FAZER LOGINTrinta minutos depois eu já estava sentada na sala de reuniões.
para não correr o risco de me atrasar novamente. eu precisava desse emprego, então pelo menos ali eu teria que chegar no horário. deixei tudo pronto para quando os investidores chegassem. era uma sala enorme. talvez maior que meu apartamento inteiro. e com certeza mais caro que ele também. só a mesa custava o preço de um apartamento talvez dois . Eles começaram chegar e se acomodar Nathan estava na cabeceira da mesa. calmo elegante irritantemente perfeito Ele falava sobre números, projeções, expansão internacional… E todos estavam completamente atentos. Eu estava tentando parecer profissional. Muito profissional. Extremamente profissional. O problema? Meu cérebro estava focado em uma única coisa: Não causar problemas. Nathan tinha sido muito claro sobre isso. “Não cause nenhum problema.” Era simples. Bem... Talvez para algumas pessoas porque para mim era algo quase impossível. Respirei fundo e organizei alguns papéis. Então um dos investidores falou: — Senhor Vasconcelos, antes de falarmos sobre os números… existe uma curiosidade que gostaríamos de esclarecer. Nathan inclinou a cabeça. — Claro. — Senhor Vasconcelos — disse ele calmamente — o senhor é casado? Nathan respondeu sem hesitar. — Não. Erro. Grave erro. Eu percebi imediatamente a mudança no clima da sala. Os investidores trocaram olhares. Um deles comentou: — Ah… solteiro. Do jeito que ele disse aquilo parecia que Nathan tinha acabado de admitir que colecionava escorpiões venenosos como hobby. Nathan tentou continuar a apresentação. — Como eu estava dizendo sobre o contrato… Mas o investidor não parecia mais tão interessado no contrato. — Entendemos que estabilidade pessoal é muito importante para nós — disse ele. Nathan assentiu. — Claro. Silêncio. Silêncio desconfortável. O tipo de silêncio que faz alguém fazer algo estúpido para quebrar. Aparentemente, essa pessoa seria eu. Eu sorri educadamente. — Na verdade — falei — ele está noivo. Nathan virou a cabeça lentamente Muito lentamente. me fuzilou com os olhos. e eu percebi a bobagem que tinha feito mas já era tarde de mais. porque os investidores sorriram trocando olhares. — Ah, que interessante. — disse um deles.— Parabéns senhor Vasconcelos. Nathan continuava olhando para mim como se quisesse me fazer repensar toda minha vida. Eu sabia que dessa vez tinha ido longe de mais mas meu cérebro não consegue parar. Eu sorri tentei fazer parecer uma situação completamente normal. Ele não tinha falado nada ainda até um dos investidores perguntar — Quem é a noiva ? Todos os alertas no meu cérebro gritaram PARE AGORA Mas minha boca foi mais rápida. — Eu. Nathan finalmente piscou. ainda sem demonstrar emoções quando finalmente falou, foi com o tom que mais me preocupa Calmo de mais. — Lily, você pode por favor repetir oque disse? sorri Porque, obviamente, sempre dá para piorar. — Estamos noivos. Um dos investidores bateu palma de leve — E quando vai ser o casamento? Nathan respirou fundo. — Isso ainda não está… — Estamos planejando para o próximo ano — falei rapidamente. Nathan fechou os olhos por um segundo. Quando abriu novamente, havia um brilho estranho ali. O brilho de um homem que estava calculando quantos anos de prisão eu merecia. — Lily — ele disse calmamente — poderíamos conversar um instante? — Claro. Levantei. Muito profissional. Nathan abriu a porta e eu sai primeiro assim que a porta se fechou ele virou na minha direção — Você só pode estar ficando louca. — Eu juro que posso explicar. — Eu adoraria ouvir.— disse cruzando os braços — Eles queriam alguém estável. — E você decidiu inventar um noivado... com você ... desde quando isso parece estável para você? — Pessoas comprometidas passam uma imagem mais confiante. ele ficou me encarando com o olhar perigoso — Desculpa. — disse tentando parecer coerente— Eu falei por impulso e não sabia mais como resolver. — Você só tinha uma tarefa nessa reunião. — disse ainda me olhando como se eu fosse um erro cosmico— Que era não causar problemas. Ele respirou fundo. Bem fundo. — Você tem exatamente trinta segundos para me convencer de que isso não é a pior ideia que você já teve. Pensei muito rápido. — Eles querem estabilidade. — Certo. — Um CEO noivo parece muito estável. — Continue. — Se você disser que eu menti... — Seria verdade. — Eles vai achar que sua secretária está completamente descontrolada. — Oque também seria verdade . Olhei incrédula Apontei para a sala de reuniões atrás de nós. — Talvez tudo isso faça eles desistirem do contrato. silêncio ele olhou profundamente nos meus olhos. Avaliando o nível da loucura. respirou fundo. Cansado. — Se eu entrar nessa sua loucura... prendi a respiração —... você terá que sustentar muito bem essa mentira. sorri aliviada. — Eu sou ótima em mentir sobre pressão. — Isso não é um talento. sorri levemente — Mas funcionou muito bem até agora Ele suspirou, cansado. Então ele abriu a porta da sala novamente. E antes de entrarmos ele murmurou: — Se isso destruir minha empresa… — Não vai destruir. Ele me olhou. — Eu vou te demitir. Sorri. — Justo. Naquele momento eu percebi duas coisas importantes. Primeiro: eu tinha acabado de criar o maior problema da minha carreira. Segundo: Nathan definitivamente ia querer me matar..Passei a noite inteira tentando convencer a mim mesma de que aquele e-mail não mudaria nada. Foi inútil. A mensagem continuava na minha cabeça, repetindo-se como uma música irritante que eu não conseguia desligar. Você tem três dias. Três dias para abandonar Nathan antes que alguém expusesse a verdade sobre o nosso noivado. Três dias para decidir se eu seria capaz de continuar ao lado dele sabendo que, a qualquer momento, alguém poderia destruir tudo o que ele havia construído. E o pior era que eu não sabia quem estava por trás da ameaça. Nem se aquela pessoa realmente tinha provas. Mas tinha o contrato. O contrato que deveria ter terminado muito antes de eu me apaixonar pelo homem que o assinou comigo. Na manhã seguinte, acordei com o braço de Nathan ao redor da minha cintura e o rosto dele escondido perto do meu pescoço. Por alguns segundos, permiti-me esquecer tudo. Virei devagar para observá-lo. Dormindo, ele parecia mais jovem. Menos sério. A expressão rígid
Eu queria me lembrar daquela noite pelo resto da vida. Não como a última antes de partir, nem como a noite em que escolhi deixar para trás o homem que amava. Queria me lembrar dela como se ainda houvesse um amanhã esperando por nós. Por isso, quando Nathan chegou em casa, fiz questão de recebê-lo na porta. Ele mal teve tempo de tirar as chaves do bolso antes que eu me aproximasse, segurasse seu rosto entre as mãos e o beijasse. Nathan pareceu surpreso por um segundo. Depois, sorriu contra minha boca e me envolveu pela cintura. — Ora, ora. — Ele se afastou apenas o suficiente para me olhar. — Se eu soubesse que seria recebido assim, teria saído do trabalho mais cedo. — Você já sai cedo demais. — Eu sou o dono da empresa. — E eu sou a pessoa que impede você de transformar sua agenda em um desastre. Ele riu e me deu outro beijo. — Sentiu minha falta? A pergunta era simples. A resposta, não. — Mais do que você imagina. O sorriso dele se suavizou. Nathan
Eu gostava das minhas manhãs. Gostava do café que Nathan deixava pronto para mim, dos beijos roubados antes de sairmos de casa e até das mensagens que ele enviava do outro lado do escritório quando queria minha atenção sem precisar admitir que estava com saudade. Naquela manhã, por exemplo, eu tinha acabado de me sentar à minha mesa quando meu celular vibrou. Nathan: Você esqueceu uma coisa em casa. Franzi a testa. Lily: Minha bolsa está aqui. Meu celular também. E tenho certeza de que estou usando calças. Nathan: Eu estava falando do meu beijo de despedida. Mordi o lábio para não sorrir feito uma adolescente. Lily: Você me beijou na cozinha. Nathan: Insuficiente. Lily: Vou registrar uma reclamação formal contra o CEO. Nathan: Pode trazer pessoalmente à minha sala. Revirei os olhos, sorrindo. Aquele homem era impossível. E eu estava tão apaixonada por ele que começava a achar que precisava de ajuda profissional. Abri meu computador, organizei os compromissos da manhã e
Um mês. Trinta dias desde que Nathan me beijou sem precisar de plateia. Trinta dias desde que paramos de fingir, embora ninguém tivesse se dado ao trabalho de avisar oficialmente o contrato. E, sinceramente, eu estava começando a achar que aquele documento precisava de um advogado, um psicólogo e, talvez, uma intervenção divina. Porque minha vida tinha mudado completamente. Eu acordava abraçada a Nathan. Tomava café com ele. Discutia com ele sobre coisas ridículas, como a quantidade de tempero que deveria ir em um molho ou o fato de ele considerar organizar a despensa uma atividade relaxante. E, em algum momento entre uma discussão e outra, tinha começado a beijá-lo sempre que sentia vontade. O que era um problema sério. Principalmente porque eu sentia vontade o tempo inteiro. Naquela segunda-feira, por exemplo, eu estava atrasada. Muito atrasada. E Nathan, em vez de colaborar, estava encostado na bancada da cozinha, tomando café como se não existisse uma agenda esperando
A primeira coisa que percebi ao acordar foi que estava quente demais. A segunda foi que eu não conseguia me mexer. A terceira… Bem, a terceira foi que Nathan tinha uma perna jogada sobre as minhas, um braço ao redor da minha cintura e o rosto perigosamente próximo do meu pescoço. Fiquei imóvel por alguns segundos. Não porque estivesse desconfortável. Muito pelo contrário. O problema era que eu poderia me acostumar com aquilo. Com o calor dele, com a respiração tranquila contra minha pele, com a mão que repousava na minha cintura como se aquele fosse exatamente o lugar onde deveria estar. E eu não tinha a menor ideia do que fazer com essa informação. Virei o rosto devagar. Nathan estava dormindo. Sem a expressão séria que costumava carregar no escritório, sem a postura impecável, sem aquela arrogância irritante que fazia qualquer reunião parecer um interrogatório. Parecia mais jovem. Mais tranquilo. E absurdamente bonito. Que injustiça. Eu precisava de um mecanismo leg
O silêncio do quarto ganhou um peso diferente, preenchido apenas pelo som suave da nossa respiração acelerada. A iluminação fraca do abajur desenhava sombras quentes na parede, criando um refúgio acolhedor onde a ironia de instantes atrás começava a ceder espaço para uma entrega absoluta. Nathan deslizou as mãos lentamente pelas minhas costas, descendo até a minha cintura. Cada centímetro do toque dele deixava um rastro elétrico na minha pele. Passei as mãos por seus ombros, livrando-o do paletó, que caiu sem cerimônia no chão, seguido logo em seguida pela gravata que eu tanto havia segurado. Ele se afastou um milímetro, os olhos escuros fixos nos meus, varrendo cada detalhe do meu rosto com uma intensidade que fazia meu estômago dar voltas. — Você tem certeza? — a voz dele veio baixa, num sussurro rouco que arrepiou minha nuca. — Nathan — sorri fraco, deslizando os dedos pelos cabelos macios da nuca dele, puxando-o para mim —, se você fizer mais uma pergunta burocrática, eu vou







