Compartilhar

Capítulo 7

last update Data de publicação: 2025-01-16 23:35:49

O caos de cheiros na cidade era sufocante. O perfume dos humanos ao meu redor se misturava com o aroma de gasolina, comida de rua, fumaça.

Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando isolar o cheiro do atirador, mas tudo o que consegui foi um monte de fragrâncias enjoativas. Perfumes florais, cítricos, amadeirados.

Humanos sempre mascaravam seus cheiros naturais com esses aromas artificiais. Uma prática que eu nunca compreendi e odiava ainda mais nesses momentos.

Malditos perfumes humanos.

Pensei, apertando o passo pela multidão. Precisava sair dali, encontrar um lugar mais calmo onde pudesse me concentrar.

Mas antes que pudesse tomar outra decisão, ouvi o som abafado de outro disparo. O instinto me salvou mais uma vez. Me joguei para o lado, quase tropeçando em um grupo de pedestres, enquanto o projétil passava a centímetros do meu ombro.

As pessoas na multidão começaram a correr, gritos e exclamações de pânico preenchiam pela rua.

Meu peito subia e descia com a respiração pesada enquanto eu apertava os punhos. Eu era uma provocação, um jogo para esse caçador.

Eu me movi rapidamente, cortando a multidão com a facilidade do predador que eu era, mas minha mente fervilhava em alerta. Cada passo meu era seguido pelo som inconfundível de botas pesadas. Não era apenas um, eram vários. O cheiro metálico de armas se misturava ao perfume irritante dos humanos ao redor, tornando minha tarefa de rastrear eles difícil.

Minha mandíbula apertou, e um rosnado baixo escapou de minha garganta. Meu instinto me dizia que correr não resolveria nada, mas a localização estava contra mim. Não havia espaço para retaliar sem atrair ainda mais atenção.

Passei por um grupo de turistas tirando fotos e virei rapidamente uma esquina, entrando em uma rua um pouco mais estreita. O som dos passos atrás de mim aumentou, mais rápido, mais perto. Era como se eles quisessem me empurrar para um canto, forçando-me a enfrentar o ataque.

— Bastardos! — sussurrei para mim mesmo, enquanto meus dentes estavam cerrados.

Minha visão periférica captou um movimento à esquerda, e eu me joguei para frente, sentindo o ar deslocar-se onde o tiro passou. A bala atingiu um poste atrás de mim, o som seco ecoando pela rua.

Eu me agachei por reflexo, usando o momento para olhar ao redor. Tinha ao menos três atiradores que estavam se movendo entre os pedestres, tentando me cercar. Um deles, a poucos metros, ajustava a mira.

Eu disparei em sua direção antes que ele pudesse atirar novamente. As pessoas ao redor gritaram, se afastando enquanto eu avançava com velocidade sobre-humana. Minha mão agarrou a arma antes que ele pudesse reagir, e um único golpe em seu pescoço o derrubou. O som da arma caindo no chão foi como seu suspiro final.

Um a menos.

Mas não havia tempo para celebrar. Outro tiro passou perto, e minha irritação atingiu o seu pico. Meu corpo queimava com o desejo de lutar, mas já tinha chamado atenção demais. Ao meu redor tinham pessoas chamando a polícia, a maioria correndo na direção contrária.

Caralho, Colin vai me matar.

Olhei ao redor, notando uma saída estreita entre dois prédios. Sem hesitar, me lancei para lá, afastando qualquer humano que se colocasse no caminho.

Minhas pernas trabalhavam como se estivessem em chamas, o coração martelando em um ritmo constante. Outro disparo ressoou, desta vez ricocheteando em uma parede ao meu lado.

Eles não param de aparecer, são piores que baratas.

Pensei enquanto a raiva corria pelas minhas veias, me deixando com vontade de quebrar mais pescoços.

Enquanto eu andava a multidão começava a rarear, e as luzes brilhantes da cidade se tornavam menos intensas. Cada passo me levava para uma área menos movimentada, onde os prédios eram menores e a presença de pessoas, mais escassa.

Eu precisava de espaço, algo que me desse vantagem. Sentir os passos atrás de mim ficava cada vez mais evidente, mas também mais espaçados. Os caçadores estavam ficando para trás. Mas não por muito tempo.

Virei a esquina mais a frente, tentando não deixar rastros para os homens que me seguiam. O cheiro de pólvora e suor ainda impregnava meus sentidos, mas o perfume doce de flores me atingiu de forma inesperada. Era tão distinto, tão diferente do cheiro metálico das armas e da adrenalina humana, que me fez vacilar por um instante.

Olhei ao redor e vi uma pequena floricultura. A porta de vidro fumê estava parcialmente entreaberta, e a luz suave lá dentro criava um contraste acolhedor com a escuridão da rua. A vitrine estava decorada com arranjos delicados, flores de todas as cores emolduradas por folhas verdes e vasos de cerâmica pintados à mão.

O aroma natural que escapava dali era tão familiar que por um momento me transportei para a floresta, onde eu pertencia. A lembrança foi tão vívida que meus ombros, sempre tensos, relaxaram quase involuntariamente.

Mas eu não podia me dar ao luxo de baixar a guarda.

Escutei passos apressados atrás de mim, acompanhados por vozes abafadas.

— Ele entrou em algum lugar por aqui. Procurem! — uma voz masculina rosnou, era um dos caçadores que estavam em meu encalço.

Olhei para os lados, avaliando minhas opções. A rua estava vazia, mas por pouco tempo.

Sem pensar muito, me movi rapidamente, entrando na floricultura. A porta fechou suavemente atrás de mim, sem fazer barulho, e o vidro fumê ofereceu a cobertura que eu precisava. Lá fora, as sombras dos caçadores passaram pela frente da loja, mas eles continuaram caminhando, sem perceber minha presença por causa da escuridão do vidro.

Soltei uma respiração curta, mas antes que pudesse me preparar para o próximo movimento, o ambiente ao meu redor capturou minha atenção por completo.

O cheiro das flores era ainda mais intenso aqui dentro, como se eu tivesse mergulhado em um doce aroma calmante para um lobo como eu.

Fechei os olhos por um breve segundo, sentindo o lobo dentro de mim se acalmar. Isso era o que eu buscava: paz, conexão com a natureza, um lugar onde meu instinto não precisava estar sempre em alerta.

Mas o momento de calma quase me traiu. Quase.

Abri os olhos, forçando-me a focar novamente. Não podia me deixar levar. Eles ainda estavam lá fora, me procurando. Meus sentidos estavam afiados, mas agora eu precisava de um plano.

Meu olhar rapidamente percorreu a loja. Vasos grandes formavam uma barreira ao lado da entrada. Um balcão exibia ferramentas de jardinagem — podões, tesouras e até um pequeno machado. Útil, se necessário.

Meu olhar varreu o ambiente à minha volta. Flores de todas as cores enchiam o espaço, dispostas em vasos, cestos e prateleiras. Samambaias pendiam do teto, criando sombras que se moviam com a luz suave de lâmpadas amareladas. O ar parecia mais limpo ali.

Eu respirava fundo, sentindo meu peito se encher com uma calma que não experimentava há meses.

Fechei os olhos por um instante, deixando aquele momento me envolver. E então, uma voz doce, quase melódica, quebrou o silêncio:

— Bem-vindo.

Minhas pálpebras se abriram lentamente, e meu olhar foi direto para a origem do som. Na penumbra da loja, uma figura feminina se destacava, meio escondida atrás de uma prateleira de vasos por causa de seu diminuto tamanho. Ela parecia tão natural naquele ambiente quanto as próprias flores.

Ao ver aquela mulher logo a minha frente, senti tudo mudar. Pela primeira vez desde que a perseguição começou, senti que o perigo podia esperar.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Destinada ao Lobo Alfa   Capítulo 146

    — Tô falando sério — ele provocou, erguendo as sobrancelhas, aquele sorriso torto brincando nos lábios. — Olha pra isso… dois garotos correndo, você grávida… mais um e eu viro o alfa da minha própria alcateia. — Ele se aproximou mais, roçando o nariz no meu, a voz rouca e baixa só pra mim. — Quer mesmo me dar mais um ou dois? Só pra garantir o território…Soltei uma risada abafada, tentando disfarçar o quanto aquela ideia, no fundo, não me soava tão absurda assim. Porque a verdade era que, com ele, tudo parecia possível… até mesmo povoar o mundo com nossos filhos.— Você não presta… — murmurei, desviando o olhar pra esconder o sorriso bobo que insistia em nascer.— Mas você me ama — ele sussurrou, com aquela convicção que só ele tinha. Como se não restasse espaço pra dúvida no peito dele. Como se amar ele fosse tão natural quanto respirar.Assenti, mordendo o lábio pra conter o sorriso que já escapava. — Infelizmente.Ethan jogou a cabeça pra trás e riu alto, o s

  • Destinada ao Lobo Alfa   Capítulo 145

    Cinco anos depois... O sol de fim de tarde pintava o céu de dourado e laranja quando caminhávamos lado a lado pelo parque. A mão dele envolvia a minha como se nunca mais quisesse soltar — firme, quente, segura. E eu sorria, sem conseguir evitar, porque a paz que sentia ao lado dele era tudo o que eu sempre sonhei.Ethan parecia mais leve agora. Os traços fortes ainda estavam ali, o olhar intenso, a postura dominante… mas havia algo diferente — uma serenidade que só o tempo e o amor podiam trazer.— Eu ainda estranho quando tudo tá… calmo assim — ele murmurou de repente, apertando de leve meus dedos. — Parte de mim acha que a merda vai começar a qualquer momento.Olhei pra ele, sorrindo de lado. — É porque você se acostumou demais com o caos, Ethan. Mas... às vezes, a gente vence. E o prêmio é isso. — Apontei em volta — o parque cheio de crianças correndo, casais rindo, o mundo girando sem medo.Ele parou por um segundo e me puxou suavemente pra mais perto,

  • Destinada ao Lobo Alfa   Capítulo 144

    Engoli o choro e gritei as últimas palavras, sentindo a magia rasgar a garganta junto com o grito.— Per il sangue e per la luna, io ti lego alla morte!O ar pareceu vibrar, o chão estremeceu sob meus pés. A magia explodiu — crua, selvagem, poderosa — e eu quase perdi o equilíbrio com o impacto.Rowan foi arrastado ao chão pelas raízes, o corpo puxado como se a própria terra tivesse ganhado vida e quisesse devorá-lo inteiro. O cheiro de ferro queimado se espalhou, enjoativo, ácido, queimando meu nariz e minha garganta. O grito dele ecoou alto, um som grotesco… animal e humano ao mesmo tempo. Eu tremi. Por um segundo, achei que fosse acabar ali. Mas eu devia saber… monstros como Rowan não morrem fácil.Num último esforço desesperado, ele puxou uma das pistolas e, mesmo preso, mesmo sangrando, disparou na minha direção. Tudo ao redor pareceu desacelerar. O mundo inteiro se tornou um borrão, menos aquela bala. Eu vi… Vi a maldita bala vindo. Lenta. Inevitável. O som do

  • Destinada ao Lobo Alfa   Capítulo 143

    O som do primeiro disparo ecoou pelo galpão, e então o mundo virou caos.Liam desceu da viga como um predador, o corpo já se transformando no ar — ossos estalando, músculos rasgando a roupa cara enquanto a pele dava lugar ao pelo escuro e denso. Caleb e Alec vieram logo atrás, as feições humanas se contorcendo enquanto os olhos brilhavam num tom dourado animalesco. Garras surgiram, dentes se alongaram. Até mesmo Cassia, sempre tão contida, caiu de joelhos, o corpo tremendo antes de ceder à besta que morava dentro dela.A matilha Withmore se revelava por completo.O som dos ossos quebrando, da pele se rasgando, misturava-se ao rosnar gutural de todos eles, fazendo o ar vibrar ao meu redor. Eu deveria sentir medo — e, por um instante, senti — mas logo aquilo se transformou em algo quase primitivo. Era o que eles eram. O que sempre foram.Ethan foi o último a se transformar. Ele me lançou um último olhar, os olhos azuis brilhando com uma força quase selvagem, antes de c

  • Destinada ao Lobo Alfa   Capítulo 142

    — A gente vai dividir o time — Colin começou, voltando ao tom sério. — Alec e Liam vão ficar nas saídas superiores. Quero visão de cima. Caleb, você e Cassia cuidam das laterais. Ninguém se aproxima sem vocês perceberem. Caleb assentiu, sério, e Cassia já parecia pronta pra matar alguém só de pensar em como tudo poderia dar errado. — E você? — Alec perguntou, o olhar afiado como uma lâmina. Colin olhou pra Ethan, quase com pesar. — Eu fico no ponto cego. Se Rowan tentar surpreender… ele vai me encontrar primeiro. — E eu? — perguntei, a voz soando mais firme do que eu me sentia. Ethan respirou fundo e se aproximou, suas mãos pegando meu rosto com uma delicadeza que parecia quase incongruente praquele homem. — Você vai fazer o que combinamos, Lila. Vai chamar a atenção dele. Atrair. Mas na hora que eu disser… você sai dali. Sem heroísmo. — E se ele for atrás

  • Destinada ao Lobo Alfa   Capítulo 141

    O sol ainda nem havia nascido quando abri os olhos, sentindo o calor do corpo de Ethan ao meu lado. Por um instante, eu me permiti ficar ali, quieta, observando o peito dele subir e descer devagar, como se o mundo lá fora não estivesse prestes a desabar sobre nós.Mas a paz foi breve.O peso do que nos esperava logo caiu sobre mim, arrancando-me daquele pequeno refúgio. Me mexi devagar, tentando não acordá-lo, mas Ethan abriu os olhos no mesmo instante, como se já estivesse acordado há horas.— Bom dia… — ele murmurou, a voz rouca, arrastada pelo sono.— Bom dia… — respondi num sussurro, mordendo o lábio. — Dormiu alguma coisa?Ele deu um sorriso torto, sem humor.— Difícil dormir sabendo o que vem pela frente. — A mão grande subiu até o meu rosto, acariciando minha bochecha. — Mas você tava aqui… isso já valeu por mil noites mal dormidas.Me inclinei e depositei um beijo leve nos lábios dele.— A gente vai sair dessa, Ethan.Ele não respondeu, só

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status