MasukDante chegou ao escritório naquela manhã mais cedo do que o habitual.A conversa com o pai havia ficado em sua cabeça durante toda a noite.Augusto queria que ele assumisse oficialmente uma nova posição dentro do grupo empresarial.Não seria apenas uma promoção.Dante passaria a participar diretamente de decisões que envolviam várias empresas da família, representando o grupo em viagens, reuniões e negociações importantes.Era o tipo de oportunidade que poderia mudar sua carreira.Mas havia uma condição.Durante os primeiros meses, ele precisaria estar disponível para viagens frequentes.Dante entrou na sala do pai e encontrou Augusto sentado diante de alguns documentos."Pode entrar."Dante fechou a porta."Você queria falar comigo.""Queria."Augusto apontou para a cadeira."Leia."Dante pegou os documentos.Passou os olhos pelas primeiras páginas.As responsabilidades eram maiores.A remuneração também.A posição lhe daria autonomia para conduzir projetos importantes.Mas a agenda
Valentina permaneceu alguns segundos olhando para a tela do celular.A mensagem da mãe não saía de sua cabeça."Descobri algo sobre a família de Dante que acho que você deveria saber."A frase poderia significar muitas coisas, mas Valentina se recusava a imaginar o pior.Já havia aprendido que nem todo assunto precisava se transformar em ameaça.Ainda assim, havia uma sensação de inquietação.Ela olhou para Dante, adormecido no sofá.Depois voltou a atenção para o telefone."Pode me contar."A resposta demorou alguns minutos."É melhor pessoalmente."Valentina franziu a testa."Então venha aqui."A mãe respondeu que estaria lá em pouco tempo.Valentina guardou o aparelho.Não queria acordar Dante antes que fosse necessário. Ele havia dormido pouco no hospital e precisava daquele descanso.Foi até a cozinha, preparou um café e organizou algumas coisas pela casa.Quando ouviu a campainha, olhou para o sofá.Dante continuava dormindo.Valentina abriu a porta.Sua mãe entrou acompanhada d
Dante dirigiu em silêncio até o hospital.Não era o mesmo silêncio tranquilo das noites em casa.Havia tensão no modo como segurava o volante, e Valentina percebeu que ele tentava controlar a preocupação para não deixá-la ainda mais nervosa.Ela colocou a mão sobre a dele."Vai ficar tudo bem."Dante olhou rapidamente para ela."Espero.""Seu pai é forte.""Eu sei."Ele apertou os dedos dela."Mas ouvir que ele passou mal e não estar por perto..."Valentina entendeu.Ela também conhecia aquela sensação.Era o medo de receber uma notícia ruim sobre alguém que amava."Você está fazendo a coisa certa indo até ele."Dante assentiu.Poucos minutos depois, chegaram ao hospital.Sofia estava esperando na recepção.Assim que viu o irmão, correu até ele."Finalmente."Dante se aproximou."O que aconteceu?""Ele estava em casa. Sentiu uma tontura, disse que estava bem e depois desmaiou."Valentina sentiu o coração apertar."E agora?""Os médicos estão fazendo alguns exames."Dante olhou para a
A dor voltou.Dessa vez, Valentina não conseguiu ignorá-la.Estava sentada no jardim, encostada no ombro de Dante, quando sentiu o abdômen endurecer.No início, foi apenas uma pressão.Depois veio uma cólica curta, profunda, que fez seu corpo inteiro ficar tenso.Ela levou a mão à barriga.Dante percebeu imediatamente."O que foi?"Valentina respirou devagar."De novo."Ele se endireitou."Agora?"Ela assentiu.A sensação desapareceu depois de alguns segundos.Valentina soltou o ar."Passou."Dante continuou olhando para ela."Está doendo?""Um pouco."Ele ficou sério."Vamos entrar."Valentina tentou sorrir."Não precisa fazer essa cara.""Que cara?""Essa de quem está imaginando todas as coisas ruins possíveis."Dante não respondeu.Levantou-se e estendeu a mão.Ela aceitou.Entraram na casa.Valentina sentou-se no sofá enquanto Dante buscava água."Talvez seja só cansaço", ela disse."Pode ser."Ele entregou o copo."Mas não vamos ignorar."Ela tomou um gole."Estou bem."Dante se
Os dias passaram com uma velocidade que Valentina ainda não conseguia acompanhar.Desde a mudança para a nova casa, sua vida parecia ter adquirido um ritmo próprio.As manhãs começavam com café ao lado de Dante, seguiam com trabalho, consultas, pequenas compras para o bebê e noites tranquilas em casa.Havia problemas, claro.Cansaço.Algumas discussões bobas.Diferenças de opinião sobre decoração, horários e até sobre qual seria o melhor lugar para colocar o berço.Mas eram problemas diferentes daqueles que Valentina conhecera no casamento anterior.Nenhuma discussão terminava em silêncio prolongado.Nenhum desentendimento fazia com que ela questionasse seu valor.Dante havia cumprido a promessa que fizera.Quando alguma coisa incomodava, os dois conversavam.E, aos poucos, Valentina percebia que talvez fosse justamente isso que tornava um casamento verdadeiro.Não a ausência de conflitos.Mas a segurança de saber que o amor continuava ali depois deles.Naquela manhã, Valentina estava
Valentina passou boa parte da tarde olhando para o envelope sobre a mesa.Não havia dúvida de que aquilo tinha sido feito para provocar.A frase escrita à mão continuava diante dela:"Existem coisas sobre Dante que talvez sua esposa ainda não saiba."Ela poderia simplesmente jogar o convite fora.Poderia ligar para Dante e perguntar imediatamente.Mas decidiu fazer algo diferente.Guardou o envelope na bolsa e esperou.Quando o marido chegou em casa, encontrou Valentina na sala, folheando alguns documentos."Boa noite.""Boa noite."Dante deixou as chaves sobre o móvel."Como foi seu dia?""Normal."Ele percebeu a bolsa sobre o sofá."Você saiu?""Não.""Então por que está com ela?"Valentina respirou fundo e pegou o envelope."Recebi isso hoje."Dante reconheceu o convite assim que o viu.Seu semblante mudou."Quem entregou?""Não sei."Ele abriu.Leu a frase.A expressão tranquila desapareceu."Foi Helena.""Você tem certeza?""Tenho."Valentina observou-o."Ela quer me provocar?""







