De Joelhos Por Ela: O Retorno Da Luna Rejeitada

De Joelhos Por Ela: O Retorno Da Luna Rejeitada

last updateLast Updated : 2026-10-22
By:  Priscila Ozilio Updated just now
Language: Portuguese
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​Ser rejeitada pelo companheiro destinado diante de toda a alcateia deveria ter destruído Nayra. Mas, no momento em que encarou Kael, o herdeiro Alfa que sempre a desprezou, e disse: “Eu, Nayra Storm, aceito a sua rejeição.” Algo impossível aconteceu. O vínculo entre eles se rompeu. E Kael caiu de joelhos. Três anos depois, Nayra não é mais a órfã frágil que todos humilharam. Longe da alcateia, ela se tornou uma mulher forte, inalcançável… e determinada a nunca mais se curvar por ninguém. Até o passado bater à sua porta. Alfa Aldric, o pai de seu antigo companheiro, traz a notícia: Beta Erik, o homem que a criou e acolheu, está morrendo, e apenas os melhores curandeiros podem salvá-lo. Mas junto com a notícia, vem a proposta: “Ele será salvo. Em troca, você retornará para a alcateia e assumirá o lugar de Luna temporária ao lado de Kael.” Nayra sabe que aquilo é uma armadilha. Sabe que voltar significa encarar o homem que destruiu seu coração. Mas assina o contrato mesmo assim. O que ela não esperava era descobrir que alguns vínculos nunca desaparecem por completo… e que Kael está disposto a lutar por ela tarde demais. Entre orgulho, desejo e segredos capazes de abalar a alcateia, Nayra precisará decidir se o amor merece uma segunda chance… ou se certas feridas nasceram para nunca cicatrizar. “Você ainda é minha Luna, seja por contrato ou ligada à minha alma.” Kael fechou a distância entre nós e concluiu: “E é por isso que eu digo… você não irá a lugar nenhum, Luna.”

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Chapter 1

Capítulo 1 — Descobrindo o destino 

Capítulo 1 — Descobrindo o destino 

Nayra

Eu aprendi cedo que existem dois tipos de invisibilidade.

A primeira é quando ninguém te vê. A segunda, e essa é a que dói de verdade, é quando uma pessoa específica decide que você não existe.

Kael Aldric havia me escolhido para a segunda categoria aos meus quinze anos, e desde então cumpria esse papel com uma dedicação que eu teria admirado se não fosse o alvo.

Aconteceu no treino de combate. Eu havia derrubado Sena, filha de um guerreiro, um ano mais velha, que havia passado os últimos dois meses me dizendo em voz alta que órfãs sem linhagem não deveriam ocupar espaço no campo de treino.

Quando ela bateu no chão e ficou lá, o campo inteiro ficou quieto.

Eu estava ofegante, mão estendida para ajudá-la a levantar, quando ouvi a voz dele atrás de mim.

— Sena. — Kael passou por mim como se eu fosse parte do cenário. Foi até ela, ajudou a levantar com uma mão. — Você está bem?

— Estou — murmurou ela, vermelha.

— Bom treino. — Ele olhou para o restante do campo. — Todo mundo, de novo desde o início.

E foi embora.

Passou por mim de volta sem um olhar. Sem um comentário. Sem nada. Como se eu não tivesse acabado de derrubar alguém que me dobrava em tamanho. Como se eu simplesmente não estivesse lá.

Dorian, seu melhor amigo, e também seu Beta, me olhou por um segundo com algo que poderia ter sido desconforto. Depois seguiu o Kael. Eu abaixei a mão que ainda estava estendida para Sena.

— Órfãzinha conseguiu um truque. — disse ela, sacudindo a poeira da roupa. — Não confunde truque com talento.

Não respondi. Aprendi que responder custava mais do que valia.

Saí dessa lembrança e voltei para o meu presente. Era hoje, meu aniversário de dezoito anos, e eu estava na frente do espelho rachado do banheiro tentando convencer meu coração a se comportar.

— Nayra! — A voz de Erik veio de baixo. — O café vai esfriar!

— Já vou! — gritei

Olhei para o meu reflexo mais uma vez. Hoje minha loba despertava. Hoje eu descobriria meu destinado. 

Faz três anos que carrego em silêncio o que sinto por Kael, o homem que nunca me viu, e se viu, fez questão de me ignorar. Mas alguma parte idiota e incurável de mim ainda acordava com a esperança de que a Deusa tivesse senso de humor. “Para”,  eu disse para essa parte. Mas ela não parou. Nunca parava.

Desci as escadas correndo e parei na porta da cozinha. 

— Você está nervosa — disse Erik, sem desviar o olhar do fogão.

— Não estou.

— Está mexendo no cabelo. — falou com aquela certeza irritante. 

Larguei o cabelo imediatamente. Erik sorriu de costas para mim, eu sabia, sem ver, porque os ombros dele mudavam quando ele sorria.

— Já disse. — mantive a voz firme. — Não estou. — respondi e caminhei em direção a mesa.

— É normal — disse ele. — Sua mãe ficou nervosa também.

Eu travei no lugar, como se meus pés fossem de chumbo e eu não pudesse caminhar. Ele raramente mencionava a companheira que havia perdido. Quando mencionava era sempre assim, de lado, suave, como quem toca numa ferida que cicatrizou mas ainda tem sensibilidade.

— Você ficou nervoso também? — perguntei e finalmente consegui andar novamente, puxei a cadeira e me sentei à mesa. 

— Fiquei apavorado. — Ele se virou pra mim, pôs o prato na minha frente e sentou. — Mas não conta. — respondeu com aquele tom de Beta inabalável, e eu sorri.

Olhei para ele, para as mãos grandes, para os cabelos que começavam a ter fios brancos nas têmporas, para o homem que não era obrigado a nada e havia escolhido tudo, e senti aquele aperto familiar no peito.

Ele não era meu pai de sangue. Era meu pai de escolha. E isso, descobri ao longo de dezoito anos, que era uma coisa infinitamente rara. Mas ele fez ser real. Fez ser a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

— Erik — eu disse e ele me encarou. — Independente do que acontecer hoje à noite… 

— Eu sei — ele disse, antes que eu terminasse.

— Eu precisava falar mesmo assim.

— Eu sei disso também. — respondeu mantendo os olhos nos meus.

Ficamos em silêncio por um momento. O tipo de silêncio que só existe entre pessoas que não precisam preencher o espaço.

Depois ele se levantou, veio até mim, e beijou o topo da minha cabeça como fazia desde que eu tinha cinco anos.

— Come logo. — disse, voltando para a pia. — Vai ser uma noite longa.

Assenti, e naquele instante nem eu, nem ele tínhamos ideia do quanto estava certo.

O resto do dia passou num borrão. A noite chegou. O salão principal da Alcateia Véu das Cinzas comportava trezentas pessoas. E nesta noite ele estava cheio, todos estavam aqui.

Eu me posicionei onde me disseram para ficar, centro do salão, círculo de iniciação, pedra fria sob os pés descalços porque a tradição exigia contato com a terra. Sabia o ritual de cor. Havia assistido outros o suficiente.

Mas nenhum havia sido o meu. Alfa Aldric falou as palavras. A alcateia respondeu. Eu fechei os olhos, e então…

A loba despertou.

Não há comparação para isso. É o tipo de coisa que você só entende quando vive, algo adormecido dentro do peito abrindo os olhos de uma vez, enorme e quieto, e absolutamente certo de si mesmo. 

Minha loba era escura. Eu senti a cor dela antes de qualquer outra coisa. E era grande, maior do que eu esperava, maior do que fazia sentido para alguém sem linhagem conhecida.

Ela virou. Sentiu o fio. Seguiu. Meus olhos abriram no exato momento em que encontraram os dele.

Kael Aldric estava me olhando.

Pela primeira vez em três anos, ele me olhava de verdade, sem passar por cima, sem atravessar, ele… ele estava me olhando. E o fio entre nós pulsou com uma força que me tirou o ar.

“Não”, pensei imediatamente. “Não pode ser ele”.

Mas a loba dentro de mim não estava pedindo minha opinião. Vi no exato segundo em que ele também soube. Não foi suave, foi como ver alguém receber uma notícia que não quer. Os ombros, a mandíbula, o piscar lento de quem acabou de tomar uma decisão.

Meu estômago afundou. Ele já se decidiu. Não sabia como sabia. Eu só… sabia.

Alfa Aldric ainda falava quando Kael se moveu. Atravessou o salão sem pressa. Parou no centro, a dois metros de mim, e me olhou com a expressão de alguém organizando um problema logístico.

O salão inteiro prestava atenção.

— Nayra. — a voz dele era neutra. Pior do que se fosse fria. Neutra significava que isso não custava nada para ele. — Eu sei o que o vínculo diz. — Kael manteve os olhos nos meus, e disse com uma certeza que rasgou a minha alma.

—  E minha resposta é NÃO.

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Samanta Ribeiro
Samanta Ribeiro
O primeiro livro de lobinhos que vou ler, sucesso Pri!
2026-10-23 02:16:56
2
0
Tamires Coelho
Tamires Coelho
Que seja um sucesso, Pri. Estou sempre na torcida por ti. ...️...️
2026-10-22 22:53:17
2
1
Alynne Pereira
Alynne Pereira
A história promete, nossa autora maravilhosa que não deixa nada a desejar
2026-10-22 21:07:47
2
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Erika Amano
Erika Amano
Mais um sucessooo!!!
2026-10-22 19:12:17
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