LOGINJá se passou um ano desde aquela noite em que Mila segurou minha mão e me pediu que construíssemos um futuro juntas. Um ano desde que decidimos deixar o medo para trás e escolher uma à outra sem condições. Hoje, enquanto observo meu reflexo diante do espelho, sinto que a mulher que aparece diante de mim percorreu um caminho enorme para chegar até este momento.O vestido branco que estou usando não representa uma vida perfeita. Representa uma história real. Uma história com feridas, erros, despedidas e reencontros. Representa todas as vezes em que pensei que amar Mila era difícil demais, mas também todas as vezes em que descobri que nosso amor tinha força suficiente para aprender, mudar e crescer.Minhas mãos tremem um pouco enquanto termino de ajeitar alguns detalhes. Não é nervosismo por arrependimento, é a emoção de saber que, depois de tantos anos, vou caminhar em direção à pessoa que ainda consegue me fazer sentir especial com um simples olhar.Ao meu redor estão as pessoas que vi
Cheguei ao meu apartamento com o cansaço acumulado de um dia que parecia nunca terminar. A conversa com Susana, o encontro com Cecilia e aquela estranha sensação de ter fechado uma porta que havia permanecido aberta dentro de mim por tempo demais.Abri a porta e entrei esperando encontrar a tranquilidade de sempre no meu lar. No entanto, assim que atravessei a entrada, percebi que algo estava diferente. Não era uma transformação exagerada nem um cenário impossível, mas pequenos detalhes que falavam de cuidado, de tempo e de alguém que tinha pensado em mim antes de preparar cada coisa.Havia fotos nossas colocadas com delicadeza, lembranças de momentos que eu acreditava terem se perdido e alguns detalhes que pertenciam completamente ao meu mundo. Meu livro favorito sobre a mesa, uma música que eu sempre ouvia quando precisava me sentir melhor e um pequeno bilhete escrito com a letra de Mila.Peguei o papel nas mãos e reconheci aquelas palavras antes mesmo de lê-las. Mila sempre teve um
Acomodei as costas no encosto da poltrona e soltei o ar devagar, tentando relaxar a rigidez dos meus ombros.Três meses tinham se passado desde aquele último pesadelo em que o nome de Fabricio tirava meu fôlego, três meses desde que as sombras do cativeiro deixaram de ser uma ameaça real para se transformarem em fantasmas noturnos.Tudo corria bem na empresa, e Benjamín voltava a sorrir, mas minhas noites continuavam sendo um território hostil onde eu acordava suando e procurando às cegas por um perigo que já não estava ali.A doutora Susana me observava do outro lado da mesa com aquela serenidade paciente que sempre conseguia acalmar minha tempestade interior.Ela ouviu meu relato sobre os pesadelos recorrentes, sobre o medo repentino que me atacava quando eu caminhava sozinha ou ouvia uma porta bater inesperadamente. Era frustrante sentir que, embora minha vida seguisse em frente, uma parte da minha alma continuava presa entre quatro paredes.—Gina, o que você está vivendo é a marca
O tiro arrancou de mim um grito que eu nem sabia que era capaz de dar. Meu corpo inteiro reagiu antes dos meus pensamentos. Lancei-me sobre Mila e o abracei com todas as minhas forças, procurando ferimentos, procurando sangue, procurando algum sinal de que ele ainda estava comigo. Minhas mãos tremiam enquanto percorriam suas costas.—Mila, olha pra mim... por favor, diz que você está bem.Ele me segurou, mas, antes que pudesse responder, ouvi uma voz atrás de nós. Não era a de Fabricio. Era uma voz tranquila, firme, uma voz que eu conhecia bem demais.—Filho, nunca se esqueça do que sempre te ensinei. Mesmo quando você acha que os ratos já estão acabados, cedo ou tarde eles tentam atacar.Virei lentamente e vi Nikolái com a arma ainda erguida. Aos seus pés, Fabricio estava imóvel. Na mão dele ainda havia uma arma, como se, mesmo derrotado, tivesse esperado uma última oportunidade para nos machucar.Senti minhas pernas perderem as forças. Aquilo tudo parecia um pesadelo interminável. E
POV GinaO frio do chão era o que menos me preocupava, a dor física não era nada comparada ao vazio insuportável que corroía meu peito. Presa naquela penumbra nauseante, eu mal conseguia mexer as mãos sem que o metal enferrujado arrancasse pedaços da minha pele.Um nó sufocante apertava minha garganta. Eu sentia uma pontada amarga, um pressentimento terrível que não me deixava respirar. Algo bem dentro de mim dizia que aquele pesadelo não teria um final feliz, que talvez eu nunca mais voltasse a abraçar meu pequeno Benjamín.Pensar na risada dele, nas mãozinhas procurando meu rosto pela manhã, me despedaçou por completo. As lágrimas começaram a cair sem controle, queimando minhas bochechas enquanto um soluço dilacerante escapava do meu peito.—Olhem só a grande dama, chorando feito uma cadela abandonada —a voz de Fabricio ecoou na escuridão.Ouvi seus passos pesados se aproximando. Encolhi-me instintivamente, tentando esconder o rosto inchado de tanto chorar.—Adoro ver você destruída
A tela se iluminou com um arquivo anexado que queimava minhas mãos, marcando as coordenadas exatas de uma zona industrial abandonada nos arredores.Meu coração parou completamente e uma dor insuportável rasgou meu peito quando abri as fotografias horríveis que aquele desgraçado havia me enviado.E lá estava ela, Gina, caída sobre um chão imundo, com o rosto pálido manchado de sangue seco e olheiras profundas que apagavam seu brilho natural.Grossas correntes de aço enferrujado envolviam seus pulsos frágeis. Um rugido animal saiu do lugar mais sombrio da minha alma.Eu golpeei a parede com o punho até deixar meus nós dos dedos destruídos, sentindo os demônios me consumirem por inteiro ao ver sua expressão de exaustão absoluta.—Suka blyat! Yob tvoyu mat! Juro pela minha vida inteira que vou pegar aquele covarde miserável e transformar ele em uma maldita carne moída ensanguentada para dar aos porcos da fazenda. Não vai sobrar nada daquele corpo nojento quando eu terminar de destruí-lo o







