LOGINDaniel Donovan, 30 anos, natural de El Paso, Texas, cresceu cercado por prostitutas e todos os tipos de foras da lei. Ele aprendeu a trepar e atirar antes mesmo de aprender a ter boas maneiras. Sua mãe fugiu para o leste e se casou com um banqueiro dono de muitas propriedades. Seu pai bebeu até o fígado virar uma esponja e morreu vomitando sangue.
Donovan se considerava órfão de pai e mãe. Desde cedo, ele aprendeu a se virar sozinho para nunca precisar de ninguém. Em El Paso, mais conhecida como o cu do diabo porque era uma cidade de perdições e ruínas, Donovan aprendeu a sobreviver fazendo todos os tipos de trabalho sujo. Desde matar qualquer um por dinheiro, até traficar virgens inocentes para os bordéis da cidade. Com o passar dos anos, seu nome começou a ser mencionado nas mesas dos muitos bares da cidade. Ele era sempre requisitado para fazer coisas que maridos infiéis não tinham coragem para fazer, ou esposas cansadas de um casamento traumático, não tinham coragem para dar um fim pelas próprias mãos. Sua presença também era solicitada pelo xerife de El Paso quando a polícia não podia usar de meios legais para sumir com forasteiros arruaceiros. Donovan fez nome e fortuna. Contudo, seu grande negócio era guiar pessoas por entre os índios que tinham chegado e ficado nas redondezas. Seu avô era indígena e ele tinha passe quase livre por todo o Texas, exceto ao oeste onde viviam os mais perigosos e selvagens índios, os Sioux. Cheyennes, apaches e navajos eram mais fáceis de dobrar, porém, os Sioux tinham crenças enraizadas e não gostavam de intrusos cruzando seus territórios demarcados e vigiados pelos melhores guerreiros. Eles não se metiam com ninguém, e não gostavam que ninguém se metesse com eles. O próprio governo dos EUA permitiu que os índios vivessem em suas reservas em áreas estabelecidas. Donovan não tinha problemas com eles, pelo contrário, graças aos índios, ele extorquia turistas que desejavam cruzar o Estado. Sua próxima vítima seria a neta do falecido David Miller. Donovan esteve pelos lados da fazenda dele quando estava no encalço de um caçador de recompensas que ele cortou as mãos, e arrancou os olhos. Donovan matou Nathan Pigs e recebeu a recompensa. O mercenário sorriu ao atravessar a rua empoeirada, e se aproximar de Gabriel Tanner parado na porta do hotel. O negro respirou fundo ao sentir o cheiro de Donovan. - Você fede a bebida barata e puta de quinta categoria. - Boceta pra mim não tem categoria. - Por que não tomou banho antes de vir? - Eu não quis me atrasar parando para tomar banho. Você disse que a Laura é uma mulher muito rigorosa. Gabriel balançou a cabeça com pesar. Como se adivinhasse seu pensamento, Donovan abriu ainda mais o sorriso branco e brilhante. - Eu posso fazer isso, Gabe. Você não tem outro homem capacitado para levar a moça até o oeste selvagem. - Senhorita Miller para você. Não se atreva a rouba-la e mantenha essas mãos imundas longe dela. Donovan sorriu torto. - Deus é testemunha de que eu sou o homem mais honesto e decente que esse mundo já conheceu. Ela estará segura comigo. Gabriel torceu o nariz e desdenhou. - Você é um vagabundo. Só está vivo ainda porque fez pacto com o tinhoso. - O tinhoso é meu discípulo. Donovan riu alto e seguiu Gabriel. Ansiosa para seguir viagem, Laura abriu a porta quando ouviu Gabriel a chamar. Ceticismo estampou o rosto negro da mulher enquanto ela franzia a testa. - Não deixe que a aparência e o cheiro dele a perturbem, Laura. - Gabriel sorriu para demonstrar uma confiança que ele estava longe de sentir. - Esse é Daniel Donovan, seu guia até a fazenda. Laura nunca tinha visto um homem igual ao que estava parado na porta. Ele era tão alto e largo que parecia uma rocha firme e inabalável. Os olhos castanhos escuros dele estavam percorrendo seu vestido amarelo claro. O olhar vagaroso fez Laura se sentir nua diante da avaliação minuciosa. Donovan tinha a pele bronzeada pelo sol quente do Texas, e cabelo castanho escuro raspado nas laterais e alto em cima. Ele tinha barba e bigode, traços marcantes e várias tatuagens sombrias. A camisa social preta estava com as mangas dobradas até os cotovelos, com parte saindo para fora da calça jeans escuro, onde era possível ver o cabo preto e reluzente de um revólver calibre 38. As botinas marrons estavam sujas de poeira. Mais do que o cheiro forte de cabaré, Daniel Donovan exalava uma áurea de mistério, força e auto confiança. Laura engoliu em seco e olhou para Gabriel. - Você tem certeza disso? - Eu lamento não ter alguém que fosse menos rústico. Mas como eu disse, ele é o que você precisa. Em dúvida diante do brutamontes que a encarava com uma expressão de desdém, Laura assentiu lentamente. - Está bem. Obrigada, Gabriel. Após se despedir do amigo do seu avô, Laura viu Donovan abaixar a cabeça para passar pela porta. Eles ainda não tinham trocado uma palavra. Laura cruzou os braços e perguntou séria: - Quanto tempo de viagem? - Uma semana porque não podemos passar pela estrada principal por causa dos ladrões. - Meio de transporte? - Eu tenho uma caminhonete Ford que aguenta o percurso. Laura estava desconfortável com a presença de Donovan, e ela não tinha a menor ideia de como iria fazer para passar uma semana ao lado dele. O fora da lei olhou Laura da cabeça aos pés e chegou a conclusão que ela era uma puritana esnobe. Então, ele colocou as cartas na mesa. - É o seguinte, Senhorita Miller. Aqui é muito diferente de Nova Iorque e de todo o resto do mundo. Só os fortes sobrevivem e... - Não tente me assustar para cobrar mais, Senhor Donovan. Eu não sou burra. Surpreso com as palavras ditas em um tom de voz firme e desdenhoso, Donovan arqueou a sobrancelha escura. - A Senhorita está me chamando de ladrão? Laura se sentiu menos desconfortável com o fato de Donovan ficar surpreso com sua frieza e seriedade. Entretanto, ela não teve tempo para responder a pergunta dele. Barulho de tiros vieram do andar de baixo, assim como gritos estridentes. Donovan colocou a cabeça para fora da janela e viu a diligência de Snake. O famoso ladrão de Nova Orleans tinha chegado em El Paso para fazer a limpa. Preocupado para a Senhorita Miller não ser assaltada e perder todo o dinheiro do seu pagamento, Donovan a pegou e a jogou nas costas. Laura viu a expressão de irritação de Donovan, e não de medo antes de ser jogada nas costas largas dele, como se fosse um saco de batatas. - Seus pertences estão todos na mala? Laura ordenou: - Me solta! - Cala a boca, porra! A porta do quarto foi aberta com um chute. Laura ouviu um baque surdo um segundo depois de ouvir um tiro disparado por Donovan. Ele manteve um braço em volta das pernas dela, pegou sua mala, pulou a janela com ela nas costas e correu por trás do hotel. Laura foi atirada dentro da Ford preta que arrancou em alta velocidade. Ela estava chocada.Três meses depois...- Eu, Daniel Donovan, aceito você, Laura Miller, como minha legítima esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe.De vestido de noiva, véu e grinalda, Laura repetiu os votos matrimoniais enquanto trocava alianças com o seu cowboy bruto e possessivo. Donovan estava mais lindo do que tinha direito, com o smoking preto feito sob medida e adaptado para o seu antebraço.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.Donovan retirou o véu de Laura com reverência e se inclinou para beija-la. Aplausos, gritos e assobios foram ouvidos na igreja de Lafayette. Os recém casados molharam a pena no tinteiro, e assinaram a certidão de casamento. O buquê foi jogado para trás, e simplesmente, caiu nos braços de Cash. O ruivo evitou olhar para Brooklyn que mantinha o relacionamento deles escondido a sete chaves. Em público, os dois fingiam que nã
Após o temporal de verão, o sol voltou a aparecer no final da tarde, pincelando o céu azul com nuances alaranjadas no vasto horizonte. Cash não se importou de caminhar pela estrada enlameada até a fazenda de Brooklyn. O ar fresco serviu para clarear seus pensamentos.Jake tocou na aba do chapéu e apontou para o estábulo onde o patrão checava os estragos da chuva. Algumas telhas tinham voado com a força dos ventos, e Brooklyn não estava de bom humor. Os cavalos estavam agitados, e aquilo o deixava tão irado quanto a fúria da natureza. Ultimamente, se irritava com facilidade.Cash ganhou um olhar raivoso e olhou com desinteresse para Brooklyn. Em seguida, olhou para o teto onde faltava algumas telhas.- Donovan me contou o que você fez com o tio do Liam.O fazendeiro permaneceu em silêncio, observando os fios avermelhados do cabelo sedoso do ruivo, e a forma como a costeleta em linha reta, chegava até seu rosto másculo, desenhando sua barba bem feita. Ele era lindo. Brooklyn colocou as
Laura colocou a toalha no ombro e cruzou os braços com uma feição séria. Com um sorriso travesso de quem sabia que tinha sido desobediente, Liam se escondeu atrás das pernas de Donovan. Igualmente molhado, o texano sorriu zombeteiro.- Alguns pingos de chuva não matam ninguém.- Ele está desnutrido, não pode pegar um resfriado.Laura se aproximou de Donovan que a agarrou pela cintura e a beijou em cheio nos lábios carnudos. Ele não deu tempo para ela protestar e disse sério:- Você terá muito tempo para cuidar dele.A nova-iorquina pousou as mãos no peito largo e molhado do texano. Ela olhou no fundo dos seus olhos e sorriu hesitante.- Verdade?Donovan assentiu com o corpo quente e curvilíneo de Laura moldado ao dele. Ela soube que o pai de Liam tinha ido dessa pra pior, e acariciou a sua nuca.- Obrigada.- Conversaremos mais tarde.- Vai tirar essa roupa molhada. Eu vou servir o seu almoço.- Tá bom.Donovan pegou Liam pela orelha, mas sem machuca-lo, e o empurrou para Laura.- Ob
Donovan pegou carona na Ford F-75 de Brooklyn até a cidade de Lafayette com pouco mais de dez mil habitantes. A cidade empoeirada era composta por casas suntuosas, edifícios, bares, restaurantes, bordéis onde as damas da noite ofereciam seus serviços para forasteiros e pistoleiros, agência de correios, bancos, farmácias e lojas que vendiam todos os tipos de coisas desde carne e leite, até remédios e gasolina. A delegacia de Lafayette que também servia como cadeia, ficava localizada na avenida principal, tendo como xerife Clark Benson. Um velho de cabelos grisalhos e rosto enrugado pelos anos de trabalho duro debaixo do sol escaldante do Texas. A igreja cristã bem construída com madeira maciça pintada de branco, e com uma cruz no alto, ficava no centro da cidade, envolta por um jardim florido e bem cuidado. O hospital recém reformado, ficava em terreno mais elevado ao sul de Lafayette, assim como o cemitério.Donovan não confiava em bancos, e por isso, ele descontou o cheque e saiu
Laura acordou quando os primeiros raios de sol entraram no quarto, e o canto dos pássaros invadiu o aposento iluminado. Ela teve uma excelente noite de sono e se sentia disposta para tomar decisões importantes. A fazenda era tudo que restava da sua infância difícil, mas feliz com seus pais e o avô. Vendê-la, seria dar adeus a uma parte de si mesma, e ela precisava decidir se valia a pena deixar aquele pedaço do paraíso, para ir atrás do seu sonho em Nova Iorque.Na pequena cama de solteiro que ficava embaixo da janela, Laura suspirou e se virou. Ela quis ficar brava, mas não conteve um sorriso por Donovan ter escolhido dormir com ela, quando poderia ter dormido confortavelmente em outra cama.Só de cueca samba canção branca, ele dormia com o cotoco de braço na sua cintura. Sem poder se conter, Laura deslizou a mão pelo bíceps musculoso do texano até acariciar sua barba, e a lateral direita da sua cabeça raspada. Sem cerimônia, ela afastou uma mecha do cabelo castanho escuro de Donov
Em silêncio, Donovan seguiu Laura para casa, sabendo que tinha cometido um erro grave ao não defender Liam. A nova-iorquina tinha um coração tão grande quanto sua língua, e ele teria que ser mais cuidadoso para não ficar sem a sua bocetinha preta e gostosa.Só de imaginar seu pau entrando em Laura, Donovan gemeu alto de prazer e viu ela se virar para trás. Ele sorriu, e em seguida, levou o cotoco de braço no peito e fez uma careta de dor.- Eu preciso de outro curativo.Laura cruzou os braços e disse séria:- Você não precisa de outro curativo porque eu já fiz depois do banho. O que você precisa é de humanidade.Donovan franziu a testa.- Isso aqui é o oeste selvagem, Laura. Nas terras do Brooklyn, quem manda é ele. A nova-iorquina desdenhou olhando para o rosto bonito do texano que era uma máscara de dor.- Eu pensei que você fazia as suas leis. Mas não, você só faz o que lhe convém e não se importa com ninguém. - Eu não sei o que você queria que eu fizesse. Você não viu o ódio nos







