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Capítulo 4

Autor: DhaSantana
last update Data de publicação: 2026-04-30 06:27:52

Maya Nogueira

O mundo parou naquele exato momento.

Eu abri a boca, mas nenhum som saiu. O choque era tão grande que eu senti o mundo girar.

— Você... — eu finalmente consegui expelir aquela palavra como se fosse irreal demais. — Você é o médico? Você trabalha aqui?

Ele soltou uma risada curta, um som seco e desprovido de qualquer empatia real.

— Eu sou o cirurgião-chefe, para ser mais exato, Senhorita Nogueira. Mas hoje, parece que o destino me escalou para ser o seu clínico. Aquele que vai cuidar do seu problema.

Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa, os olhos fixos na minha postura rígida e na minha falta de palavras.

Chocada era pouco para expressar o que eu estava sentindo.

— Você saiu com tanta pressa do hotel que nem me deu a chance de perguntar se o "tratamento" da noite passada foi do seu agrado. Mas, pelo jeito que você entrou neste consultório... — Ele deu uma olhada rápida para as minhas pernas e voltou a rir, uma risada que me fez querer pular no pescoço dele e esganá-lo. — Eu diria que eu exagerei na dose.

Como pode ser tão cara de pau?

— Você é um idiota! — Eu explodi, a indignação finalmente vencendo o medo. — Como você pode rir? Eu estou com dor! Minha situação atual é inteiramente sua culpa! Você não teve cuidado, você agiu como... como um animal!

Era injusto, eu sei, porque eu me lembro que pedi exatamente aquilo. E na hora não reclamei em nenhum momento. Eu tinha gostado de tudo, minhas memórias gritavam isso, mesmo morrendo de vergonha agora.

O sorriso dele não sumiu. Pelo contrário, se tornou mais afiado.

— Minha culpa? — Ele levantou uma sobrancelha, levantando da cadeira com uma elegância predatória. Ele caminhou ao redor da mesa até parar a poucos centímetros de mim. — Se bem me lembro, foi você quem invadiu o meu quarto noite passada. Foi você quem me pediu para fazê-la esquecer o mundo. E, meu Deus, você estava com uma fome insaciável, Maya. Eu só concretizei exatamente o que me foi pedido.

Ele disse meu nome com uma familiaridade que me fez estremecer.

- Como... como... - Fiquei sem palavras.

Ele levantou a ficha, claro que ele sabia meu nome. Deus como eu fiquei burra em menos de 24 horas!

— Você agiu como se quisesse exatamente aquilo, uma expert que queria ser levada ao limite — ele continuou, a voz baixando para um tom perigoso que me lembrou da noite anterior. — Como eu poderia imaginar que, sob toda aquela audácia, havia uma virgem desejosa? Você deveria ter vindo com um manual de instruções, ou pelo menos um aviso de "frágil".

Meus olhos arregalaram, como ele sabia que eu era...

— Eu não sou frágil! — Gritei, levantando em um rompante, embora a dor me fizesse vacilar.

Eu não iria entrar nessa discussão com ele, e nem perguntar como ele sabia que eu era virgem.

— Eu só quero saber de uma coisa, Dr. Strauss, se é que esse é seu nome: Você tem alguma doença? Você usou camisinha? Porque eu estava bêbada demais para ver, e se você me transmitiu algo ou se eu estiver grávida, eu juro que acabo com a sua carreira! - Disse tentando soar séria.

Arthur deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal, me forçando a inclinar a cabeça para trás para encarar seu rosto esculpido. Que homem lindo, gostoso e idiota. O cheiro de sândalo estava lá novamente, misturado agora com o cheiro estéril do hospital.

— Primeiro: eu sou um cirurgião, "querida". Eu sou testado para tudo o que você possa imaginar mensalmente. Sou mais limpo que uma sala de cirurgia. Segundo: sim, eu me protegi, apesar de você ter tentado me arrancar a pele das costas em vários momentos. Não haverá "pequenos Strauss" correndo por aí.

Eu nunca pensei que poderia odiar tanto uma pessoa como odeio esse homem agora.

Ah! Eu odeio o Henrique, por causa dele eu tô nessa situação atual. Mas esse homem ainda consegue me deixar ainda mais com raiva.

- "Pequenos Strauss"? Você realmente é inacreditável. Como eu faço...

Ele soltou um suspiro impaciente me cortando, mas seus olhos brilharam com um desafio luxurioso. Como eu queria abrir um buraco pra me enfiar...

— E terceiro... — Ele estendeu a mão, tocando levemente o meu queixo, um gesto que eu deveria ter repelido, mas que me paralisou. — Deixe eu terminar meu raciocínio, "querida". Pare de fazer drama. Você está dolorida porque foi a sua primeira vez e eu não sou conhecido por ser um homem paciente. Mas não se preocupe, Maya...

Ele se inclinou até o meu ouvido, sussurrando:

— Se você sobreviver a esse exame e decidir que quer repetir a dose, eu prometo que serei... um pouco mais didático. Vou te proporcionar uma experiência muito melhor na próxima vez, agora que sei exatamente o quão delicada você é por baixo dessa língua afiada.

Afastei a mão dele com um tapa, o rosto em chamas de raiva e vergonha.

— Não vai haver próxima vez! Eu te odeio! — Eu disse, sentindo as lágrimas de humilhação finalmente caírem.

Me lembrei de algo específico daquela noite. Algo que ele falou com uma convicção que não deixava dúvidas para ninguém.

- Você não repete, lembra? - Seu olhar mudou por dois segundos. — Agora, por favor, cumpra o seu dever como médico e me encaminhe para alguém que não seja um completo imbecil como você.

Limpei a lágrima solitária.

Arthur voltou para trás da mesa, o semblante voltando à neutralidade profissional de um médico, embora o brilho do escárnio ainda estivesse lá.

— Como desejar, Maya. Vou prescrever um anti-inflamatório forte e o encaminhamento para a ginecologia. Mas um aviso médico gratuito... — Ele começou a digitar, sem olhar para mim. — Tente não morder os seus próximos médicos. Nem todo mundo tem a mesma paciência que eu tive com você ontem à noite.

Saí daquela sala querendo que o hospital desabasse sobre a minha cabeça. Eu tinha ido buscar socorro e encontrado o meu carrasco, agora vestido de branco e armado com um sorriso que dizia que, não importa o quanto eu corresse, ele já tinha gravado sua marca em mim. E o pior de tudo? Mesmo com todo o ódio, meu corpo traidor ainda lembrava do calor daquelas mãos habilidosas.

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