INICIAR SESIÓN— O que é isso? — perguntou, a voz perigosamente baixa.
Lara não conseguiu falar. As palavras da mãe ainda pulsavam em sua cabeça como veneno: Ele só quer foder você até se cansar.
Enzo pegou a carta. Enquanto lia, o ar ao seu redor pareceu condensar. Seu maxilar travou. Quando terminou, amassou o papel com uma lentidão cruel, como se estivesse quebrando ossos.
— Eu sabia que sua mãe era uma cobra — murmurou. — Mas não imaginei que fosse burra a ponto de deixar provas.
Lara ergueu o olhar, atordoada.
— Você… sabia?
Enzo agachou-se diante dela. Dessa vez não havia nenhuma suavidade. Apenas posse pura. Ele segurou seu queixo com firmeza, obrigando-a a encará-lo.
— Eu investiguei cada membro da sua família antes mesmo de você entrar naquele elevador, Lara. Sua mãe desviou quase dois milhões do espólio do seu pai. Dinheiro que poderia ter quitado parte da dívida com os Ortega. Em vez disso, ela escondeu tudo em uma conta fantasma. Enquanto isso, te usava como escudo humano, te manipulava com crises falsas e permitia que seu irmão te ameaçasse.
Cada palavra era uma facada. Lara sentiu o peito rachar. Anos de sacrifício, de culpa, de noites sem dormir… tudo por nada.
— Por quê? — sussurrou, a voz embargada.
— Porque para ela você nunca foi uma filha. Foi uma ferramenta. — Enzo deslizou o polegar pelo lábio inferior dela, o toque ao mesmo tempo carinhoso e brutal. — E isso termina hoje. Agora.
Ele se levantou e começou a andar pelo quarto como um animal enjaulado. Parou de repente e virou-se para ela.
— Regras. Não são negociáveis. Você não fala com eles sem minha autorização. Não sai deste apartamento sem segurança armada. Não atende chamadas, não lê mensagens, não abre cartas sem me mostrar primeiro. Eles estão mortos para você, Lara. Mortos.
Ela sentiu um arrepio violento.
— Você está me prendendo.
Enzo aproximou-se em duas passadas largas. Seus olhos negros pareciam carvão em brasa.
— Estou te protegendo. E vou destruir qualquer um que tente te tocar novamente. Incluindo sua própria sangue.
O celular dele tocou. Enzo atendeu com visível irritação, mas sua expressão rapidamente se transformou em gelo puro.
— Theo — disse, o nome saindo como uma maldição. — Você realmente tem coragem de me ligar.
Lara observou, paralisada, enquanto Enzo ouvia. A conversa era curta, cortante. Quando ele falou novamente, sua voz estava carregada de promessa de violência:
— Ameaçe-me de novo e eu não vou apenas destruir sua empresa, Theo. Eu vou enterrar você e toda a sua linhagem. E depois vou mandar os restos para os Ortega como aviso.
Ele desligou.
— Theo Andrade — explicou, voltando o olhar para ela. — Um verme que quer engolir meu império há anos. Agora que farejou você, acha que encontrou minha fraqueza.
Antes que Lara pudesse responder, Enzo a puxou do chão com facilidade, segurando sua nuca com uma mão possessiva. Seus corpos colidiram. Ele não pediu. Não hesitou.
Beijou-a como se estivesse marcando território.
Não era um beijo romântico. Era fome. Raiva. Domínio absoluto. Sua língua invadiu sua boca com urgência, como se quisesse apagar cada palavra venenosa que a mãe havia escrito nela. Uma das mãos dele desceu até sua cintura, pressionando-a contra seu corpo duro, enquanto a outra mantinha sua nuca firme, impedindo qualquer recuo.
Lara soltou um gemido abafado, metade chique, metade rendição. O mundo desapareceu. Só existia o calor dele, o gosto de uísque e fúria, o coração dele batendo violentamente contra o dela. Por um segundo, ela se permitiu cair. Apenas sentir.
Quando Enzo se afastou, seus olhos estavam quase pretos.
— Você é minha agora, Lara Ventura. E eu queimo o mundo antes de deixar alguém te tirar de mim.
Do outro lado do corredor, escondida na penumbra da sala de estar, Camila baixou o celular. O vídeo que acabara de gravar era nítido, cruelmente claro: o beijo, o gemido, as mãos de Enzo marcando território.
Ela sorriu, um sorriso frio e enviou o arquivo.
Não apenas para Helena.
Enviou também para Theo Andrade e para o contato principal dos Ortega.
A mensagem que acompanhava o vídeo era curta e letal.
“Ele já está obcecado. A garota é a fraqueza dele. Quando ele vier atrás de nós, estará cego. É só esperar o momento certo.”
Camila guardou o celular, ajeitou o cabelo e saiu do apartamento em silêncio, como se nunca tivesse estado ali.
No quarto, Lara ainda tocava os lábios formigantes, o corpo traidor tremendo de desejo e medo. Ela olhou para Enzo, que a observava como se já a possuísse em todos os sentidos.
Por um instante, ela quase acreditou que estava segura.
Quase.
Porque do outro lado da cidade, dentro de um escritório luxuoso e mal iluminado, Helena Ventura assistia ao vídeo pela terceira vez. Ao seu lado, Theo Andrade sorria. E do outro lado da mesa, um homem com sotaque carregado dos Ortega acendia um charuto.
Helena ergueu os olhos, o rosto iluminado por um sorriso lento e venenoso.
— Perfeito — sussurrou ela. — Ele vai destruir tudo para protegê-la… e quando estiver mais vulnerável, nós vamos destruir ele. Com a própria filha dele como arma.
Ela olhou novamente para o vídeo, onde Enzo devorava a boca de Lara.
— Bem-vinda ao jogo, filha.
Dessa vez, ninguém vai te salvar.
Capítulo 22— Cabelos brancos? Você está pensando longe demais.— Eu estou pensando em para sempre. E para sempre inclui cabelos brancos.Ela se aninhou nele, sentindo-se em paz.— Eu quero tudo isso também. E mais.— O quê?— Quero que a gente continue se desejando como no primeiro dia. Quero que a gente nunca se torne um casal acomodado. Quero que a paixão permaneça, mesmo quando o conforto chegar.Alexander sorriu.— Isso eu posso prometer. Porque eu nunca vou me cansar de te desejar. Nunca.Ele a puxou para o colo, e ela se encaixou perfeitamente, como se tivesse sido feita para aquele lugar.— E sobre o quarto de bebê? — perguntou Helena, a voz suave.— O que tem?— Eu tenho pensado... talvez não seja uma má ideia começar a tentar em breve.Alexander ficou imóvel, os olhos arregalados.— Você está falando sério?— Estou. Não quero apressar nada. Mas também não quero esperar demais. Eu te amo e quero construir uma família com você.O sorriso dele foi tão largo que iluminou todo o
Capítulo 21— Eu quero ter filhos com você, Alexander. Um ou dois. Talvez três. Mas não agora. Quero primeiro construir nossa vida juntos, viajar, dançar na sala, fazer amor sem hora marcada. Depois a gente pensa em fraldas e mamadeiras.— Combinado. O quarto de bebê fica pronto para quando a gente decidir.— Isso é um contrato?— É uma promessa.Ela sorriu.— Então é melhor escrever. Você sabe que eu levo contratos a sério.Alexander riu, rolando sobre ela.— Amanhã. Agora eu quero te mostrar outra coisa que essa cama pode fazer.— Outra coisa?— Tem um controle que ajusta a inclinação. E eu quero te foder de um jeito que a gente nunca tentou.Helena mordeu o lábio, os olhos brilhando.— Surpreende-me.Ele surpreendeu.E quando a noite caiu completamente, os dois estavam exaustos, satisfeitos e profundamente apaixonados.A vida era boa.A vida era deles.***Semanas depois, Helena estava no escritório da agência, assinando documentos, quando o celular vibrou novamente.Mensagem de Al
Capítulo 20As paredes eram de um tom suave de amarelo-claro, com delicados desenhos de nuvens pintados à mão. Um berço de madeira branca ocupava o centro do cômodo, coberto por um móvel de estrelas douradas. Havia uma poltrona de amamentação ao lado da janela, um trocador elegante, prateleiras com livros infantis e uma luminária em formato de lua que emitia um brilho suave.Helena ficou paralisada.— O que... o que é isso?Alexander estava ao lado dela, os olhos fixos em seu rosto.— É um quarto de bebê.— Eu vejo que é um quarto de bebê. Mas... por quê?Ele respirou fundo.— Porque eu quero ter uma família com você, Helena. Não agora, se você não quiser. Não amanhã. Mas um dia. Eu quero construir algo que vá além de nós dois. Algo que deixe marcas no mundo. E eu quero fazer isso com você.As lágrimas escorriam livremente pelo rosto de Helena.— Eu... eu não sei o que dizer.— Diz que não estou louco.Ela riu, soluçando.— Você é o homem mais surpreendente que eu já conheci.— Isso é
Capítulo 19Na tarde seguinte, Helena estava no escritório da agência, revisando os últimos detalhes da campanha vencedora, quando o celular vibrou.Ela reconheceu o som antes mesmo de olhar para a tela. Era o toque personalizado que ela havia configurado apenas para Alexander — uma versão suave de uma música que dançaram juntos naquela noite no apartamento dela, meses atrás.O coração de Helena deu um salto.Ela abriu a mensagem."Tenho uma surpresa esperando por você."Apenas isso. Nada mais.Helena sorriu, mordeu o lábio, sentindo o frio na barriga que só ele conseguia provocar. Por mais que o relacionamento deles tivesse amadurecido, Alexander ainda tinha o dom de fazê-la sentir-se como uma adolescente apaixonada diante do primeiro amor.Ela pegou a bolsa, avisou a secretária que sairia mais cedo e caminhou até o elevador.— Pode encerrar as reuniões de hoje — disse ela a Marina, que a observava com um sorriso cúmplice. — Algo urgente surgiu.— Claro, chefe. Divirta-se.Helena riu
Capítulo 18Depois da sobremesa, ele pediu um vinho do Porto e ficou em silêncio por um instante, como se escolhesse as palavras.— Tem uma coisa que eu quero te dar — disse ele, a voz baixa.— O quê?Alexander tirou uma pequena caixa do bolso do paletó. Era de veludo azul-marinho, simples e elegante.Helena sentiu o coração parar.— Alexander...— Calma. Não é um pedido de casamento tradicional. — Ele abriu a caixa. Dentro havia um anel de ouro branco com uma safira rodeada por pequenos diamantes. — É um símbolo. Do compromisso que construímos.Ela ficou imóvel, os olhos fixos no anel.— É lindo.— É metade do que você merece.Helena ergueu o rosto, os olhos brilhando.— Por que agora?— Porque eu passei a vida inteira acreditando que contratos serviam para controlar. Mas com você aprendi que existe outro tipo de contrato. Um que não amarra. Não limita. Um que escolhe, todos os dias, ficar.A lágrima escorreu silenciosa.— Nosso primeiro contrato foi um erro — disse ele, sorrindo.He
Capítulo 17O sol da manhã entrou pela janela da cobertura, desenhando padrões dourados sobre os lençóis pretos. Helena acordou devagar, o corpo ainda pesado de prazer e exaustão, a mente flutuando entre o sono e a vigília.Por um instante, ela se perguntou se tudo não passara de um sonho.Então sentiu o braço de Alexander ao redor da sua cintura, a respiração quente no seu pescoço, o cheiro inconfundível de pele masculina misturado ao perfume de cedro. Ele dormia profundamente, o rosto relaxado, os lábios entreabertos, o cabelo preto espalhado no travesseiro.Helena sorriu.Era real. Ele era real.Ela ficou imóvel por longos minutos, apenas observando-o dormir. Havia algo sagrado naquele momento: a ausência de máscaras, a vulnerabilidade exposta, a confiança absoluta de quem se permite descansar ao lado de alguém.Ela amava aquele homem. Amava o CEO implacável e o homem assustado por trás da armadura. Amava as contradições, as cicatrizes, os silêncios. Amava até o medo que ele carreg







