LOGIN**SINOPSE** Barão construiu seu império no morro com sangue, medo e poder. Frio e calculista, ele sempre soube que um dia precisaria de um herdeiro… mas não aceita qualquer mulher carregando seu sobrenome. Disposto a garantir o filho perfeito sem criar laços, ele procura uma clínica clandestina de fertilização e escolhe uma candidata específica: uma mulher jovem, discreta e com o perfil ideal. Mas um erro muda tudo. No mesmo dia do procedimento, outra garota chamada Melissa aparece na clínica para realizar um simples exame ginecológico. Sem documentos, encaixada ilegalmente por favor de uma amiga, Melissa Ferreira jamais imaginaria que sua vida mudaria para sempre ao entrar na sala errada. Pobre, moradora do morro e vivendo em um barraco ao lado da mãe acamada, ela passa os dias catando latinha para sobreviver desde que precisou abandonar os estudos aos quinze anos. Sem entender como, Melissa descobre uma gravidez impossível. Enquanto ela enfrenta fome, humilhações e o medo de estar enlouquecendo, a clínica entra em desespero ao perceber que inseminou a mulher errada com o material genético do homem mais perigoso do morro. Consumido pela fúria, Barão inicia uma caçada obsessiva atrás da desconhecida que carrega seu filho. O que ele não sabe… é que ela sempre esteve ali. Bem debaixo do seu domínio.
View MoreINSEMINADA PELO DESTINO:
MELISSA NARRANDO O cheiro de arroz quase queimando tomou conta do barraco enquanto eu mexia a panela velha no fogo baixo, tentando fazer aquela comida render mais uma vez. A chuva da madrugada tinha deixado tudo úmido e o teto continuava pingando num canto da casa, mas aquilo já fazia parte da rotina. Assim como quase tudo na minha vida. Olhei pra cama encostada na parede e encontrei minha mãe me observando em silêncio. O derrame acabou com ela. Acabou com a fala, com a força, com o sorriso bonito que ela tinha… acabou com quase tudo. Às vezes eu ainda custava acreditar que aquela mulher deitada ali era a mesma que vivia cantando dentro desse barraco enquanto fazia café antes de sair pra trabalhar. — Já tá pronto, mãe… só espera esfriar um pouquinho. Desliguei o fogo e coloquei a comida no prato rachado de sempre. Depois sentei na beira da cama e comecei a dar a comida na boca dela devagar. — Abre mais um pouquinho… Ela obedeceu em silêncio. O lado do rosto continuava torto por causa do derrame, e aquilo apertava meu peito toda vez que eu olhava. Porque antes da doença… a gente ainda era pobre, mas pelo menos vivia. Ela trabalhava. Andava. Brigava comigo pra eu não faltar aula. Agora eu precisava ajudar ela até pra comer. — Você tem que comer também, Melissa… A voz dela saiu baixa e embolada. Forcei um sorriso. — Eu já comi. Mentira. Mas eu já tinha aprendido fazia tempo que mãe doente não precisava carregar mais preocupação. Quando terminei, lavei o prato e fui pros fundos do barraco com o balde de roupas. Sentei no banquinho velho e comecei a esfregar as peças usando o resto de sabão que ainda tinha. Minhas mãos ardiam por causa dos cortes pequenos espalhados nos dedos, mas continuei mesmo assim. Enquanto torcia uma blusa velha minha, acabei lembrando da escola. Das minhas amigas. Das risadas no intervalo. Eu tinha só quinze anos naquela época. A vida já era difícil, mas ainda parecia leve perto do que virou depois. Eu ainda sonhava. Achava que ia terminar os estudos. Conseguir um trabalho bom. Tirar minha mãe daquele barraco. Mas aí o derrame veio… e levou tudo junto. Os estudos. Minha adolescência. Minha paz. Desde então minha vida virou catar latinha, lavar roupa, cozinhar e tentar sobreviver. Pendurei as roupas no varal improvisado e olhei pro vidro do remédio da minha mãe em cima da mesa. Tinha quase nada ali. Meu estômago apertou na mesma hora. Hoje eu precisava conseguir mais latinha. Precisava. Ou ela ficaria sem remédio de novo. Entrei dentro de casa, peguei o saco de náilon encardido e coloquei no ombro. Antes de sair, fui até minha mãe. — Vou ali catar umas latinhas e já volto. Ela segurou minha mão fraquinho. — Se cuida, minha filha… Me abaixei e dei um beijo na testa dela. — Vou me cuidar sim. Saí do barraco sentindo o sol forte bater no rosto. O morro já tava cheio naquela hora. Som alto, criança correndo, gente gritando nas vielas… a mesma bagunça de sempre. Caminhei segurando o saco no ombro enquanto sentia os olhares vindo na minha direção. Eu já sabia o motivo. As roupas velhas. O chinelo gasto. O cabelo preso de qualquer jeito. As mulheres sentadas perto da escadaria começaram a rir assim que passei. — Lá vai a catadora de lixo. — Misericórdia… essa menina tá cada dia pior. — Quando foi a última vez que ela tomou banho? As gargalhadas vieram logo depois. Continuei andando como se não tivesse ouvido. Porque responder não mudava nada. Só abaixei mais a cabeça e segui meu caminho tentando ignorar a vergonha queimando dentro de mim. Quando cheguei perto do restaurante da dona Célia, diminuí os passos automaticamente. E parei. Barão tava lá dentro. Sentado numa mesa perto da janela junto dos homens dele. Mesmo de longe dava medo. O restaurante inteiro parecia em silêncio perto dele. Os homens armados espalhados pelo lugar, o jeito que ninguém encarava ele diretamente… tudo naquele homem fazia o morro inteiro ficar pequeno. Desviei os olhos rápido. Meu coração sempre acelerava quando ele tava por perto. Eu tinha medo dele. Todo mundo tinha. Por isso nunca entrava ali enquanto ele estivesse no restaurante. Vai que ele não gostasse da minha presença. Vai que implicasse comigo por causa das latinhas. Então preferia esperar. Sempre preferia esperar. Sentei no meio-fio segurando o saco de náilon contra o peito enquanto aguardava ele terminar de almoçar pra eu poder entrar e pegar as latinhas que dona Célia guardava pra mim. E fiquei ali quieta. Sozinha. Tentando ignorar a fome no estômago enquanto observava, de longe, o homem mais perigoso daquele morro… sem imaginar que minha vida já tava prestes a se cruzar com a dele da pior forma possível.BIANCA NARRANDO: A Candidata EscolhidaMinhas mãos estavam tão suadas que o celular quase escorregou dos meus dedos pela terceira vez. Eu encarava o reflexo do meu rosto no espelho do banheiro da clínica, tentando controlar a respiração descompassada que fazia meu peito subir e descer rápido demais.— O que eu estou fazendo? — sussurrei para mim mesma, sentindo um nó apertar a minha garganta.Eu não precisava de dinheiro. Graças a Deus, eu vinha de uma família estruturada, tinha uma vida confortável no asfalto e nunca soube o que era passar necessidade. Mas o meu propósito sempre foi outro: eu gostava de ajudar as pessoas. Sempre tive o coração voltado para o próximo. E foi por isso, por ver o sofrimento de casais e pessoas que sonhavam em ter um filho mas não podiam gerar, que eu decidi me inscrever naquele catálogo de inseminação clandestina de alto nível. Eu queria dar a alguém a chance de ser pai, de ser mãe.Fazia quase dois anos que meu perfil estava lá, intacto. Eu já tinha até
MELISSA NARRANDOO caminho de volta pro morro pareceu ainda mais longo que a ida. Minhas pernas pesavam, mas o alívio no meu peito era maior. Eu tinha o saquinho com o lanche que a moça da recepção me deu e a certeza de que, segundo o médico, eu tava saudável. Aquela dorzinha incômoda na barriga devia ser só reflexo da fome ou do cansaço acumulado de tantos dias subindo e descendo vielas com um saco de náilon nas costas.— Menos mal... — sussurrei para mim mesma, apertando o passo quando o cheiro familiar de esgoto aberto, fumaça de moto e espetinho assando na brasa me avisou que eu já tava de volta à minha realidade.No asfalto, eu era invisível. No morro, eu era a "catadora". Não sei qual dos dois doía mais, mas o morro, pelo menos, era o meu teto.Passei direto pela praça sem olhar pros lados. Os soldados do Barão continuavam bebendo e rindo perto do boteco, mas o próprio chefe não tava lá. Graças a Deus. A energia daquele homem me sufocava, mesmo que ele nunca tivesse direcionad
BARÃO NARRANDOO QG tava abafado pra caralho, mas eu não dava a mínima. tava de braços cruzados na janela, olhando o movimento lá embaixo na favela, quando o meu celular particular, aquele que só os contatos de alta importância tinham o número, vibrou no bolso da calça.Peguei o aparelho e vi o número privado. O número da clínica de bacana lá do asfalto.Atendi na hora, sem rodeios, soltando a fumaça do baseado pra fora da janela.— Fala.— Boa tarde, senhor Barão, a voz do diretor da clínica saiu pausada, cheia daquela polidez nojenta de quem tem medo de morrer, mas quer parecer profissional. Ligamos para informar que o procedimento foi realizado com absoluto sucesso. A candidata selecionada passou pela inseminação há poucas horas e correu tudo dentro dos conformes médicos.Um sorriso de canto brotou no meu rosto. Senti o peito inflar, uma sensação de poder que nem o controle do tráfico me dava.— O material já tá nela? — perguntei, a voz grossa ecoando na sala vazia do QG.— Si
CONTINUAÇÃO...Quando finalmente achei o endereço, parei na frente do prédio confusa. Olhei de um lado pro outro da rua.Não tinha placa.Não tinha nome.Nada.Só um portão discreto e uma porta de vidro escura.Franzi a testa.Aquilo realmente parecia uma clínica?Por alguns segundos pensei até que tinha vindo no lugar errado. Mas quando conferi o papel outra vez, o endereço tava certo.Respirei fundo e entrei mesmo assim.O lugar era gelado por causa do ar-condicionado forte. Limpo demais também. O chão brilhava tanto que deu até vergonha do meu tênis sujo pisando ali.Tinham algumas mulheres sentadas nas cadeiras espalhadas pela recepção.Todas arrumadas.Bonitas.Cheirosas.Assim que entrei, algumas levantaram os olhos na minha direção.E me olharam daquele jeito. De cima abaixo.Como quase todo mundo olhava.Senti meu rosto esquentar na mesma hora.Baixei a cabeça e fui direto pra cadeira mais afastada, no fundo.Sentei apertando as mãos nervosa no colo.Parte de mim queria levant


















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