FAZER LOGINPOV: Sebastian Carter A garrafa de uísque escocês de vinte e cinco anos repousava pela metade sobre a mesa de mogno do escritório da ala oeste. Eu não havia acendido as luzes principais; apenas a claridade difusa dos arranha-céus de Manhattan desenhava sombras longas no teto alto e iluminava o líquido âmbar na minha taça de cristal lapidado. Eram três da manhã. O silêncio do sexagésimo andar era sepulcral, quebrado unicamente pelo estalo ocasional do gelo derretendo no copo. Pela terceira vez naquela hora, fechei a mão livre em punho contra o tampo da mesa. A sensação da pele macia e febril de Olivia sob os meus dedos ainda ardia como uma queimadura de segundo grau na palma da minha mão. O gosto dela na minha boca, a curva indefesa de sua espinha desnudada pela seda esmeralda e o perfume de lírios que teimava em não sair do linho da minha camisa... tudo aquilo me enfurecia com uma intensidade irracional. Eu nunca perdia o controle. Eu era o homem que havia desmantelado fundos ab
POV: Olivia Bennett O último milímetro de ar entre as nossas bocas ardia como pólvora. A mão de Sebastian na minha bochecha não era mais a mão de um executivo assinando decretos; era fogo puro, uma pressão possessiva e firme que me mantinha suspensa no limiar de um abismo perigoso. O tecido do vestido esmeralda deslizara quase por completo pelos meus ombros, preso apenas pela curva dos meus braços e pela proximidade esmagadora do peito dele contra o meu. Eu podia sentir a rigidez de seu corpo, a pulsação estrondosa em seu pescoço e a respiração quente e entrecortada que roçava os meus lábios a cada fração de segundo. — Diga para eu parar, Olivia — a voz de Sebastian desceu rouca, áspera, um comando que soava quase como uma súplica disfarçada pelo orgulho daquele homem arrogante. — Diga que isso quebra a sua maldita cláusula de convivência e me mande para a outra ponta desta cobertura. Minhas mãos continuavam cravadas no antebraço dele, os nós dos meus dedos brancos pela fo
POV: Sebastian Carter A porta dupla da cobertura na Quinta Avenida fechou-se com o baque surdo da blindagem acústica, isolando o murmúrio da noite nova-iorquina do lado de fora. O silêncio do duplex desabou sobre nós dois, espesso e carregado por uma eletricidade estática quase palpável. Arthur e a escolta haviam ficado no subsolo; as luzes do hall estavam na intensidade mínima, desenhando sombras compridas pelos painéis de nogueira escura e refletindo o contorno sinuoso de Olivia contra os vidros monumentais da sala. Ela caminhou três passos à frente e parou no centro do tapete de seda crua. Com um suspiro trêmulo que parecia conter a exaustão de horas inteiras sustentando uma máscara diante dos leões de Wall Street, Olivia levou as mãos à nuca para soltar os grampos do coque. O cabelo loiro dourado caiu em ondas densas e desalinhadas sobre os ombros nus e sobre a linha profunda de suas costas, onde o fecho invisível do vestido esmeralda começava. — Foi um massacre — ela quebro
POV: Olivia Bennett O salão suntuoso do Metropolitan Club zumbia em um ritmo abafado de risos calculados e taças tilintando, mas o espaço ao nosso redor pareceu congelar em puro gelo. Victoria permanecia parada a um metro de distância, sustentando um sorriso felino enquanto os olhos de Damian faiscavam com uma expectativa sórdida. A tensão no braço de Sebastian ao redor da minha cintura era quase dolorosa, a mandíbula dele travada como a de um predador farejando uma armadilha rasteira. — Você continua previsível, Damian — Sebastian quebrou o silêncio com a voz gélida, o barítono cortando a pose de Victoria como uma lâmina fria. — Trazendo fantasmas do passado para tentar chamar a atenção do conselho. — Fantasmas? Ora, Sebastian, eu apenas achei que esta noite pedia reconciliações familiares — Damian zombou, dando um passo lateral e abrindo espaço na direção do corredor de acesso aos toaletes de luxo. — Mas se você acha que a presença da Victoria é uma surpresa desagradável, esper
POV: Olivia Bennett O espelho do closet da suíte leste refletia uma mulher que eu quase não reconhecia. O vestido de alta-costura em tom verde-esmeralda, de seda pesada, caía com uma precisão cirúrgica sobre o meu corpo. O decote ombro a ombro deixava à mostra a linha suave da minha clavícula, onde brilhava um colar de diamantes e esmeraldas colombianas retirado do cofre da família Carter. Meus cabelos loiros estavam presos em um coque clássico e polido, com algumas mechas soltas emoldurando meu rosto maquiado com elegância sutil. No meu dedo anelar esquerdo, o aro de platina pesava como uma algema invisível. A equipe de estilistas e maquiadores havia se retirado pontualmente às sete e quinze, deixando apenas o perfume caro pairando no ar. Passei no quarto de Nicholas antes de descer. Meu filho dormia serenamente sob o efeito suave do repouso pós-operatório, com a enfermeira Evelyn sentada ao lado do leito registrando os parâmetros estáveis no monitor. Aquele batimento rítmico
POV: Olivia BennettAlguns dias depois, o mundo que eu conhecia no Queens havia desaparecido tão completamente que parecia ter pertencido a outra vida. A transferência de Nicholas do Memorial Presbyterian para a cobertura de Sebastian, na Quinta Avenida, não fora uma simples alta hospitalar; fora uma operação logística de nível militar. Duas vans com vidros fumê escoltaram a ambulância particular até a entrada privativa do edifício. Repórteres com teleobjetivas potentes tentavam registrar qualquer vislumbre do herdeiro recém-revelado dos Carter, mas os guarda-chuvas pretos e os corpos largos dos seguranças da holding formaram uma muralha impenetrável do asfalto até o hall dos elevadores exclusivos. Quando as portas espelhadas da cabine privativa se abriram no sexagésimo andar, o ar parecia ter outra densidade. O duplex era um monumento ao minimalismo opulento e ao poder. Mármore cinza-claro, painéis de nogueira escura, obras de arte abstratas emolduradas com iluminação embutida e







