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Capítulo 3

Author: Moore
Eu desabei sentada na cama, o corpo tremendo sem parar.

O que eu estava prestes a enfrentar era uma aposta arriscada…

e eu não tinha nenhuma certeza de que sairia vencedora.

Ainda assim, eu não me arrependia de ter proposto aquilo.

Era a minha forma de dar uma escolha a Rafael Monteiro.

Se ele fosse o primeiro a soltar minha mão… então eu iria embora sem olhar para trás.

---

Na manhã seguinte, acordei com o aroma de café espalhado pelo ar, misturado ao cheiro de um croissant amanteigado — exatamente do jeito que eu gostava.

Coloquei um casaco por cima do pijama e desci as escadas devagar.

De longe, vi duas figuras agitadas na cozinha.

Rafael estava diante do fogão, mexendo os ovos na frigideira.

E o pequeno Theo, com as mãozinhas levantadas segurando um prato, falava sem parar:

— A mamãe gosta de ovo com gema mole! Não deixa passar do ponto!

Logo depois, os dois começaram a discutir se o ovo deveria ser redondo ou em formato de coração.

Theo foi o primeiro a me ver. Seus olhos brilharam.

Ele largou o prato, pegou a xícara de café da mesa e veio andando na minha direção, meio desajeitado.

— Mamãe, feliz aniversário de casamento! Eu que escolhi o sabor do café! E o ovo que o papai fez fui eu que escolhi, o mais fresquinho!

Ele falava todo orgulhoso, como um pequeno sol cheio de energia.

Rafael resmungou de leve, fingindo estar incomodado:

— Fui eu que fiz o café e fritei o ovo. Você só mexe a boca e já rouba toda a atenção da sua mãe. Isso não é justo.

Theo fez uma careta para ele.

— Mas você não pode fazer nada, porque a mamãe gosta mais de mim!

Por um instante, fiquei atordoada.

Era como se eu tivesse voltado dois anos no tempo…

para aqueles dias felizes em que os dois me cercavam de carinho.

Peguei a xícara com cuidado e dei um gole.

Era exatamente o meu sabor favorito.

Eles sabiam tudo sobre mim.

Todos me invejavam…

A mulher mimada pelo líder da família Monteiro e pelo herdeiro do império.

Diziam que ninguém tinha uma vida melhor do que a minha.

Mas aquele momento de felicidade se despedaçou rapidamente.

O celular de Rafael começou a vibrar sem parar.

Quando ele desbloqueou a tela, vi o nome de Isabela Voss.

Rafael se levantou de repente e voltou para a cozinha.

Theo girou os olhos, me puxou até uma cadeira na sala e disse, fingindo naturalidade:

— Mamãe, fica aqui sentadinha. Aproveita que eu e o papai cuidamos de você.

Ele correu de volta para a cozinha, sem perceber que eu o segui em silêncio.

Eles falavam baixo demais — eu não conseguia ouvir nada.

Mas dava para ver claramente a empolgação no rosto de Theo.

Pouco depois, parecia que tinham chegado a algum acordo.

Os dois se levantaram e foram em direção à saída.

Eu voltei rapidamente para o meu lugar, fingindo não saber de nada.

Rafael voltou com uma expressão cheia de culpa.

— Amor, os anciãos da família me chamaram de repente. Preciso ir até a sede.

Depois, ele se virou para Theo e disse com cuidado:

— Cuide bem da sua mãe. Eu volto logo.

Theo assentiu, mas seu rosto mostrava um raro descontentamento.

— Eu também queria ir com você…

Ele murmurou baixinho, achando que eu não ouviria.

Foi então que eu falei, de repente:

— Leva o Theo com você. Assim vocês dois resolvem isso juntos… e eu fico mais tranquila aqui.

Os dois ficaram surpresos.

Mas Theo já comemorava, pulando direto nos braços do pai.

Rafael não teve escolha. Pegou o filho no colo e, antes de sair, ainda disse:

— Come enquanto está quente. Mais tarde vai chegar uma equipe de maquiagem exclusiva para te preparar. Fica em casa me esperando, eu volto logo para te buscar.

Mas eu sabia.

Eles não voltariam.

Porque, naquele mesmo momento, Isabela também havia me mandado uma mensagem:

"Eu estou grávida! Quando contei, ele ficou radiante. Veio correndo me ver… até o seu filho ficou feliz por mim! Mara Silveira, dessa vez você perdeu. Mesmo que não vá embora, Rafael logo vai pedir o divórcio. Ele nunca deixaria meu filho ser um bastardo."

Minha mente ficou em branco.

Era como se o mundo estivesse girando… perdendo todas as cores.

Demorei muito até conseguir reagir.

Com as mãos trêmulas, liguei para Lucas.

— Pode começar o plano. Rafael está indo encontrar Isabela. Pela localização, vocês conseguem interceptá-lo no caminho. O boneco precisa morrer debaixo do carro dele.

Desliguei.

Quebrei o chip do celular.

Apaguei todas as mensagens entre mim e Lucas.

Deixei apenas o histórico de conversas com Isabela dos últimos dois anos.

Esse celular… eu mandei colocarem junto ao boneco.

Mesmo indo embora, eu queria que Rafael soubesse de tudo.

Sem nenhuma dúvida.

Depois de organizar tudo, não levei nada comigo.

Sob os arranjos de Lucas, embarquei em um jato particular e deixei Valcrest para trás.

A partir daquele momento…

Mara Silveira deixou de existir.
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