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Capítulo 56 — O Último Vínculo

last update Data de publicação: 2026-08-25 20:27:27

POV Elliot Parker

O silêncio no quarto voltou a se fechar como uma redoma de vidro, quebrado apenas pelo crepitar ritmado da lenha na lareira.

Mantive os olhos cravados nas vigas escuras do teto, as mãos entrelaçadas atrás da nuca e a respiração contida em um compasso rígido. Cada músculo do meu corpo parecia de chumbo. Eu queria a frieza dos meus balanços corporativos, o distanciamento aristocrático com que sempre venci qualquer adversário na City, mas a presença dela a três metros de di
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Último capítulo

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    POV Camille O calor dos dedos de Elliot sobre o dorso da minha mão permaneceu gravado na minha pele mesmo longos minutos após o tilintar do sino anunciar a sua saída da livraria. Fiquei imóvel atrás do balcão de mogno, encarando o documento timbrado do Alto Tribunal de Justiça de Londres. O carimbo em relevo e a assinatura do magistrado eram irrefutáveis. A blindagem fiduciária trancava os cartórios de Dorset a sete chaves, tornando qualquer busca de Vicente Lancaster por Helena Miller um beco sem saída burocrático e criminal. Elliot não havia negociado a minha paz por dez por cento de ações preferenciais. Ele havia montado uma ratoeira corporativa na capital e, ao mesmo tempo, colocado um escudo de aço sobre o teto do meu filho. A constatação derrubou o último pilar de ressentimento cego que eu sustentava para justificar o meu distanciamento. Elliot continuava sendo o homem implacável de Mayfair, capaz de mover montanhas financeiras com um estalar de dedos, mas toda aquela força

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    POV Elliot Parker A tela panorâmica do monitor na suíte executiva da estalagem exibia o mapa topográfico de Dorset dividido em quatro quadrantes de segurança. Harrison caminhava de um lado para o outro diante da mesa de trabalho, repassando os últimos relatórios criptografados enviados pela equipe de inteligência da Scotland Yard e pela divisão de segurança patrimonial da Parker Crown em Londres. — O inspetor Vance confirmou que Vicente Lancaster montou seu comitê provisório em uma residência particular em Kensington — Harrison relatou, a voz baixa e metódica. — As restrições da condicional impedem que ele deixe a Grande Londres sem autorização judicial prévia, mas nós rastreamos três pagamentos recentes emitidos por uma conta offshore em Genebra para uma agência de investigações sediada em Bristol. Pousei a caneca de café preto sobre o tampo de carvalho, mantendo os olhos cravados nas rotas que ligavam Bristol à costa de Dorset. — Qual é o alvo formal da contratação? — pergunte

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    POV Camille O som áspero do motor a diesel da caminhonete de Thomas quebrou a redoma de vidro que nos cercava naquele beco úmido. Puxei o rosto para trás em um movimento brusco, livrando-me das mãos quentes de Elliot antes que os faróis amarelos do veículo cortassem a névoa na esquina da viela de pedras. Meu coração batia tão forte na garganta que eu mal conseguia puxar o ar gélido da manhã para os pulmões. A caminhonete reduziu a marcha ao se aproximar, parando a poucos metros de nós com o motor ainda ligado em marcha lenta. O vidro do lado do motorista desceu devagar. Thomas estava ao volante, com o maxilar travado e os olhos verdes fuzilando a silhueta imponente de Elliot. O ex-executivo da City avaliou o meu rosto corado pelo vento, as marcas recentes de lágrimas sob os meus olhos e a proximidade perigosa entre nós dois antes de fixar toda a sua atenção em mim. — Bom dia, Helena — a voz de Thomas saiu firme, grave e deliberadamente audível, usando a identidade da vila como

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    POV Elliot Parker A tela do meu celular corporativo brilhava na penumbra do gabinete da estalagem, refletindo a resposta furiosa e desesperada de Camille: > "Ele não é seu. Ele é meu. Fique longe dele e nunca mais ouse mandar mensagens para este número." > Li a mensagem três vezes seguidas. Não havia surpresa naquelas palavras afiadas; era a reação instintiva de uma leoa acuada tentando proteger a sua cria a qualquer custo. Mas a negação veemente apenas confirmava o que eu já sabia desde o segundo em que olhei nos olhos de Leo no píer. Aquele garoto era o meu sangue. Era a extensão viva de nós dois, gerada no calor do nosso passado e escondida sob a bruma daquela falésia. Às seis da manhã, a névoa costeira cobria as ruas de Port Regis com uma cortina espessa e leitosa. Vesti um suéter preto de gola alta, calça escura e um casaco de lã pesada. Deixei o relatório de engenharia sobre a escrivaninha e saí da estalagem a passos firmes, sem avisar Harrison ou chamar o motorista. Eu

  • Depois do Divórcio, Casei com o Pior Inimigo do Meu Ex   Capítulo 74 — A Mensagem na Madrugada

    POV Camille O som da respiração ritmada e tranquila de Leo preenchia o pequeno quarto de madeira do chalé. Eu estava sentada na beirada da cama dele há mais de uma hora, acariciando os fios loiros e rebeldes espalhados pelo travesseiro, incapaz de afastar a sensação de terror que gelara a minha espinha no cais. Encontrá-lo sozinho no final daquele píer fora o suficiente para fazer o meu coração quase parar. A água escura da baía, as pedras pontiagudas logo abaixo e a fragilidade de um menino de quatro anos e meio brincando com cordas úmidas haviam reavivado todos os meus piores pesadelos. Leo apenas dissera que "um moço dos prédios muito legal" o ensinara a fazer um nó de marinheiro que não soltava nunca, exibindo orgulhoso a corda com o nó de oito perfeito antes de cair no sono após o jantar. Eu não precisava de nomes para saber quem era o homem do píer. Levantei-me devagar para não ranger as tábuas do piso, ajeitei o edredom sobre os ombrinhos do meu filho e deixei a porta entr

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    POV Elliot ParkerA névoa gélida que subia do canal de Dorset começava a se dissipar sob a luz pálida das quatro da tarde.Após três horas extenuantes de reunião na câmara municipal — onde aprovei os subsídios para as reformas das docas tradicionais e blindei o perímetro da marina contra as especulações de Vicente, recusei a carona do carro executivo. Precisava do ar salgado. Precisava da frieza cortante daquele vento marítimo para silenciar a fúria e o ressentimento que ainda queimavam dentro de mim desde o confronto com Camille.Caminhei sozinho pela margem de pedras das docas secundárias, um setor antigo e afastado onde os barcos de pesca de pequeno porte ficavam atracados para manutenção. As gaivotas sobrevoavam as amarras enferrujadas, e o som ritmado das marés batendo contra os pilares de madeira trazia uma sensação rara de calmaria.Foi quando um movimento no final do píer de madeira desativado chamou a minha atenção.Havia um menino sentado na beirada das tábuas, com as perna

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