FAZER LOGINEm uma praia, uma jovem corria a brincar com a sua filha a beira do mar, ao longe um homem a olhava sorrindo, lhe acenando. Depois de mais uma ida à água, ela convence a filha de descansarem um pouco. A pegando no colo para que a criança não queimasse os seus delicados pés na areia escaldante, ela corre até o homem.
A jovem coloca a filha de pé sobre uma cadeira e a seca, lhe passando mais protetor depois de seca.— Passou mais protetor em Aurora? — A jovem pergunta ao homem olhando para a outra criança que lhe sorria.— Não se preocupe, ela já está branca de tanto protetor que passei — O homem responde rindo — E essa levada, não se cansa de brincar não?— Ágata tem energia para dar e vender — A jovem responde rindo — Mas agora acho melhor arrumar os nossas coisas e voltarmos para casa, Aurora não pode se esforçar muito.— Mamãe, eu não tô cansada. — Aurora se defende.— Não está não bebê? — A jovem beija o rostinho de Aurora — Mas você precisa estar bem descansada, amanhã é o aniversário de vocês, e tenho certeza que vai querer se divertir.— Mamãe, o papai vai vir no versário?— O seu papai está viajando e a mamãe não sabe quando ele vai voltar.— Mamãe...— Oi filha — Helena olha para a filha que estava no colo do avô.— O papai vem no versário — Aurora responde rindo, mas até o seu sorriso parecia ser frágil — Eu quero o papai no meu versário.— Helena, talvez esteja na hora de procurar o pai delas — Bernardo, pai de Helena, se intromete na conversa mãe e filha.— Ainda não papai, ainda não me sinto preparada — Helena responde pondo uma roupa seca nas filhas.Bernardo, faz graça para Aurora, a fazendo sorrir, e isso deixa Helena com o coração apertado, pois ela não sabia quanto tempo de vida Aurora tinha, como os médicos disseram, ela podia viver um ou dez anos, a cirurgia era muito arriscada, por ela ser muito frágil, e acreditavam que não fosse capaz de suportar o procedimento.Helena morava com o pai e as duas filhas, engravidou do homem que amava, mas que sempre a rejeitou, por isso ao descobrir a gravidez preferiu não lhe contar, não seria acusada de ter engravidado de propósito.Helena morou com o pai, desde que ele se divorciou, sempre se deram bem e eram muito amigos, e a única coisa que Bernardo não sabia, era o nome do pai das suas netas, Helena nunca falou sobre ele, apenas lhe garantiu que era um homem de carater e se soubesse das filhas as assumiria com certeza.O seu pai trabalhava com móveis planejados, não eram ricos, mas tinham uma vida estável, nada lhes faltavam. Helena trabalhava fazendo bolos e doces especiais, era formada em nutrição e fazia sobremesas para pessoas que faziam dieta, trabalhava de casa e só saia para fazer as entregas, isso para não ficar longe das filhas, principalmente Aurora, que lhe enchia de preocupação.Bernardo era um bom pai, sempre procurou dar o de melhor para a filha, dentro de suas possibilidades, ele só não esperava que Helena fosse voltar da casa da tia, com quem morou alguns anos, grávida, e muito menos que desse a luz a duas meninas e uma delas com sérios problemas de saúde.Aurora havia nascido com cardiopatia congênita, uma má formação no coração, a princípio o tratamento podia ser feito sem a necessidade de cirurgia, mas o caso se complicou e só mesmo uma cirurgia para resolver o problema, mas era muito arriscado submetê-la a tal procedimento, por isso, Helena preferiu continuar a tratando com medicações.Bernardo não se cansava de aconselhar a filha a procurar o pai das crianças, ele não achava certo esconder dele sobre as meninas, principalmente por Aurora ter problemas de saúde, Bernardo alegava que ele tinha o direito de saber.Um dia quando Aurora foi hospitalizada, Helena deixou escapar que não usaria as filhas para obrigar o pai a ficar com ela, pois ela acreditava que assim seria, por ele sempre querer fazer o que era certo, segundo a opinião dele. Por mais que pensasse, Bernardo não conseguia imaginar quem fosse o pai, mas Aurora provavelmente se parecia com ele, olhos verdes e cílios longos, mas ele não conhecia nenhum amigo de Helena com aqueles traços.— Vamos! Aurora já está querendo dormir.— Sim, ela deve estar cansada. — Ele havia deixado ela brincar um pouco sem se esforçar muito, o coração dele doía ao ver a neta sem poder fazer o que a irmã fazia.Quando eles chegam em casa, Soraia, a irmã mais velha de Bernardo os esperava.— Tia, que bom que a senhora veio.— Não iria perder o aniversário das minhas netas por nada — Ela logo pega Aurora no colo, mas ela já estava dormindo. — Você não sabe quem esteve lá em casa te procurando novamente.— Quem?— Murilo, afinal vocês viviam feito carne e unha — Soraia olha sem sorrir para a sobrinha — O tio dele está noivo — Helena abaixa a cabeça mas não a tempo de esconder a tristeza no olhar.— Parabéns para ele.Soraia olha para o irmão que se afastou levando as coisas que haviam levado para a praia.— Helena ele tem o direito de saber. As meninas precisam de um pai.— Elas já tem, o meu, que é como um pai para elas.— Me dê Aurora, vou leva-la para o quarto e depois irei tomar um banho — Bernardo chega interrompendo a conversa.— Não disse, elas não poderiam ter um pai melhor.— Me desculpe filha, sabe que eu a amo, mas não é certo o que faz com o seu pai. Bernardo é um homem bonito e tem o direito de encontrar alguém.— Claro que tem, mas imagine se eu fosse embora com as meninas, ele ficaria só.— Sabe que não é bem assim, seu pai passou três anos sozinho, enquanto você morava lá em casa e não morreu por causa disso. Além disso, bonito como é não ficaria sozinho por muito tempo.— Nunca o impedi de encontrar alguém, até o incentivo a encontrar uma namorada — Helena se defende .— Você acha mesmo que o seu pai vai deixar de estar em casa com as meninas, principalmente Aurora, que o faz viver com o coração na mão, para ir em um jantar romântico? — Soraia balança a cabeça — Eu duvido muito.— Se eu procurar Fernando ele vai se achar na obrigação de nos assumir, eu estou com 20 anos agora, na cabeça dele sou muito nova para ele, mas mesmo assim, vai achar que deve me assumir por causa das filhas, e eu não quero isso, ainda mais agora com ele noivo.— Não pense apenas em você, pense nas meninas, elas tem o direito de conhecer o pai, se fez burrada ao seduzi-lo, como você mesma diz, não faça as suas filhas pagarem pelo seu erro. Procure por ele e lhe conte sobre as meninas.Helena não responde, sabe que a tia tem razão, mas ela não tem coragem de procurar Fernando, ainda podia se lembrar das palavras que ele lhe disse pela manhã ao acordarem juntos no quarto dele. Naquela manhã ela jurou esquecê-lo, e até tentou, mas não conseguiu tal coisa.Helena estava com Júlia e Ágata no quarto, Aurora e Bernardo estavam com o pai as esperando na sala.— Anda Ágata, você vai atrasar a sua irmã. — Helena apressa a filha que estava acabando de se arrumar.— Espera mamãe, já estou acabando, só falta um batom e pronto, estou pronta e linda.— Quem vai se apresentar é Aurora e não você que nem dançar sabe.— Falou a dançarina formada. — Ágata debocha da irmã que era uma das melhores alunas de balé — Não vou ser dançarina e muito menos cantora, vou ser empresaria, vou ser a sucessora do papai.— Parabéns, eu ainda nem sei o que eu quero ser quando crescer, sou muito criança para pensar nisso.— Chega vocês duas, e vamos que o pai de vocês está nos esperando!Ágata vestia uma calça jogge branca e calçava tênis e usava uma t-shirt com flores aplicadas, usava os cabelos longos presos em um rabo de cavalo e uma maquiagem básica que a mãe deixava usar, nada de exageros. Julia vestia um vestido florido até os joelhos e nos pés uma sandália bran
Aos poucos Fernando e Helena conseguiram amenizar o ciúme de Aurora, eles tinham o cuidado de incluí-la nos cuidados com os recém nascidos, que cresciam fortes e saudáveis com as irmãs maiores sempre por perto.Ágata quando chegava da escolinha corria para o banheiro, pois a mãe só deixava ela brincar com eles depois do banho, e assim ela não queria perder tempo, um dia Helena a encontrou puxando Bernardo pelas pernas que ria balançando os bracinhos. Aurora mais os vigiava, colocando a chupeta na boca quando eles choravam ou mesmo cantando para eles se acalmarem como ela dizia, mas Ágata se pudesse os arrastava para brincar com ela.Quando eles conseguiram sentar, Ágata já queria que eles ficassem de pé para andar. Ela brincava de bola com Bernardo, jogando para ele e o ensinando a jogar de volta, mesmo que ele não tivesse senso de direção ainda, ela também brincava de jogos de montar com Júlia que mais desmontava do que montava, e quando Ágata cansava de brincar "sozinha" ela chamava
Helena ainda falava quando sente uma pontada aguda em baixo da barriga, a fazendo soltar um gemido e mais uma vez ela puxa o ar e solta pela boca, mas antes que ela se recupere, sente outra pontada, e outra e outra.— Tia, as contrações. — Fala controlando a respiração como a médica tinha lhe ensinado.— Sente-se aqui, vou chamar Fernando.Mas antes que Helena consiga se sentar, sente uma água descer por suas pernas a deixando apavorada, pois ela sabia o que era, com Ágata e Aurora não foi assim, pois ela as teve cesariana.— Tia, os bebês, eles vão nascer, a bolsa estorou.— Ai meu Deus!!! FERNANDO, FERNANDO!!!!— Soraia grita e não apenas Fernando aparece, mas todos que estavam na casa.Fernando deu um salto ao ouvir Soraia gritando, pensou que Helena tivesse caído ou algo assim. Ao saberem o que estava acontecendo, cria-se um alvoroço e Helena permanece ali se apoiando na parede. Ana pega Ágata e Aurora pelas mãos e sobe com elas para o quarto, com Ágata reclamando que não queria ir
Helena pensou que após os primeiros meses de gravidez os desconfortos acabassem, assim como foi na gravidez de Aurora e Ágata, mas estava enganada. Os meses se passaram e pouca coisa mudou, isso sem falar na preocupação que ainda tinha dentro dela, mesmo a médica dizendo que as crianças nasceriam saudáveis, Helena continuava sentindo muito medo, afinal só soube do problema de Aurora quando ela nasceu, sua preocupação era tão grande que a fazia ter pesadelos, mas Fernando sempre a confortava, tentando convencê-la de que daria tudo certo.Ana agora era quem buscava as gêmeas na escolinha, e ficava com elas até Fernando chegar, mas sempre na companhia de Helena, que mesmo remando com o seu barrigão não deixava de dar atenção as filhas. Aurora não sentia muito ciúmes da mãe com os bebês, o problema dela era quando via o pai falando com eles, ou mesmo fazendo carinho na barriga de Helena, ela chegava a agir como Ágata quando estava irritada, gritando e chorando, mas era Fernando a pegar no
Helena estava em sua loja mudando o cardápio, iria acrescentar algumas novidades, doces que ela mesma havia criado mas que engordavam, isso a pedido de alguns clientes que frequentavam a doceria pois, alguns frequentadores tinham problemas de baixo açúcar no sangue e esses precisavam aumentar a glicose e ela não podia deixar de agradar a todos. Estava em seu escritório trabalhando quando recebe uma ligação do pai.— Oi papai.— Filha, é Benicio.— Nasceu?— Estou no hospital.— Benicio nasceu? — Helena insiste com a pergunta.— Sim, ele nasceu, Benicio nasceu.— Parabéns papai!!!— Bernardo estava tão feliz que foi difícil Helena entender a princípio, se tinha nascido ou se ia nascer — Como está Camila?— Ela está bem, o parto foi normal, sofreu um pouco, mas agora ela está bem e Benicio é muito lindo.— Então parece com o senhor — Helena o responde rindo.— Camila também disse que ele se parece comigo. — Bernardo estava tão feliz que era impossível não perceber que ele sorria enquanto
Helena não queria acreditar no que a médica lhes dizia, um pavor toma conta dela, tudo o que conseguia pensar era um outro filho com o mesmo problema de Aurora, começou a se sentir irresponsável e quis acreditar que a médica estivesse brincando.— Está brincando, não é doutora? Claro que é brincadeira, só porque sabe que já temos as gêmeas. — Se forçava a rir mesmo com a voz embargada pela vontade de chorar que sentia.— Helena, eu não estou brincando, você está grávida novamente de gêmeos. — Helena começa a chorar, só consegue se lembrar de tudo o que passou com Aurora, e se dessa vez não tivessem tanta sorte e o seu bebê não sobrevivesse.— Amor, não fica assim...— E se... e se... — Helena soluça, virando o rosto para a parede — E se um deles não for saudável?— Helena, ter um filho com cardiopatia congênita, não significa que os outros filhos terão o mesmo problema — A médica tenta a tranquilizar — Tente ficar calma.As palavras da médica de nada adiantaram, Helena saiu do consult







