INICIAR SESIÓN— Seu moleque! É assim que você fala com seu avô? — Ele me encarou e revirei os olhos.
— Diga-me o que queres, sou todo ouvidos.
Meu avô me encarou e balançou a cabeça de forma negativa, ele odiava o meu jeito de ser e sempre que podia me criticava.
— Com essa frieza toda como você terá uma família, não vai ter mulher no mundo que irá querer aturar você.
— Vô, não estou à procura de relacionamentos, não sei por que o senhor não perde a chance de me encher a paciência com isso.
— Você está ficando velho, Rafael. Daqui a pouco vai ser difícil para você ter filhos e eu quero segurar um bisneto nos braços antes de morrer.
— Se o senhor está tão desesperado assim para ter uma criança nos braços, por que não sai e faz uma? Mesmo com a sua idade, garanto que pretendentes não irão faltar.
Meu avô me olhou de soslaio antes de soltar um longo suspiro.
— Você quer o controle da família, certo? Te dou um mês para se casar. Se arrumar uma esposa até lá, te passo o controle de tudo.
Por que algo que almejei tanto vinha com um preço tão alto? Eu não queria me casar, pelo menos não agora… mas também não podia abrir mão de algo que lutei a vida inteira para conquistar.
— Se eu me casar dentro de um mês, o senhor me passa o controle de tudo? Tudo mesmo? — perguntei novamente, apenas para ter certeza.
— E desde quando eu já menti para você? Meu neto querido, faça o que digo e tudo será seu.
Meu avô se levantou, contornou a mesa, tocou meu ombro e se foi.
Fiquei ali, parado, olhando para a porta fechada.
Um mês.
Trinta dias para encontrar uma mulher disposta a se casar comigo.
Soltei uma risada baixa, sem humor algum.
Aquilo era completamente absurdo.
Passei a mão pelo rosto e me levantei, caminhando até a janela do escritório. A vista da cidade sempre me trazia clareza, mas, naquele momento, nem mesmo aquilo parecia suficiente para organizar meus pensamentos.
Casamento.
A palavra ecoou na minha mente de uma forma incômoda.
Não era como se eu nunca tivesse pensado sobre isso antes. Pelo contrário. Eu sempre soube que, em algum momento, isso faria parte da minha vida. Mas… não assim. Não como uma exigência. Não como um prazo.
Apoiei as mãos no vidro, observando o movimento lá embaixo.
Eu não precisava de amor.
Nunca precisei.
Tudo o que eu precisava era de alguém que entendesse o papel que teria ao meu lado. Alguém que soubesse se comportar, que tivesse postura, que não criasse problemas.
Um casamento por conveniência.
Como tantos outros que eu já havia visto.
Simples.
Direto.
Sem complicações.
Virei-me novamente para a sala, já tentando estruturar aquilo como qualquer outro problema que eu precisasse resolver.
Porque era isso que aquilo era.
Um problema.
E eu sabia resolver problemas.
Apertei o botão do interfone.
— Roger.
— Sim, senhor? — a voz dele soou do outro lado.
— Entre.
Segundos depois, ele estava na minha frente, com a postura impecável de sempre.
— Preciso que você faça um levantamento.
— Sobre o quê, senhor?
Pensei por alguns segundos antes de responder.
— Mulheres.
Ele piscou, claramente confuso.
— Senhor?
— Quero uma lista — continuei, ignorando a expressão dele. — Mulheres solteiras, de boa família, com boa reputação. Discretas. Sem escândalos.
Roger demorou um pouco mais do que o normal para responder.
— O senhor… pretende se casar?
— Isso não é da sua conta. Apenas faça o que estou pedindo.
— Sim, senhor.
Ele anotou rapidamente, ainda parecendo tentar entender o que estava acontecendo.
— E seja rápido. Tenho pouco tempo.
— Entendido.
Assim que ele saiu, voltei a me sentar.
Aquilo parecia surreal até para mim.
Mas, se havia uma coisa que aprendi ao longo dos anos, era que decisões importantes não deveriam ser adiadas.
Peguei meu celular e comecei a deslizar pela lista de contatos.
Alguns nomes chamaram minha atenção.
Mulheres que já haviam demonstrado interesse.
Outras que minha família aprovaria facilmente.
Mas nenhuma delas… me parecia certa.
Na verdade, nenhuma delas me despertava absolutamente nada.
E aquilo, de alguma forma, me incomodou mais do que deveria.
Porque, pela primeira vez, não se tratava apenas de fechar um contrato.
Se tratava de dividir uma vida.
Mesmo que fosse apenas… na aparência.
Soltei o ar devagar e joguei o celular sobre a mesa.
— Que situação ridícula… — murmurei para mim mesmo.
Levantei novamente, sem conseguir ficar parado.
Meu avô sabia exatamente o que estava fazendo. Ele sabia que eu não abriria mão do controle da família e usou isso contra mim.
Passei a mão pelos cabelos, irritado.
Um mês.
Eu precisava de uma solução rápida e eficiente, parei no meio da sala, pensando.
Talvez eu precise procurar por alguém fora do meu círculo, alguém que aceitasse um acordo, alguém que precisasse tanto quanto eu.
Um acordo claro.
Sem sentimentos.
Sem expectativas.
Apenas um contrato.
Meus lábios se curvaram levemente.
Agora sim… Isso começava a fazer sentido.
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSNaquele ano, as notícias que chegaram até nossa família foram, sem dúvida, as melhores que poderíamos receber.Depois do nascimento de Riot Rose, nossa casa nunca mais foi a mesma. Não apenas porque agora tínhamos mais um bebê para encher nossos dias de choros, fraldas e noites mal dormidas, mas porque, em pouco tempo, nossa família cresceu de uma maneira que ninguém poderia ter imaginado.Um mês depois do nascimento do nosso pequeno, chegou a vez de Enzo e Helena conhecerem novamente a emoção de ter um bebê nos braços.A pequena Anna Rafaela nasceu na madrugada de uma quarta-feira chuvosa.Ainda me lembro da ligação de Enzo. A voz dele estava completamente diferente, misturando nervosismo, felicidade e aquela emoção que ele tentava esconder desde que descobriu que seria pai pela primeira vez.Quando ouvi o choro da minha neta pelo telefone, meus olhos se encheram de lágrimas.Anna Rafaela chegou ao mundo cercada de amor e, desde o primeiro instante, conquisto
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSDepois de tudo o que havia acontecido, finalmente estava acomodada no quarto, tentando convencer meu corpo de que era permitido descansar. O cansaço pesava em cada parte de mim, mas, ainda assim, meus olhos não conseguiam se afastar do pequeno berço ao lado da cama.Nosso bebê dormia tranquilamente.Fiquei alguns segundos apenas observando aquele rostinho minúsculo, as mãozinhas fechadas e o peito subindo e descendo devagar. Ainda parecia impossível acreditar que, naquela mesma manhã, havia saído de casa pensando em uma simples reunião de trabalho e, algumas horas depois, estava ali, com mais um filho nos braços.Sorri sozinha.Rafael havia saído por alguns minutos para avisar que eu já estava acomodada e permitir que Enzo, Azaléia e Lucas entrassem. Não demorou muito para ouvir a porta se abrir.— Posso entrar?Reconheci a voz de Rafael imediatamente.— Pode.Ele entrou primeiro, seguido por Enzo, Azaléia e Lucas. Os três estavam com expressões completamente
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSAs horas seguintes passaram de uma maneira completamente diferente do que havia imaginado. Ainda parecia estranho estar naquela cama de hospital depois de ter saído de casa acreditando que teria apenas mais uma reunião de trabalho. Agora, cada contração lembrava que nosso bebê havia decidido que não esperaria mais. A equipe estava ao meu redor, acompanhando tudo com atenção, enquanto tentava respirar da maneira que me orientavam.— Respira devagar, Anny.Assenti, apertando os lençóis.A contração veio novamente, mais forte, fazendo meu corpo inteiro ficar tenso. Fechei os olhos e tentei me concentrar na respiração, mas não era simples. A dor aumentava e diminuía em ondas, deixando alguns segundos de alívio entre uma e outra.— Rafael...Meu marido que finalmente teve autorização para entrar na sala de parto segurou minha mão imediatamente.— Estou aqui.Apertei seus dedos.— Está doendo.Ele aproximou o rosto do meu.— Eu sei, meu amor. Estou aqui com você.—
RAFAEL BARCELLOSEnquanto ia para o hospital, peguei meu celular e liguei para os nossos filhos. Liguei para Enzo primeiro. — Pai, aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou por que nunca ligo naquele horário. — Filho, sua mãe entrou em trabalho de parto.Do outro lado da linha, houve alguns segundos de silêncio.— Como assim?— O bebê decidiu que está na hora de nascer.— Pai, você está falando sério?— Muito sério.— Jajá chego lá no hospital. Ele disse e desliguei, em seguida liguei para Azaléia que demorou um pouco mais a atender. — O que aconteceu, pai? — Ela pergu.rou sonolenta. — O bebê vai nascer. — Disse. — O quê? — Azaléia gritou. — Pai, ela está bem?— Está. Sua mãe está bem. Só começou o trabalho de parto e estou indo para o hospital.— Vou ligar para Lucas e em breve chego lá. — Não precisa correr, você também está grávida. — Pai, é o meu irmão que está nascendo!— Ou irmã. — Respondi. — Jajá chegamos lá. Antes que pudesse responder, a ligação terminou.Balancei
ANNY SOPHIA ROSA MARTINSMinha manhã começou como tantas outras, mas havia uma diferença impossível de ignorar: minha barriga estava enorme e qualquer movimento parecia exigir o dobro de esforço. Os últimos meses tinham passado rápido demais e, embora todos ao meu redor insistissem que eu precisava descansar, ainda existiam algumas responsabilidades que não conseguia simplesmente abandonar.Principalmente aquela reunião.Assim que entrei na empresa, minha assistente veio ao meu encontro carregando alguns documentos e me lançou aquele olhar de quem já estava preparando um sermão.— Dona Anny, a senhora não deveria estar aqui.Parei no meio do corredor.— Bom dia para você também.Ela suspirou.— Bom dia. Mas continuo falando sério. Sua gravidez está muito avançada.Passei a mão pela barriga.— Eu sei.— Então deveria estar em casa.— Tenho uma reunião importante.— Que poderia ser feita por videoconferência.— Poderia.Ela ergueu uma sobrancelha.— Então?— Então que decidi vir pessoal
RAFAEL BARCELLOSAlguns meses haviam passado desde os últimos acontecimentos, e a nossa família parecia ter entrado novamente naquela fase em que tudo acontecia ao mesmo tempo. A gravidez de Anny avançava rapidamente, e agora faltava muito pouco para conhecermos o novo membro da família. A barriga estava enorme, os pés continuavam inchando com frequência e até os movimentos mais simples exigiam um pouco mais de paciência. Mesmo assim, Anny continuava sendo Anny: determinada, teimosa e incapaz de ficar parada por muito tempo.Pela manhã encontrei minha esposa se arrumando para sair. Ela caminhava devagar pelo quarto, escolhendo o que vestir, enquanto uma das mãos permanecia apoiada na barriga. Só de observá-la, já conseguia sentir aquela mistura de ansiedade e preocupação que vinha me acompanhando havia semanas.— Você vai mesmo sair?Anny olhou para mim pelo espelho.— Vou a uma reunião e depois volto para casa.Aproximei-me e coloquei as mãos sobre os ombros dela.— Anny, você dever







