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CAPÍTULO 2

Author: Seis Dólares
Mia não esperava aquela resposta.

Tirou o colar e o colocou lentamente sobre a mesa de centro.

— Se quiser levar, pode levar.

Não me mexi.

Ela continuou:

— Mas que diferença faz você levar as joias? A pessoa que ele mais quer ver continua sendo eu.

As palavras dela não me machucaram.

Aquilo não passava de uma tentativa de se fazer de vítima.

Levantei-me.

— Vou deixá-las com você por enquanto. Não as perca.

Mia franziu a testa.

— O que você quer dizer?

— Alguém vai investigar isso mais tarde.

Caminhei em direção à porta, e meu celular tocou novamente.

Era Joe.

Atendi.

Ele perguntou imediatamente:

— Aria, o que você está fazendo no Apartamento Bayfront?

Virei-me para olhar para Mia.

Ela estava de cabeça baixa, digitando alguma coisa no celular.

Tinha sido rápida.

— Como você sabe disso? — perguntei.

Joe fez uma pausa.

— Mia disse que uma mulher estranha estava incomodando ela. Imaginei que fosse você.

— Eu não sou uma estranha. Você deu joias a ela, então ela deveria saber quem eu sou.

Ele ficou em silêncio.

Quando voltou a falar, parecia estar tentando conter a raiva.

— É um conjunto de joias para uma cliente. Não fique imaginando coisas.

— Cliente?

— Ela está ajudando a promover a East Shipping Corporation. É praticamente uma parceira de negócios.

Eu ri.

— Ela é sua parceira de negócios, mas você deixou uma observação dizendo especificamente que nenhum familiar poderia receber a encomenda?

A voz de Joe ficou fria.

— Aria, não me faça ter que lidar com as suas emoções enquanto estou trabalhando no navio.

Desliguei na cara dele.

Naquela noite, Mary Anderson, mãe de Joe, apareceu em casa.

Entrou tão apressada que nem sequer tirou os sapatos.

— Você foi atrás da Mia?

Eu estava preparando o jantar na cozinha.

— Joe contou para você?

Mary jogou a bolsa sobre o sofá.

— Ele está muito preocupado. É claro que me contou! Aria, por que você está agindo de forma tão imatura?

— Meu marido dá joias para outra mulher, e a imatura sou eu?

A expressão de Mary mudou.

— Joe é capitão de navio e precisa lidar com muitas pessoas por causa do trabalho. É normal que certas situações aconteçam. Você fica em casa todos os dias. É claro que não sabe como as coisas são difíceis lá fora!

Peguei uma cópia do diário de bordo e a coloquei sobre a mesa de jantar.

— E essas compras todas também eram inevitáveis?

Mary deu uma olhada, sem sequer se dar ao trabalho de ler.

— É apenas um conjunto de joias. Você precisa tanto assim dele? Se gostou, peço para Joe comprar um para você quando voltar.

— Eu só quero que ele seja sincero comigo.

Mary bateu a mão na mesa.

— Sobre o que ele mentiu para você? Ele dá a você todo o dinheiro que ganha com tanto esforço. Você só pode ficar aqui porque ele está trabalhando no navio!

Olhei para ela.

Meu falecido pai havia pago a entrada daquela casa.

Eu mesma havia cuidado da reforma e comprado tudo o que havia dentro dela.

Joe passava a maior parte do tempo no mar.

Nem sequer conseguia se lembrar da cor das cortinas da nossa casa.

Como não respondi, Mary achou que eu havia cedido.

— Amanhã, peça desculpas a Mia e vamos encerrar esse assunto. Não prejudique a promoção de Joe a capitão-geral.

Coloquei meu jantar no prato.

— Eu não vou pedir desculpas.

As mãos de Mary começaram a tremer de raiva.

— Quem você pensa que é? Você só tem essa vida tão privilegiada por causa dele. Quem é você sem ele?

Pousei o prato.

— Vou descobrir quem eu sou novamente.

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