FAZER LOGINCAPÍTULO 115 — DE VOLTAHelena acordou antes do despertador.Olhou para o relógio.6h12.O voo de Valente pousaria às 10h20.Ainda faltavam mais de quatro horas.Virou para o outro lado.Fechou os olhos.Abriu novamente.— Ridículo.Tinha passado três anos sem esperar aquele homem.Agora estava contando horas.***Às nove, os meninos já sabiam.Erro de Helena.— Papai chega hoje!— Sim.— Agora?— Não.Dois minutos depois:— Agora?— Não.Cinco minutos.— Agora?Helena respirou fundo.— Se vocês perguntarem novamente, o avião vai voltar para São Paulo.Os dois ficaram horrorizados.— NÃO!Helena começou a rir.— Estou brincando.Um deles cruzou os braços.— Não pode brincar com papai.Justo.***Às dez e vinte e sete, o celular vibrou.VALENTE:“Pousei.”Helena sorriu imediatamente.HELENA:“Estamos em casa.”A resposta veio:“Eu sei onde fica.”Ela olhou para a mensagem.A chave.Claro.VALENTE:“Posso usar?”Helena demorou alguns segundos antes de responder.“Pode.”***Quarenta min
CAPÍTULO 114 — DOZE DIASNo terceiro dia, Helena decidiu que doze dias eram uma péssima ideia.Não porque não conseguisse ficar sem Valente.Conseguia.Esse detalhe precisava permanecer muito claro.O problema era que agora ela sabia exatamente do que estava sentindo falta.E isso tornava tudo pior.— Mamãe.Helena levantou os olhos do notebook.Um dos meninos estava parado diante dela com expressão séria.— O que foi?— Papai esqueceu a gente?Ela fechou o computador imediatamente.— Claro que não.— Ele não veio.Helena o puxou para o colo.— Papai está trabalhando em São Paulo. Lembra?— Mas ele volta?— Volta.— Promete?A palavra atingiu Helena de um jeito estranho.Durante muito tempo, promessas envolvendo Valente tinham sido perigosas.Agora ela respondeu sem hesitar.— Prometo.O celular tocou naquele instante.VALENTE — CHAMADA DE VÍDEO.O menino abriu um sorriso enorme.— PAPAI!Helena atendeu.— Parece que alguém estava falando de mim.— Você demorou! — o pequeno acusou.Va
CAPÍTULO 113 — A DISTÂNCIASão Paulo pareceu silenciosa demais quando Valente entrou no próprio apartamento.Era estranho.Aquele lugar havia sido sua casa durante anos.Agora parecia apenas onde suas coisas estavam.Jogou as chaves sobre a mesa e afrouxou a gravata.O celular vibrou.HELENA:“Eu também.”Valente releu a mensagem.Uma vez.Duas.Três.Sorriu como um idiota.Então abriu a carteira.A fotografia estava ali.Helena na maternidade, um filho em cada braço.A imagem de três anos que ele jamais recuperaria.Mas, pela primeira vez, Valente não deixou a culpa consumir o presente.Guardou a foto.E ligou para os filhos.***— PAPAI!Dois rostos apareceram espremidos na tela.— Vocês sobreviveram algumas horas sem mim?— Sim.— Que decepção.Um deles começou a rir.— Mamãe falou que amanhã a gente vai trabalhar.Helena apareceu ao fundo.— Eu vou trabalhar.— A gente também — o menino insistiu.Valente sorriu.— Então quero relatório no final do expediente.Helena pegou o celula
CAPÍTULO 112 — AGORA EU VOU SENTIR FALTA Helena acordou com um espaço vazio ao lado. Abriu os olhos devagar. Por alguns segundos, não entendeu. Então ouviu barulho vindo da cozinha. Valente. As lembranças da noite anterior voltaram de uma vez. Os beijos. As mãos. A escolha. Helena afundou o rosto no travesseiro. — Meu Deus. Não estava arrependida. Esse era justamente o problema. Estava perigosamente satisfeita. *** Quando entrou na cozinha, encontrou Valente preparando café. Vestia apenas a calça. Helena parou na porta. Ele percebeu. — Bom dia. — Cadê sua camisa? — Não sabia que havia código de vestimenta. — Existem crianças nesta casa. — Estão dormindo. — Até deixarem de estar. Valente olhou para o próprio peito. — Você parece incomodada. — Estou. — Posso colocar. Helena se aproximou. — Não falei que o problema era você estar sem camisa. O sorriso apareceu imediatamente. — Interessante. — Não começa. Valente segurou sua cintura. — Dormiu bem? — Mu
CAPÍTULO 111 — PORQUE EU QUERO— Hoje eu não estou pedindo para você dormir aqui.Valente ficou imóvel.O barulho distante de Lisboa entrava pela varanda, mas Helena só conseguia ouvir a própria respiração.— Helena...— Não pergunta se eu tenho certeza.Ele segurou sua cintura.— Eu preciso perguntar.Ela sorriu.Era exatamente por isso que tinha certeza.— Tenho.Valente a observou por alguns segundos.— E amanhã?— Amanhã continua sendo amanhã.— Isso não significa que voltamos?Helena balançou a cabeça.— Significa que eu quero você hoje.A resposta pareceu acabar com o pouco controle que ainda restava nele.Valente a beijou.Dessa vez, não havia cautela suficiente para esconder três anos de distância.Helena segurou sua camisa e o puxou para mais perto.Conhecia aquela boca.Aquelas mãos.Aquele homem.Mas tudo parecia diferente.Porque antes Valente fora seu marido.Agora era uma escolha.Quando ele aprofundou o beijo, Helena sentiu o corpo inteiro responder.Ainda assim, Valent
CAPÍTULO 110 — O ENVELOPE DE VERÔNICA — Verônica? Valente repetiu o nome como se precisasse ter certeza de que ouvira corretamente. Teresa assentiu. Helena ainda segurava a mão dele. — Você tem certeza? — Tenho. — Estava escrito onde? — No verso do envelope. Valente abriu a boca. Helena apertou seus dedos. — Não. Ele olhou para ela. — Eu nem falei nada. — Mas eu conheço essa cara. Teresa franziu a testa. — Que cara? Helena suspirou. — A cara de CEO prestes a mobilizar quinze pessoas, três advogados e metade da segurança particular. Valente pareceu ofendido. — Eu reduzi bastante. — Para quantas pessoas? Ele pensou. — Oito. Helena quase riu. — Ninguém vai fazer nada hoje. — Helena… — Teresa vai trazer o envelope. Nós vamos abrir. Depois decidimos juntos. A última palavra fez Valente parar. Juntos. — Certo. Sem discussão. Teresa observou os dois. — Definitivamente você não é o homem que eu imaginava. Valente soltou a mão de Helena. — Não quero mais ser a







