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Capítulo 4

ผู้เขียน: Justa
No dia seguinte, no hospital, eu segurava a receita na mão e, ao mesmo tempo, peguei o celular para ligar para a minha melhor amiga.

No exato momento em que a porta do elevador se abriu, eu vi Samuel. Nossos olhares se cruzaram sem qualquer aviso, e ambos ficamos surpresos.

Por um instante, achei que ele tinha vindo até ali para me ver. Eu já ia abrir a boca para explicar alguma coisa, quando percebi, pelo canto do olho, uma figura miúda ao lado dele.

Engoli as palavras de volta. Pelo visto, eu é que tinha imaginado demais.

A expressão de Samuel endureceu por um instante. Logo em seguida, ele empurrou Mariana para trás de si, como se quisesse escondê-la, e falou comigo com um tom claramente irritado:

— Você está me seguindo de novo?

Antes que eu pudesse responder, Mariana já puxou o braço dele e, com uma voz doce, disse:

— Chefe Samuel, por que o senhor fala assim com a Heloísa? O senhor é muito bravo com ela, nada gentil. A Heloísa está com a cara tão pálida, deve ter vindo se consultar. O senhor não devia desconfiar dela.

Enquanto falava, ela ainda piscou para mim, toda "engraçadinha".

— Heloísa, desculpa por ontem. Minha dor de estômago estava muito forte. O Chefe Samuel é um ótimo chefe, se preocupa mesmo com os funcionários, por isso ficou cuidando de mim. Não fica brava, tá? Ficar brava deixa a gente feia.

A voz dela soava inocente, o rosto era o retrato da pureza. Mas cada palavra vinha com veneno. Por trás daquele tom sem maldade, era óbvio que ela estava tentando me provocar de propósito.

Eu dei um sorriso indiferente e respondi num tom calmo:

— Eu não estou brava. Com você cuidando do Samuel, fico tranquila. Você é jovem e bonita, é natural que ele dê mais atenção para você.

Minhas palavras saíram educadas, mas a testa de Samuel logo se franziu.

Ele me olhou com um misto de dúvida e curiosidade, mas eu já não tinha interesse em entender o que passava pela cabeça dele.

O elevador chegou. Eu assenti levemente:

— Com licença.

Eu já ia entrar quando Samuel veio atrás de mim.

Ele deixou Mariana para trás e segurou meu braço com o rosto fechado. O olhar dele desceu para a ficha que eu carregava na mão.

— Que doença é essa? Me mostra isso aqui.

Eu tirei o braço com um puxão e bati na mão dele:

— Não é nada. Você não precisa saber.

Samuel, porém, se colocou teimoso à minha frente. A voz dele saiu controlada, mas séria:

— Heloísa, eu sei que tenho dado pouca atenção para você ultimamente, e reconheço isso. Mas nós ainda somos marido e mulher. Se sua saúde não está bem, como seu marido, eu tenho direito de saber o que você tem, para cuidar de você depois. Para de ser cabeça dura. Me mostra.

Ele já ia arrancar o envelope da minha mão quando outro braço bloqueou o gesto.

Minha melhor amiga, Lorena Martins, chegou ofegante, sem fôlego. Antes mesmo de Samuel tentar cumprimentá-la, ela levantou a mão e deu um tapa estalado no rosto dele:

— Você é um verdadeiro lixo! Como é que a Heloísa teve coragem de casar com um traste feito você? Hoje eu acabo com a sua raça, nem que seja a última coisa que eu faça!

Samuel ficou atordoado com o tapa. As pessoas ao redor pararam, curiosas, formando uma roda de espectadores.

Lorena estava cega de ódio. Ela partiu para cima de Samuel com socos e chutes, a boca disparando maldições sem parar.

Quando Samuel finalmente reagiu, ficou vermelho de raiva, envergonhado com a cena, e devolveu a agressão, levantando a mão para bater nela também:

— Vocês duas são loucas, completamente loucas! A Heloísa é uma desequilibrada, e você não fica atrás!

No meio daquela confusão, Mariana tentou se meter para separar, mas acabou levando um golpe de Lorena. Ela soltou um grito agudo e levou a mão ao olho.

Quando Samuel viu sua "queridinha" sendo atingida, perdeu de vez o controle. Ele pegou, sem pensar, a barra de ferro de um suporte de soro e ergueu o braço para bater em Lorena.

No segundo seguinte, eu me joguei para a frente e abracei Lorena, protegendo o corpo dela com o meu.

A barra desceu com violência sobre minhas costas. Uma dor dilacerante, como se minha pele estivesse sendo rasgada, atravessou meu corpo. No mesmo instante, eu cuspi uma boca cheia de sangue. Levei a mão ao ventre e caí no chão.

Dessa vez, todos ficaram paralisados. Samuel, chocado, largou o suporte de soro e correu para tentar me levantar:

— Você enlouqueceu? Por que se jogou na frente desse jeito…

A dor era tão intensa que quase desmaiei ali mesmo. Os últimos dias já tinham me levado ao limite, e aquele golpe foi a gota d’água. Quase gritando, eu enfiei o envelope com os exames no peito dele:

— Você não queria ver a porcaria do meu exame? Então olha. Olha o quanto quiser!

Uma folha deslizou de dentro do envelope e caiu bem aos pés de Samuel.

Quando ele conseguiu ler as palavras impressas no laudo, os olhos dele se arregalaram de incredulidade. Ele me encarou como se o mundo tivesse desabado debaixo dos pés dele.

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