Share

Primeiro Contato

Author: Taize Dantas
last update publish date: 2024-01-05 09:19:08

Othon

A noite avançava e o quanto já bebi é um mistério para mim. Estou em um estado de descontração que só as férias são capazes de proporcionar. Ainda mantenho a sobriedade o suficiente para admirar as belezas naturais diante de mim. E quando falo em belezas naturais, não estou exatamente pensando na natureza em si. Faço essa observação para meus amigos, que riem em resposta. 

— O problema é que você só faz olhar, Othon — Colin reclama.

— E eu não entendo porquê. Está se guardando para o grande amor da sua vida? — A pergunta é feita por Noah, que faz uma careta terrivel apenas ao falar a palavra “amor”.

— Talvez… — Eu dou a mesma resposta de sempre.

O clima está bastante animado em mais um dia de férias em Fernando de Noronha. Colin, Noah e eu estamos aproveitando ao máximo esse paraíso de sol e mar. Somos completamente diferentes, mas desde o primeiro momento em que nos conhecemos, tornamo-nos amigos inseparáveis, sempre escolhendo o mesmo destino para nossas férias.

Continuo bebericando a minha bebida de maneira tranquila, quando noto a entrada de uma deusa. A garota é simplesmente deslumbrante. Negra, de longos cabelos cacheados e um corpo escultural, uma perfeita visão de exuberância. Meus amigos percebem minha mudança de expressão e seguem meu olhar, dando de cara com a mesma visão impressionante que me capturou.

— Quem é essa deusa? — pergunto, quase sussurrando, mas com a empolgação evidente na voz.

Meus amigos riem novamente, percebendo que algo inusitado está prestes a acontecer. É incrível como uma presença pode mudar o rumo de uma noite que já era divertida.

Meus olhos não conseguem se desviar da mulher que atraiu minha atenção, mas percebo que ela é bastante reservada. Seus olhos permanecem fixos nas pessoas do seu grupo, composto por cinco mulheres, todas incrivelmente belas. Contudo, minha atenção está totalmente voltada para aquela em particular. Ela é a visão que domina meus pensamentos nesta noite em Fernando de Noronha.

— Estou completamente encantado — confesso para meus amigos.

Othon, sem rodeios, diz algo que eu já temia:

— Lamento dizer, mas ela não parece corresponder ao seu interesse.

Noah, acrescentando à sinceridade do momento, opina:

— Na verdade, ela não parece interessada em conhecer ninguém esta noite.

Em um momento de autoconsciência, percebo que estamos os três focalizando minha garota e discutindo sobre ela. No entanto, ela não lança sequer um olhar na nossa direção, assim como suas amigas também parecem alheias à nossa existência.

— Talvez ela seja apenas lésbica — Noah sugere, estudando a situação com um olhar crítico.

Mesmo diante da incerteza sugerida por meus amigos, mantenho a convicção de que não é o caso. Insisto em minha tentativa de capturar a atenção dela.

— Estou mais do que disposto a apostar que ela vai ceder aos meus encantos — afirmo, determinado, enquanto os olhos da minha amada continuam evitando os meus.

Meus amigos respondem com risadas e desejos de boa sorte quando aviso que vou tentar me aproximar dela. Com um sorriso confiante, inicio meu caminho em direção à mulher que está mexendo com meus sentidos, totalmente decidido a conquistar seu olhar no meio da multidão do bar.

A chegada até o grupo de mulheres se revela mais desafiadora do que eu imaginava, dada a lotação do local. A música alta, risadas e conversas animadas criam um cenário caótico, dificultando minha passagem. No entanto, determinado, esquivo-me entre as pessoas, mantendo o foco em alcançar minha garota em meio à agitação.

Apenas a um passo dela, meu coração acelera com a expectativa do encontro iminente, especialmente ao notar que ela está agora sozinha, suas amigas parecendo ter desaparecido repentinamente. Contudo, meu caminho é abruptamente interrompido por um homem que surge à minha frente, convidando-a para dançar. A garota recusa, mas o homem persiste, oferecendo-lhe uma bebida. Novamente, ela recusa, e a situação se torna mais desconfortável quando o homem se torna inconveniente, segurando seu braço.

Compreendendo a necessidade de intervir quando a jovem pede educadamente que ele solte seu braço, aproximo-me corajosamente:

— Não ouviu a moça? — Pergunto com firmeza — Solte-a.

O homem, visivelmente alterado, responde de maneira desafiadora:

— Vaza daqui, cara! Cheguei primeiro!

Percebo pela fala desconexa que ele bebeu mais do que deveria e decido ser mais incisivo, mentindo descaradamente:

— Acho que não entendeu, mas ela está comigo.

A garota olha para mim, surpresa e agradecida ao mesmo tempo. O homem parece desconcertado por um momento, mas liberta o braço dela.

— Deveria cuidar melhor do que é seu, idiota — Ele diz contrariado e finalmente se afasta.

— Fui xingado, mas você conseguiu se livrar desse sujeito — Digo, e meu sorriso é totalmente sincero.

Minha musa é ainda mais deslumbrante de perto, estou encantado. Espero que minha intervenção tenha sido suficiente para afastar o intruso indesejado e, ao mesmo tempo, criar uma oportunidade para conversar com a mulher que conquistou meu coração naquela noite em Fernando de Noronha.

— Sou Othon — Eu me apresento — E você é…?

Estendo minha mão para a jovem que capturou meu coração, sentindo-o quase falhar diante da hesitação dela em aceitar meu gesto de cortesia. Respiro aliviado quando ela finalmente corresponde.

— Karen — ela diz sem muita convicção.

— Karen — saboreio o nome, que combina perfeitamente com ela, e não resisto a elogiar de maneira honesta: — É um lindo nome.

A expressão em seu rosto denuncia um certo desconforto, e imediatamente me arrependo de ter elogiado o nome dela. Não sou bobo. Sei que muitos homens usam desse subterfúgio para conquistar mulheres, mas fui totalmente sincero. Peço desculpas imediatamente, embora ela me dispense ao dizer simplesmente "muito obrigada", alegando que já está de saída.

Tenho a certeza de que é apenas uma desculpa para não continuar a conversa, pois até eu chegar, ela não parecia prestes a ir embora. No entanto, não me resta outra opção senão me despedir e voltar para meus amigos. Não quero ser mais um a impor minha presença para ela, como fez o outro homem que se aproximou.

— Foi um prazer conhecer você, Karen — Novamente, não estava falando apenas por cortesia. 

Lamento que minha aproximação não tenha sido bem recebida, e me volto desanimado, disposto a caminhar em direção dos meus amigos. No entanto, antes que eu possa dar o primo passo, ouço meu nome sendo chamado. Surpreso, volto-me rapidamente para Karen.

A encaro em expectativa, aguardando o que ela tem a dizer. 

— Você… aceita uma bebida?

A consternação, toma conta de mim diante da oferta inusitada de Karen, porém, tento disfarçar rapidamente. Meu semblante se ilumina com uma surpresa genuína, e por um momento, fico sem palavras.

— Ah, obrigado! — agradeço, aceitando a bebida. — Eu adoraria.

Karen sorri de maneira leve, e durante um instante, trocamos olhares. Uma nova energia parece pairar no ar, e meu coração, que momentos antes estava desanimado, agora b**e mais forte com a possibilidade de algo inesperado e intrigante surgir naquela noite.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Doutor, Meu Filho é Seu!   Epílogo

    ColinSeis meses se passaram desde aquele dia em Ponta Grossa, quando eu e Patrick finalmente chegamos a uma trégua. A vida mudou de uma forma que eu jamais poderia ter previsto, mas, pela primeira vez em muito tempo, as mudanças foram boas. À medida que deixávamos o passado para trás, eu sentia que um novo começo estava se desenrolando diante de mim.Patrick continuava a morar com meus pais no campo, e embora nossa relação nunca tenha se tornado amigável, ela finalmente alcançou algo que sempre pareceu fora do nosso alcance: a paz. Não há mais trocas de farpas, não há mais ressentimentos explícitos. É estranho pensar que, depois de tudo, o que restou entre nós foi o silêncio. Um silêncio que, no entanto, não me incomoda mais. Ele está seguindo a vida dele, da forma como pode, e eu estou seguindo a minha. Isso é suficiente.Mas o que realmente mudou minha vida foi o nascimento de Nicole. Eu jamais poderia ter imaginado o impacto que ter uma filha traria para mim. O momento em que segu

  • Doutor, Meu Filho é Seu!   Bandeira Branca

    ColinO sorriso de Letícia foi se abrindo lentamente, enquanto lágrimas se formavam em seus olhos. A sua resposta não teve hesitação. — Sim, Colin. — Ela riu, ainda emocionada, enquanto me envolvia em um abraço apertado. — Sim, é claro que quero.Nós ficamos ali, abraçados por um momento que parecia eterno. Eu sentia a felicidade transbordar de mim, enquanto a segurava nos meus braços, sentindo a segurança de que tudo, finalmente, estava no lugar.Ela se afastou um pouco, ainda sorrindo, enquanto olhava para o anel em sua mão. Seus olhos brilhavam, e eu conseguia ver o quanto aquele gesto a emocionava.— Eu não esperava por isso hoje, — ela disse, sua voz carregada de emoção. — Quer dizer, eu preparei o jantar, mas você... você me surpreendeu, Colin.Eu ri, puxando-a para perto de novo, incapaz de ficar longe dela naquele momento.— A verdade é que eu não sabia como te agradecer por tudo, Letícia, — comecei, tentando colocar em palavras o que vinha sentindo. — Você tem sido meu porto

  • Doutor, Meu Filho é Seu!   Surpresa!

    ColinEnquanto me afundava em mais um dia de trabalho, tentando evitar pensar em tudo que estava acontecendo, a campainha tocou. Soltei um suspiro, já imaginando que fosse algo que eu teria que resolver, e fui até a porta. Para minha surpresa, eram Noah e Othon, ambos com sorrisos exuberantes e uma garrafa de uísque na mão.— O que vocês estão fazendo aqui? — perguntei, levantando uma sobrancelha.— Viemos salvar o seu aniversário, meu amigo! — Noah disse, levantando a garrafa como se fosse um presente de ouro. — Não vamos deixar você passar o dia sozinho, afundado no trabalho.— E trouxemos um jogo de cartas para completar o combo, — Othon acrescentou, piscando. — Não precisa agradecer, estamos sendo altruístas.Eu não consegui evitar uma risada, mas logo fiz questão de provocá-los:— São duas da tarde, e vocês já querem beber? Vocês sabem que eu tenho coisas para fazer, certo?— Claro que sabemos, — Noah respondeu com um sorriso preguiçoso. — Mas é seu aniversário, Colin. A gente sa

  • Doutor, Meu Filho é Seu!   Vida que Segue

    LetíciaApós o acidente, eu continuei no apartamento de Colin. Sabia o quanto toda essa situação o havia abalado profundamente. Ele precisava de apoio, e eu estava disposta a ser esse apoio para ele, mais do que nunca. Rita tinha insistido em voltar para a nossa casa, dizendo que eu deveria ficar com Colin, que ele precisava de mim agora que estávamos nos entendendo tão bem. Eu não queria aceitar, claro. Rita sempre foi minha fortaleza, e a ideia de ela voltar para casa sozinha me incomodava. Eu sentia que deveria estar ao lado dela também. Foi então que minha mãe mencionou que tinha sido convidada para fazer um cruzeiro com suas amigas. Era um desejo antigo dela, e quando a vi falando sobre isso com um brilho nos olhos, percebi o quanto ela merecia aquela oportunidade. Incentivei-a a ir, muito feliz por vê-la finalmente pensando em si mesma e aproveitando a vida de maneira mais descontraída.— Vai, mãe! — eu disse, animada. — Você merece. Aproveita e se diverte bastante. Vou ficar

  • Doutor, Meu Filho é Seu!   Grande Dor

    ColinQuando entramos no setor de emergência, vi os médicos e enfermeiros correndo para estabilizar Patrick e Valquíria. Ambos estavam gravemente feridos. O barulho das máquinas, o som dos monitores cardíacos, tudo parecia ecoar na minha mente, me empurrando para um estado de alerta constante.Othon se aproximou de um dos médicos, tentando obter informações.— Qual o estado deles? — ele perguntou, a voz firme, mas os olhos denunciando sua preocupação.O médico balançou a cabeça, apertando os lábios.— Tanto Patrick quanto Valquíria sofreram concussão severa e várias fraturas. Vamos estabilizá-los antes de fazer qualquer avaliação mais profunda.A cada palavra do médico, eu sentia uma mistura de alívio e desespero. Patrick estava vivo, mas gravemente ferido. E Valquíria... bem, ela sempre foi uma força destrutiva, mas mesmo assim, vê-la naquele estado me fez questionar tudo.— Não há nada que possamos fazer, a não ser esperar — Othon apontou, enquanto passava as mãos nos cabelos, bagun

  • Doutor, Meu Filho é Seu!   Reviravolta Terrível

    ColinA ideia de uma viagem foi algo revigorante e decidimos ir até o hospital e conversar pessoalmente com Othon sobre uma licença temporária para Letícia. Eu estava certo que ele iria entender, independentemente do fato de sermos grandes amigos. Letícia está grávida e não pode estar suscetível às loucuras do meu irmão.Porém, quando estávamos a caminho do hospital, uma dor aguda atravessou meu peito como uma lâmina quente. A dor foi tão repentina e intensa que minhas mãos quase perderam o controle do volante. Instintivamente, encostei o carro no meio-fio, sentindo o suor frio se formar na testa. Respirei fundo, tentando acalmar o pânico que começava a crescer dentro de mim.— Colin? — Letícia perguntou, sua voz carregada de preocupação. — O que aconteceu?Eu segurei o volante com força, os nós dos meus dedos ficando brancos. A dor no peito era excruciante, como se algo estivesse pressionando meu coração com força. Mas, da mesma forma que veio, ela começou a desaparecer. Lentamente,

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status