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Capítulo 6

Author: Cipreste Gema
— O quê? — Ele achou que tinha ouvido errado.

Ibsen também percebeu que, nesses dois dias, de fato tinha deixado de dar atenção a Dionísia em alguns aspectos.

Mas por que ela falava em divórcio com tanta facilidade?

Ele se explicou:

— Inês não tem mais pais nem parentes, só restaram esses dois filhos. Ela está em dificuldade agora, não tenho motivo para simplesmente assistir sem fazer nada.

Dionísia riu friamente:

— Então você tem que ajudar pessoalmente? Tem uma porção de empregados, uma equipe de seguranças, basta ela chorar que você vai correr para abraçá-la. O mais importante é você: no seu coração, existe ela. E eu, sou o quê?

Ibsen virou de costas:

— Você está enganada. Eu já disse, nós somos marido e mulher, então pare de falar em divórcio, vá descansar cedo.

Mais uma vez, marido e mulher...

Então, ser marido e mulher significa poder ignorar o outro?

Após dizer isso, Ibsen saiu, sem dar chance para Dionísia continuar falando.

No andar de baixo.

O mordomo Fábio acabava de organizar o salão de jantar com a equipe:

— Senhor.

Ibsen pensou um pouco:

— Peça ao chef para preparar um prato de peixe amanhã.

Dionísia adorava peixe, mas ele não gostava, por isso o chef quase nunca preparava tal prato nesses anos.

-

No dia seguinte.

Ibsen saiu cedo, a empresa estava ocupada, não era possível estar em casa todos os dias.

Quando Dionísia desceu, já acordada, viu Inês usando uma camisola nova, sentada no sofá, dando ordens aos empregados sobre o café da manhã. O pé que ela havia torcido na noite anterior parecia estar perfeitamente normal.

— Peixe? Se bem me lembro, o Ibsen não gosta de peixe.

Fábio respondeu:

— Quem gosta é a senhora, o senhor pediu para o chef preparar para a senhora.

O sorriso de Inês ficou um pouco rígido por um instante:

— É mesmo...

Ela se virou, e logo viu Dionísia descendo:

— Dionísia, você acordou. O Ibsen acabou de sair.

Dionísia baixou os olhos, sem dizer uma palavra.

Inês sorriu:

— Ah, Dionísia, hoje não vou jantar aqui.

Dionísia não entendeu por que ela precisava avisar sobre para onde iria.

Mas só entendeu à noite.

Porque Ibsen ia levar Inês para um coquetel.

Inês sorriu e explicou:

— Dionísia, é o seguinte, eu até que falo bem línguas estrangeiras, e esse coquetel em que o Ibsen vai é bem importante. Pensei que talvez pudesse ajudá-lo. Só que não tenho um vestido de gala adequado, agora seria difícil encontrar um a tempo. Na verdade, a culpa foi minha, achei que tinha um vestido na mala, mas não encontrei. Então, Dionísia, será que eu poderia pedir emprestado um dos seus vestidos?

O pedido de emprestar o vestido foi uma decisão unilateral dela.

Ouvindo isso, Ibsen franziu levemente o cenho:

— No caminho há lojas especializadas em vestidos de gala, com certeza terão seu tamanho.

Os vestidos de Dionísia eram todos feitos sob medida, cada um era único.

Inês hesitou e logo explicou:

— É que fiquei com medo de não dar tempo, foi só por isso...

Dionísia permaneceu em silêncio.

Então era certo que Ibsen considerava que sua esposa não sabia lidar com línguas estrangeiras, preferindo levar Inês ao evento, ignorando completamente a presença dela?

Faz sentido, afinal, já estavam falando em divórcio.

Realmente não havia mais necessidade de se importar com o outro.

Dionísia disse:

— Estão todos no closet, pode escolher à vontade.

A indiferença dela incomodou Ibsen, que subitamente sentiu necessidade de explicar:

— É só um coquetel de negócios.

Dionísia não respondeu e foi para a sala de jantar.

Inês disse:

— Ibsen, já são cinco horas.

Ibsen continuou olhando na direção da sala de jantar.

Depois de um momento, virou-se para sair:

— Vá trocar de vestido.

Inês sorriu gentilmente:

— Está bem.

-

No caminho.

A imagem serena de Dionísia não saía da mente de Ibsen, em ocasiões como essa, ele sempre levava Dionísia.

Desta vez, foi Inês quem falou que fazia tempo que não participava de um evento tão importante.

Ao lembrar-se do que ela passou, ele não teve coragem de recusar. Além disso, Inês realmente falava bem línguas estrangeiras, então concordou em levá-la.

— Ibsen, quando voltarmos explico para a Dionísia. Também foi culpa minha, acabei ficando presa ao passado...

Inês abaixou a cabeça e suspirou com tristeza.

Ibsen voltou a si.

Presa ao passado?

Aquilo de repente lhe lembrou que tudo isso, originalmente, deveria ter pertencido a Inês.

Nenhum deles estava errado.

Além disso, ele e Inês cresceram juntos, ela lhe dera dois filhos adoráveis. Mesmo que compensasse um pouco mais, Dionísia deveria entender.

— Pare de chorar, senão vai estragar a maquiagem.

Inês sorriu docemente:

— Eu sabia que Ibsen era o melhor.

-

No local do coquetel.

Havia muitas empresas estrangeiras. Desde que a Capital ressuscitou as empresas farmacêuticas, as multinacionais passaram a prestar ainda mais atenção.

A empresa de Ibsen era líder absoluta na província vizinha, só não estava no mesmo nível das grandes companhias de Cidade do Mar.

Mas dentro da Cidade do Mar, a empresa de Ibsen ainda não era de primeira linha, por isso ele precisava de investidores para ajudar na expansão.

Naquele momento, algumas pessoas passaram, e o responsável pelo projeto, Valdir, fez as apresentações:

— Sr. Araújo, Sr. Melo, este é o dono do Grupo Pinto, Ibsen Pinto, que conquistou a licitação de três hospitais de ponta em poucos meses.

Os dois homens ao lado de Valdir, ambos de aparência notável, atraíram todos os olhares ao redor.

Pela apresentação, o homem à esquerda era Eduardo Araújo, proprietário de uma das maiores fornecedoras nacionais de equipamentos médicos.

Tinha vinte e nove anos, era herdeiro da família, com uma postura sóbria e imponente, e sua empresa era cerca de duas vezes maior que o Grupo Pinto.

Ao lado de Eduardo estava Bianor Melo, filho de uma das famílias mais influentes da Cidade do Mar, atualmente presidente da empresa mais prestigiada da cidade.

Era o irmão mais velho de Dionísia.

Ao ouvir o nome de Ibsen, Bianor ergueu o olhar, fixando-o no rosto do outro.

Ele já tinha visto fotos de Dionísia enviadas por seus subordinados, bem como a aparência de Ibsen. Agora, vendo-o pessoalmente, reconheceu que ele tinha seus méritos.

Mas... quem era a mulher ao lado dele?

Ibsen, com uma postura impecável, aproximou-se e estendeu a mão com respeito:

— Sr. Araújo, Sr. Melo, é uma honra conhecê-los.

Eduardo apenas acenou com a cabeça:

— Sr. Ibsen.

Bianor, ainda fixando o olhar em Ibsen, apertou-lhe a mão rapidamente:

— Soube que a empresa do Sr. Ibsen foi listada na bolsa. Parabéns.

Ibsen respondeu com humildade:

— Que isso, Sr. Melo, Sr. Araújo, ainda estamos longe do nível de vocês.

— Não diga isso. O senhor é bem mais feliz do que eu. — Bianor olhou para ele de modo significativo. — Tem uma esposa virtuosa e dois filhos encantadores.

Eduardo, como espectador, ficou de lado, observando. Sabia que o amigo Bianor estava avaliando o cunhado.

Em seguida, Bianor perguntou de propósito sobre Inês:

— Esta é a Sra. Pinto?

Inês corou, olhando hesitante para Ibsen.

Ibsen não queria admitir, mas não esperava que perguntassem diretamente sobre a identidade de Inês.

Temia que Bianor soubesse que, em ocasiões importantes, ele não levava a própria esposa, pois isso soaria desrespeitoso.

Só lhe restou responder:

— Sim.

Ao ouvir isso, Inês rapidamente cumprimentou os dois:

— Olá, Sr. Melo, Sr. Araújo.

Mal sabia ela que, ao ouvir a resposta de Ibsen, o olhar de Bianor havia mudado.

Ele respondeu friamente:

— Hum.

Então, Bianor virou-se e saiu com Eduardo, sem dizer mais uma palavra.

Ibsen não se incomodou, interpretando o interesse e as perguntas de Bianor como sinal de que ele já tinha o Grupo Pinto em mente.

Ao final do coquetel, Valdir, o responsável pelo projeto, acompanhou-os até o carro, sorridente.

Mas foi Eduardo quem falou primeiro:

— Considerando todos os aspectos, o Grupo Araújo não pretende cooperar com o Grupo Pinto.

Bianor imediatamente acrescentou:

— Para nós, o Grupo Pinto também está fora da lista de candidatos para investimento.

Sua querida irmã, tão jovem, acabara virando madrasta dos filhos de Ibsen!

Além de não a valorizar, ele ainda levava outra mulher a um evento importante e teve a ousadia de apresentá-la como sua esposa!

O sorriso de Valdir congelou:

— Senhores, posso saber o motivo?

Bianor conteve a raiva:

— Negócios exigem integridade. O Sr. Ibsen trouxe outra acompanhante a um evento público e mentiu dizendo que era sua esposa. Com esse tipo de caráter, não posso confiar para investir. O Sr. Araújo também acredita que não é possível uma colaboração de sucesso com um líder empresarial assim.
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