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Capítulo 6

Author: Rúbia
Lavínia recuperou a compostura.

O recuo durou apenas um instante. Em vez de se afastar, tornou a avançar e parou bem diante dele.

Tão perto que Dante sentiu o aroma suave que vinha dela. Não era perfume, apenas o cheiro fresco das roupas limpas misturado ao dos cabelos.

Ele conhecia aquele cheiro.

Naquela noite, sentira-o de muito perto e, contra todas as expectativas, deixara-se envolver por ele até quase perder a razão.

Dante nunca suportara mulheres que se aproximavam com segundas intenções.

Muito menos costumava levá-las para a cama.

Lavínia, porém, fora a exceção.

A primeira em mais de um sentido.

Quando ela chegou perto o bastante, Dante se deixou cair no sofá e, num movimento rápido, passou o braço pela cintura dela, puxando-a para si.

Lavínia perdeu o equilíbrio e caiu sobre ele.

Dante baixou os olhos para ela.

— Você realmente gosta de tomar a iniciativa.

Aquele homem tinha um talento especial para virar qualquer situação a favor dele.

Lavínia apoiou as mãos no peito dele. Sob as palmas, sentiu o coração batendo firme.

Ia se levantar quando Dante apertou sua cintura, obrigando-a a se inclinar outra vez.

Para qualquer pessoa que entrasse ali naquele instante, pareceria que era ela quem não conseguia desgrudar dele.

Lavínia o encarou, indignada. Dante, por outro lado, parecia estar se divertindo bastante.

— Dante, se continuar assim, vou acabar achando que você gosta mesmo de mim.

Dessa vez, ela nem tentou se levantar.

Já que ele queria brincar, ela também sabia jogar.

Dante estudou o rosto dela com calma.

Lavínia estava sem maquiagem. A pele clara e delicada fazia seus olhos parecerem ainda mais vivos, e os lábios rosados, levemente comprimidos, tinham uma maciez tentadora.

De tão perto, aquele aroma discreto parecia ainda mais envolvente.

— E você quer que eu goste de você?

A respiração quente dele roçou seu rosto, deixando uma sensação incômoda de calor na pele.

Lavínia percebeu a malícia escondida na pergunta, embora não soubesse dizer exatamente onde estava a armadilha.

À primeira vista, até parecia que ela conduzia aquele jogo.

Só parecia.

Na prática, continuava em clara desvantagem.

E Lavínia detestava perder.

Já que Dante mantinha a mão firme em sua cintura, ela deslizou a própria mão pelo peito dele até pousá-la em seu abdômen.

Dante estreitou ligeiramente os olhos.

A lembrança daquela noite veio de imediato.

A mão dela percorrendo seu corpo.

O jeito como ele acabara perdendo completamente o controle.

Nunca imaginara que se deixaria levar daquela maneira por uma mulher que mal conhecia. Ainda mais por uma mulher que, pelo visto, sabia exatamente até onde provocar.

Lavínia tinha um talento irritante para levá-lo ao limite.

— E se eu quiser? Você vai gostar de mim só porque eu quero?

Dante engoliu em seco e lançou um olhar para a mão ainda apoiada em seu corpo.

— Pelo jeito, você já está bem convencida de que eu não consigo resistir a você.

O sorriso continuava ali, mas a temperatura da brincadeira havia mudado.

Lavínia percebeu.

Ela sabia provocar, mas também sabia quando parar.

Não podia se dar ao luxo de provocá-lo além da conta. Se quisesse continuar trabalhando à noite, seria melhor não arrumar problemas com Dante.

Lavínia retirou a mão, endireitou-se e sustentou o olhar dele.

— Um homem como você... Acho que quase toda mulher já fantasiou alguma coisa. Quem não gostaria de ser a exceção na vida de Dante?

Recostado no sofá, Dante deixou o sorriso se alargar devagar.

Para Lavínia, parecia o sorriso de alguém que acabara de ouvir uma piada particularmente interessante.

Ela realmente havia mudado.

No começo, Dante conseguira deixá-la nervosa e desnorteada.

Agora, cada provocação recebia outra de volta.

E Lavínia tampouco fazia questão de fingir que aquela aproximação não lhe trazia vantagens.

Dante era inteligente demais para não perceber suas intenções. Se ainda não a afastara, era porque também tinha seus motivos.

Uma coisa, porém, ela sabia.

Não era porque gostava dela.

Uma voz veio do andar de cima.

— Dante, vou sair.

Lavínia tentou se levantar na mesma hora.

Por mais atrevida que fosse, não pretendia ser flagrada sentada no colo dele.

Dante, porém, se endireitou e fechou o braço ao redor de sua cintura, mantendo-a exatamente onde estava.

Lavínia tentou se soltar, puxando a mão dele.

— Não vai mais fazer a aula?

Dante falava com Isabela como se nada estivesse acontecendo.

Lavínia tornou a se mexer, mas não adiantou. Ele era forte demais.

Impaciente, bateu na mão dele e sussurrou entre os dentes:

— Me solta.

— Não vou mais. Se estiver interessado, pode pedir para a professora Lavínia dar uma boa alongada em você.

O sorriso de Dante se alargou, e a pressão em torno da cintura dela finalmente diminuiu.

— Mãe, gostei da ideia.

Lavínia parou.

"Mãe?"

Aproveitou a distração para escapar do colo dele e recuou vários passos.

Isabela era mãe de Dante!

Agora fazia sentido os dois se parecerem tanto.

Dante acompanhou a surpresa estampada no rosto dela e pareceu achar graça daquela reação tão espontânea.

Isabela surgiu no alto da escada.

Já havia trocado de roupa. Vestia um longo de seda cor de champanhe, com um casaqueto branco de tweed por cima, e carregava uma minibolsa elegante na mão.

A maquiagem discreta reforçava o ar sofisticado sem deixá-la excessivamente produzida.

Ela tinha uma elegância natural e, ao mesmo tempo, acolhedora.

Enquanto descia, sorriu para Lavínia.

— Professora Lavínia, aproveite o tempo que ainda resta e veja se consegue fazer esse menino se soltar um pouco. Se não der para relaxar os músculos, pelo menos tente acalmar a cabeça dele.

Lavínia virou-se para Dante.

Ele já estava perfeitamente à vontade no sofá, com a maior cara de inocente do mundo.

Como se não tivesse acabado de aprontar.

— Tudo bem.

Dante arqueou uma sobrancelha.

Esperava que ela recusasse.

Isabela sorriu, satisfeita.

— Então vou deixá-lo por sua conta. Filho, aprenda direitinho com a professora Lavínia. Quem sabe depois você não começa a fazer ioga comigo e eu finalmente ganho companhia?

Dante se acomodou ainda mais no sofá.

— Vai mesmo me deixar sozinho com a professora Lavínia? Não tem medo de ela querer tirar uma casquinha de mim?

Isabela lançou-lhe um olhar de reprovação e depois observou Lavínia, que permanecia ali com a aparência mais comportada do mundo.

— Para de falar besteira. E não fica provocando a menina.

— Vai saber. Talvez seja ela quem provoque.

Isabela deu um tapa no ombro dele.

— Você não leva nada a sério mesmo.

Dante riu, sem o menor constrangimento, e se levantou para acompanhá-la até a porta.

Quando voltou, Lavínia já tinha prendido o cabelo novamente e recuperado a serenidade.

— Dante, você vai mesmo fazer a aula?

— Claro.

Ele caminhou até ela, sem disfarçar a maneira como a observava.

— Você vai me ensinar.

Lavínia examinou as roupas dele.

— Talvez seja melhor trocar. Está tudo largo demais. Assim não consigo observar direito sua postura.

Dante olhou para si mesmo.

— E eu deveria vestir o quê?

— Alguma coisa mais justa.

— Só para você observar minha postura?

— Sim.

— Então não seria mais fácil se eu não vestisse nada?

Lavínia ficou em silêncio por um segundo.

Em seguida, abriu seu sorriso mais impecável.

— Se para você não tem problema, para mim também não.

— E por que eu teria? Você já me despiu inteiro e fez o que quis comigo uma vez.

Pronto.

Com uma única frase, Dante conseguiu desmontar outra vez a compostura que ela acabara de recuperar.

Mas, se ele não tinha vergonha nenhuma, ela tampouco continuaria se preocupando em parecer recatada.

— Eu estava bêbada. Você estava sóbrio. Não teria sido difícil me afastar.

Se Dante realmente não quisesse, nada daquilo teria acontecido.

No fim das contas, ele tinha tanta responsabilidade quanto ela.

Dante virou o rosto para encará-la, um sorriso difícil de decifrar nos lábios.

— Você faz ideia do quanto se agarrou em mim naquela noite? Quer que eu refresque sua memória?

Lavínia podia ser ousada, mas não tinha a mesma cara de pau que ele para relembrar, em plena luz do dia, os detalhes do que haviam feito na cama.

Mudou de assunto.

— Você aceita qualquer mulher que aparece?

— Se não me engano, antes mesmo de eu saber o que estava acontecendo, você já tinha decidido que era minha mulher.

Lavínia ficou sem resposta.

Perto de Dante, parecia uma completa iniciante.

Naquela troca de provocações, ela simplesmente não conseguia vencê-lo.

Era o terreno dele.

— Se você sabia que eu estava fingindo ser sua mulher, por que nunca me desmascarou?

Finalmente fez a pergunta que guardava havia dias.

Dante se aproximou.

Até a voz dele parecia feita para provocá-la.

— Não foi você mesma quem disse que eu não costumo recusar mulher nenhuma?

Lavínia apertou os lábios.

Dante ergueu a mão e segurou seu queixo entre os dedos, sem força, apenas mantendo-a diante dele. Demorou-se em seu rosto, e seu pomo de adão se moveu devagar.

— Me diz a verdade. Naquela noite, você estava mesmo bêbada ou só fingindo?

Lavínia o encarou, incrédula.

Ele realmente achava que ela seria capaz de fingir uma coisa dessas?

— Pensando bem, nem importa.

Os olhos de Dante desceram sem a menor cerimônia.

Lavínia vestia um conjunto de ioga justo, de tecido macio e boa qualidade, que acompanhava cada curva do corpo.

Era impossível não reparar.

Ela ergueu os olhos para ele.

Com Dante tão perto, seu coração acelerou contra a vontade.

Ele se inclinou um pouco mais.

— De qualquer forma, naquela noite... A gente combinou muito bem.

Um arrepio atravessou Lavínia e subiu até as orelhas. Ela recuou por instinto.

— Dante, você vai fazer a aula ou não? Se não for, eu vou embora.

Conversar em plena luz do dia sobre o desempenho dos dois na cama já ultrapassava o limite do constrangimento.

Só alguém muito experiente conseguiria falar de sexo daquele jeito, com tanta naturalidade, como se estivesse comentando sobre o tempo.

Lavínia fingiu indiferença e lançou-lhe um olhar de lado.

— Pelo visto, você realmente gosta de mim.

Dante parou por um instante.

Não esperava que ela devolvesse a provocação daquele jeito.

Então sorriu.

— Claro que gosto.

Sua mão voltou à cintura dela, firme.

Lavínia não pretendia ceder nem um centímetro.

Em vez de recuar, aproximou-se novamente e baixou a voz, deixando a provocação escorrer por cada palavra.

— Uma pena que eu estivesse bêbada demais da última vez para sentir muita coisa. Então ainda não sei o quanto nós dois realmente combinamos.

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