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Só mais uma bebida

Auteur: Ray B.
last update Date de publication: 2026-08-18 19:10:41

Capítulo 5

Mia percebeu que tinha cometido um erro no instante em que deixou Dante conduzi-la para longe do bar.

Não um erro irreversível.

Ainda.

Mas um daqueles pequenos erros que costumavam parecer completamente inofensivos no começo.

Como aceitar um salto desconfortável porque combinava com o vestido.

Ou dizer “só vou ficar uma hora” numa festa organizada por Alice.

Ou segurar a mão de um homem que tinha um sorriso perigoso demais e nenhuma intenção de parecer menos interessado do que realmente estava.

Dante caminhava à frente por entre as pessoas, abrindo espaço com facilidade. Não precisava empurrar ninguém. Bastava sua presença.

Mia percebeu isso.

Percebeu também que algumas mulheres olhavam para ele.

Algumas discretamente.

Outras nem tanto.

Aquilo deveria servir como aviso.

Homens assim nunca vinham acompanhados de tranquilidade.

— Está pensando demais.

A voz dele a fez voltar à realidade.

Dante havia parado.

Mia quase bateu contra suas costas.

— Você também lê pensamentos?

— Não.

Ele olhou para a mão que ainda segurava a dela.

— Mas você apertou meus dedos três vezes desde que saímos do bar.

Mia baixou os olhos.

Estavam realmente de mãos dadas.

Ela soltou no mesmo instante.

— Foi involuntário.

— Claro.

— Pare com isso.

— Com o quê?

— Esse “claro” que significa exatamente o contrário de claro.

Dante sorriu.

Estavam agora numa área lateral do salão, um pouco afastada da pista principal.

Grandes portas de vidro davam acesso a um terraço.

A música continuava audível, mas ali o volume era mais baixo. Algumas mesas altas estavam espalhadas pelo espaço e pequenas luminárias produziam uma iluminação dourada, íntima.

Mia olhou ao redor.

— Era para cá que estava me trazendo?

— Esperava algo mais dramático?

— Com você, ainda estou tentando entender.

Ele abriu uma das portas de vidro.

O vento da noite tocou imediatamente o rosto dela.

Mia saiu para o terraço.

A cidade se estendia ao redor, iluminada por centenas de prédios e faróis de carros.

— Uau.

A palavra escapou sem pensar.

Dante parou ao lado dela.

— Melhor que a pista?

— Muito.

Mia apoiou as mãos no parapeito.

O ar fresco foi bem-vindo.

Depois da dança, da bebida e da proximidade dele, precisava esfriar a cabeça.

Literalmente.

— Então você realmente não gosta de festas — Dante comentou.

— Eu disse que gosto.

— Em teoria.

Mia olhou para ele.

— Você guarda tudo que eu falo?

— Só o que me interessa.

Aquilo poderia ter sido uma frase qualquer.

Mas Dante não estava sorrindo.

Mia sentiu um pequeno aperto no estômago.

— E eu estou numa lista de coisas interessantes agora?

— Está subindo posições.

Ela riu.

— Você é impossível.

— Você continua aqui.

— Talvez eu esteja estudando o comportamento de homens convencidos.

— Para algum trabalho?

— Pesquisa pessoal.

— E quais são suas conclusões?

Mia virou-se de frente para ele.

A iluminação do terraço deixava os traços de Dante ainda mais marcados. A barba, os cabelos presos, a linha do maxilar.

Ele parecia quase inadequado naquele ambiente elegante.

Como se combinasse mais com alguma estrada, um lugar aberto, uma motocicleta.

Não com taças de cristal e música eletrônica.

— Ainda estou coletando dados — respondeu.

Dante deu um passo.

Não exatamente na direção dela.

Mas a distância diminuiu.

— Posso colaborar.

— Tenho medo de perguntar como.

— Está vendo?

— O quê?

— Você está curiosa.

Mia apertou os lábios.

— É uma curiosidade científica.

— Muito melhor.

— Não transforme tudo em flerte.

— Eu não transformei.

— Dante.

— Mia.

Ela odiava a maneira como ele dizia seu nome.

Ou gostava.

O que era pior.

Mia desviou o olhar para a cidade.

— Por que você veio?

— Para a festa?

— Sim.

— Um amigo insistiu.

— Então você também não queria estar aqui.

— Não.

— Olha só.

Mia sorriu.

— Finalmente alguma coisa em comum.

— Temos outras.

— Como?

Dante a observou por alguns segundos.

— Os dois estamos fingindo que essa conversa é completamente inocente.

Mia parou de sorrir.

Ele não se moveu.

Nem precisava.

O problema era justamente esse.

Dante não parecia ansioso para conquistá-la.

Não fazia esforço excessivo.

Não despejava elogios.

Não tentava tocar nela a cada oportunidade.

Apenas permanecia ali.

Olhando.

Esperando.

Como se soubesse que a tensão entre os dois faria o trabalho por ele.

— Você tem uma opinião muito elevada sobre si mesmo — Mia murmurou.

— Você já disse.

— Continuo pensando.

— Também continua olhando.

Ela bufou.

— Eu olho para pessoas quando converso.

— Para minha boca?

Mia sentiu o calor chegar ao rosto.

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