INICIAR SESIÓNA reação da Rebeca já estava muito antes dentro das expectativas do Thiago.Afinal, se ele fosse pensar bem, a Melissa tinha acabado de sair da detenção. Ela era cruel, sim, mas a pessoa que ela mais odiava ainda deveria ser a Nina, que tinha roubado o marido dela, e não a Débora.Para que a Melissa virasse as armas diretamente contra a Débora, era quase certo que Rebeca tivesse colocado alguma ideia na cabeça dela.A paciência de Thiago estava quase se esgotando por completo por causa daquela mulher insistente.Ele falou em voz baixa, palavra por palavra, com um peso contido:— Rebeca, me diz uma coisa: afinal, o que é que você quer?— Você sabe muito bem o que eu quero. — A voz de Rebeca, de repente, amoleceu, assumindo um tom quase carente. — Você quer ver a Rafaela? Então venha. Você vem hoje à noite à minha casa, vem me ver. Eu estou com saudade de você.As juntas dos dedos de Thiago ficaram brancas de tanta força. O olhar dele escureceu de uma hora para outra, frio e carregado. Q
Eu me lembrava de ter avisado a Natália sobre a forma como a Melissa tratava a Rafaela. Em teoria, se ela aparecesse para buscar a menina, era impossível a Natália não me avisar antes.Do outro lado da linha, havia um barulho de fundo, e a voz de Natália soou surpresa:— Eu estou nas Maldivas com o Matias, acabei de entrar de férias. Você se acalma, está bem? Eu vou ligar para a professora agora mesmo e entender o que aconteceu.Depois que atendeu ao telefonema da Natália, a professora veio falar comigo, cheia de explicações:— Nós íamos, sim, confirmar tudo com você antes. Mas a Melissa disse que era a responsável legal da Rafaela e que, se nós não deixássemos ela levar a menina, ela chamaria a polícia. Ela falou que ia acusar a escola de manter a própria filha contra a vontade dela, que faria um escândalo... Nós ficamos sem saída. Tivemos medo de prejudicar as outras crianças e de acabar criando um problema sério para a escola.Eu sabia que, daquela vez, a Melissa tinha levado a Rafa
Rebeca estendeu um lenço de papel para ela e falou:— Você é a minha cunhada, e ainda é a minha melhor amiga. Se eu não cuidar de você, quem é que vai cuidar? Você vai primeiro lá para casa, vai tomar um banho decente e descansar um pouco.Melissa pegou o lenço, passou no rosto de qualquer jeito e franziu a testa com força:— Ou então nós já voltamos direto para a Cidade J. Eu não consigo ficar aqui nessa Cidade H horrível, isso me dá nojo!Rebeca virou um pouco o rosto, com um sorriso cheio de segundas intenções no canto da boca:— Voltar para a Cidade J, claro que você pode. Mas você quer voltar assim? Com cara de derrotada, fugindo de cabeça baixa? Você aguenta isso?Melissa levantou os olhos vermelhos, cheios de vasos rompidos, e encarou Rebeca com confusão e um resto de revolta:— O que você está querendo dizer com isso?— Primeiro nós vamos para a minha casa. — Rebeca respondeu, tirando o olhar dela e ligando o carro. — Depois eu explico tudo com calma.O carro entrou sem solavan
Thiago pigarreou de leve, caminhou até o lado da avó e falou:— Vó, a senhora não disse que, se eu conseguisse o perdão da Débora, eu podia voltar para casa?A senhora empurrou os óculos de grau mais para cima no nariz, voltou o olhar para mim e perguntou:— Débora, você perdoou ele mesmo? Não vai se sacrificar à toa, hein! Homem tem que ser colocado na linha de uma vez, senão ele não aprende nunca!— Vó, a senhora ainda é a minha avó mesmo? — Thiago resmungou, entre indignado e divertido.Eu me sentei ao lado dela no sofá e falei, suave:— Vó, eu perdoei ele.— Isso é porque você tem um coração enorme! — Dona Joana suspirou, deu umas batidinhas de carinho no dorso da minha mão e continuou. — Que mulher aguenta ver o próprio homem sair no tapa por causa de outra? Nem você, nem ninguém! Até eu fiquei com raiva. Esses dias, quando eu encontrei as minhas amigas, já teve gente querendo saber dessa história, dando voltinha no assunto.Thiago pegou um gomo da mexerica já descascada e levou a
A luz amarelada dos postes atravessava o vidro do carro e projetava sombras suaves no perfil marcado de Thiago.— A Rebeca sempre foi assim. — Ele começou, com calma. — Ela sempre foi egoísta, cheia de si, sem nunca pensar no que os outros sentem. Ela é filha única do Emanuel, só tem o Lorenzo como irmão mais velho. Desde pequena, tudo o que ela quis, ela conseguiu.Ele fez uma pausa e a boca dele se curvou num sorriso quase imperceptível, com um quê de autoironia:— Eu sou, provavelmente, a única coisa que ela nunca conseguiu ter. Por isso ela não consegue me esquecer.O meu peito apertou. O ar dentro do carro pareceu ficar mais pesado, carregado.Thiago continuou:— Ela sempre levou tudo ao extremo. Naquela época, fui eu que terminei. Não teve nenhum motivo específico, eu só senti que nós dois não combinávamos. Mas ela não aceitou, do mesmo jeito que está sendo agora. Ela começou a aparecer todos os dias, indo atrás de mim, insistindo. Naquele tempo, o George perseguia ela com força.
Quando tudo finalmente se acalmou, Thiago me manteve nos braços. Ele encostou o queixo no topo da minha cabeça e soltou um suspiro leve:— Não é à toa que dizem que mulher bonita demais sempre acaba virando o mundo de cabeça para baixo.Eu continuei enfiada no peito dele, o corpo inteiro ainda quente, a pele em brasa.Quando eu pensei no que tinha acabado de acontecer ali, dentro do escritório dele, o rosto voltou a pegar fogo. Eu tive vontade de enfiar a cabeça num buraco, eu mal conseguia levantar os olhos.Ele pareceu perceber o meu constrangimento. Ele apertou mais o abraço e começou a fazer um carinho lento nas minhas costas, com uma delicadeza que não combinava em nada com o jeito mandão dele.O cansaço ainda pesava em cada músculo quando o meu celular tocou de repente, estridente demais para o silêncio da sala. No visor, apareceu o nome da Eduarda.Na mesma hora eu lembrei que, naquela tarde, ainda tinha uma reunião marcada na empresa.O braço de Thiago continuava firme na minha







