แชร์

Capítulo 3

ผู้เขียน: Justa
Já eram três da madrugada, e Samuel ainda não tinha voltado para casa.

Como eu não conseguia pegar no sono, por mais que me revirasse na cama, decidi sair de carro para procurá-lo.

Assim que cheguei ao estacionamento, vi Samuel vindo na minha direção de cabeça baixa. Um sorriso cheio de ternura curvava os lábios dele, como se estivesse gravando uma mensagem de voz.

Eu o ouvi dizer coisas como "amor" e "já cheguei em casa".

Aquele tom meloso lembrava o de um garoto que acabara de se apaixonar. Samuel jamais tinha falado comigo daquela maneira.

Fiquei tão atônita que me esqueci de me esconder. No corredor da escada, ele acabou esbarrando em mim com força, e eu quase perdi o equilíbrio.

Mas, no instante em que percebeu que era eu, o sorriso desapareceu e o rosto dele se fechou imediatamente. Ele não tentou me amparar. Em vez disso, ele desligou o celular às pressas, como alguém pego em flagrante, e descarregou a irritação em cima de mim:

— Eu só fui até a empresa, precisava mesmo sair atrás de mim? O que foi? Você está desconfiando de mim? Veio me vigiar no estacionamento? Você não tem mais o que fazer, não? Por que não coloca logo um GPS em mim?

Foi ridículo. Naquele momento, eu finalmente enxerguei quem ele realmente era.

Era sempre assim. Quem errava era ele, mas era eu quem acabava sendo repreendida. Ele invertia a situação, jogava toda a culpa sobre mim e me obrigava a questionar a mim mesma.

Eu nem tive vontade de responder. Apenas passei por ele e continuei andando.

Então senti uma dor aguda no pulso. Samuel me puxou de volta com violência. A força foi tão grande que torci o tornozelo e caí de joelhos no chão.

Samuel me olhou de cima, com os olhos cheios de impaciência:

— Eu não terminei de falar com você. Quem mandou você sair andando? Levanta. Você já é adulta, por que está pagando de frágil?

Talvez porque ele tenha visto o suor frio cobrindo a minha testa e o meu tornozelo já inchado e avermelhado, um lampejo de nervosismo finalmente atravessou os olhos dele:

— Desculpa, eu exagerei um pouco, mas quem mandou você me irritar o tempo todo?

Depois de dizer isso, ele se abaixou para me pegar no colo. Eu tentei afastá-lo, mas ele segurou o meu pulso com grosseria e me ergueu do chão à força:

— Fica quieta. Não se mexe.

Quando voltamos para casa, Samuel pegou a caixa de primeiros socorros e passou pomada no meu tornozelo com cuidado, enquanto comentava banalidades do dia a dia, como se fôssemos um casal comum.

Se fosse antigamente, eu certamente teria me comovido.

Antes, cada gesto dele era capaz de mexer comigo. Os sanduíches que preparava para mim, os cartões escritos à mão... Eu guardava tudo como verdadeiros tesouros.

Até mesmo um elogio casual era suficiente para me deixar feliz por dias. Mas, naquele momento, enquanto eu o observava, não sentia absolutamente nada.

Quando Samuel foi preparar o remédio, a tela do celular dele se iluminou de repente sobre a mesa. Era uma mensagem do WhatsApp de um contato salvo como "Fadinha Mariana".

[Obrigada, chefe. Esta é a minha primeira bolsa da Hermès, eu amei demais!]

[O senhor ficou comigo até tão tarde... Será que a Heloísa não vai ficar brava com o senhor? Eu sei que a Heloísa tem um temperamento difícil. A culpa foi minha. Desculpe, eu passei mal do estômago de repente.]

[Mas agora que o senhor foi embora, eu estou me sentindo mal de novo. O que eu faço?]

Eu deixei escapar uma risada carregada de sarcasmo.

Nesse momento, Samuel voltou para a sala segurando um copo de remédio. Ele mexeu o líquido com uma colher, exibindo aquela aparência de marido atencioso que, agora, só me causava repulsa.

Eu não consegui me controlar. Levei a mão à boca e comecei a ter ânsias de vômito.

Samuel imediatamente bateu de leve nas minhas costas e aproximou o remédio de mim:

— Bebe logo. Não está quente.

Eu, antes, sempre tomava vitaminas para regular meu corpo, mas, fazia algum tempo, já tinha parado. As garrafinhas que estavam na geladeira eram todas de suplementos vencidos.

Franzi a testa, empurrei o copo e falei, firme:

— Obrigada, mas eu não vou beber. Joga isso fora.

Samuel franziu a testa também e ergueu meu rosto à força:

— Se você está doente, toma o remédio. Passei tanto tempo preparando isso, e você quer que eu jogue fora?

O cheiro forte daquela mistura fez meus olhos lacrimejarem. O enjoo subiu com força, meu estômago revirou e a dor de cabeça ficou insuportável. Perdi a paciência e, de uma vez, dei um tapa no copo:

— Eu já disse que não vou beber!

Samuel se levantou num pulo, as veias do pescoço saltadas:

— Heloísa, não abusa da minha boa vontade! Passei horas extras até agora e ainda preparei o remédio para você. Já fiz mais do que a minha parte. O que mais você quer de mim? Eu só pedi para você beber no lugar da Mariana, e você ainda quer me torturar por causa disso? Qualquer chefe faria o mesmo. Além disso, a Mariana é tão jovem… Como homem, tenho obrigação de cuidar dela um pouco mais. Onde é que estou errado?

Samuel continuou, sem me dar chance de resposta:

— Passei o dia inteiro tentando aliviar a situação para você, e você, em vez de descer do salto, se acha demais. Você acha mesmo que ainda é uma garota de dezoito anos, que precisa que eu viva agradando você para não fazer birra? Não reconhece nada do que faço!

Eu me sentia mal, o corpo todo doía e não tinha forças para discutir. Só consegui responder, fraca:

— Não foi isso que eu quis dizer. O que você faz ou deixa de fazer pela Mariana não me importa, e eu também não posso controlar. Eu só estou… um pouco…

Antes que eu terminasse a frase, a ânsia me dominou novamente, e comecei mais um ataque de vômito seco.

Samuel recuou dois passos, com nojo estampado no rosto. Ele não pensou em me ajudar. Em vez disso, apontou o dedo para mim, irritado:

— Heloísa, você já foi uma mulher elegante, tranquila. Olha o estado em que está agora. Tenho até vergonha de sair com você. Não está na hora de se olhar no espelho? Passa o dia todo em casa sem fazer nada. Em vez de desconfiar de tudo, por que não se arruma um pouco? Estou realmente muito desapontado com você.

Cada palavra dele veio sem filtro, como se estivesse me despindo para me humilhar.

Se tivesse ao menos um mínimo de respeito, um mínimo de cuidado comigo, teria percebido que algo estava muito errado. Mas não percebeu. E, naquele momento, eu também não me importava.

Limpei o canto da boca com calma e falei, fria:

— Tá bom. Pensa o que quiser.

Voltei para o quarto e me deixei cair na cama, tonta e exausta. Do lado de fora, ainda ouvia Samuel gritando no corredor:

— Que jeito é esse de falar comigo? Você ainda sabe o que é ser uma esposa decente? Não sei mais o que enxerguei em você. Com você dentro de casa, mal consigo respirar. Arrependi-me demais de ter casado com você! Antes que eu volte, deixa o apartamento inteiro impecável. E não me ligue! Não me encha o saco!

Um estrondo ecoou pela casa. A porta de entrada bateu com força e, de repente, tudo ficou em silêncio.

Fiquei olhando para o teto escuro por um longo tempo, até soltar um suspiro pesado.

Peguei meu celular e abri o Instagram. Mariana tinha postado uma sequência de stories. Nas fotos, ela aparecia de costas nuas, dentro de uma banheira, segurando uma taça de vinho tinto, contemplando a vista luxuosa da costa.

A legenda dizia:

[Meu amor, no fim das contas, cumpriu a promessa e veio até mim.]

Fechei o aplicativo com calma e mandei uma mensagem para a obstetra, marcando uma consulta.

Algumas histórias tortas já deveriam ter terminado há muito tempo.

Sem tristeza, sem alegria. Naquela noite, dormi profundamente.

อ่านหนังสือเล่มนี้ต่อได้ฟรี
สแกนรหัสเพื่อดาวน์โหลดแอป

บทล่าสุด

  • Despertar Depois do Casamento   Capítulo 9

    Depois que voltei à minha rotina, Samuel, não sei por meio de quem, descobriu onde eu estava e começou a aparecer todos os dias. Chegou ao ponto de me esperar no estacionamento da empresa, tentando me interceptar sempre que eu saía.— Amor, você não pode simplesmente me bloquear assim. Nós ainda nem recebemos a certidão definitiva do divórcio. Ainda dá tempo de voltar atrás. Por que você nunca me contou que era herdeira do Grupo Griner Costa? Eu errei com você, mas você também escondeu isso de mim. Estamos quites. Vamos deixar tudo isso para trás e recomeçar, está bem?Ao me lembrar dos gritos que ele havia dado naquele mesmo estacionamento e comparar aquilo com a postura humilde que exibia agora, apenas porque as nossas posições haviam se invertido, achei tudo ridículo.Observei seu rosto abatido, o terno amarrotado e sorri:— Samuel, pelo visto os seus negócios não estão indo muito bem, não é? Eu jurava que, sem o meu "peso morto", você estaria voando muito mais alto.Samuel claramen

  • Despertar Depois do Casamento   Capítulo 8

    Quando eu voltei ao lugar ao qual realmente pertencia, descobri, com certa surpresa, que tudo se encaixava muito melhor do que eu jamais tinha imaginado.Os meus pais anunciaram sem rodeios que eu assumiria o cargo de vice-presidente da empresa. Fui integrada imediatamente ao conselho executivo e ainda recebi uma participação acionária significativa.Eu esperava encontrar resistência, mas o meu irmão entrou na sala ao meu lado e me apresentou formalmente. Depois disso, nenhum daqueles executivos de expressão austera ousou levantar qualquer objeção.O meu irmão inclinou-se discretamente e murmurou ao meu ouvido:— Esses veteranos sabem muito bem que a família Costa sempre protege os seus.Depois que assumi o cargo de vez, adaptei-me com uma rapidez que surpreendeu até a mim mesma.Em relatórios longos e cheios de rodeios, eu conseguia identificar o problema central em poucos minutos.Entre profissionais de personalidades complexas, eu reconhecia rapidamente os pontos fortes e fracos de

  • Despertar Depois do Casamento   Capítulo 7

    Depois de assinar o acordo de divórcio, só restava esperar o prazo legal de um mês para que eu pudesse receber oficialmente a certidão de divórcio.Eu apaguei todos os contatos de Samuel e dei procuração ao advogado para cuidar de tudo em meu lugar.Quando voltei para casa, o que mais me surpreendeu foi que meus pais e meu irmão não me culparam. Nenhum deles mencionou a fuga impulsiva de casa que eu tinha feito anos atrás.Deitada no meu antigo quarto, percebi que a decoração e os móveis continuavam exatamente como antes. Nada tinha mudado.Pela primeira vez em muito tempo, senti meu coração finalmente encontrar repouso. Uma sensação de paz silenciosa me envolveu por completo.Quando era criança, eu nunca conseguia entender como meus pais podiam ser líderes respeitados e temidos no mundo dos negócios e, ao mesmo tempo, transformar a própria casa em um campo de batalha interminável.Só quando cheguei à adolescência descobri que, por causa de disputas patrimoniais e interesses em comum,

  • Despertar Depois do Casamento   Capítulo 6

    Depois que eu liguei para a minha família, eu dei entrada nos procedimentos para a minha alta hospitalar.Durante vários dias, Samuel não apareceu. Ele apenas enviava ligações e mensagens, mas eu ignorava tudo sem exceção. Se não fosse porque ainda faltava ele assinar o acordo de divórcio, eu já teria bloqueado ele em tudo.No dia em que recebi alta, Samuel apareceu.Ele carregava uma marmita térmica na mão esquerda e, na direita, um buquê de lírios, todo solícito, como se fosse o marido perfeito.Eu ignorei. Apenas peguei o acordo de divórcio redigido pelo advogado e entreguei para ele:— Você veio. Assina.Quando Samuel viu o termo "divórcio", franziu a testa novamente.Ele percebeu que eu já tinha arrumado minhas coisas e que a cama do hospital estava vazia. O rosto dele escureceu:— Quem autorizou a sua alta? Por que você não falou comigo?Percebendo que ele fugia do assunto do divórcio de propósito, eu perdi a paciência completamente:— Samuel, com que direito você vem me cobrar a

  • Despertar Depois do Casamento   Capítulo 5

    — Não, não, isso não pode ser verdade, amor, você está me dizendo que é mentira! Por que você…— Porque eu não quero ter um filho seu. Eu não quero manter nenhum vínculo com você. Samuel, eu quero me divorciar. Quero cortar você da minha vida de uma vez por todas. Não quero olhar para o seu rosto pelo resto da minha vida. Sai do meu mundo, desaparece, some, vai embora!A raiva de ter perdido o bebê, somada a todos esses anos de humilhação engolida, saiu inteira no meu grito.De repente, tudo escureceu diante dos meus olhos e eu perdi a consciência.Quando acordei, já haviam se passado três dias.Ao abrir os olhos, vi o teto branco do hospital e senti o cheiro forte de desinfetante. Lorena tinha olheiras profundas e segurava minha mão com força:— Heloísa, me perdoa, por favor. A culpa foi toda minha. Eu fui irresponsável e arrastei você junto comigo.Samuel estava sentado na cadeira, com a cabeça entre as mãos. A voz dele saía rouca e embargada. Quando percebeu que eu tinha acordado, l

  • Despertar Depois do Casamento   Capítulo 4

    No dia seguinte, no hospital, eu segurava a receita na mão e, ao mesmo tempo, peguei o celular para ligar para a minha melhor amiga.No exato momento em que a porta do elevador se abriu, eu vi Samuel. Nossos olhares se cruzaram sem qualquer aviso, e ambos ficamos surpresos.Por um instante, achei que ele tinha vindo até ali para me ver. Eu já ia abrir a boca para explicar alguma coisa, quando percebi, pelo canto do olho, uma figura miúda ao lado dele.Engoli as palavras de volta. Pelo visto, eu é que tinha imaginado demais.A expressão de Samuel endureceu por um instante. Logo em seguida, ele empurrou Mariana para trás de si, como se quisesse escondê-la, e falou comigo com um tom claramente irritado:— Você está me seguindo de novo?Antes que eu pudesse responder, Mariana já puxou o braço dele e, com uma voz doce, disse:— Chefe Samuel, por que o senhor fala assim com a Heloísa? O senhor é muito bravo com ela, nada gentil. A Heloísa está com a cara tão pálida, deve ter vindo se consult

บทอื่นๆ
สำรวจและอ่านนวนิยายดีๆ ได้ฟรี
เข้าถึงนวนิยายดีๆ จำนวนมากได้ฟรีบนแอป GoodNovel ดาวน์โหลดหนังสือที่คุณชอบและอ่านได้ทุกที่ทุกเวลา
อ่านหนังสือฟรีบนแอป
สแกนรหัสเพื่ออ่านบนแอป
DMCA.com Protection Status