Mag-log inEla não demorou a voltar. Desta vez, não apareceu no meu escritório. Ficou me esperando do lado de fora da escola de Benjamín, e vê-la junto à entrada foi suficiente para deixar meu corpo inteiro em alerta. Eu não ia permitir que se aproximasse do meu filho para transformá-lo em parte das perguntas dela.—O que você está fazendo aqui? —perguntei, caminhando até ela e me colocando diante do portão—. Eu avisei pra não envolver Benjamín.—Não falei com ele —respondeu Cecilia, guardando o celular na bolsa—. Vim falar com você.—Escolheu um lugar bem conveniente.—Sabia que você viria buscá-lo.—E isso te pareceu normal —respondi, cruzando os braços—. Você investiga Dante, aparece na escola do meu filho e ainda quer fingir que isso não é uma obsessão.Cecilia olhou para a saída, onde algumas crianças começavam a aparecer.—Só preciso de uma resposta —disse Cecilia, baixando a voz—. Depois vou embora.—Já te disse que não vou dar resposta nenhuma.—Então pelo menos ouça a pergunta.Eu não q
Pov GinaCecilia apareceu no meu escritório sem avisar. Dante estava numa obra e Benjamín, na escola, então estávamos sozinhas. Ela fechou a porta atrás de si e colocou uma pasta sobre a minha mesa.—Precisamos conversar —disse Cecilia, tirando os óculos—. E desta vez você não vai sair da conversa com uma frase bonita e um sorriso.—Que dramática —respondi, fechando o orçamento—. Se veio reclamar porque Luciana me mandou mensagem, pode poupar o discurso.Cecilia abriu a pasta.—Não vim por causa de Luciana —respondeu, tirando duas folhas impressas—. Vim por causa de Dante.O nome me deixou em alerta, embora eu não movesse um músculo.—O que você fez? —perguntei, apoiando os cotovelos sobre a mesa—. Mandou investigar meu sócio?—Não precisei de muito —respondeu Cecilia, empurrando as folhas na minha direção—. Existem registros, fotografias e uma entrevista em que ele mesmo conta quando conheceu você.Não peguei os papéis.—E agora você coleciona informações sobre os meus amigos? —pergu
Pov MilaCecilia estava havia uma hora falando sobre um jantar beneficente quando percebi que não tinha ouvido nem metade. Eu estava sentado diante dela, com uma taça e a cabeça em outro lugar. Em uma mulher que não deveria ocupar tanto espaço nos meus pensamentos e que, ainda assim, aparecia toda vez que eu tentava me convencer de que minha vida estava em ordem.—Você não ouviu uma palavra —comentou Cecilia, deixando o garfo sobre o prato—. Eu podia ter dito que amanhã vou embora do país e você teria assentido do mesmo jeito.—Estou cansado —respondi, me recostando na cadeira—. Foi um dia longo.—Você sempre está cansado quando a gente tenta ficar sozinho —retrucou Cecilia, afastando o prato—. Mas, pras reuniões do projeto de Gina, parece que nunca falta energia.Levantei os olhos.—Não transforme tudo em Gina.—Eu não preciso transformar nada —respondeu Cecilia, cruzando os braços—. Desde que ela voltou, você está diferente. Pergunta sobre ela, aparece nas obras dela, discute comigo
A conversa que eu tinha ouvido entre Cecilia e Fabricio continuava rondando a minha cabeça porque não parecia uma conversa entre simples conhecidos. Eles tinham falado de mim, de Mila, de perguntas e de algo que podia desmoronar se Fabricio voltasse a se aproximar demais. Aquilo não era uma relação de negócios. E Cecilia tinha mentido na minha cara.Naquela manhã, esperei Dante sair para uma reunião e liguei para Cecilia. Eu não queria desculpas.—Preciso falar com você —disse enquanto caminhava até a janela do meu escritório—. Hoje. E não diga que está ocupada porque não vou aceitar outra resposta.Cecilia ficou em silêncio por alguns segundos.—Que jeito encantador de me convidar para tomar um café —respondeu Cecilia, com uma calma que me irritou—. Tenho uma hora livre ao meio-dia.—Não é um convite —respondi, olhando para a rua—. A gente se encontra no restaurante do hotel Carlton. Ao meio-dia.Desliguei antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa.Cheguei primeiro. Escolhi uma m
Às sete da manhã já havia jornalistas em frente à Laurent Residences. Dante queria fechar as persianas, cancelar reuniões. Eu queria café e cinco minutos sem que ninguém usasse a palavra escort como se tivesse acabado de descobrir um crime.—Você não vai sair por essa porta —disse Dante, plantando-se diante de mim com o celular na mão—. Tem câmeras lá fora, e eles estão esperando você perder a paciência.—Então vão esperar muito —respondi enquanto vestia o paletó—. Tenho uma reunião às oito e meia e não vou me esconder porque Esteban decidiu transformar meu passado em conteúdo.—Gina, isso já não é só o Esteban —insistiu Dante, me mostrando a tela—. Tem sites dizendo que você conseguiu o contrato por causa do Mila e outros procurando fotos do clube.—Perfeito —respondi, pegando minha bolsa—. Que procurem. Eu também sei responder.Dante me observou por alguns segundos.—Quando você faz essa cara, normalmente alguém acaba chorando —murmurou Dante, saindo da minha frente—. Tenta fazer co
Pov GinaO café da manhã empresarial da Associação de Construtores parecia uma boa ideia até eu ver Esteban Rivas se aproximar da nossa mesa com aquela segurança de homem que passara anos acreditando que ninguém podia tocá-lo. Ele concorria com a Laurent Residences por dois projetos e tinha perdido os dois. Nunca lidou bem com isso.—Gina, que surpresa ver você aqui —cumprimentou Esteban, parando ao lado da minha cadeira—. Embora eu suponha que agora te convidem pra todo lugar desde que fechou o acordo com a Ivanoff Group.—Bons resultados costumam abrir portas —respondi, pousando a xícara no pires—. Você devia tentar algum dia.Dante soltou uma risada ao meu lado. Esteban olhou para ele, depois fixou os olhos em mim e sorriu.—Claro, resultados —repetiu Esteban, ajeitando o punho da camisa—. Alguns de nós conseguimos contratos com propostas. Outros têm métodos mais pessoais.Não porque alguém tivesse entendido errado, mas porque todos entenderam exatamente o que ele quis dizer.—Se t







