Se connecterCAPÍTULO 118 — MAIS DO QUE ESPAÇOHelena percebeu que tinha cometido um erro no instante em que abriu o armário.— Valente.— Hum?— O que é isso?Ele apareceu atrás dela e observou as próprias roupas penduradas com absoluta tranquilidade.— Minhas coisas.— Eu estou vendo.Helena apontou.— Três ternos.— Tenho reuniões.— Cinco camisas.— Também tenho reuniões que exigem camisas.Ela virou o rosto devagar.— E dois pares de sapato.— Posso levar tudo de volta.Helena pegou uma das camisas.— Não foi isso que eu disse.Valente sorriu.— Então vou deixar.— Você está se aproveitando.— Estou apenas tentando não interferir enquanto você decide se gosta ou não das minhas roupas no seu armário.— Continua assim e eu jogo tudo pela janela.— Qual andar mesmo?Helena acabou rindo.Era irritante.E pior: ele sabia.***A descoberta dos meninos aconteceu no café da manhã.Como seria inevitável.Um deles entrou no quarto procurando o pai e retornou correndo.— MAMÃE!Helena nem precisou pergu
CAPÍTULO 117 — ESPERANDO EM CASAValente foi embora antes das sete.Dessa vez, Helena não sentiu o mesmo vazio da primeira despedida.Talvez porque soubesse que faltavam poucos dias.Talvez porque, antes de entrar no carro, ele tivesse beijado os meninos, beijado Helena e dito:— Vejo vocês em casa.E ela não corrigira.***Os dias seguintes foram intensos.Helena praticamente respirava o projeto.A apresentação final precisava provar que a estratégia funcionava não apenas em Portugal, mas poderia ser replicada em outros mercados europeus.Na véspera, Daniel entrou na sala e encontrou Helena diante de três telas.— Você pretende dormir?— Eventualmente.— Helena.— Daniel.— A apresentação está pronta.— Pode melhorar.— Tudo pode melhorar. Inclusive sua capacidade de parar.Ela riu.— Depois de amanhã eu paro.Daniel puxou uma cadeira.— Ansiosa para voltar?Helena continuou olhando para a tela.— Muito.— Pelos meninos?Ela finalmente olhou para ele.— Eles vão comigo.Daniel sorriu
CAPÍTULO 116 — QUANDO VOCÊ VOLTARNa manhã seguinte, Helena acordou com uma perna presa.Abriu os olhos.Valente dormia ao seu lado.Um braço estava sobre sua cintura.E uma das pernas dele praticamente a mantinha imóvel.— Valente.Nada.— Valente.Ele resmungou alguma coisa.— Você está me esmagando.— Impossível.Helena virou o rosto.— Você está acordado?— Agora estou.— Então sai de cima de mim.Valente abriu um olho.— Passei seis dias longe.— Isso não autoriza tentativa de homicídio.Ele finalmente se afastou.Helena sentou-se.— Obrigada.Valente segurou sua cintura e a puxou de volta.— Ei!— Ainda está cedo.— Eu tenho reunião.— Que horas?— Nove.Ele olhou para o relógio.— São seis e quarenta.— Tenho filhos.— Temos.Helena tentou não sorrir.— Que provavelmente vão acordar...A porta abriu.— Agora — completou.Um dos meninos entrou carregando um dinossauro.Olhou para os dois.— Papai dormiu aqui de novo.Valente assentiu.— Informação correta.O outro apareceu logo
CAPÍTULO 115 — DE VOLTAHelena acordou antes do despertador.Olhou para o relógio.6h12.O voo de Valente pousaria às 10h20.Ainda faltavam mais de quatro horas.Virou para o outro lado.Fechou os olhos.Abriu novamente.— Ridículo.Tinha passado três anos sem esperar aquele homem.Agora estava contando horas.***Às nove, os meninos já sabiam.Erro de Helena.— Papai chega hoje!— Sim.— Agora?— Não.Dois minutos depois:— Agora?— Não.Cinco minutos.— Agora?Helena respirou fundo.— Se vocês perguntarem novamente, o avião vai voltar para São Paulo.Os dois ficaram horrorizados.— NÃO!Helena começou a rir.— Estou brincando.Um deles cruzou os braços.— Não pode brincar com papai.Justo.***Às dez e vinte e sete, o celular vibrou.VALENTE:“Pousei.”Helena sorriu imediatamente.HELENA:“Estamos em casa.”A resposta veio:“Eu sei onde fica.”Ela olhou para a mensagem.A chave.Claro.VALENTE:“Posso usar?”Helena demorou alguns segundos antes de responder.“Pode.”***Quarenta min
CAPÍTULO 114 — DOZE DIASNo terceiro dia, Helena decidiu que doze dias eram uma péssima ideia.Não porque não conseguisse ficar sem Valente.Conseguia.Esse detalhe precisava permanecer muito claro.O problema era que agora ela sabia exatamente do que estava sentindo falta.E isso tornava tudo pior.— Mamãe.Helena levantou os olhos do notebook.Um dos meninos estava parado diante dela com expressão séria.— O que foi?— Papai esqueceu a gente?Ela fechou o computador imediatamente.— Claro que não.— Ele não veio.Helena o puxou para o colo.— Papai está trabalhando em São Paulo. Lembra?— Mas ele volta?— Volta.— Promete?A palavra atingiu Helena de um jeito estranho.Durante muito tempo, promessas envolvendo Valente tinham sido perigosas.Agora ela respondeu sem hesitar.— Prometo.O celular tocou naquele instante.VALENTE — CHAMADA DE VÍDEO.O menino abriu um sorriso enorme.— PAPAI!Helena atendeu.— Parece que alguém estava falando de mim.— Você demorou! — o pequeno acusou.Va
CAPÍTULO 113 — A DISTÂNCIASão Paulo pareceu silenciosa demais quando Valente entrou no próprio apartamento.Era estranho.Aquele lugar havia sido sua casa durante anos.Agora parecia apenas onde suas coisas estavam.Jogou as chaves sobre a mesa e afrouxou a gravata.O celular vibrou.HELENA:“Eu também.”Valente releu a mensagem.Uma vez.Duas.Três.Sorriu como um idiota.Então abriu a carteira.A fotografia estava ali.Helena na maternidade, um filho em cada braço.A imagem de três anos que ele jamais recuperaria.Mas, pela primeira vez, Valente não deixou a culpa consumir o presente.Guardou a foto.E ligou para os filhos.***— PAPAI!Dois rostos apareceram espremidos na tela.— Vocês sobreviveram algumas horas sem mim?— Sim.— Que decepção.Um deles começou a rir.— Mamãe falou que amanhã a gente vai trabalhar.Helena apareceu ao fundo.— Eu vou trabalhar.— A gente também — o menino insistiu.Valente sorriu.— Então quero relatório no final do expediente.Helena pegou o celula







