FAZER LOGINCAPÍTULO 86 — O PREÇO DE SER VISTOHelena continuou olhando para a fotografia.Os meninos estavam de costas.Ainda assim, aquilo bastava.Bastava para transformar duas crianças em assunto público.Bastava para que desconhecidos começassem a fazer perguntas.Bastava para que o sobrenome Ferraz chegasse até eles antes que fossem capazes de entender o peso dele.Valente observava Helena.— Quer que eu peça a retirada?— Quero.— Só a foto?Ela pensou por alguns segundos.— A foto e qualquer publicação que identifique a escola.Valente assentiu.Pegou o telefone.Antes de ligar, olhou novamente para ela.— Mais alguma coisa?Helena percebeu.Ele estava esperando.De novo.— Nada de nota agressiva.— Certo.— Nada de ameaça desnecessária.— Helena...— Estou falando sério.— Eu também.Ele fez a ligação.— Jurídico.A voz mudou.Fria.Objetiva.CEO.— Quero retirada imediata de qualquer imagem dos meus filhos publicada sem autorização. Principalmente qualquer conteúdo que identifique a esc
CAPÍTULO 85 — O DIA DA FAMÍLIAHelena continuou olhando para o papel.“QUERO MINHA MAMÃE E MEU PAPAI JUNTOS NA MINHA ESCOLA.”Valente permaneceu em silêncio.Ela ergueu os olhos.— Não vai falar nada?— Estou esperando você falar primeiro.Helena quase sorriu.Aquilo, vindo dele, já era praticamente uma revolução.— Eles podem entender errado.— O quê?— Nós.Valente ficou sério.— Podem achar que voltamos.— Exatamente.Ele olhou para o desenho.Quatro pessoas.Duas grandes.Duas pequenas.Todas de mãos dadas.— Helena, eu quero ir.Ela respirou fundo.— Eu sei.— Mas só vou se você achar que isso é bom para eles.Helena o encarou.Nenhuma pressão.Nenhuma tentativa de usar o desejo dos filhos para conseguir o que queria.— Eles merecem ter o pai lá.Valente assentiu.— Então eu vou.— Isso não significa reconciliação.— Entendido.— Nem que somos um casal.— Perfeitamente.— Nem que você pode...— Helena.— O quê?Um sorriso apareceu no rosto dele.— Acho que consigo sobreviver a um
CAPÍTULO 84 — PAPAI VAI BUSCARÀs duas e quarenta da tarde, Valente olhou para o relógio pela quinta vez.— Senhor Ferraz?Ele levantou os olhos.Quatro diretores estavam sentados diante dele.Uma apresentação ocupava a tela.Números.Projeções.Uma aquisição de milhões.E Valente não fazia ideia do que o homem acabara de dizer.— Repete.O diretor hesitou.— A projeção para o próximo trimestre...Valente olhou novamente para o relógio.14h41.— Não. Manda o relatório para mim.— Mas ainda temos...— Quinze minutos.Todos ficaram em silêncio.— Algum problema? — perguntou um deles.Valente fechou o notebook.— Tenho que buscar meus filhos na escola.A expressão dos quatro homens foi quase cômica.Valente levantou.— Alguma objeção?— Nenhuma.— Ótimo.Saiu.Pela primeira vez em muitos anos, uma reunião milionária teria que esperar.Dois meninos de três anos, não.* * *Helena recebeu a mensagem às 14h52.“Estou indo.”Sorriu sem perceber.Laura, do outro lado da mesa, viu.— Ele?— Qu
CAPÍTULO 83 — O CIÚME DE VALENTE FERRAZValente não gostou de Daniel.Helena percebeu em aproximadamente sete segundos.No oitavo, teve certeza.— Daniel, esse é Valente.Daniel finalmente soltou as mãos dela.— Claro. Valente Ferraz.Os dois apertaram as mãos.Por tempo demais.Helena observou.— Vocês pretendem medir força ou posso continuar a conversa?Daniel riu.Valente não.— Helena e eu trabalhamos juntos em Lisboa — Daniel explicou.Valente olhou para ela.— Trabalharam juntos?— Sim.— Por quanto tempo?Helena ergueu uma sobrancelha.— Isso é um interrogatório?— Curiosidade.— Três anos — Daniel respondeu.Valente voltou os olhos para ele.— Três.— Praticamente desde que ela chegou.Aquilo definitivamente não ajudou.Helena tomou outro gole de champanhe.Talvez estivesse se divertindo um pouco demais.* * *— E o que vocês faziam juntos? — Valente perguntou.— Consultoria estratégica — Helena respondeu.— Helena era excelente — Daniel acrescentou. — Na verdade, tentei conve
CAPÍTULO 82 — AO LADO DELEHelena trocou de vestido três vezes.Na quarta, ficou irritada consigo mesma.— Ridículo.Laura, sentada na cama, riu.— O vestido?— Eu.— Por quê?— Porque estou escolhendo roupa há quarenta minutos para um evento empresarial.Laura ergueu uma sobrancelha.— Empresarial.— Sim.— Ao lado do seu ex-marido bilionário, depois de vocês aparecerem de mãos dadas, ele dormir na sua casa e vocês se beijarem.Helena virou-se.— Você fala demais.— E você está nervosa.— Não estou.Laura apontou.— Está segurando dois brincos diferentes.Helena olhou para as mãos.Droga.***Às sete e cinquenta e dois, o interfone tocou.— O senhor Valente Ferraz está aqui.Laura sorriu.— Oito minutos antes.Helena colocou o brinco.— Milagre.Quando entrou na sala, encontrou Valente agachado diante dos filhos.De smoking.Um dos meninos mexia em sua gravata.— Papai tá bonito.— Obrigado.O outro apontou para Helena.— Mamãe também.Valente levantou os olhos.E ficou em silêncio.
CAPÍTULO 81 — A MULHER AO LADO DO CEOHelena percebeu os olhares antes mesmo de Valente.Talvez porque ele estivesse acostumado a entrar em qualquer lugar e ser observado.Ela não.Quando as portas do elevador se abriram no térreo do Grupo Ferraz, havia funcionários demais no saguão.E silêncio demais quando os dois apareceram.Juntos.De mãos dadas.Helena olhou para os próprios dedos entrelaçados aos dele.— Acho que temos um problema.Valente acompanhou seu olhar.— Qual?— Sua empresa inteira está olhando para a minha mão.Ele não soltou.— Quer que eu solte?A pergunta veio imediatamente.Helena olhou para ele.Meses atrás, Valente sequer teria percebido que deveria perguntar.Agora perguntava até quando já estava segurando.— Não.Uma palavra.Foi suficiente.Valente continuou andando.E Helena também.***O problema apareceu antes que chegassem ao carro.— Senhor Ferraz!Uma voz veio da entrada.Depois outra.— Valente!— Helena!Ela parou.Do lado de fora havia fotógrafos.Val







