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Capítulo 84: Trégua Forçada

last update publish date: 2026-10-06 23:49:24

O carro preto subiu a estrada sinuosa por quase quarenta minutos antes de finalmente desacelerar diante de um portão de ferro forjado que se abriu silenciosamente. A cabana surgiu entre as árvores como uma visão saída de um sonho alpino: vidro e madeira de carvalho escuro se fundindo com a paisagem, uma arquitetura moderna que parecia abraçar o lago cristalino aos seus pés. Montanhas verde-escuras se erguiam ao redor, cobertas por uma neblina matinal que dava ao lugar uma atmosfera de isolament
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  • Depois Daquela Noite   Capítulo 84: Trégua Forçada

    O carro preto subiu a estrada sinuosa por quase quarenta minutos antes de finalmente desacelerar diante de um portão de ferro forjado que se abriu silenciosamente. A cabana surgiu entre as árvores como uma visão saída de um sonho alpino: vidro e madeira de carvalho escuro se fundindo com a paisagem, uma arquitetura moderna que parecia abraçar o lago cristalino aos seus pés. Montanhas verde-escuras se erguiam ao redor, cobertas por uma neblina matinal que dava ao lugar uma atmosfera de isolamento absoluto.Cecília saltou do carro antes mesmo que Márcio desligasse o motor. Seus olhos percorreram a fachada de vidro, a lareira gigante de pedra que se avistava através das janelas, o deque de madeira que se estendia sobre a água parada. Ela quase deu pulinhos de felicidade, o vermelho das bochechas por conta do frio contrastando com o brilho nos olhos:— Isto é... — ela murmurou, virando-se para Márcio com um sorriso que ele não via há dias. — Isto é incrível.Márcio pegou uma das malas del

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    O apartamento de Cecília em Edimburgo estava uma bagunça controlada. A mala aberta sobre a cama acumulava peças de roupa que ela dobrava com pressa, os movimentos bruscos contrastando com a barriga que já começava a pesar. Um funcionário uniformizado esperava no corredor, as mãos cruzadas à frente do corpo, pronto para levar as malas até o carro.— Só mais um minuto — Cecília disse, sem olhar para ele, os dedos percorrendo as dobras de uma blusa que ela insistia em alisar.Ela terminou de fechar o zíper da mala com um puxão seco e, por um momento, ficou parada, as mãos apoiadas na cintura. O corpo pedia um alongamento depois de tanto tempo curvada sobre as roupas. Ela ergueu os braços acima da cabeça, sentindo os músculos das costas se esticarem, e então, distraidamente, deixou a mão direita descer até a barriga. Os dedos tocaram o tecido esticado da blusa, e ela fez um movimento circular, quase inconsciente, sobre o volume onde o bebê crescia.Márcio andava de um lado para o outro na

  • Depois Daquela Noite   Capítulo 82: Alvo na Mira

    Três dias depois, o fim de tarde em Londres vestia um cinza úmido que ameaçava chuva. Mariana e o Dr. Williams saíram pelas portas de vidro do hospital: — Juro que nunca vi um paciente tão obcecado pela própria próstata — Williams disse, balançando a cabeça, os olhos claros brilhando de humor. — Ele trouxe um gráfico. Um gráfico, Mariana. Com setas. Mariana riu, o som leve e sincero, enquanto ajustava a alça da bolsa no ombro: — Você devia ver o que eu atendo na obstetrícia. Semana passada, uma mulher quis discutir a posição do feto com base na astrologia. — Astrologia? — Williams ergueu as sobrancelhas. — E você levou a sério? — Levei. Ela estava nervosa, precisava de acolhimento, não de correção. Depois que a gente conversou, ela relaxou e o exame fluiu. Williams parou na esquina, virou-se para ela com um sorriso que carregava algo mais do que camaradagem. Por um instante, o olhar dele desceu até os lábios dela, mas ele se conteve, mantendo o tom leve: — Você é boa nisso, sa

  • Depois Daquela Noite   Capítulo 81: Peças no Tabuleiro

    A noite no apartamento de Cecília, a ampla cobertura em Edimburgo mantinha todo o contraste com a solidão que habitava ali dentro. A decoração sofisticada e os móveis caros pareciam frios sob a luz branda das luminárias, enquanto, na cozinha espaçosa, o som da faca batendo na tábua de corte era violento, ritmado pela raiva. Cecília picava cenouras com uma fúria que fazia os pedaços voarem para fora da tábua. O cabelo ruivo, despenteado, caía sobre o rosto ainda marcado por hematomas amarelados, vestígios da agressão de Mariana: — Já disse que não fui eu — ela cuspiu sem olhar para trás. — Mas ninguém vai acreditar, não é? Por que acreditaríam? A vilã da história, a manipuladora, a louca. Márcio estava parado na entrada da cozinha, o paletó dobrado sobre o braço, a camisa social malpassada. Ele parecia exausto, havia voltado correndo de Milão em um voo particular: — Eu só vim ver como você está. — Mentira. Você veio me interrogar. — A faca desceu com mais força, rachando um talo

  • Depois Daquela Noite   Capítulo 80: Sinais de Alerta

    Um mês depois, as ruas de Milão respiravam aquela atmosfera única do final da tarde, quando o sol se derramava dourado sobre as fachadas de pedra e os cafés começavam a acender as luzes. Márcio caminhava ao lado da filha, Louise, ambos com casacos leves e um sorvete de pistache nas mãos, as solas dos sapatos ecoando nas pedras irregulares da calçada. Márcio havia viajado até ali só para ver a filha, que estava cursando o último ano de medicina em Milão. Louise mordiscava a casquinha em silêncio, o olhar perdido entre os transeuntes e as vitrines iluminadas. O cabelo loiro, tão parecido com o da mãe, estava solto sobre os ombros, e ela usava um blazer azul-marinho por cima de uma blusa branca simples. O cansaço dos plantões da faculdade ainda marcava leve sombra sob os olhos, mas ali, ao lado do pai, parecia mais leve. Márcio respirou fundo, sentindo o gelado do sorvete na língua antes de falar: — Filha... Você ainda está muito chateada comigo? Pelo que eu disse naquela noite? Lou

  • Depois Daquela Noite   Capítulo 79: Reescrevendo a Rota

    Uma semana depois, o restaurante escolhido por Márcio era uma pequena casa de pedra nos arredores de Edimburgo, escondida entre colinas cobertas de vegetação rasteira, longe dos paparazzi que ainda insistiam em os perseguir. O salão interno tinha apenas seis mesas, todas vazias na hora do almoço, e uma lareira crepitava baixo no canto, espalhando um calor dourado pelo ambiente. Mariana estava sentada de frente para ele, o vestido azul-claro contrastando com a madeira escura da cadeira. Ela observou Márcio servir vinho para os dois, o movimento cuidadoso, os olhos evitando os dela por um momento antes de finalmente falar: — Como ela está? — Mariana perguntou, a voz baixa, os dedos girando a taça sem pressa. Márcio sabia que ela estava se referindo à megera da Cecília. Márcio apoiou os cotovelos na mesa, os ombros relaxando num suspiro longo: — Está bem. — Ele hesitou, os olhos castanhos encontrando os dela. — Fizemos um acordo. Uma pensão gorda, generosa, para ela e o bebê. Ela pa

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