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Capítulo 7

Author: Rúbia
Lavínia vestia um conjunto de ioga justo, que acompanhava as curvas de seu corpo e deixava evidente uma sensualidade difícil de ignorar.

As sobrancelhas delicadas, os olhos grandes e expressivos, os traços harmoniosos... Sob o nariz pequeno e bem desenhado, os lábios naturalmente avermelhados pareciam macios e úmidos.

Dante percebia com clareza que, a cada encontro, ela se tornava mais ousada.

O medo e o nervosismo dos primeiros dias tinham desaparecido quase por completo.

Mulheres tentando se aproximar dele nunca haviam faltado.

Nenhuma, porém, chegara tão longe quanto Lavínia.

Bonita, corajosa e descarada na medida certa.

Servia perfeitamente ao que ele queria.

Dante apertou a mão contra a região lombar dela e a puxou de volta para perto.

— Não sentiu nada? Então a culpa foi minha.

Lavínia sustentou o olhar dele. Havia um sorriso discreto naqueles olhos profundos, e ainda assim seu coração bateu mais forte.

Sem perceber, deixou os olhos descerem até a boca de Dante.

Diziam que homens de lábios finos eram frios, incapazes de se entregar de verdade.

Se aquilo era verdade ou não, ela não sabia.

Até ali, Dante tinha lhe sido bastante útil.

Ela já havia se beneficiado da influência dele.

E também já tinha ido para a cama com ele.

Considerando tudo, não estava exatamente em desvantagem.

— Dante, você tem namorada?

Reunindo coragem, Lavínia levou a mão ao pescoço dele.

A ponta do indicador deslizou de leve sobre seu pomo de adão, numa provocação lenta e deliberada.

A garganta de Dante se contraiu.

No instante seguinte, ele segurou aquela mão inquieta.

— O quê? Agora quer ser minha namorada?

Sua voz saiu baixa, rouca, carregada daquela sensualidade preguiçosa que parecia natural nele.

A mão de Lavínia ainda estava próxima ao pescoço de Dante. Quando ele falou, ela sentiu o movimento de sua garganta sob os dedos.

— Não.

Aquilo jamais lhe passara pela cabeça.

Por isso, respondeu sem hesitar:

— Se você tiver namorada, essa proximidade entre a gente não é certa.

Dante soltou uma risada baixa.

Afastou a mão dela de seu pescoço, mas não soltou seus dedos. Continuou segurando-os, brincando com eles de um jeito que tornava o gesto muito menos inocente do que deveria.

— Só agora resolveu se preocupar com o que é certo ou errado? Não acha que está um pouco tarde?

— Ainda dá tempo de parar antes de errar de novo.

Lavínia já ouvira muitos boatos sobre Dante Vasconcelos.

Diziam que ele se envolvia com várias mulheres e que, mesmo quando essas relações terminavam, nunca era mesquinho com nenhuma delas.

Também diziam que jamais apresentara publicamente uma mulher como namorada.

Homens assim costumavam se encaixar em dois tipos: os que ainda não tinham encontrado ninguém capaz de fazê-los sossegar e os que já guardavam no coração alguém que nunca puderam ter.

Lavínia só tivera coragem de inventar aquela história porque também sabia de outra coisa.

Dante podia ter fama de mulherengo, mas nunca tratava mal as mulheres com quem se envolvia.

Um brilho divertido apareceu no olhar dele.

— Você até que sabe se comportar.

Lavínia sabia que Dante tinha interesse nela.

Não sentimentalmente.

Ele a desejava como mulher.

E, entre um homem e uma mulher, a atração quase sempre começava pelo que os olhos viam. Personalidade, afinidade e todo o resto vinham depois.

Ela ergueu o rosto.

— Então, vai fazer ioga ou está pensando em outra coisa?

Já havia percebido que Dante parecia gostar ainda mais dela quando mostrava aquele lado ousado, sem fugir das provocações.

O sorriso dele se aprofundou.

Cada vez que a mão de Dante deslizava por seu corpo, os músculos de Lavínia se contraíam involuntariamente.

A respiração quente dele passava rente ao seu rosto e fazia o ar parecer mais pesado.

A mansão era enorme.

Ainda assim, naquele instante, o espaço ao redor dos dois parecia ter diminuído.

Dante prendeu os dedos na barra da blusa dela e a levantou apenas um pouco.

Lavínia já respirava de maneira irregular.

Ele percebeu.

Também percebeu o esforço quase teimoso que ela fazia para continuar aparentando tranquilidade.

Aquilo o divertiu.

Queria saber até onde ela conseguiria sustentar aquela pose.

— Não estou com vontade de fazer ioga.

Entre dois adultos, certas intenções dispensavam explicações.

Às vezes, um olhar dizia o bastante.

A primeira vez de Lavínia já havia sido com ele.

Não havia razão para agir como se uma segunda fosse algo assustador.

Ela deslizou os dedos até a cintura da calça dele.

— Tudo bem.

Mais uma vez, conseguiu surpreendê-lo.

Dante segurou sua mão.

Engoliu em seco, e dessa vez nem tentou esconder o desejo no olhar.

Lavínia percebeu.

Finalmente parecia ter conseguido virar o jogo.

Ergueu o rosto sem maquiagem. De tão perto, seus olhos pareciam ainda maiores, úmidos e brilhantes.

— Dante...

Ele se aproximou.

A mão dela parou.

Lavínia prendeu a respiração e ficou imóvel.

Dante esboçou um sorriso.

— Por que parou?

Ela podia ser ousada, mas ainda sabia onde ficava seu limite.

Dante, ao contrário, continuou avançando devagar, roubando-lhe o espaço até obrigá-la a recuar.

Lavínia acabou sentada no sofá.

Não acreditava que ele realmente faria alguma coisa ali.

Afinal, estavam na casa da mãe dele.

Por mais sem-vergonha que Dante fosse, algum limite precisava ter.

Ou talvez não.

Porque ele não parecia disposto a parar.

O ar entre os dois ficou carregado de desejo e desafio, numa disputa silenciosa para descobrir quem cederia primeiro.

Lavínia estava nervosa a ponto de sentir o corpo inteiro tenso, mas se recusava a demonstrar fraqueza.

Sabia também que homens como Dante não gostavam de ver uma provocação morrer pela metade.

Gostavam de quem soubesse sustentar o jogo.

E ele claramente apreciava aquele lado teimoso dela, a insistência em enfrentá-lo mesmo quando estava à beira de perder a coragem.

Dante captou o nervosismo por trás da aparente segurança e sorriu.

— Continua.

A palavra soou quase como um incentivo.

E estímulos tinham um efeito curioso.

Bastava alguém demonstrar aprovação para surgir a vontade de ir um pouco além, de provar que era capaz, de corresponder à expectativa.

Lavínia não queria decepcioná-lo.

Mais do que isso, não queria perder.

Até aquele momento, nenhum dos dois tinha vencido.

Ela provocava.

Ele devolvia.

Um avançava.

O outro acompanhava.

A sintonia entre eles era desconcertantemente natural.

Não precisavam de sentimentos, promessas ou tempo para descobrir se funcionavam juntos.

Em certas coisas, pareciam pensar de um jeito perigosamente parecido.

Talvez Dante estivesse certo.

Os dois combinavam.

Sobretudo naquele tipo de jogo.

Lavínia não recuou.

Entrou de vez na provocação dele e deixou de lado qualquer preocupação com pudor ou aparência.

No fundo, talvez aquilo provasse que, pelo menos nesse aspecto, os dois não eram tão diferentes.

O corpo dela ficou ainda mais tenso.

Na primeira vez, bebera demais e mal se lembrava das próprias sensações.

Agora, porém, estava completamente sóbria.

E isso mudava tudo.

Estava na casa da mãe dele.

No sofá da sala.

Com Dante perto demais.

O lugar, o risco e a consciência absoluta do que estava fazendo pareciam intensificar cada sensação.

Excitação.

Nervosismo.

Inquietação.

E a expectativa incômoda de não saber até onde aquilo chegaria.

Lavínia manteve o pescoço rígido e engoliu em seco.

Sua mão, porém, parou novamente.

Ela mesma não entendia como havia chegado ali para dar uma aula de ioga e acabara metida naquela situação.

Dante se inclinou e depositou um beijo em seu pescoço.

Só um.

Então parou.

Talvez, afinal, ainda tivesse algum senso de limite.

Seu olhar caiu sobre a tatuagem na clavícula dela.

— Quer ser minha amante?

Lavínia congelou.

Ergueu os olhos para ele.

Dessa vez, não havia brincadeira no rosto de Dante.

Ele sustentou seu olhar.

— Não vai me dizer que não quer.

Lavínia tentou entender o que havia por trás daquela proposta.

Era um teste?

Uma provocação?

Ou Dante estava realmente falando sério?

— Está falando de ser sua amante escondida?

— Com metade do Lume Bar achando que você é minha mulher, onde estaria o segredo?

Um sorriso discreto voltou aos olhos dele.

— Não quer tornar oficial essa história de ser minha mulher?

O coração de Lavínia bateu pesado.

Pensando bem, talvez não devesse se surpreender tanto.

Dante era inteligente demais para não ter percebido o que ela pretendia desde o começo.

Dizer que estava apaixonada por ele ou que o admirava em segredo seria ridículo.

A verdade era muito mais simples.

Lavínia queria usar a influência dele para ganhar dinheiro.

Só não esperava que Dante decidisse colaborar com o plano.

— E o que você quer em troca?

Nada vinha de graça.

Ninguém oferecia benefícios sem esperar alguma coisa.

Se Dante estava disposto a lhe dar algo, certamente também queria receber.

Ele arqueou levemente uma sobrancelha.

— Eu gosto de você.

Lavínia prendeu a respiração por um instante.

Não acreditou nem por um segundo.

Dante continuou com a mesma tranquilidade:

— Você é linda, seu corpo é flexível e transar com você me dá muito prazer.

Aquilo, pelo menos, era verdade.

Mulheres dispostas a se aproximar dele nunca haviam faltado.

Mas Lavínia tinha sido a única que conseguira fazê-lo perder o controle daquele jeito.

E, mais importante, ele realmente havia gostado.

Muito.

Dante passou os olhos por ela sem qualquer constrangimento.

— Se preferir, pode entender assim: eu gosto do seu corpo.

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