Compartir

Capítulo 05

Autor: S.R.Silva
last update Fecha de publicación: 2026-03-28 05:29:16

Fiquei em silêncio por um instante, tentando entender do que ele estava falando, mas não vi sentido algum e balancei a cabeça, negando.

— Isso é coisa da sua cabeça — respondi, seco. — Pare de pensar besteira e revise minha agenda agora. Tempo, para mim, é dinheiro.

Ele assentiu imediatamente.

— Sim, senhor.

Abriu a agenda eletrônica e começou a listar meus compromissos do dia, enquanto o carro já se colocava em movimento.

Encostei a cabeça no banco, observando pela janela a cidade passando em velocidade constante. Pessoas caminhando apressadas, carros se acumulando no trânsito, vidas seguindo seus próprios ritmos… tudo parecia distante da minha realidade.

Minha vida era outra. Controlada. Planejada. Calculada.

E ainda assim por algum motivo, a imagem daquele menino insistiu em permanecer na minha mente por alguns segundos a mais do que deveria, incomum, mas irrelevante e como sempre, minha mente voltou ao que realmente importava: negócios.

Anny Sophia Rosa

Na manhã seguinte, acordei com uma leve dor de cabeça, mas nada que me impedisse de cumprir minhas tarefas diárias como mãe e como atendente de uma loja de cosméticos.

Enzo acordou com a corda toda. Ele ainda estava com seu pijama de dinossauro, que havia escolhido a dedo.

— Bom dia, mamãe! O que você fez hoje de lanche?

— Bom dia, meu amor! Fiz panqueca de Nutella e coloquei três a mais para você dividir com seus amigos.

— Obrigado, mamãe! Você é a melhor. — Ele me abraçou, e eu afundei o rosto em seus cabelos, sentindo aquele cheirinho de criança que sempre me acalmava.

— Aproveita que já acordou e vem sentar para comer.

Ele não precisou ouvir duas vezes. Sentou-se rapidamente e começou a comer suas panquecas com aquele entusiasmo que só criança tem.

Após o café, ele tomou banho e se arrumou para a escola.

— Mamãe, posso levar o carnotauro e o dilofossauro para a escola? — perguntou, levantando os dois dinossauros com os olhos brilhando.

— Pode sim — respondi, sorrindo.

Nem eu sei o nome desses dinossauros direito, mas Enzo conhece todos e ainda fica chateado quando erramos os nomes. Na cabeça dele, nós também temos que saber tudo sobre o assunto.

Me arrumei também, peguei minha bolsa e saímos para esperar o ônibus.

Enquanto aguardávamos, Enzo segurou minha mão e olhou para mim com aquela expressão séria demais para alguém tão pequeno.

— O que foi, meu filho?

— Um dia eu vou ganhar muito dinheiro e vou comprar um carro grandão pra mamãe… pra você nunca mais precisar pegar ônibus.

Meu coração apertou na mesma hora.

Antes que eu pudesse responder, uma senhora que estava ao nosso lado sorriu.

— Que menino educado! — ela disse. — Já pensa na mãe.

Enzo olhou para ela, como se aquilo fosse óbvio.

— Moça, claro que eu tenho que pensar. A minha mãe trabalha muito pra me dar tudo que eu quero. Quando eu crescer, eu que vou dar tudo que ela quer.

A senhora levou a mão ao peito, visivelmente tocada.

— Menina, essa criança tem quantos anos?

— Cinco — respondi.

— Nossa! Parece bem mais velho. Você está criando ele de uma maneira maravilhosa, parabéns.

Sorri, agradecendo o elogio.

Palavras assim aqueciam meu coração, principalmente nos dias mais difíceis.

Assim que o ônibus chegou, entramos. Descemos próximo à escola e me despedi dele com um beijo na testa.

— Se comporta, tá bom?

— Tá bom, mamãe!

Fiquei observando até ele entrar, como sempre fazia. Só depois segui meu caminho para o trabalho.

O movimento na rua já estava mais intenso, pessoas indo e vindo, cada uma com sua própria rotina.

Cheguei na loja alguns minutos antes do meu horário, como de costume.

Assim que entrei, o cheiro familiar dos produtos me envolveu imediatamente.

Era estranho como aquele lugar, apesar de tudo, ainda me trazia uma sensação de estabilidade.

— Bom dia, senhorita pontual! — ouvi a voz de Juliana assim que me aproximei do balcão.

Revirei os olhos.

— Eu nunca me atrasei.

— Hoje você está com cara de quem virou a noite.

— Não exagere — respondi, colocando minha bolsa no armário. — Só dormi tarde.

Ela cruzou os braços e me encarou.

— Assistindo dorama de novo?

— Talvez…

— Anny! — ela riu. — Você vai acabar apaixonada por um coreano fictício.

— Melhor do que por homem de verdade — murmurei sem pensar.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Ih… essa foi profunda.

Ignorei o comentário e comecei a organizar alguns produtos no balcão.

— Qual o dorama da vez? — Juliana perguntou.

Fingi não ouvir.

— Anny…

Suspirei, sem olhar para ela.

— Adivinha!

Ela pensou por alguns instantes e depois sorriu.

— O tal do demônio. — Juliana não gosta de doramas e não entende o meu amor por eles.

— Sim, estava assistindo novamente “Meu Demônio Favorito”.

— Aí, An! Só você mesmo. Vai acabar mais apaixonada por esse demônio.

— Mais do que já sou é impossível.

Ambas rimos.

— Hoje a playlist da loja é por sua conta.

Liguei o som e coloquei BTS e Generation from Exile Tribe para tocar.

— Lá vem você com essas músicas de coreano.

— BTS é K-pop e Generation é J-pop. — Ela revirou os olhos. — Engraçado que, quando te mostrei uma foto do Jungkook e do Nam, você surtou chamando eles de gostosos.

— E são mesmo.

— Deixa o Fred ouvir isso.

Nós duas rimos e voltamos ao trabalho.

Abrimos a loja e começamos a atender os clientes que chegavam. O Dia dos Namorados estava chegando, então a loja ficava frenética.

Entrou um cara e comprou três kits de maquiagem diferentes. Ele disse, na maior naturalidade, que um era para a namorada, outro para a amante e o mais simples de todos para a esposa.

Juliana e eu nos olhamos, com vontade de xingar aquele idiota, mas lembramos que ele era cliente.

Assim que ele saiu, Ju me chamou.

— Você viu aquele cuzão? Um kit pra minha namorada, um pra minha amante e um pra minha esposa. — Ela imitou a voz dele.

— Pior que o cara era um Jurandir. — Ju concordou comigo.

— Onde essas mulheres acham a buceta delas? — ela me perguntou.

— Pra fazerem uma merda dessas, com certeza em um lixão. Tenho dó da esposa dele… provavelmente fica em casa cuidando dele, e ele deve tratar ela super mal.

— Que ódio! Viu o kit vagabundo que ele comprou pra ela?

Nem tive tempo de responder, pois Priscila chegou.

— Quem é vagabunda? — ela perguntou com a voz esganiçada que ela tem.

— Estamos falando de um cliente que veio comprar kits para a esposa, a namorada e a amante. E estamos nos perguntando onde essas mulheres que se propõem a ser amante acham a buceta delas.

Ela nos encarou com cara de poucos amigos e mandou não nos envolvermos nos assuntos dos clientes, apenas trabalhar.

Quando ela saiu, reviramos os olhos.

— Claro que ela vai defender essa safadeza… ela é uma safada.

— Vadia mesmo! — respondi, e rimos.

Voltamos para o trabalho e, à noite, fui à casa dos meus pais buscar Enzo.

Quando cheguei, minha mãe me puxou de lado e disse que ele estava muito chateado e choroso. Perguntei o motivo.

— Um colega disse a ele que o pai dele não gosta dele, porque, se ele não tem pai, é porque o pai não está nem aí pra ele.

Respirei fundo.

Eu sabia que, uma hora ou outra, isso iria acontecer.

O ponto fraco do Enzo sempre foi esse.

Perguntei à minha mãe se alguém na escola havia chamado a atenção do menino por isso, e ela suspirou.

— Quando falei com a coordenadora, ela disse que era coisa de criança e que você deveria conversar com o Enzo sobre isso… falar pra ele não ligar quando zoassem ele.

— A escola só falou isso?

Minha mãe confirmou, e eu disse que iria conversar com a diretora sobre o assunto.

— Vai lá conversar com ele. Hoje ele não quis comer direito e nem contou pra gente como foi a escola.

Fui até o meu antigo quarto, que agora era do meu pequeno, e, quando entrei, ele estava olhando para o nada.

— Filho… — chamei, mas ele não respondeu.

Meu pequeno, quando se fecha, não conversa. Fica apenas no mundinho dele.

Chamei mais algumas vezes, até que finalmente ele olhou para mim.

Me sentei ao seu lado e alisei seus cabelos.

— Filho, não liga para as provocações das crianças más.

Ele me olhou com tristeza.

— Mamãe… você não sabe mesmo onde está o meu pai? — perguntou com os olhos cheios de lágrimas. — Por que ele não me quis?

Meu coração se partiu.

Como explicar para o meu filho que o pai dele é um desconhecido?

— Filho… tem coisas que a mamãe não pode te explicar agora, porque você ainda é pequeno para entender. Quando você estiver maior, eu te explico direitinho.

— Mas não tem como procurar ele?

— Não tem, meu filho.

Ele abaixou a cabeça, triste.

— Poxa… eu queria que o moço que conheci na escola fosse meu pai.

Meu alerta ligou na hora.

— Que moço, filho?

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Contrato de Casamento com o Pai do meu Filho   CAPÍTULO 08 — Um Presente Cheio de História

    Dei de ombros. — Não sei explicar direito. Talvez porque parecesse antigo, delicado e tivesse uma história. E você é exatamente assim. Ela sorriu. — Isso foi bonito. — Não se acostume. Ela riu enquanto retirava o colar da caixa. — Você mandou polir? — Sim. Pedi para uma pessoa especializada cuidar dele. Queria que estivesse bonito antes de entregar. Azaleia passou os dedos pelo pingente. — É lindo. — É o primeiro presente para o seu casamento. Ela me olhou novamente. — Meu Deus... Antes que eu pudesse reagir, minha irmã levantou-se e me abraçou. Com força. Tanta força que quase perdi o equilíbrio. — Azaleia! Ela não soltou. — Me solta! — Não. — Está esmagando meus pulmões. — Aguenta. — Helena! Ela começou a rir. — Você é impossível. — E você está me sufocando. Finalmente ela me soltou. Azaleia ficou diante de mim com os olhos marejados. — Obrigada. — Não precisa agradecer. — Preciso, sim. Ela segurou o colar com cuidado. — Isso é muito especial para mim

  • Contrato de Casamento com o Pai do meu Filho   CAPÍTULO 07 — Um Presente Para Minha Irmã

    Enzo Rosa Barcellos Bati duas vezes na porta do quarto de Azaleia e esperei alguns segundos antes de ouvir sua voz do outro lado.— Pode entrar.Abri a porta devagar e coloquei apenas a cabeça para dentro.Azaleia estava sentada diante da penteadeira, organizando alguns papéis que, considerando a quantidade de anotações espalhadas sobre a mesa, provavelmente tinham alguma relação com uma de suas pesquisas. Minha irmã tinha essa mania. Conseguia transformar qualquer superfície livre em uma espécie de centro de estudos, e eu já havia desistido de tentar entender como alguém conseguia ler tantos livros ao mesmo tempo sem enlouquecer.Ela levantou os olhos quando percebeu minha presença.— Você ainda está aqui?Entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim.— Essa foi uma recepção bastante carinhosa.Ela sorriu.— Não foi isso que quis dizer. Pensei que você e Helena já tivessem ido embora.— Nós também pensamos que iríamos.— Então por que ainda estão aqui?Aproximei-me da cama e sente

  • Contrato de Casamento com o Pai do meu Filho   CAPÍTULO 6 — Uma Noiva, Mil Ideias e um Noivo Dominado

    Lucas olhou para mim e seu sorriso foi imediato.— Acho que vai ficar lindo.Meu pai pareceu aliviado.— Pelo menos minha filhinha encontrou alguém que entende a sua cabeça.Lucas continuou:— Se é isso que a Azaleia quer, eu apoio.Enzo arregalou os olhos.— Você está ouvindo isso, pai?Meu pai franziu a testa.— O quê?— O homem nem casou ainda e já está dominado.Lucas riu.— Dominado?— Completamente.Helena olhou para o marido.— Não dê ouvidos ao seu cunhado.— Estou apenas tentando alertá-lo — Enzo respondeu.— Alertar sobre o quê?— Sobre o futuro.Lucas olhou para mim.— Se esse é o futuro, estou tranquilo.Sorri, pois era exatamente por isso que eu queria me casar com ele.Lucas não precisava entender todas as minhas ideias imediatamente. Não precisava gostar de cada detalhe. Bastava respeitar aquilo que fazia sentido para mim.Minha mãe percebeu minha expressão.— Você está feliz, não está?— Muito.— Então faça.Meu pai olhou para ela.— Você vai apoiar?— Claro.— Mesmo c

  • Contrato de Casamento com o Pai do meu Filho   CAPÍTULO 05 — O Casamento Mais Normal do Mundo

    Azaléia Rosa Barcellos Existe uma diferença muito grande entre ter uma ideia e contar essa ideia para a minha família.A ideia, quando permanece dentro da nossa cabeça, costuma parecer perfeitamente razoável. Ela é organizada, bonita e, principalmente, faz todo sentido.O problema começa quando precisamos colocá-la em voz alta diante de pessoas que nos conhecem desde sempre.No meu caso, o problema se chamava Enzo Rosa Barcellos.Meu irmão tinha uma habilidade impressionante para transformar qualquer pensamento inocente em motivo para piada. Se eu dissesse que queria comprar flores para o casamento, ele perguntaria se eu pretendia abrir uma floricultura. Se falasse que queria escolher uma música especial para a entrada, provavelmente diria que eu estava produzindo um filme.Por isso, naquela tarde, enquanto todos estavam reunidos na sala da casa dos meus pais para conversarmos sobre meu casamento com Lucas, eu já sabia que precisava me preparar psicologicamente.Lucas estava sentado

  • Contrato de Casamento com o Pai do meu Filho   CAPÍTULO 04 — O Amanhã que Construímos

    Passei delicadamente a mão pelo rosto e sorri.— Não estou chorando.Ele estreitou os olhos.— Está sim.Rafael soltou uma risada.— Seu avô também já percebeu que você não acredita em qualquer coisa.— Eu sei.— Convencido.Belício deu de ombros.— Aprendi com vocês.Balancei a cabeça, rindo.Ele se aproximou e segurou minha mão.— Vovó, quando eu crescer, vou cuidar de vocês.Aquelas palavras me atingiram de uma maneira inesperada.Abaixei-me um pouco para ficar mais próxima dele.— Não precisa cuidar de nós, meu amor. Só precisa cuidar de você e ser feliz.— Mas eu quero cuidar.Olhei para Rafael.Ele também estava emocionado.— Então faça uma coisa — falei.— O quê?— Nunca deixe de sonhar.Belício pareceu pensar por alguns segundos.— Mesmo quando for difícil?— Principalmente quando for difícil.Ele sorriu.— Então vou sonhar grande.— Faça isso.Rafael passou a mão pelos cabelos do neto.— E lembre-se de que sonhos grandes também exigem muito trabalho.— Eu sei.— Sabe mesmo?—

  • Contrato de Casamento com o Pai do meu Filho   CAPÍTULO 03 — Sonhos que Passam de Geração

    Durante anos, acreditei que felicidade significava alcançar determinado objetivo, conquistar alguma coisa ou finalmente deixar para trás os problemas do passado. Hoje compreendo que estava enganada. Felicidade é olhar para uma mesa cheia e perceber que aquelas pessoas estão ali porque querem estar. É ouvir os netos rindo pela casa, ter Rafael ao meu lado depois de tantos anos e acompanhar nossos filhos construindo as próprias vidas sem precisar escolher entre sobreviver e sonhar. São esses momentos aparentemente simples que, com o passar do tempo, acabam se tornando as lembranças mais preciosas.Rafael passou o braço ao redor dos meus ombros, aproximando-me ainda mais dele.Belício veio correndo outra vez.— Vovô!— O que foi agora?— Quando eu for administrador, posso trabalhar na sua empresa?Rafael sorriu.— Pode.— Mesmo se eu não souber nada?— Você vai aprender.— Com o senhor?— Comigo.Belício abriu um sorriso enorme, como se acabasse de receber a confirmação mais importante d

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status