INICIAR SESIÓN— Um moço que apareceu na escola. Ele era muito legal e não sabia nada sobre os dinossauros, mas ensinei pra ele.
Aquilo me deixou com a pulga atrás da orelha.
— O que já conversei com você sobre falar com estranhos?
Ele se sentiu culpado na mesma hora e me abraçou apertado.
— Mãezinha, não briga comigo, o moço não era mal. Eu sei quando uma pessoa é mal.
Suspirei baixo.
Realmente, criei meu filho muito bem. Ele sabia conversar, sabia se expressar e, de alguma forma, tinha um instinto que eu mesma não sabia explicar.
Mas ainda assim ele era só uma criança.
— Então tudo bem — falei, tentando manter a calma. — Mas evite falar com estranhos, tá bom?
Ele assentiu e me abraçou mais uma vez.
— Desculpa, mamãe!
— Tudo bem, meu amor.
Afastei um pouco seu rosto e limpei as lágrimas que ainda insistiam em cair.
— A vovó disse que você não comeu direito hoje. Vamos jantar e, dessa vez, você vai comer tudinho, tá bom?
Ele balançou a cabeça, mais animado.
— Tá bom!
Levantei da cama com ele e fomos até a cozinha, onde minha mãe já deixava a mesa pronta.
— Olha só quem resolveu aparecer — meu pai brincou.
— Não tava com fome antes — Enzo respondeu, sentando-se.
— Mas agora está, né? — minha mãe disse, colocando o prato na frente dele.
— Tô!
Sorri ao ver ele começando a comer.
Mesmo depois de tudo,ele ainda conseguia se recuperar rápido.
Crianças eram assim.
Fortes de um jeito que a gente só percebe depois que cresce. Sentei-me ao lado dele e comecei a comer também.
— E então, filho, o que você aprendeu hoje na escola? — perguntei, tentando puxar um assunto leve.
Ele deu de ombros.
— Nada muito legal.
Meu pai lançou um olhar para mim, como quem dizia “tá vendo?”.
— Nem o desenho? — insisti.
— Ah… o desenho foi legal. Eu fiz um T-Rex gigante comendo um vulcão.
Franzi a testa, tentando imaginar a cena.
— Comendo um vulcão?
— É! Porque ele é muito forte.
Acabei rindo.
— Claro que é.
Aos poucos, o clima foi ficando mais leve novamente. Depois do jantar, ficamos mais um tempo conversando na sala, até que decidi que já estava na hora de ir embora.
— Vamos, filho? Amanhã você tem aula cedo.
— Tá bom — ele respondeu, já mais quietinho.
Despedi-me dos meus pais, agradecendo mais uma vez por tudo.
— Qualquer coisa, me liga — minha mãe disse, como sempre.
— Pode deixar.
Peguei Enzo pela mão e saímos.
Dessa vez, resolvi ir de ônibus mesmo.
O ar da noite estava mais fresco, e o silêncio da rua contrastava com o movimento do dia.
Enzo encostou a cabeça no meu braço enquanto esperávamos.
— Mãe.
— Hum?
— Posso comer um doce quando chegar em casa?
Ele perguntou com olhar pidão.
— Não! Mas pode comer agora. — Tirei um pirulito da bolsa e ele estendeu a mão querendo pegar.
— Obrigado mamãe.
O nosso ônibus chegou e entramos, não demorou muito chegamos em casa e o pus para escovar os dentes, depois contei uma história de dinossauro para ele e depois que terminei ele me deu um beijo e fechou os olhos para dormir.
Sai de seu quarto e fui para a cozinha, beber e assistir Doramas era minha rotina noturna, assisti mais dois episódios de Meu Demônio Favorito e depois fui dormir.
A rotina como mãe solteira era complicada, mas no final tudo valia a pena. Ainda mais quando via seu sorriso ou sentia seu abraço meu mundo se iluminava. Fui dormir com um sorriso no rosto.
A semana passou que nem um furacão e já era sábado, ainda bem que hoje trabalho só até o meio dia, trabalhei com afinco e assim que meu expediente acabou me despedir de minha amiga e fui para casa.
Abri minha casa e vi que minha mãe já havia lavado a roupa.
— Mãe não precisava fazer isso! — Disse pegando a vassoura de sua mão.
— Precisa sim, você trabalha tanto, por que eu não podia vir aqui fazer uma limpeza?
Dei um abraço nela e a ajudei. Duas horas depois a casa estava limpa e organizada, minha mãe sentou no sofá e fechou os olhos.
Então de repente percebi que a casa estava muito silenciosa.
— Mãe, onde está o Enzo?
— Enzo está com seu pai, os dois saíram para jogar futebol, disseram que era uma coisa de homem.
Ela sorriu.
— Esses dois juntos sem supervisão só aprontam, imagina se o pai quebra alguma coisa?
— Se aquele velho se quebrar é só ele ir ao médico.
Minha mãe abriu os olhos e me lançou um olhar reprovador, mas logo acabou rindo.
— Respeita seu pai, menina.
— Eu respeito só não confio muito quando ele resolve ter ideias mirabolantes.
Ela balançou a cabeça, ainda sorrindo, e se ajeitou melhor no sofá.
Fui até a cozinha e peguei um copo de água, apoiando-me no balcão por alguns segundos.
O silêncio da casa realmente estava estranho.
Eu estava tão acostumada com a energia do Enzo, com as perguntas, com os barulhos… que, sem ele, parecia que faltava alguma coisa.
— Tá vendo só? — minha mãe comentou. — Reclama quando ele tá fazendo bagunça, mas sente falta quando ele não está.
— Nem vem eu nunca reclamei dele.
— Não com palavras, mas com esse seu olhar cansado às vezes — ela respondeu com um meio sorriso.
Suspirei.
— É às vezes eu fico cansada mesmo.
Ela me olhou com mais carinho dessa vez.
— Eu sei, minha filha. E você dá conta de tudo sozinha isso não é fácil.
Dei de ombros, tentando não dar muita importância.
— Eu tenho vocês.
— E você também tem você mesma e isso já é muita coisa.
Sorri de leve, mas não respondi.
Porque, no fundo, eu sabia o quanto era difícil.
Ser forte o tempo todo.
Não poder falhar.
Não poder simplesmente descansar.
— Vai descansar um pouco — minha mãe disse. — Aproveita que o Enzo não está aqui.
— Descansar? — ri baixo. — Acho que nem sei mais fazer isso.
— Então aprende.
Revirei os olhos, mas obedeci.
Fui para o meu quarto e me joguei na cama, olhando para o teto.
O silêncio ali dentro parecia ainda maior.
Fechei os olhos por alguns segundos, tentando relaxar.
Mas, como sempre minha mente não parava.
— Não… para com isso… — murmurei, virando de lado.
Peguei o celular e comecei a mexer sem muito interesse, só para distrair a mente.
Alguns minutos depois, ouvi a porta sendo aberta com força e uma voz animada invadindo a casa.
— Mamãeeee!
Abri os olhos na mesma hora e me levantei.
Enzo entrou correndo no quarto, com o rosto suado, o cabelo bagunçado e um sorriso enorme.
— Filho! — levantei, indo até ele. — O que aconteceu?
— Eu fiz um gol!
— Sério? — sorri, me abaixando na altura dele.
— Sim! E o vovô disse que eu sou melhor que ele!
— Isso não é muito difícil — comentei, fazendo ele rir.
Meu pai apareceu logo atrás, fingindo indignação.
— Tá me chamando de ruim agora?
— Eu não, foi o Enzo!
Os dois começaram a discutir de brincadeira, e eu fiquei ali, observando aquela cena simples, leve e familiar.
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSNaquele ano, as notícias que chegaram até nossa família foram, sem dúvida, as melhores que poderíamos receber.Depois do nascimento de Riot Rose, nossa casa nunca mais foi a mesma. Não apenas porque agora tínhamos mais um bebê para encher nossos dias de choros, fraldas e noites mal dormidas, mas porque, em pouco tempo, nossa família cresceu de uma maneira que ninguém poderia ter imaginado.Um mês depois do nascimento do nosso pequeno, chegou a vez de Enzo e Helena conhecerem novamente a emoção de ter um bebê nos braços.A pequena Anna Rafaela nasceu na madrugada de uma quarta-feira chuvosa.Ainda me lembro da ligação de Enzo. A voz dele estava completamente diferente, misturando nervosismo, felicidade e aquela emoção que ele tentava esconder desde que descobriu que seria pai pela primeira vez.Quando ouvi o choro da minha neta pelo telefone, meus olhos se encheram de lágrimas.Anna Rafaela chegou ao mundo cercada de amor e, desde o primeiro instante, conquisto
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSDepois de tudo o que havia acontecido, finalmente estava acomodada no quarto, tentando convencer meu corpo de que era permitido descansar. O cansaço pesava em cada parte de mim, mas, ainda assim, meus olhos não conseguiam se afastar do pequeno berço ao lado da cama.Nosso bebê dormia tranquilamente.Fiquei alguns segundos apenas observando aquele rostinho minúsculo, as mãozinhas fechadas e o peito subindo e descendo devagar. Ainda parecia impossível acreditar que, naquela mesma manhã, havia saído de casa pensando em uma simples reunião de trabalho e, algumas horas depois, estava ali, com mais um filho nos braços.Sorri sozinha.Rafael havia saído por alguns minutos para avisar que eu já estava acomodada e permitir que Enzo, Azaléia e Lucas entrassem. Não demorou muito para ouvir a porta se abrir.— Posso entrar?Reconheci a voz de Rafael imediatamente.— Pode.Ele entrou primeiro, seguido por Enzo, Azaléia e Lucas. Os três estavam com expressões completamente
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSAs horas seguintes passaram de uma maneira completamente diferente do que havia imaginado. Ainda parecia estranho estar naquela cama de hospital depois de ter saído de casa acreditando que teria apenas mais uma reunião de trabalho. Agora, cada contração lembrava que nosso bebê havia decidido que não esperaria mais. A equipe estava ao meu redor, acompanhando tudo com atenção, enquanto tentava respirar da maneira que me orientavam.— Respira devagar, Anny.Assenti, apertando os lençóis.A contração veio novamente, mais forte, fazendo meu corpo inteiro ficar tenso. Fechei os olhos e tentei me concentrar na respiração, mas não era simples. A dor aumentava e diminuía em ondas, deixando alguns segundos de alívio entre uma e outra.— Rafael...Meu marido que finalmente teve autorização para entrar na sala de parto segurou minha mão imediatamente.— Estou aqui.Apertei seus dedos.— Está doendo.Ele aproximou o rosto do meu.— Eu sei, meu amor. Estou aqui com você.—
RAFAEL BARCELLOSEnquanto ia para o hospital, peguei meu celular e liguei para os nossos filhos. Liguei para Enzo primeiro. — Pai, aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou por que nunca ligo naquele horário. — Filho, sua mãe entrou em trabalho de parto.Do outro lado da linha, houve alguns segundos de silêncio.— Como assim?— O bebê decidiu que está na hora de nascer.— Pai, você está falando sério?— Muito sério.— Jajá chego lá no hospital. Ele disse e desliguei, em seguida liguei para Azaléia que demorou um pouco mais a atender. — O que aconteceu, pai? — Ela pergu.rou sonolenta. — O bebê vai nascer. — Disse. — O quê? — Azaléia gritou. — Pai, ela está bem?— Está. Sua mãe está bem. Só começou o trabalho de parto e estou indo para o hospital.— Vou ligar para Lucas e em breve chego lá. — Não precisa correr, você também está grávida. — Pai, é o meu irmão que está nascendo!— Ou irmã. — Respondi. — Jajá chegamos lá. Antes que pudesse responder, a ligação terminou.Balancei
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSMinha manhã começou como tantas outras, mas havia uma diferença impossível de ignorar: minha barriga estava enorme e qualquer movimento parecia exigir o dobro de esforço. Os últimos meses tinham passado rápido demais e, embora todos ao meu redor insistissem que eu precisava descansar, ainda existiam algumas responsabilidades que não conseguia simplesmente abandonar.Principalmente aquela reunião.Assim que entrei na empresa, minha assistente veio ao meu encontro carregando alguns documentos e me lançou aquele olhar de quem já estava preparando um sermão.— Dona Anny, a senhora não deveria estar aqui.Parei no meio do corredor.— Bom dia para você também.Ela suspirou.— Bom dia. Mas continuo falando sério. Sua gravidez está muito avançada.Passei a mão pela barriga.— Eu sei.— Então deveria estar em casa.— Tenho uma reunião importante.— Que poderia ser feita por videoconferência.— Poderia.Ela ergueu uma sobrancelha.— Então?— Então que decidi vir pessoal
RAFAEL BARCELLOSAlguns meses haviam passado desde os últimos acontecimentos, e a nossa família parecia ter entrado novamente naquela fase em que tudo acontecia ao mesmo tempo. A gravidez de Anny avançava rapidamente, e agora faltava muito pouco para conhecermos o novo membro da família. A barriga estava enorme, os pés continuavam inchando com frequência e até os movimentos mais simples exigiam um pouco mais de paciência. Mesmo assim, Anny continuava sendo Anny: determinada, teimosa e incapaz de ficar parada por muito tempo.Pela manhã encontrei minha esposa se arrumando para sair. Ela caminhava devagar pelo quarto, escolhendo o que vestir, enquanto uma das mãos permanecia apoiada na barriga. Só de observá-la, já conseguia sentir aquela mistura de ansiedade e preocupação que vinha me acompanhando havia semanas.— Você vai mesmo sair?Anny olhou para mim pelo espelho.— Vou a uma reunião e depois volto para casa.Aproximei-me e coloquei as mãos sobre os ombros dela.— Anny, você dever







