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o convite

last update publish date: 2026-06-12 12:11:24

Capítulo 6

Dois dias se passaram desde a carona.

Lívia tentou convencer a si mesma de que aquilo não significava nada.

Arthur Montenegro era apenas seu chefe.

Um homem importante.

Alguém que vivia em um mundo completamente diferente do seu.

Mas, por mais que tentasse ignorar, ela se pegava lembrando da conversa que tiveram.

Do sorriso discreto.

Da forma como ele insistiu para que ela o chamasse pelo nome.

Aquilo a deixava confusa.

Na empresa, a manhã começou agitada.

Várias reuniões estavam programadas para aquele dia.

Lívia organizava documentos quando recebeu uma ligação da recepção.

— Senhorita Almeida?

— Sim?

— O senhor Montenegro gostaria de vê-la.

Ela congelou.

— Eu?

— Sim.

— Tem certeza?

— Absoluta.

Seu coração acelerou.

Arthur raramente chamava funcionários diretamente.

Principalmente alguém do seu cargo.

— Estou indo.

Ao desligar, respirou fundo.

Marina percebeu imediatamente.

— O que aconteceu?

— O senhor Montenegro quer falar comigo.

— Ah, meu Deus!

— Para de fazer drama.

— Drama? Você foi convocada pelo homem mais rico da empresa.

Lívia apenas revirou os olhos e seguiu em direção ao elevador.

Mesmo assim, não conseguiu impedir o nervosismo.

Minutos depois, chegou ao último andar.

A secretária do CEO sorriu educadamente.

— Pode entrar.

Lívia bateu na porta.

— Com licença.

— Entre.

Arthur estava atrás da enorme mesa de madeira escura.

Assim que a viu, levantou-se.

— Obrigado por vir.

— A senhora Clara disse que o senhor queria falar comigo.

— Sim.

Arthur indicou uma cadeira.

— Pode se sentar.

Lívia sentou-se.

Tentava entender o motivo daquela conversa.

Será que havia cometido algum erro?

Será que algum documento estava errado?

Arthur percebeu sua expressão preocupada.

— Pode relaxar.

Você não está com problemas.

Ela soltou um suspiro aliviado.

— Ainda bem.

Isso fez Arthur sorrir.

— Na verdade, queria fazer um convite.

Lívia franziu a testa.

— Um convite?

— Amanhã haverá um jantar beneficente organizado pela minha família.

— Certo.

— E eu gostaria que você fosse comigo.

Por alguns segundos, ela teve certeza de que havia ouvido errado.

— Desculpe… o quê?

— Gostaria que fosse minha acompanhante.

O coração dela disparou.

— Senhor Montenegro…

— Arthur.

— Arthur…

Ela tentou encontrar as palavras certas.

— Não acho que seja apropriado.

— Por quê?

— Porque eu sou uma funcionária.

— E?

— E o senhor é o dono da empresa.

— Continuo sem ver o problema.

Lívia ficou sem resposta.

Arthur apoiou os braços sobre a mesa.

— Não estou convidando você por obrigação.

Estou convidando porque gosto da sua companhia.

As palavras fizeram suas bochechas corarem.

Ninguém jamais havia falado algo assim para ela.

Ainda mais um homem como Arthur.

— Eu preciso pensar.

— Tudo bem.

Mas espero que aceite.

Ela levantou-se.

— Obrigada pelo convite.

— Vou esperar sua resposta.

Lívia assentiu e saiu da sala.

Assim que a porta se fechou, apoiou-se na parede do corredor.

Seu coração parecia querer escapar do peito.

Aquilo estava acontecendo rápido demais.

Naquela noite, ao chegar em casa, encontrou Laura na sala.

— Você parece diferente.

— Diferente como?

— Feliz.

Lívia hesitou.

Talvez não devesse contar.

Mas Laura era sua irmã.

— Arthur me convidou para um jantar.

O sorriso de Laura desapareceu.

— Um jantar?

— Sim.

— Só vocês dois?

— Acho que sim.

Laura sentiu a inveja queimando dentro dela.

Enquanto Lívia falava, ela mal conseguia ouvir.

Uma única frase ecoava em sua cabeça.

“Arthur me convidou para um jantar.”

Mais uma vez.

Mais uma vez sua irmã estava recebendo algo que ela queria.

E naquele instante, Laura percebeu que precisava agir.

Porque, se continuasse esperando, Lívia conquistaria tudo.

Inclusive o homem que ela havia decidido que queria para si.

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