INICIAR SESIÓN
Laura Miller ficou ereta no assento do trem e soltou um suspiro alto. Naquela posição desconfortável há horas, ela estava dolorida. Se o homem sentado à sua frente tivesse uma noção mínima de cavalheirismo, encolheria as pernas longas e abertas para dar um pouco mais de espaço para ela.
Parecia que anos haviam se passado desde que Laura deixou o conforto de Nova Iorque, por aquela viagem de trem longa e desgastante. Se não estivesse desesperada para vender a fazenda que herdou do avô, ela não teria se prestado a tamanha loucura. No início, só ela ocupava o assento duro, o que tornava a viagem um pouco tolerável. Porém, no território do Novo México, um casal se juntou à ela no minúsculo vagão do trem. A mulher sentou ao seu lado sem sequer a cumprimentar, e o que parecia ser o marido dela, sentou na frente de Laura e arreganhou as pernas, lhe tirando o mínimo conforto. Os dois caíram no sono assim que o trem zarpou com destino ao Texas. Pelo menos, Laura pensou que estaria em El Paso ao anoitecer e iria se encontrar com Gabriel, o amigo do seu avô que a levaria até a fazenda. Ela poderia descansar por alguns dias, vender a propriedade, e com sorte, estaria de volta à Nova Iorque em duas semanas. Com o dinheiro na conta, Laura tinha planos para abrir o próprio negócio, sua tão sonhada loja de roupas feitas por ela mesma que tinha aprendido a costurar com a mãe. As mulheres nova-iorquinas tinham apreciação pela sua alta costura com seus belos vestidos de noiva, festas e formaturas. Laura também confeccionava lindos ternos para os homens da alta sociedade. O que fazia a viagem valer a pena, era o seu desejo de se tornar uma grande modista com seu próprio ateliê. Ela já tinha muitos clientes e precisava de um local adequado para trabalhar e vender suas roupas. Exasperada, Laura cutucou a perna do estranho com o joelho. Ela sentiu os músculos rijos dele através do tecido fino do seu vestido branco, e sentiu sua pele negra da cor de café ficar quente. Laura não tinha o hábito de encostar em estranhos, e aquilo a deixou sem jeito. Um estranho atraente de cabelos loiros, olhos azuis e barba comprida. Apesar das roupas dele serem de boa qualidade, ele não parecia ser um homem decente por estar com o joelho entre as pernas dela. Laura perdeu a paciência. - Senhor, poderia por favor encolher as pernas? Os olhos azuis se abriram. - O que disse? - Ele perguntou ainda sonolento. Laura apontou para as pernas coladas às dele e disse com frieza: - Preciso de mais espaço. Aaron Johnson passou a mão no rosto. Lentamente, ele endireitou no assento e olhou para a esposa adormecida com uma careta de descaso. Ele voltou os olhos azuis para Laura, e observou a beldade sentada na sua frente. A julgar pelo vestido muito bem confeccionado e pelo nariz empinado, Aaron concluiu que era uma sulista mimada. Ou talvez não. Uma sulista mimada jamais encostaria nele ou lhe sustentaria o olhar de forma tão direta. Ele sorriu. Laura perdeu o fôlego. Aquele homem não se parecia em nada com os homens educados de Nova Iorque. Aquele sorriso maroto provocaria um burburinho entre o público feminino nos salões de festas nova-iorquinos. - Aaron Johnson. - Laura Miller. - Senhora ou senhorita? - Senhorita Miller. Desculpa por tê-lo acordado. Eu estava desconfortável. Aaron se inclinou para frente quase até seu rosto corado pelo calor encostar no rosto negro de Laura. - Pode me acordar sempre que quiser. A mulher ficou sem palavras diante de tamanha ousadia. Aaron voltou a recostar no assento, piscou e fechou os olhos azuis. Exalando cheiro de bebida alcoólica, ele voltou a dormir. Laura respirou fundo e alisou a barra do vestido. Aquele era o tipo de pessoa que ela conheceria ao viajar para o oeste selvagem. Ela ficou temerosa, mas decidida a continuar com os seus planos de uma vida melhor. Gabriel Tanner abriu caminho por entre a multidão que se aglomerava na plataforma de El Paso. Melhor amigo de David Miller, ele se dispôs a receber Laura Miller e levá-la até o hotel. Provavelmente, a mulher estaria exausta após a longa jornada até o Texas com seu calor escaldante. Ela tinha se mudado para Nova Iorque após a morte dos pais há alguns anos, e parecia ter se estabelecido por lá. Gabriel estava certo que Laura queria vender a fazenda para voltar para o extremo sul o quanto antes. Ele correu ao vê-la descendo do trem com uma mala pequena, o que só reforçou o óbvio. Ela não ficaria muito tempo. Sua estadia seria breve. Gabriel pegou a mala e sorriu com entusiasmo. - Olá, Laura. Fez boa viagem? A mulher endireitou o corpo esbelto e respirou fundo. O sol da tarde ainda estava alto no grande estado do Texas apesar de ser quase seis horas. - Uma viagem medonha, Gabe. O homem negro sorriu, conduzindo Laura para fora da plataforma, e indo em direção ao hotel Madison. - Você precisa de um banho frio, uma boa refeição e uma excelente noite de sono. Amanhã, quando estiver melhor, nós conversamos. Já devo adiantar que as coisas por aqui mudaram bastante nos últimos anos. Laura apenas assentiu e entrou no hotel onde sua reserva estava pronta. Ela se registrou e pegou a chave do quarto. Gabriel a seguiu escada acima carregando a mala, e quando os dois pararam em frente ao quarto, ele disse envergonhado: - Desculpa por não recebê-la na minha casa. Os meus meninos cresceram em tamanho, e pararam de crescer nas ideias quando tinham cinco anos. Laura se lembrava vagamente dos três filhos de Gabriel. Ela agradeceu aos céus por ele poupa-la de ter que recusar ficar em sua casa. Ela sorriu compreensiva. - Obrigada, Gabe. Nos vemos amanhã. - Sim. Eu vou trazer o seu guia. Laura franziu a testa negra. Ela não entendeu. - Guia? - Sim. A fazenda do seu avô agora fica perto de território selvagem que pertence aos índios. Chocada, Laura levou a mão no peito. - Meu Deus, que horror! - Não se preocupe. Daniel Donovan é o único que fala indígena por essas bandas e tem uma lábia maior do que o Texas. Há quem diga que o avô dele era um curandeiro e ele tem sangue de índio. Laura estava desconcertada. - Ele é confiável? Gabriel sorriu malicioso. - Por uma boa quantia, ele a levará ao seu destino em segurança. É o trabalho dele atravessar pessoas pelo território indígena. Cética e irritada, Laura bufou. - Já tem dez anos que eu fui embora. Eu lembro que o meu avô disse para mim só voltar quando ele morresse por causa dos índios que estavam se estabelecendo por aqui. - Índios, pistoleiros e todos os tipos de foras da lei. Seu avô salvou a fazenda por você. E o vizinho dele, o Brooklyn, tem interesse em compra-la. Ela vale muito dinheiro por ter o solo fértil. Laura assentiu lentamente. - Tudo bem. Eu realmente preciso de um descanso agora. - Eu estarei aqui pela manhã com o Donovan. - Gabriel hesitou antes de dizer a verdade. - Ele é um homem difícil de lidar, porém, é dele que você precisa para chegar na fazenda. - Ok. Boa noite, Gabe. Por enquanto, obrigada por tudo. - Eu estou à disposição. Boa noite. Laura entrou no quarto. Não era um hotel cinco estrelas, mas pelo menos ela poderia tomar banho e dormir em uma cama após noites dormindo sentada no trem. Ela estava triste pela partida do avô, e brava por precisar da droga de um guia. Mas o tal neto de curandeiro, não iria lhe passar a perna de jeito nenhum. Tava pra nascer o homem que iria fazê-la abaixar a cabeça.Três meses depois...- Eu, Daniel Donovan, aceito você, Laura Miller, como minha legítima esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe.De vestido de noiva, véu e grinalda, Laura repetiu os votos matrimoniais enquanto trocava alianças com o seu cowboy bruto e possessivo. Donovan estava mais lindo do que tinha direito, com o smoking preto feito sob medida e adaptado para o seu antebraço.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.Donovan retirou o véu de Laura com reverência e se inclinou para beija-la. Aplausos, gritos e assobios foram ouvidos na igreja de Lafayette. Os recém casados molharam a pena no tinteiro, e assinaram a certidão de casamento. O buquê foi jogado para trás, e simplesmente, caiu nos braços de Cash. O ruivo evitou olhar para Brooklyn que mantinha o relacionamento deles escondido a sete chaves. Em público, os dois fingiam que nã
Após o temporal de verão, o sol voltou a aparecer no final da tarde, pincelando o céu azul com nuances alaranjadas no vasto horizonte. Cash não se importou de caminhar pela estrada enlameada até a fazenda de Brooklyn. O ar fresco serviu para clarear seus pensamentos.Jake tocou na aba do chapéu e apontou para o estábulo onde o patrão checava os estragos da chuva. Algumas telhas tinham voado com a força dos ventos, e Brooklyn não estava de bom humor. Os cavalos estavam agitados, e aquilo o deixava tão irado quanto a fúria da natureza. Ultimamente, se irritava com facilidade.Cash ganhou um olhar raivoso e olhou com desinteresse para Brooklyn. Em seguida, olhou para o teto onde faltava algumas telhas.- Donovan me contou o que você fez com o tio do Liam.O fazendeiro permaneceu em silêncio, observando os fios avermelhados do cabelo sedoso do ruivo, e a forma como a costeleta em linha reta, chegava até seu rosto másculo, desenhando sua barba bem feita. Ele era lindo. Brooklyn colocou as
Laura colocou a toalha no ombro e cruzou os braços com uma feição séria. Com um sorriso travesso de quem sabia que tinha sido desobediente, Liam se escondeu atrás das pernas de Donovan. Igualmente molhado, o texano sorriu zombeteiro.- Alguns pingos de chuva não matam ninguém.- Ele está desnutrido, não pode pegar um resfriado.Laura se aproximou de Donovan que a agarrou pela cintura e a beijou em cheio nos lábios carnudos. Ele não deu tempo para ela protestar e disse sério:- Você terá muito tempo para cuidar dele.A nova-iorquina pousou as mãos no peito largo e molhado do texano. Ela olhou no fundo dos seus olhos e sorriu hesitante.- Verdade?Donovan assentiu com o corpo quente e curvilíneo de Laura moldado ao dele. Ela soube que o pai de Liam tinha ido dessa pra pior, e acariciou a sua nuca.- Obrigada.- Conversaremos mais tarde.- Vai tirar essa roupa molhada. Eu vou servir o seu almoço.- Tá bom.Donovan pegou Liam pela orelha, mas sem machuca-lo, e o empurrou para Laura.- Ob
Donovan pegou carona na Ford F-75 de Brooklyn até a cidade de Lafayette com pouco mais de dez mil habitantes. A cidade empoeirada era composta por casas suntuosas, edifícios, bares, restaurantes, bordéis onde as damas da noite ofereciam seus serviços para forasteiros e pistoleiros, agência de correios, bancos, farmácias e lojas que vendiam todos os tipos de coisas desde carne e leite, até remédios e gasolina. A delegacia de Lafayette que também servia como cadeia, ficava localizada na avenida principal, tendo como xerife Clark Benson. Um velho de cabelos grisalhos e rosto enrugado pelos anos de trabalho duro debaixo do sol escaldante do Texas. A igreja cristã bem construída com madeira maciça pintada de branco, e com uma cruz no alto, ficava no centro da cidade, envolta por um jardim florido e bem cuidado. O hospital recém reformado, ficava em terreno mais elevado ao sul de Lafayette, assim como o cemitério.Donovan não confiava em bancos, e por isso, ele descontou o cheque e saiu
Laura acordou quando os primeiros raios de sol entraram no quarto, e o canto dos pássaros invadiu o aposento iluminado. Ela teve uma excelente noite de sono e se sentia disposta para tomar decisões importantes. A fazenda era tudo que restava da sua infância difícil, mas feliz com seus pais e o avô. Vendê-la, seria dar adeus a uma parte de si mesma, e ela precisava decidir se valia a pena deixar aquele pedaço do paraíso, para ir atrás do seu sonho em Nova Iorque.Na pequena cama de solteiro que ficava embaixo da janela, Laura suspirou e se virou. Ela quis ficar brava, mas não conteve um sorriso por Donovan ter escolhido dormir com ela, quando poderia ter dormido confortavelmente em outra cama.Só de cueca samba canção branca, ele dormia com o cotoco de braço na sua cintura. Sem poder se conter, Laura deslizou a mão pelo bíceps musculoso do texano até acariciar sua barba, e a lateral direita da sua cabeça raspada. Sem cerimônia, ela afastou uma mecha do cabelo castanho escuro de Donov
Em silêncio, Donovan seguiu Laura para casa, sabendo que tinha cometido um erro grave ao não defender Liam. A nova-iorquina tinha um coração tão grande quanto sua língua, e ele teria que ser mais cuidadoso para não ficar sem a sua bocetinha preta e gostosa.Só de imaginar seu pau entrando em Laura, Donovan gemeu alto de prazer e viu ela se virar para trás. Ele sorriu, e em seguida, levou o cotoco de braço no peito e fez uma careta de dor.- Eu preciso de outro curativo.Laura cruzou os braços e disse séria:- Você não precisa de outro curativo porque eu já fiz depois do banho. O que você precisa é de humanidade.Donovan franziu a testa.- Isso aqui é o oeste selvagem, Laura. Nas terras do Brooklyn, quem manda é ele. A nova-iorquina desdenhou olhando para o rosto bonito do texano que era uma máscara de dor.- Eu pensei que você fazia as suas leis. Mas não, você só faz o que lhe convém e não se importa com ninguém. - Eu não sei o que você queria que eu fizesse. Você não viu o ódio nos







