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Por que eu?

Author: Ray B.
last update publish date: 2026-08-18 19:11:27

capítulo 6

— Você está obcecado com isso.

— Talvez.

— Problema seu.

— Com certeza.

Uma pequena risada escapou dela.

Aquilo estava ficando absurdo.

— Posso fazer uma pergunta?

Dante assentiu.

— Uma.

— Por que eu?

Ele não respondeu imediatamente.

Mia esperava alguma frase pronta.

Um elogio barato.

Algo sobre vestido, beleza ou olhos.

Dante apenas olhou para ela.

— Porque você não estava tentando chamar minha atenção.

Mia franziu levemente a testa.

— Isso é novidade para você?

Ele sorriu de lado.

— Um pouco.

— Então é ego.

— Possivelmente.

— Sabia.

— Ainda não terminei.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Continue.

— Depois eu quis saber por que você parecia tão empenhada em ignorar metade da festa.

Mia riu.

— Porque eu não conheço metade da festa.

— E agora?

— Agora o quê?

— Ainda quer me ignorar?

Mia sustentou o olhar.

A resposta automática seria sim.

Mas seria mentira.

E ela tinha a sensação de que Dante perceberia.

— Ainda estou decidindo.

— Demorada.

— Cautelosa.

— Parece mais distraída que cautelosa.

Mia estreitou os olhos.

— Isso foi um insulto?

— Observação.

— Nós nos conhecemos há menos de uma hora.

— E você quase derrubou sua bebida em mim, esqueceu sua taça numa mesa e deixou sua amiga roubar seu copo de água.

Mia ficou em silêncio.

— Você estava me observando demais.

— Já estabelecemos isso.

— Assustador.

— Você não parece assustada.

Não.

Esse era o problema.

Ela não estava.

Muito pelo contrário.

Alice encontrou Mia no terraço vinte minutos depois.

Ou melhor, encontrou Dante primeiro.

Ele estava inclinado perto da amiga, ouvindo alguma coisa que Mia dizia enquanto segurava a própria taça.

Mia ria.

Alice parou do outro lado da porta de vidro.

Sorriu.

— Ah, amiga...

Ela conhecia Mia.

Conhecia muito bem.

E aquela expressão no rosto dela não aparecia com frequência.

Um amigo se aproximou.

— Está espionando alguém?

Alice olhou para ele.

— Minha melhor amiga tomando uma péssima decisão.

— Vai salvar?

Alice voltou os olhos para os dois.

Dante disse alguma coisa.

Mia empurrou de leve o braço dele.

Ele riu.

— Ainda não.

— Você não respondeu.

Mia pegou uma azeitona do pequeno prato que Dante havia trazido de uma mesa próxima.

— Respondi, sim.

— Não respondeu.

— Você perguntou se eu queria me casar.

— Eu perguntei se acredita em casamento.

— É praticamente a mesma coisa.

— Não é.

Mia mastigou devagar.

— Você faz perguntas muito pessoais para um desconhecido.

— Há meia hora você queria saber por que eu estava interessado.

— Isso era sobre você.

— Então só você pode perguntar?

— Exatamente.

Dante riu.

— Conveniente.

— Funciona para mim.

— E casamento?

Mia suspirou.

— Sim.

— Sim o quê?

— Eu acredito.

— Quer casar?

Ela deu de ombros.

— Um dia, talvez.

— Filhos?

— Meu Deus.

Dante sorriu.

— O quê?

— Você definitivamente bebeu mais do que eu.

— Não respondeu.

— Talvez.

Ela pegou outra azeitona.

— Dois.

— Já planejou?

— Não.

— Acabou de dar um número.

— Porque um parece solitário e três parecem barulhentos.

Dante soltou uma risada genuína.

— Essa é sua lógica?

— É excelente.

— E você?

O sorriso dele diminuiu.

— Não.

— Não o quê?

— Casamento.

Mia observou.

— Nunca?

— Nunca é uma palavra grande.

— Isso não foi resposta.

— Você está aprendendo. Não vejo necessidade.

— De casamento?

— De promessas que as pessoas fazem porque têm medo de admitir que talvez mudem de ideia.

Mia ficou em silêncio.

A resposta não combinava com o tom leve da conversa.

Havia algo mais ali.

Mas ela ainda não tinha intimidade para perguntar.

E, pela primeira vez naquela noite, decidiu respeitar um limite.

— Entendi.

Dante a encarou.

Talvez esperasse que insistisse.

Mia apenas bebeu.

— Não vai tentar me convencer de que estou errado?

— Por quê?

— As pessoas costumam.

— Você não quer casar comigo.

Dante quase engasgou com a bebida.

Mia arregalou os olhos.

— Eu não quis dizer...

Ele começou a rir.

— Eu quis dizer que você não está me pedindo em casamento.

— Ainda bem que esclareceu.

— Dante!

Ela cobriu o rosto com uma das mãos.

— Eu vou embora.

— Não vai.

— Vou, sim.

— Seus sapatos não permitem uma fuga rápida.

Mia olhou para ele por entre os dedos.

— Você é horrível.

— E você está vermelha.

— Porque você me irrita.

Mia abaixou a mão.

— Você sabe o que é pior?

— Existem muitas opções.

— Você se diverte com isso.

Dante se aproximou mais do parapeito.

— Muito.

— Eu percebi.

Mia bebeu o restante do drinque.

Dante olhou para a taça vazia.

— Quer outro?

— Não.

— Tem certeza?

— Sim.

— Então água.

— Eu consigo pegar.

— Nunca disse que não consegue.

Ele tomou a taça vazia da mão dela.

Os dedos se tocaram novamente.

Dessa vez Mia não recuou tão rápido.

Dante percebeu.

Mas, para sua surpresa, não comentou.

— Fica aqui — pediu.

— Isso foi uma ordem?

Ele olhou por cima do ombro.

— Um pedido.

— Melhor.

Mia ficou.

O que já dizia mais do que deveria.

Dante voltou com água.

E mais duas bebidas.

Mia olhou para as três taças.

— Isso parece exatamente o contrário do que eu pedi.

— Uma é água.

— E as outras?

— Essa é minha.

Ele apontou.

— E essa é uma coisa que o bartender disse que sua amiga pediu para você experimentar.

Mia desconfiou.

— Alice?

— Sim.

— Então definitivamente tem álcool.

— Definitivamente.

— Ela está tentando me matar.

Dante estendeu a água.

— Comece por essa.

Mia pegou.

— Você ficou responsável por mim agora?

— Não.

— Parece.

— Só não quero que desmaie antes de terminar nossa pesquisa científica.

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