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Capítulo 04

Auteur: S.R.Silva
last update Date de publication: 2026-03-28 03:34:07

Rafael Barcellos

Eu não acreditava muito em coincidências, na verdade, durante toda a minha vida aprendi que coincidências quase sempre escondiam alguma lógica que as pessoas simplesmente ainda não tinham percebido. No mundo dos negócios, por exemplo, não existia sorte — existia estratégia, planejamento e pessoas que sabiam exatamente o que estavam fazendo.

Era assim que eu conduzia minha vida e foi assim que construí o Grupo Barcellos.

— Senhor Barcellos?

A voz da diretora me trouxe de volta ao presente. Ela ainda estava parada à minha frente, claramente nervosa.

— Sim? — respondi, ajustando o punho do meu terno.

— Como eu estava dizendo, a manutenção do parquinho já foi solicitada. Garantimos que algo assim não voltará a acontecer.

Assenti brevemente.

Minha visita ali tinha um motivo específico.

A filha de um dos investidores do grupo havia se machucado no escorregador da escola no dia anterior. Nada grave, mas o pai da menina fez questão de ligar diretamente para mim, reclamando sobre a segurança do local.

Quando investidores importantes ficavam insatisfeitos, aquilo se tornava automaticamente um problema meu.

E eu resolvia problemas, simples assim.

— Espero que realmente resolvam — falei calmamente. — Crianças merecem segurança.

— Claro, senhor Barcellos.

Ela parecia ansiosa para encerrar aquela conversa, e eu também estava com pressa para retornar à empresa.

Mas, ao me virar, acabei trombando com um garotinho que estava correndo com seus amigos.

— Enzo Rosa, por que está correndo? — a diretora gritou. — O senhor está bem, senhor Barcellos? — ela perguntou logo em seguida.

Olhei para ela por alguns segundos, sem responder imediatamente.

— A senhora não deveria verificar se o menino está bem? — disse, com o tom firme.

Ela pareceu se dar conta do próprio erro e rapidamente se apressou até o garoto.

— Me desculpe, senhor… — o menino disse, olhando para mim. — Eu estava correndo e acabei batendo no senhor.

Logo em seguida, ele se abaixou para pegar um brinquedo que havia caído no chão.

Um dinossauro.

— Pede desculpa também, braquiossauro — completou, falando com o brinquedo.

Observei a cena por um instante e, para minha surpresa, achei até engraçado.

— O dinossauro não fala — comentei.

Ele me encarou imediatamente, sério.

— Moço, eu sei que eles não falam. São só brinquedos, mas eu finjo que eles falam. Esse aqui é um braquiossauro.

Ele levantou o brinquedo na minha direção. Peguei para observar melhor.

— Você entende sobre dinossauros? — perguntei.

Ele assentiu, animado.

— Claro que sim! Espera que eu vou te mostrar umas coisas.

Antes que eu pudesse responder, ele saiu correndo e voltou poucos segundos depois com mais três dinossauros nas mãos.

— Esse aqui é o velociraptor, esse é o triceratops e esse outro é o estegossauro.

Para mim, todos pareciam iguais, mas, em poucos minutos, ele começou a explicar cada diferença com uma empolgação impressionante.

O jeito como falava, a segurança, a inteligência… era incomum para uma criança daquela idade.

— Esse aqui corre rápido, esse tem chifres, esse tem placas nas costas — ele apontava um por um, completamente envolvido.

Ouvi tudo em silêncio, e, de alguma forma, aquilo era interessante.

Não demorou muito para que um dos amigos o chamasse e ele pegou os brinquedos rapidamente.

— Tchau, moço!

Acenei de leve com a cabeça.

— Tchau.

A diretora se aproximou novamente, visivelmente constrangida.

— Me desculpe, senhor Barcellos.

— Não tem problema — respondi. — Eu gosto de conversar com crianças inteligentes.

Ela sorriu, um pouco mais aliviada.

— Esse menino é realmente muito inteligente. Ele entende tudo sobre dinossauros.

— Continue incentivando — falei. — Quem sabe ele não se torna um grande historiador no futuro.

Ela assentiu sem mais nada a acrescentar, me retirei. Ao entrar no carro, meu assistente já estava à minha espera.

Assim que me sentei, ele me lançou um olhar curioso.

— O senhor percebeu a semelhança? — perguntou.

Franzi levemente o cenho.

— Que semelhança?

— Entre o senhor e o menino com quem estava conversando.

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Commentaires (1)
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Luisa Castanheta
o capitlo 35
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