estou descobrindo lados alternativos de mim mesma, coisas que eu não sei se tenho medo ou não._ É… _ Murmurei sem vontade.Fiquei um tempo em silêncio, apreciando os petiscos e observando Sebastian atender outros homens. Inclusive, acho que aqui é um local somente de homens, porque não vejo uma mulher sequer._ Olha só, que coincidência! _ Olhei para o lado, observando que aquele homem esquisito e risonho da ultima vez que estive aqui estava de novo me olhando.E também nos encontramos n
AdelieAterrizamos em Roma pela madrugada. Lev largou tudo para me acompanhar, ou melhor, o Impostor. Ele se recusou a dar espaço para Lev conversar comigo, mas disse que o outro lado do meu marido estava de acordo com a viagem, desde que eu ficasse colada a ele e não sumisse e nem fizesse nada que colocasse minha vida em risco.Optei por não comunicar Max do que está acontecendo, mas Tulio sabe, e prometeu reforçar a proteção do meu amigo para que eu pudesse ficar tranquila e não atrapalhasse a vida dele mais uma vez.Fiquei feliz em receber apoio de Tulio, ele mais do que ninguém deve saber o que é passar por maus lençóis como estou passando._ Aluguei aquela cobertura. _ Disse o Impostor._ Aquela da última vez?_ Exatamente. _ Ele soltou um sorriso estranho, e não sei se gostei disso…Entramos em um carro grande, bonito, e começamos a rodar Roma.A essa hora toda a aliança sabe que Gabriel está vivo, e vindo para cima de mim. As informações que eu tenho foram repassadas para todos
Florzinha / Maria GuadalupeDepois daquela cena maravilhosa onde o meu querido homem das cavernas praticamente surtou e me arrastou para fora do shopping, Max pareceu ficar envergonhado e se enfiou em trabalho. Confesso que achei muito fofo o jeito que ele ficou quando descemos em casa. Eu ainda estava com o jaleco no corpo e nem tinha pago.Comecei a rir, ele ficou todo sem jeito e sumiu. Sua mãe e seus irmãos pediram mil desculpas e voltaram para a casa deles na propriedade. Já meu pai ria sem parar e minha mãe também.Notei que os dois pombinhos andam pelos cantos aos beijos, e aposto que estão planejando uma lua de mel de verdade dessa vez, bem longa.Eu fico muito feliz por eles, e sinto que meu pai precisava muito disso, ele também merece ser muito feliz.Continuei arrumando minha bolsa, saí de casa cedo e cheguei no hospital com o sol recém nascendo. Meus dias em casa foram ótimos e descansei muito bem.Me troquei no vestiário, cumprimentei a todos e fui para o meu consultório.







