Compartir

Capítulo 2

last update Fecha de publicación: 2026-05-14 02:36:48

Capítulo 2

Os passos de Lara sobre o mármore negro da cobertura pareciam anunciar sua própria rendição. Cada clique dos saltos ecoava como um veredito. O contrato que acabara de assinar ainda queimava em sua bolsa, mas eram as palavras de Enzo que realmente a marcavam na pele: “Você não vai mais carregar o peso dessa família sozinha.”

Ninguém nunca havia dito isso a ela sem querer algo em troca. E Enzo Ravelli, ela sabia, queria tudo.

O elevador privativo a deixou diretamente no quadragésimo segundo andar. Quando as portas se abriram, o ar mudou. Luxo frio, impessoal e absurdamente masculino. Vidros do chão ao teto, mármore negro, um perfume amadeirado e caro pairando como uma assinatura invisível. Lara sentiu-se uma intrusa. Uma mancha num quadro que não fora feito para ela.

Enzo estava de costas, junto à parede de vidro, observando São Paulo sangrar em tons de laranja e vermelho. Mesmo imóvel, ele dominava o ambiente inteiro.

— Entre — ordenou, sem se virar. — E feche a porta.

O clique da porta soou no ambiente e Lara parou no centro da sala, coluna rígida, dedos brancos ao redor da alça da bolsa. Enzo virou-se devagar. O mesmo olhar de antes, aquele que não pedia permissão, que media, que marcava território. Seus olhos desceram por ela com uma lentidão deliberada, quase indecente, demorando-se no tailleur gasto, no descosturado da saia, nos ombros tensos que carregavam anos de exaustão.

Ele não disse nada por quase um minuto. Apenas observou. Como se já a estivesse saboreando.

— Sente-se.

Lara obedeceu, sentando na beirada do sofá de couro. Enzo tirou o paletó com um movimento fluido, a camisa branca colando nos ombros largos e no peito definido. Serviu dois copos de água, colocou um diante dela e sentou-se na poltrona à frente, invasivamente perto.

— Agora — disse ele, voz grave e baixa —, quero toda a verdade. Sem filtros. Sem vergonha.

As palavras saíram dela como sangue de uma ferida antiga. O pai morto. Os nove milhões em dívidas com os Ortega. A mãe manipuladora. O irmão que a ameaçava de vendê-la como se fosse mercadoria. Enquanto falava, Lara sentia a humilhação queimar sua garganta.

Enzo escutava em silêncio absoluto. Mas seus olhos... seus olhos escureciam a cada palavra.

Quando ela terminou, ele inclinou o corpo para frente, antebraços apoiados nas coxas, invadindo ainda mais seu espaço.

— Errado — rosnou baixinho. — Você não tem mais família, Lara. Agora você tem a mim.

O celular vibrou. “Mãe” brilhava na tela.

— Atenda — ordenou ele. — Viva-voz.

A performance de Helena foi impecável: voz fraca, gemidos de dor, culpa destilada, a ameaça velada dos Ortega. Quando a ligação terminou, o silêncio que ficou era pior do que qualquer grito.

Enzo não se alterou. Levantou-se, preencheu um cheque de dois milhões e quinhentos mil reais e o deslizou sobre a mesa como se fosse trocado.

— Isso resolve o imediato. O resto eu destruo pessoalmente nos próximos dias. Mas tem condições.

Lara ergueu os olhos, alarmada.

Enzo agachou-se diante dela. Segurou seu queixo com firmeza, o polegar acariciando o maxilar num contraste perigoso entre ternura e domínio absoluto.

— Você se muda hoje. Agora. Não vai voltar para aquela casa enquanto aqueles parasitas respirarem. Eles não vão mais te tocar. Nem com palavras, nem com culpa, nem com ameaças de merda. Entendeu?

Seu polegar deslizou até o lábio inferior dela, pressionando levemente.

— Eu cuido do que é meu. E você, Lara... você já é minha desde o momento em que entrei naquela sala de entrevista.

Horas depois, quando o elevador privativo se abriu novamente na cobertura, a mão de Enzo repousava firme na base de suas costas — um toque quente, inescapável, possessivo. Ele a guiou até um quarto amplo no final do corredor.

— Amanhã queimamos esse tailleur — murmurou ele antes de fechar a porta, deixando-a sozinha.

Lara soltou o ar preso nos pulmões. Caminhou até a cama king size e congelou.

Um envelope branco repousava perfeitamente sobre o travesseiro. A caligrafia era inconfundível. Com as mãos trêmulas, ela o abriu.

As palavras de Helena eram veneno puro:

Você sempre foi uma idiota ingênua. Acha que um homem como Enzo Ravelli te quer por bondade? Ele só quer te foder até se cansar. Já fechamos um acordo melhor com os Ortega. Se não estiver em casa amanhã cedo, eles virão te buscar à força. Nem seu bilionário vai conseguir te proteger quando decidirem cobrar a dívida com sangue.

Não me decepcione novamente.

Com amor, Mamãe.

A carta escorregou de seus dedos.

Lara sentiu o mundo inclinar. Suas pernas cederam e ela deslizou pela parede até cair sentada no chão frio, abraçando os joelhos. O peito doía. A dúvida doía mais.

Talvez ela não tivesse sido salva.

Talvez tivesse acabado de entregar sua vida nas mãos de um monstro ainda mais perigoso.

Do lado de fora da porta, três batidas firmes soaram.

— Lara.

A voz de Enzo estava mais baixa que o normal. Quase suave. Mas havia algo por baixo — algo afiado, violento, prestes a romper.

Ela não respondeu, imediatamente a maçaneta girou e Enzo entrou, seus olhos varreram o quarto, encontraram a carta no chão, depois pousaram nela, encolhida contra a parede, olhos vermelhos, respiração curta. Ele leu a carta em segundos. Seu rosto não se alterou. Mas o ar da sala pareceu gelar dez graus.

Ele amassou o papel lentamente na mão, como se estivesse esmagando a garganta de alguém. Quando falou, sua voz saiu calma. Perigosa. Definitiva.

— Eles acabaram de cometer o último erro da vida deles.

Enzo caminhou até ela, agachou-se e, sem pedir permissão, segurou seu rosto com as duas mãos, obrigando-a a encará-lo. Seus olhos negros queimavam com algo selvagem, quase insano.

— Amanhã de manhã sua mãe e seu irmão vão descobrir que não existe mais acordo com os Ortega. Porque eu acabei de comprar a dívida deles... junto com a cabeça dos dois.

Ele encostou a testa na dela, a voz descendo para um sussurro rouco:

— E você, minha Lara... vai assistir de camarote enquanto eu destruo cada pessoa que ousou te machucar. Depois disso, não vai restar mais nenhuma dúvida de quem você pertence.

Enzo roçou os lábios de leve na testa dela, um gesto quase carinhoso que contrastava terrivelmente com as palavras seguintes:

— Bem-vinda ao inferno, princesa.

O seu antigo demônio acabou de acordar o pior de todos.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Dívida Irresistível com o CEO Cruel   Capítulo 39

    Capítulo 4A viagem para Buenos Aires foi o ponto de ruptura. O jato corporativo da Montoya decolou às 22h. Durante o voo, eles revisaram a apresentação sentados lado a lado. O braço dele roçava no dela constantemente. Em determinado momento, Helena deixou a mão cair sobre a coxa dele sem querer.Sentiu o músculo tenso sob o tecido da calça. Alexander ficou imóvel. Ela não retirou a mão. Quando chegaram ao hotel Four Seasons em Puerto Madero, o desastre os esperava.— Houve um erro na reserva, Señor Montoya — disse o gerente, visivelmente nervoso. — A suíte presidencial que reservamos com dois quartos foi ocupada por engano por outro hóspede VIP. Só temos disponível a suíte master… com uma cama king size.Alexander ficou em silêncio por três segundos.— Vamos aceitar — disse finalmente, a voz controlada. — Não temos outra opção a esta hora.Helena sentiu o estômago dar um salto.O elevador subiu em silêncio. Quando entraram na suíte, o luxo era absurdo: vista para o rio, jacuzzi na va

  • Dívida Irresistível com o CEO Cruel   Capítulo 38

    Capítulo 3Uma grande campanha internacional para o lançamento simultâneo da nova linha de relógios de luxo da Montoya Enterprises na Europa, Ásia e América Latina transformou os dias seguintes em uma maratona de trabalho sem fim. Alexander decidiu que a campanha seria liderada diretamente por ele e Helena — sem intermediários. Isso significava noites inteiras trancados na sala de reuniões do último andar, com a cidade de São Paulo brilhando lá embaixo como um tapete de luzes frias.Eram quase duas da manhã de uma terça-feira quando Helena tirou os sapatos de salto alto e massageou os pés doloridos. A mesa estava coberta de mood boards, relatórios de mercado, projeções financeiras e taças de vinho tinto pela metade. Alexander estava sem paletó, com a camisa social branca aberta nos três primeiros botões, revelando o peito bronzeado e o início de um abdômen definido. Ele andava de um lado para o outro, passando a mão pelos cabelos pretos ondulados.— Esse conceito ainda está fraco — di

  • Dívida Irresistível com o CEO Cruel   Capítulo 37

    Capítulo 2O primeiro dia de Helena foi um verdadeiro campo de batalha.Às 7h15 ela já estava na mesa que haviam designado — um espaço de vidro e aço a apenas dez metros do escritório dele. Às 7h40, o primeiro e-mail de Alexander chegou:Assunto: Revisão imediata da campanha “Essência 2026”Preciso de três novas direções criativas até as 10h. Não me traga mediocridade.Helena trabalhou como uma possessa. Às 9h47 enviou três propostas completamente diferentes, cada uma melhor que a anterior. Às 10h12 ele a chamou pela primeira vez.— Entre.Alexander estava sem paletó. A camisa social branca colada ao corpo revelava ombros largos, peito definido e braços musculosos. As mangas estavam dobradas até os antebraços, exibindo veias salientes e pele bronzeada.Ele jogou os três conceitos na mesa.— O segundo é bom. Os outros dois são fracos. Refaça. Quero algo que me faça querer foder a marca.As palavras foram ditas com tanta naturalidade que Helena sentiu o rosto esquentar. Ele percebeu.Um

  • Dívida Irresistível com o CEO Cruel   Capítulo 36

    Contrato de DesejoCapítulo 1O elevador panorâmico de vidro subia em velocidade constante pela fachada reluzente da Montoya Tower, o arranha-céu mais imponente da Avenida Berrini. Lá embaixo, São Paulo se estendia como um tapete infinito de luzes, concreto, helicópteros cortando o céu cinzento e o som abafado do trânsito que nunca dormia. Helena Duarte mantinha as mãos firmes sobre a pasta de couro envelhecido que pertencera à mãe, o coração batendo com força contra as costelas.Ela tinha vinte e oito anos, era formada em Publicidade pela USP com pós-graduação na FGV e já havia construído uma carreira respeitável em agências menores. Mas este momento era diferente. Trabalhar diretamente com Alexander Montoya não era apenas um emprego. Era um salto para outro patamar — ou uma queda livre que poderia destruí-la.Helena ajustou o tailleur preto Tom Ford que havia comprado especialmente para aquela entrevista. O tecido era caro o suficiente para transmitir competência, mas não tão chamat

  • Dívida Irresistível com o CEO Cruel   Capítulo 35

    Seis anos se passaram.O tempo, que um dia parecera inimigo, tornara-se aliado. A cobertura de vidro e aço onde tudo começara já não era a única casa da família. Havia também uma propriedade ampla no interior, cercada por árvores altas e silêncio verdadeiro, onde as crianças podiam correr sem o peso constante de seguranças à vista. Ainda havia proteção — Enzo nunca abriria mão disso completamente —, mas ela se tornara discreta, quase invisível, como a cicatriz que ele carregava no peito.Lara observava pela janela da sala ampla a tarde dourada caindo sobre o jardim. Rafael, agora com quase sete anos, corria na grama com a irmã mais nova, Helena — nome escolhido não por perdão, mas por reapropriação, um ato deliberado de transformar o que fora veneno em algo novo. O caçula, Enzo Filho, de apenas dois anos, tentava acompanhar os irmãos com pernas curtas e risadas altas. O som das crianças preenchia o ar como a prova viva de que o ciclo havia sido quebrado.Enzo apareceu atrás dela, como

  • Dívida Irresistível com o CEO Cruel   Capítulo 34

    A transmissão ao vivo de Enzo havia mudado tudo e, em questão de horas, a narrativa que Theo e Camila construíram com tanto cuidado desmoronou. A imagem do CEO “morto” reaparecendo, ferido, mas vivo e acusando-os publicamente, gerou um terremoto nos mercados e na imprensa. As ações da Ravelli International, que haviam oscilado perigosamente, começaram a se recuperar. Acionistas que cogitavam apoiar Theo recuaram. A polícia, pressionada pelas provas que Enzo já havia reunido em segredo, acelerou as investigações.Enzo ainda estava debilitado. O peito doía a cada respiração profunda, e os médicos insistiam em repouso absoluto. Ele ignorou a maior parte das recomendações. Instalou um centro de comando temporário em uma suíte hospitalar reforçada e, de lá, assumiu o controle total da guerra.— Quero todos os processos acelerados — ordenou aos advogados. — Quero bloqueio de bens de Theo e Camila. Quero a interceptação de qualquer comunicação deles. E quero Lara ao meu lado quando formos à

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status